Um silêncio constrangedor envolveu o terraço. A parte dos sons dos passarinhos voando no céu limpo, nenhum outro som podia ser ouvido na área.
-Step -Step -Step
Chegando na beirada do terraço e parando do meu lado, Kevin colocou a mão no corrimão e olhou para Hollberg a distância.
Tirando as sirenes das ambulâncias que passavam aqui e ali, a cidade de Hollberg parecia calma e normal.
Enquanto Kevin admirava a cidade em silêncio, uma atmosfera estranha, porém, relaxante envolveu nós dois. Como se nossas preocupações tivessem desaparecidos por um momento.
Por um curto período de tempo, nenhum de nós falou. Só ficamos observando a cidade a baixo.
“É pacifico, não é?”
Quebrando o silêncio, enquanto ainda olhava para o horizonte, Kevin perguntou.
“Muito…”
Assenti com a cabeça, ainda mantendo meus olhos à distância.
Da onde eu estava, conseguia ver crianças e adultos brincando no parque na frente do hospital. Pessoas andando pelas ruas para irem trabalhar e carros buzinando uns para os outros.
Era realmente calmo…
“Obrigado.”
Quebrando o silêncio novamente, Kevin me agradeceu.
“…”
Fechando meus olhos, não o respondi por um momento.
…Eu não sabia como responder.
Se eu responder, não é a mesma coisa que confirmando que fui eu que matei o assassino?
Mas…
“…Sem problemas.”
No final, essas foram as palavras que saíram da minha boca.
Olhando de canto para ele, percebi que teria sido inútil negar a situação.
Tendo criado o Kevin, eu mais do ninguém sabia que ele não era um protagonista lerdo. Não importasse o quanto eu negasse, ele já sabia o que tinha acontecido.
Qual era o sentido de negar algo que era obvio…
Ao escutar minha resposta, Kevin sorriu.
“Sabe, você parece uma pessoa completamente diferente de ontem…”
Pausando brevemente, o garoto olhou para mim de relance antes de voltar a encostar no corrimão, novamente olhando para a cidade.
“…você parece mais humano.”
“…”
Ficando surpreso por um instante, lembrei da noite anterior e sorri amargamente, respondendo.
“Bom, as circunstâncias me forçaram a agir daquela forma…”
“As circunstâncias, hm…”
Ao repetir a palavras mais algumas vezes, as sobrancelhas de Kevin se franziram por um segundo antes de relaxarem.
Olhando para mim, ele disse.
“…elas foram as mesmas circunstâncias que fez você atacar o Jin?”
Negando com a cabeça, enquanto olhava para as nuvens no céu, eu sorri.
“Você acreditaria se dissesse que foi para o bem dele?”
Inclinando a cabeça, ele pensou por um momento antes de assentir.
“Mais ou menos.”
Surpreso, virei minha cabeça na direção dele.
“O que fez você concordar com isso?”
“Eu não teria acreditado em você se fosse antes, mas como acabei de voltar da visita do Jin, eu e o pessoal percebemos uma mudança nele…”
“Não sei o que você fez, mas o Jin estava mais de boa para conversar. Embora ainda um pouco arrogante, não está ruim como antes. Além disso, o jeito que ele me olhava era diferente…”
Colocando um dedo no queixo, Kevin pensou antes de continuar.
“…Hm, antes tinha uma certa hostilidade, mas agora, isso sumiu. Parece que ele até virou uma outra pessoa.”
“Pelo menos foi isso que senti quando olhei para ele.”
Quando ouvi o que ele falou, fiquei honestamente um pouco surpreso.
Parece que o que fiz sob a influência da [Indiferença do Monarca] valeu a pena. Era uma aposta. Uma muito arriscada, mas estou feliz que o loiro conseguiu se recompor de volta.
Por mais que não sei se ele me odeia pelo que fiz, contanto que ele volte ao normal, isso é tudo o que importa.
Igual ao Kevin, eu sendo o autor, sei a personalidade de Jin melhor do que ninguém.
Eu sabia, que depois do que fiz com ele, ele não iria mirar na minha família.
Com o orgulho que ele tinha, o loiro nunca atacaria a família de outra pessoa. Se alguém como ele submetesse a tal método, então já teria perdido.
Talvez, seja por isso que fui duro com ele na noite anterior.
…mas, eu não tinha muita certeza.
Se tivesse sido outra pessoa, mal podia imaginar as consequências das minhas ações.
Só de imaginar, já me subia um arrepio pelas costas.
E de novo, minha apreensão sobre a [Indiferença do Monarca] cresceu.
…Preciso urgentemente mudar minha mentalidade.
Ao ver que eu estava pensativo, Kevin hesitou por um momento antes de dizer algo que esteve me incomodando desde ontem.
“…Por que está escondendo suas habilidades?”
Ao ouvir a voz do garoto, sai dos meus pensamentos. Pensando na pergunta por alguns segundos, balancei minha cabeça e olhei para ele, com pena nos olhos.
“…Você deve saber a respostar melhor que ninguém.”
Se apoiando de costas no corrimão, Kevin pensou antes de soltar um leve riso.
“Acho que está certo, foi estupidez da minha parte perguntar.”
Sorrindo, comecei a observar melhor o protagonista. Uma coisa que notei, foi as orelhas enormes e pretas embaixo de seus olhos. Foi aí que lembrei, ele deve estar exausto, por ter usado o [Overdrive] na luta.
Embora essa habilidade seja forte, os efeitos colaterais eram tão fortes quanto ela. Pela aparência de Kevin, parece que ele precisa de mais alguns dias de descanso antes de poder se recuperar por completo…
“Bem, essa é minha deixa.”
Depois de olhar para a cidade mais um pouco, fechei os olhos e decidi sair. Apesar de não ter sido longa, minha conversa com o Kevin me fez acalmar de alguma forma.
“Hmm.”
Sem dizer nada, Kevin assentiu, desfrutando da luz do sol e já perdido no próprio mundo dele.
Não posso culpá-lo. Depois do que aconteceu, tenho certeza de que ele está se culpando muito.
…Isso é apenas quem ele é.
Soltando um suspiro longo, assim que estava prestes a sair, parei e olhei para o garoto.
“Antes de eu ir, vou te dizer algo importante.”
“O quê?”
Ao ouvir o quão sério meu tom soou, Kevin despertou de seus pensamentos e prestou atenção.
Olhando para os lados, fazendo certeza de que não tinha ninguém ali, olhei direto nos olhos vermelhos e disse.
“Demaquilante é um excelente repelente de mulheres.”
“…”
“Tchau.”
-Clank!
Ao fechar a porta atrás de mim, desci as escadas com calma. Depois de uma breve pausa, as risadas de Kevin ecoaram pelo terraço, era tão alta, que consegui ouvir até o fim da escada.
Balançando a cabeça, um sorriso abriu-se no meu rosto.
Por mais que ele estivesse fazendo seu melhor para não demonstrar, eu sabia que ele estava no momento sob muita pressão.
Diferente de mim, no entanto, sua culpa era pelo fato do quão fraco e vulnerável se sentiu ao ver seus colegas morrerem diante de seus olhos.
E mesmo Kevin estando sentindo uma culpa diferente da minha, eu meio que conseguia me simpatizar com o sentimento dele.
…Espero que minha piada tenha o ajudado a se distrair um pouco.
Ao balançar a cabeça novamente, me direcionei para a sala de espera do hospital.
‘Não é fácil ser o protagonista.’
…..
“Sejam bem vindos.”
Chegando em frente à entrada do prédio, Donna sorriu radiante.
Parando diante dela, estava um homem musculoso de cabeça raspada, usando óculos de sol enquanto observava tudo ao redor. Sua atitude era fria e sua expressão não mudou nada mesma com a chegada de Donna.
“Hmm.”
Acenando de leve em direção à mulher, o rosto do homem musculoso se manteve relaxado.
Sorrindo feliz em retorno, Donna olhou em volta para ver se tinha mais alguém. De acordo com a ligação que recebeu, seria duas pessoas importantes que viriam hoje.
“Eyoo, Donna!”
…E logo quando iria perguntar sobre a outra pessoa, uma voz encantadora e um cheiro de flores chegaram até ela. Só de ouvir a voz, Donna já sabia no mesmo instante quem era segunda pessoa.
“É bom vê-la de novo, Monica.”
Aparecendo por detrás do homem grandalhão, uma jovem garota de cabelos laranjas escuros apareceu.
Rodeada por uma aura brilhante, Monica sorriu com entusiasmo na direção de Donna. Ela tinha olhos azuis-claros como cristais e tinha altura de 160 cm.
Ao contrário da beleza sedutora de Donna, sua beleza era mais para o lado inocente.
“Haha, quando foi a última vez que nos vimos?”
“Acho que meio ano atrás.”
“Hm, é mais recente do que pensava.”
“Bom, com a sua correria de sempre, seria de se estranhar se meio ano parecesse curto para você.”
Suspirando exageradamente, Monica olhou para Donna com inveja.
“Ahhh, acho que teria sido melhor se eu tivesse ido ser professora como você.”
Sorrindo, a mulher de olhos roxos sorriu.
“É sua culpa por te escolhido dinheiro ao invés de felicidade.”
“Estou começando a me arrepender da minha decisão…”
Olhando para a garota a sua frente, Donna não pode deixar de pensar no passado.
Ela, junto com Monica, se formou na Lock. No entanto, diferente dela, a garota de cabelos alaranjados escolheu se juntar a União ao invés de ensinar na escola.
Naquele tempo, seus poderes eram quase iguais, mas cinco anos depois, graças ao suporte que recebeu da União, ela agora estava no Rank 27 nos Rank de Heróis.
Seu apelido era: ‘A Bruxa do Entardecer.’
Seus poderes eram tão devastadores, que a União colocou um grande destaque sobre ela.
Eles tinham expectativas altas. Devido ao seu desempenho excepcional nos últimos anos, todos acreditavam que ela se tornaria a próxima Heroína de <Classe SS>.
Esse era o tamanho do potencial dela…
“Monica, pare de enrolar e vamos acabar logo com isso.”
Interrompendo a conversa das duas, o cara musculoso disse.
“Minha nossa, já te falaram que você é um estraga prazeres, George?”
“…”
Ignorando a mulher de cabelos alaranjados, o homem alto, chamado George, olhou para Donna. Ele estava indicando para andar logo com isso.
“Que tal, primeiro, vocês entrarem no hospital ao invés de ficarmos parados na entrada?”
Percebendo o gesto, Donna notou que a atmosfera ficou tensa.
Quase sufocante.
Isso era devido ao quão grande suas presenças eram. E apesar de não estarem fazendo isso de proposito, todos ainda conseguiam sentir.
“Por aqui.”
Sem esperar mais tempo, sinalizou para que os dois a seguissem, Donna os levou para uma parte mais isolada do hospital.
“Muito bem.”
Sorrindo com alegria, Monica e George seguiram a professora.
Só depois dos três irem embora, que a atmosfera voltou ao normal.
…..
Chegando a uma parte mais luxuosa dentro do hospital, Donna os levou até a sala privada.
Os convidando para sentar, Donna tirou o casaco e se sentou no sofá.
“Então, que devo a honra de você virem aqui?”
Olhando para o companheiro por um segundo, Monica levantou dois dedos.
“Temos dois motivos.”
“O primeiro, é entregar um certo equipamento para os agentes, e o segundo, para ver um aluno em específico…”
Ao ouvir a primeira parte da sentença, Donna assentiu. Para conseguirem medir corretamente se demônios e vilões estavam envolvidos no incidente, um equipamento especial era necessário. Se não, seria muito difícil confirmar se foi trabalho dos vilões ou outra pessoa.
No entanto, ao ouvir a segunda parte, as sobrancelhas de Donna franziram.
“Quem é o estudante que estão interessados?”
“Kevin Voss.”
“Kevin?”
“Sim.”
Ao ouvir o nome do garoto ser mencionado, o cenho da professora aumentou ainda mais.
“Por que vocês precisam vê-lo?”
Interrompendo Monica, antes que ela pudesse responder, George falou.
“Não é da sua conta.”
“Oh? Tenho que discordar com você, porque ele é meu aluno.”
Arqueando a sobrancelhas, a mulher de olhos roxos olhou para o cara alto e soltou sua aura de <Classe S>.
“Hmph!”
Não querendo recuar, George também soltou sua aura.
No mesmo instante, o quarto inteiro tremeu.
“Ei, vocês dois, se acalmem.”
Percebendo que a situação estava saindo do controle, Monica interviu.
-Wooosh!
Em seguida, as auras de ambos desapareceram e foram envolvidas por uma ainda mais monstruosa.
“Khh…”
“Khhh… Para, já entendemos, Monica.”
Rodeados por uma pressão avassaladora, ambos os heróis se sentiram como um caminho tivesse os atropelados.
Nenhum conseguia sequer mexer um dedo.
Ao ver que os dois se acalmaram, a aura de Monica desapareceu.
“Pheewww, vocês sabem que não gosto de fazer esse tipo de coisa.”
Jogando o cabelo por cima do ombro, a mulher de cabelos alaranjados encostou no encosto da cadeira. Olhando para a professora, ela disse.
“Não é nada com o que precise se preocupar. Só queremos ter uma conversa divertida com ele.”
Suspirando sem escolha, Donna olhou para Monica com uma expressão complicada antes de falar.
“…Vocês não estão pensando em recrutá-lo, estão? Se sim, podem esquecer dessa ideia agora. Ele precisa se formar na escola antes que possa sequer pisar dentro da União.”
“Sabemos, sabemos, não vamos recrutá-lo, seria mais, observá-lo.”
Quando viu um pouco de hostilidade nos olhos arroxeados, Monica a tranquilizou. Batendo de leve no braço da cadeira, a heroína olhou para o teto da sala antes de continuar.
“Também temos algumas outras pessoas em mente… mas eles vão ser mais difíceis de recrutar, por terem pais que fazem parte de guildas…”
Fingindo não ter ouvido a segunda parte da frase, Donna assentiu.
“Hmm, se vocês prometerem que não vão fazer nada fora da ordem, vou permiti-los encontrar com ele.”
“Obrigada, Donna. Você é a melhor!”
Levantando-se com alegria, Monica pulou com tudo na mulher.
“Paraaa, fica longe de-“