— Então… vocês dois planejam matar o Rei?
Gibson Fulvanius, um dos quatro Ministros trabalhando diretamente sob o Rei e o irmão mais velho do Duque Thornton Fulvanius, perguntou com uma expressão estranha.
Eles pensaram que Gibson teria um sorriso cruel e astuto no rosto e começaria a dar ideias de como matar o Rei da maneira mais cruel possível. Bem, se não isto, então poderia começar a sonhar em ser Avô do Rei e ganhar uma influência maior que antes, ou talvez ele tivesse algumas outras reações.
Porém, mesmo após tudo isso, Thornton não voltou e assentiu com um olhar determinado.
— Sim, planejamos matar o Rei.
— Haahh…
Ouvindo aquela resposta, um grande suspiro escapou da boca de Gibson.
Ele olhou para Thornton com um olhar desapontado.
— Então, deixe-me ser direto. O Terceiro Príncipe, de alguma forma, tem três Duques o apoiando e as chances de Raguel se tornar o próximo Rei são quase zero.
— Portanto, como uma solução para este problema, vocês pensaram num plano para se livrar do Rei antes dele coroar o Príncipe Herdeiro e, quando isso acontecer, Raguel, o mais velho e forte, se tornaria o Rei, correto?
— Sim, isso mesmo.
Thornton assentiu de novo.
Gibson olhou para as duas pessoas sentadas na frente com uma expressão que parecia estar vendo a pessoa mais idiota do mundo.
Vendo essa reação, a carranca de Thornton aumentou.
O que aconteceu? Por que seu irmão estava agindo assim?
Ele inclinou a cabeça em confusão.
Gibson, que percebeu que seu irmão ainda não tinha entendido o problema, balançou a cabeça em decepção.
— Thornton, desisti da posição de Duque porque acreditei que você se tornaria um líder incrível, mas agora percebi que o pai estava certo. Você não merece ser o Duque.
— Eu estava errado.
O rosto de Thornton ficou frio ao ouvir aquelas palavras.
— Não fale o nome daquele homem.
Ele avisou.
A pessoa que mais odiava na vida era seu pai.
Um pai que sempre o subestimou, que nunca valorizou e sempre favoreceu seu irmão mais velho.
Ele estava cansado do seu pai.
Ele queria nada mais que a morte dele.
Na verdade, se tivesse chance, teria matado seu pai.
Porém, seu pai não era alguém que poderia ser enganado facilmente, ele jamais mostraria suas costas para ele.
Nunca.
Um dia vou pegar aquele desgraçado.
Thornton xingou internamente.
— Você deve estar pensando em se livrar do pai agora, correto?
Gibson supôs, fazendo os olhos de Thornton se arregalarem.
— Thornton, você pode ser menos idiota? O Pai é o único cultivador do Estágio Rei apoiando a família. Nossa casa será destruída se algo acontecer com ele antes do próximo cultivador do Estágio Rei surgir.
— Seu idiota, quando pensará nas consequências de suas ações?
— Você quer matar o Rei? Você já pensou nas consequências?
— E se o Rei sobreviver, e depois?
— E se a Lady Astaria retornar e vier atrás de nós?
— O que você fará?
— Você não pensou sobre isto, não é?
Desta vez, Thornton não conseguiu se controlar e retrucou com raiva.
— Qual outra opção temos?! Não tem como o Raguel se tornar o Rei se eu não fizer nada? O quê? Eu deveria recuar e deixar aquele Lovis se tornar o próximo Rei!? Ou você tem um plano melhor?
Gibson, todavia, não perdeu a compostura de suas emoções e respondeu com calma.
— Tenho um plano melhor.
— Oh? Por que não nos esclarece, irmão?
Thornton falou sarcasticamente.
— Matar o Lovis.
Gibson respondeu sem mudar a expressão.
— !!!
— !!!
Os olhos de Raguel e Thornton se arregalaram de surpresa.
— Não entendi, por que você iria tão longe a ponto de entrar em contato com outro reino, atrair a Lady Astaria para longe e depois tentar matar o Rei? Aquele bastardo só tem mais trinta anos de vida. Por que não ser mais paciente?
— Por que não se acalma e elimina logo a fonte de todos os problemas?
— …
— …
Thorton e Raguel ficaram quietos.
Gibson continuou.
— Vocês dois estão preocupados sobre o Rei escolher Lovis como o próximo Rei e estão dispostos a matá-lo antes que isso aconteça. Que tipo de besteira é essa? Por que simplesmente não elimina o homem que o Rei deseja escolher?
Raguel e Thornton perceberam quão ingênuo era o plano. Raguel, porém, não planejava ouvir uma palestra enorme e tentou retrucar.
— Mas… mas…
— Mas a Amaya me falou para-… merda.
No entanto, ele parou na metade.
Ele finalmente percebeu o que aconteceu.
Gibson também ouviu suas palavras.
— O que estava dizendo? Amaya, o quê? Você está falando da Consorte Amaya?
— …
Raguel não respondeu.
— Fiz uma pergunta!
Gibson elevou o tom.
Esta foi a primeira vez que ele fez isso desde que chegou.
— Raguel, diga-me o que você estava dizendo. Amaya, o quê?
Ele indagou de novo, desta vez, seu tom estava mais pesado que antes, ele não estava pedindo.
Ele estava mandando.
Sua teoria era clara, tudo relacionado a Amaya devia ser feito com cautela extrema.
Se aquela mulher estivesse envolvida de alguma forma, então algo definitivamente estava errado com a situação.
Sentindo-se sobrecarregado pela aura, Raguel desistiu e respondeu.
— Tive uma conversa com a Consorte Amaya alguns dias atrás…
Ao ouvir aquelas palavras, os olhos de Gibson se arregalaram de surpresa.
— Por que você faria algo assim?! Não falei para ficar longe daquela mulher?!
— E-Eu queria confirmar algo…
Raguel abaixou a cabeça.
Gibson respirou fundo.
Isto definitivamente era ruim.
Amaya definitivamente estava envolvida no que estava acontecendo aqui. Ele achou estranho como seu irmãozinho pensou nesta ideia ridícula de ir contra o Rei, mas agora tinha certeza.
Foi aquela vadia.
Ela devia estar o manipulando de alguma forma.
Gibson estremeceu.
Ir contra aquela vadia… era a última coisa que queria fazer…
No entanto, ele precisava resolver esta bagunça.
Aquela mulher deve ter feito isto com um planejamento minucioso.
Ele precisava lidar com esta situação com calma.
— Diga-me, Raguel, conte-me tudo desde o começo e não se atreva a esconder algo.
Ele falou com uma expressão solene.