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The Author’s POV – Capítulo 71

O Fraco [2]

[Ontem, por volta das 21:45, em Hollberg. Um grupo de indivíduos não identificados atacaram centenas de alunos da Escola Lock, matando 389 e incapacitando 107…] 

Sentando em uma cadeira confortável dentro do hospital privado, olhei para a enorme TV na parede.  

Nesse instante, um jornalista homem estava relatando sobre os acontecimentos em Hollberg. Ao lado dele, uma jornalista mulher adicionava alguns comentários aqui e ali. 

[…De acordo com as investigações, nenhuma informação valiosa foi conseguida dos agressores, pois todos se suicidaram ou morreram de causas desconhecidas. De acordo com os relatórios, graças a ajuda de Donna Longbern, Rank 156, e Connor Novak, de <Classe S>, o número de perdas não chegaram aos quatro dígitos…] 

[Esse tipo de massacre aos estudantes nunca aconteceu antes na história da Lock, ou da humanidade. O que aconteceu ontem, sempre será lembrado como “O Massacre de Hollberg”, tudo o que podemos fazer é dedicar nosso apoio e orações às vítimas desse trágico acidente.] 

Arrumando os papeis na mesa e depois olhando para a câmera, a voz do jornalista se agravou. 

[Agora, isso nos traz a uma nova pergunta. Será que a Lock é realmente um lugar seguro? Será que a Lock é realmente o santuário que o Governo Central e a União tanto falam? Quem deve responder pela morte desses 389 jovens? Eu não tenho certeza sobre o que achar, mas…] 

-Clack! 

-Bam! 

Enquanto eu assistia, a TV de repente foi desligada. Em seguida, um som de algo sendo jogado com força no chão ecoou pelo hospital. 

Virando minha visão até a origem do som, um professor estava de pé enquanto encarava o controle remoto quebrado. 

Olhando de volta para a TV, ele gritou. 

“Que tipo de asneiras ele está falando?! Eles esperam que a gente consiga proteger todos os alunos enquanto também estávamos lutando pelas nossas vidas? Será que eles sequer entendem o que passamos naquela noite? Em? Me fala!” 

“Professor Rim, por favor, se acalme.” 

“Professor Rim!” 

Percebendo o estado do professor, alguns estudantes e professores se aproximaram dele para tentar acalmá-lo. 

E apesar dos esforços, o professor não se acalmou. Apenas depois que mais pessoas chegaram que ele finalmente parou de gritar e se recompôs. 

O clima estava muito pesado. 

Não só os estudantes, mas os professores também estavam bastante afetados com o incidente. E apesar do fato dos adultos já terem passado por situação semelhantes, isso não significa que não se sentiam mal pelo que aconteceu. 

Seja estudante ou professor. 

Todos pensavam a mesma coisa. 

…E se eu fosse mais forte? 

Será que uma vida a mais poderia ter sido salva? 

Ao olhar a comoção, balancei a cabeça. 

Não existe ‘e se’ no mundo. O que aconteceu, já aconteceu. Ou você olha para frente e segue ou se mantém preso ao passado. 

Olhando para o aluno sentado ao meu lado, seus olhos estavam opacos. Era obvio que o jovem estava traumatizado, por causa do massacre. 

Eu de certa forma entendia pelo que eles estavam passando. 

Por ter perdido meus pais no pico da minha vida de dependência, eu sabia o sentimento de perder alguém querido. 

Alguns perderam seus melhores amigos, outros perderam seus parceiros e outros seus irmãos. 

A maioria perdeu algo na noite anterior. 

Enquanto observava o estudante sentado do meu lado, uma sensação de culpa se formou dentro de mim. 

…Eu já tinha me preparado mentalmente para isso, mas cada momento que passo nesse hospital é agoniante. 

Os choros desesperados dos pais dos alunos falecidos podiam ser escutados pelo prédio inteiro, cada um deles levando um pedaço do meu coração junto. 

Eu me sentia sufocado. Quase como se estivesse preso dentro de um quarto minúsculo com quase nenhum oxigênio para respirar. 

Só depois de aumentar o volume do meu Mp3 no máximo, que consegui me acalmar totalmente. 

“Fuuu…” 

Respirando fundo, me levantei e decidi ir tomar um pouco de ar. 

Quanto mais eu ficar aqui, pior vou me sentir. 

Preciso me distrair um pouco. 

‘Talvez o melhor lugar seja o terraço.’ 

Um lugar quieto, que com certeza ninguém vai me incomodar. O terraço era o lugar perfeito para clarear minha mente… 

….. 

Dentro de uma sala isolada no hospital, Donna estava olhando os documentos do incidente. 

Por causa da sua reputação como heroína ranqueada, ela conseguiu ganhar acesso as câmeras instaladas no primeiro andar. 

No momento, o vídeo que estava vendo, foi filmado pela câmera do corredor dos quartos 500 até 599. E obviamente, também continha as lutas dos estudantes contra os indivíduos de preto. 

E mesmo um pouco hesitante, sabendo que poderia arrumar problemas se descobrissem, ela analisou quase todos os relatórios entregues e houve um, em especial, que chamou sua atenção. 

–Não fui eu que dei o último golpe. 

Isso foi o que Kevin escreveu em seu relatório. 

A autopsia relatada pelos agentes sobre o indivíduo de <Classe D+>, encontrado ao lado de Kevin e dos outros, mostrava que ele foi morto por um golpe de espada direto no coração. Donna sabia, que exceto por Kevin, ninguém mais ali presente naquela sala conseguia usar espada. 

Emma usa espadas curtas. Amanda usa um arco e Jin usa adagas. 

Se o último ataque não foi dele, então de quem foi? 

Depois de investigar um pouco, Donna conseguiu posse das autopsias dos outros indivíduos encontrados na sala onde o grupo foi encontrado. 

No total, haviam seis indivíduos dentro do local. Exceto o de <Classe D+>, os outros cinco eram tudo <Classe E>. Uma grande diferença de poder. 

No entanto, o que chamou sua atenção, não foi a classes deles. Não. Foi o estado dos corpos. 

Dois dos cinco indivíduos vestidos de pretos foram encontrados sem cabeças. Além disso, eles também foram mortos com um golpe de espada limpo. Isso era uma diferença drástica, comparado com os outros três que, sem dúvidas, foram mortos por uma adaga, devido aos cortes profundos e tamanho das esfaqueadas. 

Comparando os vídeos com o tempo, Donna sabia que Kevin e as meninas ainda não tinham chegado para ajudar o Jin. Ou seja, tinha outra pessoa envolvida. 

“Esse aluno.” 

Realmente, depois de analisar os vídeos gravados, havia um estudante que chamou sua atenção. Da cabeça aos pés, ele não passava de uma pessoa comum. No vídeo, o garoto em questão não estava fazendo nada de mais e quando os assassinos invadiram, ele não podia ser visto em nenhum lugar. Quase como se tivesse desaparecido. 

Se não fosse pelo fato de que estava procurando por ele, ela teria assumido que o garoto já tinha morrido como os outros estudantes naquela noite. 

E o que aconteceu depois, é ainda mais curioso. 

De repente, às 21:58, o garoto apareceu entrando no corredor dos quartos 500-599. 

Sempre que andava, um indivíduo misteriosamente caia no chão. Por causa do caos ao redor, se ninguém olhasse com atenção, ninguém conseguiria perceber esse pequeno detalhe. Era algo tão sutil, que ninguém em volta dele estava percebendo o que estava acontecendo.  

E mesmo dando zoom na câmera e diminuindo a velocidade, Donna ainda não conseguia entender o que estava acontecendo. 

Quanto mais olhava, mais confusa ficava. 

Alguma coisa estava errada… 

Quando aproximava no rosto dele, sua atitude em geral era estranha. Aquilo não era forma de um estudante agir. Essa atitude indiferente e inexpressiva, era algo que apenas os Top Heróis que passavam por muitas coisas tinham… 

E o que aconteceu em seguida foi ainda mais confuso. 

Ele entrou no quarto 575. O mesmo quarto que o Jin estava ficando e o mesmo que o grupo entrou depois. 

Acelerando o vídeo, Donna viu Kevin, Emma e Amanda lutando contra o resto dos indivíduos do corredor e logo entraram no quarto 575. 

O mesmo quarto que aquele garoto entrou… 

Após alguns segundos que entraram, Donna viu o cara com o machado indo na direção no mesmo quarto que os outros. 

Usando seu poder, o homem vestido de preto forçou sua entrada com um enorme buraco na parede. 

Depois disso, embora não conseguisse ver o que estava ocorrendo, ela conseguia ouvir sons de metais chocando entre si, sendo seguido por um grito alto. 

Dez minutos depois do assassino entrar, uma explosão enorme tremeu o quarto e um minuto depois, surgiu um brilho branco que iluminou os arredores e, por causa da luz, a câmera travou por um minuto. Quando o vídeo finalmente voltou ao normal, tudo estava quieto e ninguém saiu do quarto. 

“…Hm.” 

Após pensar por um momento, Donna deduziu que durante o minuto que o vídeo congelou, o estudante em questão deve ter saído dali. 

Pegando seu tablet e depois de comparar o rosto dele com seu banco de dados, imediatamente achou a identidade do garoto. 

Ren Dover.  

Donna tinha uma leve lembrança dele. 

Durante o primeiro dia de treino. 

Ele deixou uma impressão nela naquele dia. E não uma boa. 

Ela o colocou na lista negra naquele dia, já que pensou que não valia a pena ter expectativas sobre o garoto. 

Claro, apesar de o ter colocado na lista negra, não queria dizer que tinha desistido de ensiná-lo. Ela apenas desistiu de ter expectativas sobre ele. 

…mas depois de ver os vídeos das câmeras, talvez ela precise reavaliar sua opinião. 

-Ring! -Ring! -Ring! 

Logo quando a curiosidade de Donna estava aumentando, seu celular começou a tocar. 

Franzindo o cenho, ela pegou o celular na mão e atendeu a ligação. 

Ao ouvir sobre o que era, sua postura se endireitou e assentiu a cabeça diversas vezes, enquanto respondia com educação. 

“Sim, entendo, sim… Estarei lá imediatamente.” 

-Tak! 

Desligando a ligação, Donna rapidamente juntou suas coisas e foi correndo para a entrada do hospital. 

“De todos os momentos, porque tinha que ser logo agora…” 

Oficiais da União haviam acabado de chegar… 

-Clank 

Fechando a porta atrás de si, o vídeo que a mulher assistia foi deixado para repetir para o quarto vazio. 

… 

No terraço do hospital, expirei profundamente e olhei para Hollberg. 

O céu estava azul e o sol iluminava a cidade inteira. Nenhum sinal do que havia acontecido na noite anterior era evidente, exceto pela às ambulâncias que passavam pela cidade ocasionalmente, fora isso, tudo estava normal. 

Todo mundo só seguia com suas vidas como sempre, como se nada tivesse acontecido. 

Talvez fosse melhor assim… 

Enquanto olhava para Hollberg do terraço, não pude deixar de pensar sobre o incidente. Principalmente, sobre o que aconteceu enquanto eu estava sob o efeito da [Indiferença do Monarca]. 

Eu já pensei sobre isso antes, mas… 

[Indiferença do Monarca] era uma habilidade muito assustadora. 

Não tinha pensado muito afundo antes, mas, sob os efeitos dessa habilidade, parecia que meu corpo estava sendo controlado por outra pessoa… Me sentia como se estivesse no fundo do oceano e meu corpo estivesse se movendo por conta própria.  

Mesmo sabendo o que estava fazendo, o processo e como eu fazia, eram coisas fora do meu controle. 

Era como se tudo, exceto meu objetivo, não fosse importante. Independente do que eu tenha feito para alcançar meu objetivo, não importava. Seja um sacrifício ou matar. Contanto que ajudasse eu chegar, era o suficiente. 

…Era essa a sensação. 

Assustador. 

Muito assustador. 

Principalmente, porque minhas ações resultaram em Jin e nos outros criarem uma opinião negativa sobre mim. 

De qualquer forma, independente do que eu queria que tivesse acontecido, era tarde demais para lamentar. 

‘Você não consegue mudar as escolhas que fez, tudo que você pode fazer é não deixar isso te arruinar.’  

Essa frase descreve exatamente como estou me sentindo no momento. 

A única coisa que posso fazer é seguir em frente e ir com as mudanças ao meu redor. 

-Clank! 

De repente, enquanto estava pensando, o som da porta se abrindo ecoou pelo terraço. 

Virando para trás, meus olhos logo caíram sob um garoto de cabelos pretos e olhos vermelhos. 

‘Ah… é sério isso?’ 

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