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Warlock Apprentice – Capítulo 165

Ferramentas

A alquimia não pertencia a nenhuma das três artes principais, mas ainda assim era uma escolha popular entre os magos. 

A alquimia abrangia muitos campos diferentes. Os alquimistas da antiguidade dividiam os trabalhos alquímicos em aqueles que “aprimoravam o próprio corpo” e aqueles que “aprimoravam outros objetos”. Hoje, existem apenas duas classificações mais simples: Boticário e Ferramentas. 

O Boticário, como o nome sugere, era especializado na preparação de poções. Por exemplo, o copo de Poção da Noite Austera que Angor tem em posse era um produto feito por alquimistas que dominavam a habilidade de Boticário. Aqui, “poção” não se referia apenas a líquidos para beber. Havia também ramos especiais, como a Fabricação de Perfumes de Leona, que também era considerada Boticário. 

As Ferramentas se referiam principalmente à criação de itens alquímicos. A máquina voadora a hélice de Dave, por exemplo, era uma máquina alquímica criada usando a arte das Ferramentas. 

O princípio da alquimia era a “conversão”. A essência da criação de poções ou ferramentas seguia esse princípio. Era por isso que tanto os magos de Ferramentas quanto os da área de Boticário eram chamados de alquimistas. 

Mas ainda assim, Boticário e Ferramentas tinham processos de trabalho diferentes e exigiam materiais diferentes. Foi por isso que Dave perguntou a Angor qual caminho ele seguiria para poder preparar os materiais corretos. 

“Ambos exigem grande talento. Você obtém benefícios semelhantes com ambos. Mas, tecnicamente falando, eu pessoalmente acredito que a área de Ferramentas seja mais difícil”, disse Dave ao ver Angor hesitante. Ele explicou seu próprio ponto de vista. 

“Eu vou na área de Ferramentas”, disse Angor. 

“Tem certeza? Você sabe que poderá ganhar dinheiro rapidamente assim que aprender a preparar poções. Mas ferramentas… não é tão fácil.” 

“Tenho certeza.” Angor já havia tomado essa decisão antes. Os livros de alquimia que ele registrou do Reino dos Pesadelos continham conhecimentos sobre ferramentas e boticários, mas ele não planejava tentar fazer poções por enquanto. O jardim da purificação era um objetivo urgente para ele. Caso contrário, ele não pensaria em estudar alquimia tão cedo. 

O mundo estava sempre mudando. As informações sobre o jardim da purificação despertaram a motivação de Angor. Para chegar ao nível mais alto da Torre do Céu e ganhar um ingresso para o jardim, Angor precisava encontrar uma abordagem específica. E ele escolheu experimentar a alquimia. 

“Ok então. É sua decisão. Não se arrependa.” 

“Não vou. Se eu não conseguir aprender na área de Ferramentaria, vou mudar para área de Boticário.” 

Dave deu uma risadinha. “Então estamos no mesmo barco. Talvez possamos nos ajudar. Aqui estão alguns livros que descrevem os materiais usados em Ferramentaria. Dê uma olhada. Me diga o que te interessa e eu pego no depósito, pelo preço de mercado”, disse Dave. Ele tirou várias pilhas de livros e as despejou na frente de Angor. 

Enciclopédia de Materiais Mágicos, Coleção de Ilustrações: Neutralização e Fundição de Materiais, Coleção de Catalisadores… 

Dave apresentou todos esses livros do tamanho de dicionários para Angor na esperança de desencorajá-lo. Dave estava agindo de forma amigável com Angor, mas, em sua mente, ele não tinha uma boa impressão da ambição de Angor. Ele gostaria de ser amigo de Angor. Mas, quando se tratava de alquimia, Dave pensava diferente. Para ele, a arte da alquimia era mais importante do que qualquer outra coisa. 

Na visão de Dave, alquimia não era algo que qualquer um, sem rumo, devesse aprender. Quando Angor se decidiu e exibiu sua riqueza, Dave teve a sensação de que seu assunto tão querido estava sendo alvo de chacota.  

Era uma mentalidade complicada. Dave não teria se sentido tão mal se Angor tivesse escolhido Boticário. No entanto, Angor escolheu ferramentas, a mesma matéria que Dave estava estudando, e essa decisão pesou na balança na mente de Dave. 

Dave não disse nada sobre os livros. Apenas olhou para Angor com um sorriso, aguardando sua escolha. 

Angor não percebeu nada dos pensamentos de Dave. Selecionou cuidadosamente vários livros, leu-os rapidamente e, em seguida, listou os materiais que desejava em pouco tempo. 

“Cordas de Névoa Mística, 12 unidades padrão. Bronze Superior, 7,8 gramas. Cascalho de Orquídea Peluda, 11 xícaras. Cola de Gelo 349 gramas. Ouro de Geada Estelar…” 

Dave observou as escolhas cuidadosas de Angor e percebeu que ele já tinha um plano em mente. Nenhum dos materiais era de nível superior, mas todos tinham conexões entre si. Por exemplo, Cola de Gelo e Ouro de Geada Estelar pareciam ser dois materiais completamente distintos, mas Dave certa vez ouviu o Mestre Prome conversando com outro mestre alquimista que, se a Cola de Gelo fosse dissolvida no calor por cinco minutos e um pouco de pó catalisador fosse adicionado, ela se tornaria o melhor adesivo para Ouro de Geada Estelar. O Bronze Superior era geralmente usado em alquimia mecânica como um material ideal para forjar peças de junção, como engrenagens, e as Cordas de Névoa Mística eram frequentemente usadas junto com as engrenagens como uma correia de transmissão flexível. 

Angor obviamente passou por um planejamento cuidadoso para chegar às suas escolhas. Os outros materiais que ele escolheu continham materiais resistentes ao calor, materiais dúcteis e amplificadores de energia. Dave já via a estrutura básica de uma máquina de alquimia a partir deles. 

A ideia desconfortável na mente de Dave havia desaparecido. Ele agora estava confiante de que Angor não considerava a alquimia como mero entretenimento, e isso era o suficiente para ele ter grande consideração pela decisão de Angor. 

Angor escolheu muitos materiais diferentes. Ele fez essas escolhas com base em várias teorias que já havia desenvolvido em sua mente — teorias para fabricar uma arma de alquimia. 

“Serão 17 tipos. De acordo com a quantidade que você anotou… 1.321 pontos de mérito. Vou arredondar para você, só me pague mil e trezentos”, disse Dave, dando uma olhada rápida na lista de materiais de Angor e calculando o preço final. 

Mil e trezentos, cerca de 13 cristais mágicos. Era uma fortuna para os aprendizes. Angor pagava apenas 500 pontos pelo aluguel de um ano inteiro. 

Ainda assim, ele podia arcar com o preço por enquanto. Além disso, ele acabara de ganhar mil pontos com o favor de Leona. 

Angor pegou seu cartão de osso e pagou o valor. 

Dave sentiu inveja novamente da ostentação de riqueza de Angor. 

As duas bolas de cristal sobre a mesa começaram a brilhar. Dave olhou para os objetos. “As informações que você pediu foram enviadas. Vou buscar os materiais. Você quer carregá-los pessoalmente ou prefere que sejam entregues?” 

“Entregues, é claro. Não tenho espaço para guardá-los.” 

“Tudo bem, então. Dez pontos de mérito.” 

… 

Depois de sair da Loja de Alquimia de Prome, Angor foi para a Torre do Céu novamente. A partida de Nausica já havia terminado. Ela estava descansando na sala de estar. Como previsto, Nausica derrotou o Monarca do Congelamento Eterno facilmente, sem usar sua arma. Alguns socos e chutes foram mais do que suficientes. 

Nausica não pretendia parar por aí. Ela queria continuar lutando, aproveitando a chance de encontrar apenas oponentes mais fracos na torre. 

Angor desejou-lhe boa sorte e voltou para sua casa na cidade dos aprendizes. 

Ao chegar à vila, Toby imediatamente voltou para o sótão para praticar um novo capítulo com sua banda musical Flores Eco. Enquanto isso, Angor sentou-se no jardim e ouviu o terrível “concerto” de Toby enquanto esperava pela entrega de Dave. 

O tempo sempre voava quando se estava relaxado. Meia hora depois, Dave chegou à porta da frente de Angor acompanhado por dois pares de quatro homens de aparência robusta que carregavam várias caixas de madeira lacradas. Os quatro eram moradores mortais da cidade. 

Angor pediu-lhes que colocassem as caixas em seu porão. Depois de confirmar que os materiais estavam corretos, ele os dispensou. 

“Quatro trabalhadores mortais, dez pontos de mérito da minha parte. Você é esperto, sabia?”, disse Angor atrás de Dave com uma expressão sombria. 

Dave piscou inocentemente. “Bem, você não tem nenhum espaço de armazenamento, e eu também não. Essas coisas são para magos, não devemos pensar nelas. E, claro, tenho que pedir aos mortais para carregarem as coisas. Há outra opção?” 

Angor o dispensou com um gesto impaciente. “Nós dois sabemos o quanto você lucrou com isso. Agora, vá embora.” {[Ni Yezen: O rapaz pelo menos é bom de negócio!!  

Quando Dave se foi, Angor levou algum tempo para organizar os materiais no porão. Quando terminou, a lua já estava alta no céu, lançando uma aura prateada sobre a Árvore da Eternidade. 

Angor arrastou seu corpo cansado até a cama e se jogou nela. Ele fez tantas coisas hoje. Tudo terminou bem. Com o espírito já tenso, ele só conseguiu cobrir metade do corpo com o cobertor antes de adormecer profundamente. 

Na manhã seguinte, Angor se lavou e foi para o quarto à prova de som. 

A condição residual da magia se voltando contra ele ainda o incomodava, então ele teve que desistir da meditação e do treinamento de feitiços por enquanto. Mas ele ainda podia levar adiante seu plano de estudos. Angor planejava começar a aprender alquimia hoje. 

Antes, Angor considerava a alquimia algo semelhante à química, pois está também envolvia a conversão entre elementos. Mas, após ler alguns livros da coleção de Sunders, bem como as do Reino dos Pesadelos, Angor percebeu que os dois assuntos apenas aparentavam estar relacionados, mas, na verdade, eram conceitos completamente diferentes. 

O processo de conversão na alquimia era facilitado pelo uso de uma energia “mística”. Essa energia participava de todas as conversões alquímicas. Até mesmo as máquinas alquímicas precisavam dessa energia como sua principal fonte de energia. 

Além disso, estudar alquimia também exigia conhecimento sobre Runas. As runas podiam ser usadas para ativar a energia mística oculta em materiais sobrenaturais. Elas também podiam ser usadas para criar combinações perfeitas de materiais. Existiam também abordagens alquímicas específicas que usavam runas como materiais principais, enquanto os materiais comuns atuavam como suplemento. 

Angor sentiu uma dor de cabeça depois de ler as teorias da alquimia. Ele pensava que alguns feitiços alquímicos seriam suficientes, mas agora descobriu que também precisava estudar Runas. Este também era um assunto extremamente complexo. Qualquer um que o dominasse poderia ganhar muito dinheiro vendendo pergaminhos mágicos. 

Angor suspirou frustrado. Para criar armas alquímicas em pouco tempo, ele precisava começar aprendendo algo sobre as tecnologias científicas da Terra. As máquinas alquímicas pareciam bastante semelhantes à ciência, mas ainda eram essencialmente produtos sobrenaturais com fundamentos completamente diferentes da ciência propriamente dita. 

O plano atual de Angor era aplicar métodos de alquimia mágica a um projeto de uma arma da Terra. Ele queria ver se conseguia fazer algo que fosse eficaz contra os aprendizes. 

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