Usando a espada para trazer o corpo diante de mim, especulei que o monstro era alguma variante de verme de areia.
De cima a baixo, sua aparência era de um verme, mas sua boca, ao se abrir, se assemelhava a uma flor de quatro pétalas. Porém, diferentes de flores, a visão não era nem um pouco agradável.
Se alguém olhasse de perto, ao abrir a boca, o monstro semelhante a um verme revelaria dentes parecidos com os de uma serra elétrica, que se projetavam afiados nas bordas de sua boca.
Seu exterior, que era tão forte quanto titânio, libera algum tipo de substancia mucosa do corpo.
-Tshh!
Ao usar meu dedo para pegar um pouco do muco, senti ele arder, o que fez com que minhas sobrancelhas franzissem involuntariamente.
‘Será que é esse muco a razão pela qual eles conseguem viajar pela areia, como um peixe nadando no oceano?’
Ao analisar o muco de perto, observei o local onde o verme havia passado, e naquele momento compreendi na hora como ele conseguia se deslocar com tanta velocidade pela areia.
O muco que a o verme excretava, era algum tipo de ácido que lentamente corroía a areia ao redor, permitindo o livre deslocamento por ela.
‘Fascinante.’
Ao limpar o muco do dedo, guardei o corpo na pulseira.
E depois de pegar meu celular, abri a enciclopédia dos monstros e rapidamente olhei a lista.
Depois de um tempo, finalmente consegui achar o monstro que combinava com a descrição do monstro que matei.
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Nome: Germes de Areia
Classe: Classe F-D
Descrição: Monstro que tipicamente é encontrado em regiões desérticas, e é por volta do tamanho de um braço de adulto. Se pegado desprevenido, o Germe da Areia, com seus dentes afiados consegue facilmente arrancar os membros de sua presa, os deixando imobilizados. Sua pele é extremamente resistente como um titânio e excreta um forte acido, com pH igual a 1.
Fraqueza: Boca, a única parte que não é protegida por seu exterior resistente.
Locais: [Por do Sol Interminável], [Dunas da Tristeza], [A Fúria do Lorde],…
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“pH 1?”
Erguendo a sobrancelha, olhei para meu dedo, que antes havia tocado na substancia mucosa.
Felizmente, tirando a vermelhidão, não parecia ter nada com que me preocupar.
‘Acho que ter consumido a [Semente do Limite] ajudou o meu corpo a ficar mais forte… considerando que um acido de pH 1 não fez nada comigo…’
Depois de colocar o celular no bolso, continuei minha caminhada para o fundo da dungeon, com esperança de achar o chefão dessa área.
Durante a jornada, cada monstro que matava e não sabia nada, eu olhava o aplicativo da enciclopédia para descobrir sobre eles.
-Screeech!
-Phftttt
Sem nem precisar olhar na direção do que me atacou, perfurei a espada para a minha direita e logo que senti ela ficando pesada, cliquei na pulseira.
“38…”
Até agora, o monstro que mais apareceu nessa região desértica, foi o Germe da Areia e como já havia lutado com uma dúzia deles, já conseguia prever seus movimentos.
Primeiro, se prestasse bem atenção, antes do ataque, você conseguiria sentir leve vibrações abaixo de seus pés. Com essa leve vibração, eu conseguia calcular aproximamente onde seria o ataque.
Além disso, pelo que observei, eles nunca atacam pela frente, ou seja, seus ataques só poderiam vir da esquerda, direita ou por trás.
Com esse conhecimento, toda vez que percebo uma leve vibração sob a areia, posso focar minha atenção em uma área menor e reagir com mais rapidez.
Segundo e mais importante, por algum motivo, sempre quando atacam, os vermes sempre soltam um grito alto.
Por causa disso, era muito fácil calcular a posição exata de onde vão atacar.
Ainda que fossem incrivelmente rápidos e soltassem um grito antes de atacar, sua velocidade era tão alta que poucos conseguiam reagir a tempo, tornando-se presas fáceis de suas emboscadas.
Mas assim que você decora os padrões de ataques, eles acabam virando o monstro mais fácil de matar.
“Huh, o que é aquilo?”
Forçando a visão, avistei, a alguns quilômetros de mim, algumas silhuetas que lembravam seres humanos.
Pareciam estar em uma situação complicada, já que nenhum deles se movia.
“Eliminação é?”
Não era algo incomum para grupos serem eliminados dentro das dungeons, já que muitas coisas poderiam dar errado.
“Será que ajudo…”
Para ser sincero, eu não tenho nenhuma obrigação de ajuda-los, pois todos eram por si dentro de uma dungeon… mas, pelo jeito das coisas, o grupo tinha pelo menos 5 membros, o que me faz pensar; o que deve ter acontecido para eles acabarem nessa situação?
Espera lá, vamos pensar com calma…
Será que estavam tentando atrair a piedade de quem passasse, só para depois atacá-lo assim que abaixasse a guarda, na intenção de roubar seus itens?
Hmm… acho que não.
Primeiramente, considerando onde estamos, as chances de acharem alguém por perto é extremamente baixa, então esse tipo de golpe não funcionaria aqui.
E mesmo se fosse isso, não acho que eles conseguiriam me derrotar…
Slap!
Depois de dar um tapa na bochecha, continuei observando as pessoas á distancia.
Meu ego quase voltou por um momento.
Havia cinco pessoas no total e como estavam numa dungeon Classe F, provavelmente eram Heróis ou Vilões de Classe F.
Embora estivesse confiante sobre minhas habilidades, não posso ser confiante a ponto de conseguir derrotar cinco Classe F sem sair ileso.
Quanto mais observava, mais tinha certeza de que eles não estavam tentando roubar ninguém, pois pareciam realmente estarem desesperados.
Agora, a pergunta é se devo ou não os ajudar…
Se eu ajudar, então isso diminuiria meus suprimentos iriam diminuir, já que iria compartilhar um pouco com eles, mas, deixando isso de lado, tem uma coisa que está me incomodando desde do inicio…
Por que eles ainda não chamaram por ajuda?
Por mais que parecesse que estavam mortos vendo de longe, se alguém olhasse com atenção, veriam que todos ainda estavam respirando.
Sem contar que alguns até estavam se mexendo, mesmo que levemente.
Tenho certeza de que não teriam problema em mandar um sinal de socorro e esperar.
Mas por que não fizeram isso ainda?
Algo não cheira bem aqui.
Parte de mim só queria ir embora e deixa-los, mas meus instintos estavam dizendo que eu for embora agora, vou acabar me arrependendo depois…
“Ah… foda-se também!”
Suspirando lentamente, pulei da duna de areia que estava em cima e deslizei até onde o grupo estava.
“Foda-se, mesmo se for uma armadilha e só dar um fora.”
Mesmo desconfiado, achei melhor não correr risco desnecessários…
Mais de querer ajuda-los, eu quero é descobrir o que aconteceu com eles.
Era quase impossível para um grupo de cinco Classe F ser reduzido a esse estado dentro de uma dungeon Classe F.
Até mesmo o chefão teria dificuldade contra cinco Classe F.
Enquanto me aproximava do local onde estavam, percebi os sinais evidentes da batalha que tiveram. Normalmente, a areia no deserto era moldada em pequenas ondas, no entanto, aqui a areia estava esparramada por todo lugar e varias crateras estavam espalhadas pelo lugar.
Julgando pelo estado dos arredores, aconteceu uma luta grande aqui. No entanto, estranhamente, não havia nenhuma carcaça de monstro avista.
Normalmente, quando se lutar contra um monstro, você conseguiria ver sinais de sangue por todo lugar ou quaisquer tipo de sinal de que uma luta aconteceu.
Porém, ao analisar com mais cuidado, exceto pelo sangue vermelho – provavelmente dos membros da equipe –, não havia nenhum sinal de que eles estivessem enfrentando um monstro.
Quanto mais pensava sobre isso, mais estranho a situação parecia…
Na verdade, parando para pensar, como eles ainda estavam vivos?
Normalmente, quando se luta contra um monstro, tinha apenas dois finais.
Ou você morre ou o monstro morre.
Nada mais.
Mas aqui, embora estejam machucados, o grupo ainda está vivo.
Isso significava que não lutaram contra um monstro, mas sim com outro grupo de humanos?
Mas se for isso, por que deixaram eles vivos?
Algo definitivamente estranho estava acontecendo aqui e se eu não tomar cuidado, vou acabar sendo puxado pra isso também…
Quando cheguei diante do grupo, percebi que todos me encaravam com olhos vazios; ainda que aparentassem sentir minha presença, não pareciam capazes de falar ou sequer processar o que estava acontecendo.
Não, não era bem que eles não conseguiam pensar. Na verdade, parecia mais que estavam tão desidratados que eram incapazes de raciocinar.
A quanto será que estão assim?
Ao ponto de estarem desidratados e não conseguirem falar, quantos dias já se passaram desde que foram atacados?
Quanto mais pensava, mais perguntas se formavam na minha cabeça.
Chegando em frente ao grupo, rapidamente aproximei a pessoa que estava mais perto.
A pessoa estava usando uma armadura robusta que lembrava um rinoceronte, tentei virar o corpo que estava de lado.
Ao segurar as placas enormes de metal em seus antebraços, tensionei meus quadris e tentei virar o corpo. Sentindo o peso enorme da armadura, xinguei silenciosamente o fato de eu ter escolhido ajuda-lo primeiro. Ele não só lembrava um rinoceronte, como também pesava como um!
Julgando pelo tanto de dificuldade que estou tendo, assumi que a armadura deve pesar no mínimo uns cem quilogramas.
-Clank!
Finalmente, depois de muita dificuldade, consegui virar o corpo do cara.
Ao ajoelhar, tirei o capacete sem demoras e o observei.
“Lábios secos. Olhos vazios e dilatados… a situação é pior do que eu imaginava.”
Depois de observar as suas condições, tudo apontava para o fato de ele estar extremamente desidratado.
E vendo que não tinha muito tempo, rapidamente cliquei na pulseira duas vezes e uma garrafa de água apareceu diante de mim.
Posicionando a garrafa em sua boca, assisti enquanto ele abria com dificuldade a boca.
Embora parecesse que soubesse que tinha uma garrafa bem na sua frente, por estar muito desidratado, o cérebro do homem já estava começando a desligar.
Vendo aquilo, ergui a garrafa e derramei a água cuidadosamente em sua boca.
“Gulp..gulp..gulp..”
De inicio, enquanto a água caia em sua boca, ele tomava goles pequenos, mas depois de segundos, os goles pequenos se transformaram em goles enormes; e aos poucos, porém claramente, seus olhos começaram a focar novamente enquanto ele tomava a água sem parar.
Assistindo-o beber a água com vigor, abri um leve sorriso e me voltei para os outros.
Olhando para eles, pareciam estar numa condição semelhante ao do homem que acabei de ajudar.
Porque eu só tinha uma garrafa, tenho que espera-lo acabar antes de poder ir ajudar os outros.
Felizmente, como a garrafa conseguia guardar 50 litros de água, eu não estava muito preocupado em ficar sem.
“Kh,,th…a-nnng.”
“Shh… come isso enquanto vou ajudar os outros.”
Recuperando um pouco de suas forças, o homem que acabei de ajudar tentou falar, mas eu imediatamente o calei e dei algo para comer.
Apesar de querer saber o que realmente aconteceu aqui, ele estava em um estado ruim.
No momento, mi
nha prioridade principal é ajudar os outros, posso achar tempo para conversar com ele depois que os outros estiverem bem.
Pegando a garrafa dele, fui em direção a próxima pessoa e um cena semelhante passou diante de mim.