Frederick sentiu como se seu coração tivesse se congelado no peito. Cada nervo do seu corpo gritava de terror enquanto a besta gigante pairava sobre ele. Com tamanho poder avassalador, ele podia sentir a força do monstro em cada célula do seu corpo.
Contra algo assim, não haveria vitória possível, e ele fora tolo por sequer cogitar essa possibilidade. Isso não era trabalho para exploradores; eles precisariam reunir o exército, ou a Legião, se quisessem lutar contra essa besta!
Então ele percebeu que as pernas do monstro explodiram.
Uma chuva de sangue caiu sobre os exploradores congelados, jorrando das juntas das seis patas da criatura. Um instante depois, as próprias patas pareceram… se desprender, caindo no chão, seguidas pelo monstro, que desabou com um estrondo ensurdecedor.
[Droga!] a criatura rugiu em suas cabeças, mas essa foi toda a abertura que Frederick precisava.
“CORRAM!” ele rugiu.
“Deveríamos lutar! Ele está ferido!” gritou algum imbecil.
“Cale a boca e corra!” gritou Frederick de volta.
Pelo que ele sabia, as pernas machucadas podiam ser apenas um truque. Ele arriscaria a vida para descobrir? Claro que não. Em vez disso, ele fugiu.
Um instante depois, ele passou por cima de Shamus e Elsi, que estavam deitados de costas no chão, aparentemente tendo se rendido. Ele zombou da covardia deles.
‘Só porque a criatura os poupou uma vez, eles pensam que poderia acontecer o mesmo de novo? Que tolice. Afinal, ninguém mais havia retornado depois de encontrá-la.’
[Não, você não vai!]
Um clarão de luz púrpura, um som estrondoso, pedra rachando, e então Frederick estava de bruços no chão. Com o nariz quebrado e sangrando, tentou virar a cabeça para respirar, apenas para descobrir que estava enterrado vários centímetros na rocha. Qualquer que fosse a força que o pressionava, era incrivelmente forte. Mesmo que se esforçasse ao máximo, não conseguia vencê-la. Levantar-se era apenas um sonho dentro de um sonho.
‘O que foi isso?!’
[Você realmente achou que minhas pernas explodindo seriam suficientes para te deixar escapar? Tolo!]
Uma pausa.
[Quanto tempo essas malditos… ah! Aí está.]
Alguns segundos depois, vibrações no chão indicaram a Frederick que o monstro estava se movendo novamente.
‘Ha! eu sabia que era um truque! Nunca se sabe do que um monstro é capaz.’
Regenerar membros nem era uma surpresa. Ele já tinha visto um monstro que fazia crescer corpos vestigiais, manipulando-os à distância.
[Essas coisas são muito pequenas! Pernas vestigiais, meu tórax! São tocos vestigiais! Ah, espera, estão crescendo. Que legal!]
O monstro continuava a impor seus pensamentos à mente de Frederick, independentemente de como ele tentasse expulsá-los. Ele tagarelava sozinho, quase como uma criança, mas Frederick não conseguia deixar de sentir a intenção sinistra por trás daquela tagarelice. Por que transmitir esses pensamentos a eles, senão para demonstrar seu domínio? Tão confiante em sua invencibilidade, o monstro podia se dar ao luxo de demorar, de zombar dos exploradores em seu sofrimento.
Por mais que se esforçasse, Frederick simplesmente não conseguia se mover, então desistiu. Ele poderia prender a respiração por uma hora, se necessário, mas se fizesse mais esforço, esse tempo diminuiria rapidamente. Até então, tudo seguia o mesmo padrão que Shamus havia relatado sobre o encontro deles. A estranha força que esmagava as pessoas contra o chão, prendendo os exploradores no lugar.
‘O que aconteceria a seguir?’
[Ah, olá! Lembro-me de vocês dois! Deitar de barriga para cima, boa ideia.]
‘Então foi por isso que eles fizeram aquilo!’
[Mas você ainda não consegue respirar, não é? Não tem força suficiente para expandir os pulmões.]
“Ha! Toma essa, Shamus!” pensou Frederick, com um tom vingativo.
Shamus deve ter respondido, mas só o monstro podia ouvi-lo.
[Não sei, levante mais peso ou algo assim. Trabalhe o seu diafragma. Enquanto isso, relaxe. Preciso dar uma olhada por aí.]
As vibrações aumentaram à medida que o monstro começou a se mover, aproximando-se.
[Você não. Por que você pensaria nisso nesta situação? Esquisito. Não. Você também não. Tem que ter alguém aqui… ah, um padre! Bem-vindo, bem-vindo. Você também não.]
Frederick sentiu o peso em sua mente aumentar ainda mais.
[Aha! Alguém no comando. Olá. Vou te deixar subir por um instante.]
Instantaneamente, a pressão esmagadora desapareceu. Frederick se virou e olhou para cima, vendo a formiga parada desconfortavelmente perto dele, olhando para baixo, com as antenas se movendo.
‘Antenas? São como árvores.’
Com cautela, ele se levantou. Daquela perspectiva de baixo, ele conseguia ver a boca da formiga na parte inferior da cabeça. Era repugnante. Uma visão de pesadelo, na qual ele se via devorado por aquelas pequenas criaturas com garras se contorcendo, passou pela sua mente.
[Muito bem], disse a formiga. [Assim como antes, estou pensando em mandar um ou dois de vocês de volta, para realmente incutir medo e terror. Criar uma sensação de impotência, tudo isso. Quando eu chegar à Montanha Verde, eles devem estar tremendo de ganância e de puro terror. Vocês me entendem?]
[Sim, eu entendo], disse Frederick, sem entender nada.
‘Essa formiga quer subir sozinha até a Montanha Verde? Mesmo sendo tão forte, seria suicídio.’
Construída como uma montanha-fortaleza para repelir monstros durante as ondas mais intensas, ela estava repleta de soldados e estruturas defensivas que rivalizavam com o melhor que a Legião podia produzir.
[Tenho certeza de que eles ficarão… com muito medo. Você deveria ir para lá o mais rápido possível.]
[Você sabe que estou na sua cabeça, né?]
Frederick praguejou mentalmente. Ele não estava mais acostumado a controlar seus pensamentos, não depois de tanto tempo longe do campo de batalha.
[Sabe de uma coisa? Pensando bem, provavelmente não preciso mandar ninguém de volta. A ausência de sobreviventes já será assustadora o suficiente.]
Percebendo o que estava por vir, Frederick desembainhou sua espada e correu em direção ao monstro, a luz da lâmina flamejando ao longo de seu fio. Se fosse para morrer, que morresse lutando.
Um instante depois, ele estava de bruços no chão novamente, com a cabeça latejando devido à força do impacto.
[Você ainda está no domínio… Você é mesmo líder? Puxa. Crinis, leve essa gente embora, por favor? Isso está ficando constrangedor.]