— Onde está o papel?
Leo perguntou com um olhar surpreso.
— Sim, é o que estou perguntando, Leo. Onde está o papel?
Lovis estreitou os olhos.
Leo se virou e olhou para Lovis.
— Mestre Lovis, eu realmente não sei, eu coloquei aqui. Lembro-me bem. Tenho certeza de que não estou enganado!
— Oh? Então, onde está? Ele voou sozinho?
Lovis indagou.
— Não sei! Coloquei aqui algumas horas atrás, como pode ter… desaparecido?
— Será que você não pegou?
Lovis perguntou.
— É claro que não, por que eu faria algo assim? Mestre Lovis, você sabe que não sou descuidado. Se eu tivesse pegado, eu saberia onde coloquei.
— Sou um homem responsável.
Vendo a reação do mordomo, Lovis franziu a testa.
Ele já sabia que o papel não estaria aqui, era óbvio, Evane tinha seu papel, então, é claro, o papel dele que devia ter sumido.
E assim como Evane pensou, a segunda pessoa em que ele duvidou foi seu próprio mordomo.
Esse foi o motivo dele ter ordenado segui-lo.
Ele queria ver a reação do seu mordomo.
Porém, agora que finalmente viu, Lovis achou difícil de acreditar que seu mordomo foi quem o traiu.
Mesmo após ver o papel desaparecido, seu mordomo nem percebeu que era um suspeito.
Leo pensou que Lovis queria ajuda para encontrar o papel.
Esta não era a reação que um traidor devia mostrar.
Havia duas opções aqui.
Primeiro, Leo era um ator genial e sabia enganá-lo.
Segundo, Leo era inocente.
As duas opções tinham uma probabilidade igual de serem verdade.
Leo estava vivendo com Lovis há muito tempo. Para ele, enganar Lovis não era uma tarefa difícil.
Porém, Lovis estava inclinado a acreditar na segunda opção.
Leo era inocente.
Ele teve várias oportunidades melhores de traí-lo, mas não fez isto. Ele não tinha motivos.
Lovis confiava um pouco em Leo.
Portanto, outra pergunta surgiu em sua mente.
Se não foi o Leo, então quem foi?
Evane tinha o papel, então não poderia-
De repente, Lovis parou.
Aquela vadia…
Ele xingou de novo ao perceber que foi enganado.
De novo.
— Esse foi o motivo de me pedir para escrever em dois papéis! Ela queria provar sua inocência usando o outro papel!
Lovis percebeu isto e ferveu de raiva.
Aquela vadia desgraçada! Bancando a inocente, puta nojenta!
Porém, desta vez, Lovis não deixou a raiva sair ganhando.
Ele começou a pensar.
Mas como ela roubou o papel do meu quarto? Como isso é possível?
Ele se perguntou e começou a ponderar.
Existe um cultivador poderoso a apoiando? Quem é ele? Por que está ajudando? Ele é um assassino?
A expressão de Lovis ficou séria.
Evane era uma ameaça muito maior do que pensava.
Ele não esperava que ela tivesse um especialista poderoso a apoiando.
Preciso ter cuidado com ela.
Lovis pensou internamente.
Evane mudou demais.
Ela não era tão ingênua quanto ele pensava que era anos atrás.
Ele precisava de mais informações antes de agir.
Seus pensamentos eram simples.
Se ela conseguia roubar algo do seu quarto sem alertar ninguém, o que a impedia de assassiná-lo?
Um calafrio percorreu sua espinha no momento em que pensou sobre isto.
Ele precisava planejar, esperar e coletar mais informações.
E era isso que faria.
Lovis se sentou e começou a pensar ainda mais.
Por outro lado, Duque Fulvanius e o Primeiro Príncipe, Raguel Skyfall, estavam sentados no quarto com olhares solenes.
— Tem certeza de que é verdade?
Raguel perguntou.
— Chequei pessoalmente, é verídico.
Fulvanius assentiu.
Após ouvir a conversa entre Raguel e Lucas, por Raguel, ele teve o mesmo pensamento de Amaya e, após alguma investigação, descobriu sobre a conexão entre o Duque Merula e o Duque Centho.
Após isso, não foi difícil descobrir que Lucas estava do lado de Lovis.
Raguel ficou quieto por um longo tempo antes de um sorriso derrotado surgir em seu rosto.
— E cá pensei que me tornaria o Rei.
Vendo sua reação, o Duque franziu a testa.
— Está desistindo?
Raguel olhou para o Duque e perguntou de volta.
— Pareço ter alguma outra opção?
— Três dos quatro Duques apoiam aquele bastardo, é impossível me tornar o próximo Rei.
— Cultivo, ser o mais forte de todos os Príncipes, nada disto importa, nunca tive chance de vencer esta batalha.
Raguel respondeu com um olhar abatido.
— Você não pode desistir assim.
O Duque Fulvanius falou com um olhar severo.
— O que posso fazer? O Rei escolherá definitivamente o Terceiro Irmão.
Raguel revidou.
— Só se o Rei tiver chance de escolher.
O Duque respondeu com um olhar cruel e frio.
Ouvindo aquelas palavras, Raguel arregalou os olhos de surpresa.
— V-Vamos fazer o que a Consorte Amaya sugeriu?
Ele perguntou.
— Parece que temos outra opção?
O Duque perguntou de volta.
Ao ouvir a resposta, o olhar chocado de Raguel ficou determinado.
— Acho que o Pai governou por tempo o bastante.
Um sorriso frio apareceu no rosto do Duque.
— De fato.
O Primeiro Príncipe também sorriu.
Ele se tornaria Rei e ninguém neste mundo poderia impedi-lo.
Nem mesmo seu pai.
— Tudo bem, contatarei meu irmão.
Falou o Duque Fulvanius.
— O Ministro Gibson?
Raguel perguntou.
— Sim. Precisaríamos da sua ajuda e opinião se quisermos organizar um golpe de sucesso.
Então, o sorriso no rosto do Duque aumentou.
— Tenho certeza de que ele deve ter muitas queixas contra o desgraçado do Ricardus.