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The Author’s POV – Capítulo 28

Dungeon [4]

“Obrigado.”

Sentando um do lado do outro, os membros do grupo que estavam quase a beira da morte antes, agora estavam comendo felizes.

Eu fiquei realmente chocado com o quão rápidos eles recuperaram. Considerando o estado que estavam quando os encontrei, a velocidade de recuperação deles só pode ser considerada ‘divina’. Porque tipo, só levou um pouco mais de dez minutos para que já pudessem se sentar e comer e beber confortavelmente a comida que dei a eles.

E então me lembrei, aqui é totalmente diferente do meu mundo anterior.

Embora já tenha se passado três semanas desde que reencarnei nesse lugar, eu ainda não tinha me acostumado com o senso comum desse mundo, e com motivo.

Quero dizer, como eu deveria ter me acostumado com o senso comum desse mundo depois de viver três semanas nele?

Não é como se pudesse reprogramar meu cérebro para aceitar o fato de que pessoas conseguem se recuperar instantaneamente, quando, no meu antigo mundo, onde vivi por 32 anos, casos severos de desidratação levavam semanas de internação.

Agora, estou realmente curioso sobre saber se as outras pessoas que também reencarnaram pensam da mesma forma que eu.

Bom, deixando isso de lado, parece que estou quase ficando sem mantimentos.

Sobre água, ainda tinha bastante por causa da garrafa que aguenta 50 litros, mas minhas comidas estão quase acabando.

Eu só trouxe alguns quilos de comida, pensando que duraria uma semana, mas como iria imaginar que uma situação dessa fosse acontecer?

Além do mais, como estava em mente em apenas ficar no máximo três dias, não me vi na necessidade de trazer mantimentos para mais de uma semana.

E o que deixa as coisas ainda piores, era o fato de que os monstros presentes nessa dungeon não podiam ser comidos.

Normalmente, monstros podem sim ser digeridos, mas isso dependeria do tipo.

Alguns monstros que eram encontrados em algumas dungeons podem ser comidos, e oferecem efeitos de fortalecimentos em status, no entanto, isso era apenas para uma pequena quantidade de monstros, pois a maioria deles não eram comestíveis devido ao veneno em sua carne.

…e infelizmente, todos os monstros daqui não são comestíveis.

“Acho que não tenho outra opção…”

Pegando uma pequena caixa preta da pulseira, deslizei a tampa para o lado, revelando um pequeno botão vermelho.

Acima do botão, uma pequena tela exibia ondas que oscilavam constantemente, sinalizando a força do sinal.

Essa caixa preta, também conhecida como ‘Caixa de Ajuda’, é um aparelho dado para cada membro antes de entrarem nas dungeons.

Ao apertarem o botão, a caixa mandaria um sinal de socorro para o guardião de dungeon mais próximo.

Assim que o guardião recebesse o sinal, ele reportaria o acontecido para os operadores, que mandariam rapidamente uma equipe de resgate para ajuda-los.

A consequência por apertarem o botão era obviamente a perda do deposito, mas claramente vendo a exaustão mental que o grupo estava, eu apenas posso sacrificar meu deposito.

Quando eu os ajudei, olhei as Caixa de Ajuda deles, mas ou estavam quebradas ou não funcionavam.

…Provavelmente por causa da luta que tiveram.

No final, não tenho nenhuma outra opção a não ser usar a minha. No máximo, posso pedir para me devolverem o dinheiro, já que não estou usando o sinal para mim mesmo…

Após lançar um último olhar aos membros, que embora estivessem bem fisicamente, estavam claramente abalados mentalmente, pressionei o botão sem hesitar.

-Click

-Ding! -Ding! -Ding!

Assim que apertei o botão, a caixa preta começou a emitir um som que se espalhou pelos arredores.

“Huh? Que estranho…”

Incialmente, antes de apertar o botão, tudo parecia normal enquanto a caixa continuava a fazer barulho.

Mas, só depois de ver as expressões estranhas do grupo, que percebi que algo estranho.

Franzindo, olhei para a caixa em minha mão e para minha surpresa, a tela pequena que exibia as ondas estava reta.

Surpreso, cliquei na caixa várias vezes enquanto pensava se ela apenas não estava funcionando direito.

“Não adianta.”

Ao balançar a cabeça, o primeiro membro que salvei, aquele com a armadura robusta falou.

“Aconteceu a mesma coisa com a gente.”

Ao virar minha atenção para eles, não pude deixar de não franzir.

“Então por que não me disse isso antes?”

Então, a verdadeira razão do porque as caixas deles não funcionarem não era por estarem danificadas?

Sorrindo amargamente, o membro robusto coçou a nuca e disse.

“Ainda estávamos com um pouco de esperança de que as caixas que recebemos estavam apenas não funcionando direito e que a sua funcionaria… mas pelo visto esse não é o caso.”

Ao olhar para os outros membros, que pareciam ter perdido as esperanças, franzi ainda mais a sobrancelha.

“Entendo… tem uma coisa que está me incomodando por um tempo, o que exatamente aconteceu com vocês? Huh?”

Enquanto perguntava sobre o que aconteceu, o que era meu objetivo desde do inicio, percebi o grupo inteiro estremecendo de horror assim que fiz a pergunta.

Logo depois, seus corpos ficaram rígidos e seus olhos ficaram vazios.

Chocado, me levantei e olhei ao redor.

“Ei! Ei!”

Depois de fazer certeza de que não tinha ninguém por perto, fui de frente a eles e balancei a mão na frente de seus rostos, mas foi em vão. Seus rostos ficaram muito pálidos ao mesmo tempo que seus dentes começaram a se bater.

Logo, como se estivem em um transe, todos olharam ao mesmo tempo para cima e começaram a falar coisas incoerentes.

“Por favor…não…Eu não quer-…”

“Não…não…Ah…AHHHHH.”

“Morte…Demônio…”

“Lucy…Eu vou me atrasar para o jan..tar…espere pelo..papai.”

“Deus…salvador…”

Apesar de estarem dizendo coisas incoerentes, uma palavra em especifico me chamou a atenção.

“Demônio…”

Ao virar minha visão para a pessoa que falou essas palavras, uma garota de cabelos morenos em marias-chiquinhas e roupas que indicavam que era uma maga, começou a ter espasmos no chão.

Assim que ela começou, todos os outros membros começaram a mostrar condições similares enquanto bolhas começaram a sair de suas bocas.

“Oe, o que está acontecendo aqui?”

Surpreso, imediatamente fui na direção deles e dei leves tapas sem seus rostos, tentando ter alguma reação… mas não deu em nada, suas pupilas logo dilataram no mesmo segundo que seus pulsos sumiram.

“Morto…morto…morte… merda!”

Ao xingar em voz alta, me ajoelhei na areia e olhei para o horizonte vermelho a frente.

Não foram suas mortes que me chocou mais, mas como ele morreram e as últimas palavras que a garota disse antes de morrer.

“Demônio…”

Existia apenas um tipo de maldição que pode causa a morte de alguém segundos depois de se recuperarem…

‘Ruína Mental.’

Uma maldição cruel usada pelos demônios.

Agora ficou comprovado que isso foi obra de um demônio, pois eles são a única espécie que são capazes de implantar esse tipo de maldição dentro de um humano.

Aliás, acredito que a única razão por eles terem sobrevivido até agora não foi porque o demônio os deixou escapar… não, foi porque o demônio queria tortura-los, os fazendo sofrer de desidratação e desnutrição.

“Psicopata filha da puta! Ahhhhh!”

-Pa!

Com um soco poderoso na areia, os grãos finos escorreram da área impactada, revelando uma pequena cratera no solo.

Ao fuzilar meus arredores, eu jurei fazer o culpado pagar muito por isso!

Talvez por ter sido a minha primeira vez presenciando alguém morrer diante de mim, o choque fez com as minhas emoções ficassem todas bagunçadas.

Eu mal conseguia pensar direito, com as imagens do grupo morrendo repetindo sem parar em minha mente.

Os pequenos detalhes que deixei passar antes de suas mortes começaram a repetir em minha mente, como: as expressões que fizeram antes de morrer e as últimas palavras que estavam tendo dificuldade de falar.

‘E aqui estava eu, odiando os protagonistas nas novels que simpatizavam com as mortes…’

Rindo amargamente, me lembrei do tempo que costumava a deixar comentários de ódio nas novels quando o protagonista simpatizava com as mortes dos personagens extras.

Apenas depois de experenciar de primeira mão, que entendi o quão no ponto esses autores estiveram quando descreveram as emoções de alguém que presenciou a morte de outro.

Foi apenas agora que entendi o quão a vida é cruel e frágil.

Desde que reencarnei nesse mundo, eu me preparei mentalmente para esse tipo de situação, mas… só depois de experenciar em primeira pessoa que realizei o quão horrível é ver alguém morrer na sua frente.

Depois de me recompor, peguei a identificação de todos e enterrei os corpos embaixo da areia.

Após ver a morte dele, meu primeiro instinto foi dar um fora daqui dessa dungeon. Para alguém que conseguiu acabar com um grupo de Classe F, com certeza deve ser muito forte…

No entanto, no final de tudo, resolvi não ir.

Se alguém realmente estivesse atacando todo mundo nessa dungeon, a entrada é provavelmente o lugar mais perigoso para se estar agora.

No fim, não sei se minha decisão foi boa ou não, mas sei que… sei que voltar não era uma boa ideia.

…..

-Clank!

-Screeeech!

“Haaah!”

Um guincho agudo seguido por um grito poderoso ecoou pela área, revelando a silhueta de um humano pequeno enfrentando uma criatura colossal, que parecia ter o tamanho de um prédio de poucos andares.

Os gritos altos foram logo abafados por o som de metal chocando contra uma superfície resistente enquanto a pequena figura cortava a enorme criatura.

“Huff…huff…huff.”

Ao limpar o suor que acumulou em minha testa, olhei para o verme colossal diante de mim. Suas características, que pareciam uma versão aumentada de um Verme de Areia, se tornaram ainda mais evidentes à medida que sua figura emergia da areia. Dentes gigantescos, afiados como navalhas e empilhados no topo de sua boca em forma de pétala, se voltavam contra mim toda vez que seu corpo massivo investia na minha direção.

Faz exatamente vinte minutos desde que encontrei essa criatura, e devido à sua forma sorrateira de atacar – mergulhando na areia logo após cada investida – e seu corpo colossal, eu me vi totalmente sem chances contra ela.

Nas lutas anteriores contra os Vermes de Areia, meu alvo era sempre a boca, seu ponto vulnerável. No entanto, por causa do chefão ser uma versão mais alongada do verme, por mais que eu quisesse atacar a boca, a opção já não era possível, já que minha espada é pequena como um palito de dente comparado ao tamanho do monstro.

“Fuuu…”

Respirei fundo. Minha mão direita apertou com força o cabo da espada embainhada, e no instante em que a desembainhei, um arco elegante brilhou no ar enquanto eu recuava com um salto.

-Schreeech!

Com arrogância e sem sequer tentar ocultar sua presença, o gigantesco verme apareceu sob meus pés. Sua boca enorme, tomada por dentes afiados como navalhas, se escancararam enquanto seu corpo colossal emergia da areia aos poucos.

-Clank!

-Clank!

A principio, o único som que se ouvia era o da minha espada chocando-se contra a superfície rígida do verme, fazendo-me franzir o cenho com leve irritação. Contudo, essa frustação logo deu lugar a um certo prazer quando um estalo sutil ecoou da carapaça, e finíssimas fissuras se espalharam como teias pela superfície endurecida do monstro.

“Finalmente… meu trabalho valeu a pena!”

Satisfeito, comecei a atacar com mais intensidade.

Cerca de dez minutos atrás, compreendi que continuar atacando o verme de forma inútil só me levaria a ser devorado, pois minha resistência acabaria uma hora ou outra. Assim, ao entender que meu método atual não surtia efeito, comecei a bolar um plano.

Devido ao tamanho do monstro, atacar a boca já não era mais uma opção. Mas, por mais que seu tamanho fosse uma vantagem, ele também apresentava uma falha crítica.

Sua velocidade.

Não tinha comparação com os verdadeiros Verme de Areia, que disparavam como balas saindo debaixo da areia.

Não só eram mais velozes, como também muito mais difíceis de detectar, já que seu pequeno porte reduzia as vibrações que causavam ao se mover sob a areia.

Com sua velocidade diminuída, concentrei meus ataques em um único ponto, com esperança de finalmente romper a ca

rapaça que parecia invulnerável.

E finalmente, depois de atacar o mesmo local por 10 minutos, uma pequena rachadura apareceu na superfície do verme, me fazendo ficar animado.

“Agora é hora de trocarmos nossos papeis…”

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