Os Einhorn e Licorne deixaram o porto e seguiram em direção ao território do Marquês Frazer. Em certo momento da viagem, encontrei-me na sala comunal do Einhorn, sentado em um sofá ao lado de Marie, enquanto um Elijah visivelmente nervoso ocupava o sofá à nossa frente, do outro lado da mesa de centro. O suor frio escorria por seu rosto, denunciando seu estado, mas, sinceramente, isso não me importava nem um pouco, já que, naquele momento, Marie e eu estávamos totalmente focados em intimidá-lo e interrogá-lo.
“Claro, o Roland aprova você,” eu disse, “mas eu definitivamente não.”
A família real já havia reconhecido oficialmente o noivado entre Elijah e Erica há algum tempo, então minha opinião não tinha qualquer peso real. Ainda assim, isso não me impediu de falar o que pensava. Afinal, Erica era minha sobrinha — ou pelo menos foi na minha vida anterior — e sempre foi um exemplo de pessoa, chegando a cuidar dos meus pais na velhice. Por isso, eu não via problema algum em ignorar um pouco a etiqueta para garantir a felicidade dela. Pelo contrário, estava decidido a fazer o que fosse necessário para assegurar um bom futuro para Erica, e, para isso, precisava avaliar Elijah com meus próprios olhos.
Tomado pelo nervosismo, Elijah tentou se defender.
“M-Mas… quanto à aprovação da família real para o nosso…”
“O que foi isso?!” interrompi, elevando a voz. “Está dizendo que só se importa com a aprovação da família real e não com a da Erica?!”
“N-Não é isso!” respondeu ele, apressado. “Na verdade, Sua Majestade, o rei Roland, se opôs fortemente ao nosso noivado no início, então ainda não fui completamente aceito como futuro marido dela.”
Entendi. Mesmo com a oposição de Roland, o noivado não havia sido desfeito. Considerando o comportamento dele em relação à Erica, era evidente que seu afeto por ela era genuíno, então fazia sentido que fosse cauteloso quanto a quem ficaria ao lado dela.
Marie, recostada no sofá com o queixo erguido, observava Elijah de cima.
“Mais importante,” disse ela, “você é mesmo o Elijah?”
A pergunta deixou o garoto completamente perplexo. Para ser honesto, eu também achei aquilo absurdo.
“Hã? Quer dizer… filosoficamente?”
Era óbvio que ele não fazia ideia do que ela queria dizer — e, naquele momento, eu também não.
Segurei Marie pela nuca e a arrastei para um canto da sala, abaixando a voz para que Elijah não nos ouvisse.
“Para de fazer perguntas idiotas,” sussurrei.
“Não, escuta um segundo, irmão,” retrucou ela, balançando a cabeça. “O Elijah que eu conheço do jogo é completamente diferente — e de um jeito horrível. Ele era gordo, feio e tinha um jeito assustador de falar.”
“Hã?”
Voltamos a olhar para o garoto, que se remexia desconfortável no sofá. Eu já não estava inclinado a gostar dele, mas, mesmo assim, não parecia corresponder à descrição de Marie.
“Quer dizer… ele não é nenhum modelo, mas parece bem comum pra mim,” murmurei.
“É justamente isso que é estranho!” insistiu ela. “No jogo, ele era um valentão incorrigível que se juntava à Erica para atormentar a protagonista. Um completo idiota e um vilão menor. Ela vivia chamando ele de inútil.”
Marie continuou explicando os detalhes do personagem. Segundo ela, Elijah era consumido por inveja, possuía um forte complexo de inferioridade em relação aos interesses amorosos da protagonista e vivia se intrometendo nas cenas românticas.
“E não fala mal da Erica também,” retruquei.
“Não é que eu queira falar mal dela. Só estou dizendo como era no jogo.”
Fiquei pensativo por um momento.
“A própria Erica disse que ele perdeu peso,” comentei.
“Isso vai muito além disso,” rebateu Marie. “Ele é praticamente outra pessoa. O garoto na nossa frente parece um herdeiro rico, educado e até gentil… mesmo que um pouco mimado. Não tem nada a ver com o cara do jogo. A pele dele é limpa, ele parece… sei lá… mais higiênico.”
De fato, a versão que ela descrevia soava como alguém desagradável em todos os sentidos, mas havia algo mais que chamava sua atenção.
“Além disso, ele é o herdeiro de um marquês. Era pra sair por aí impondo autoridade, não? Mas nunca ouvi ninguém reclamar dele na academia.”
Pelo visto, ela já havia investigado isso por conta própria — embora sem encontrar nada comprometedor.
“Então, resumindo,” falei, “ele parece melhor do que no jogo, tem um ar inocente e, mesmo sendo herdeiro de marquês, não fica ostentando.”
Apesar disso, Marie claramente não estava satisfeita.
“Precisamos encontrar algum motivo para impedir esse casamento.”
Nós dois ficamos em silêncio por um momento, quebrando a cabeça em busca de uma resposta — ou pelo menos de alguma explicação para aquela discrepância.
“Ah… hum… está tudo bem?” perguntou Elijah, hesitante.
“Não pense que você venceu!” respondi imediatamente.
“Isso mesmo! Eu também não aceito esse casamento!” completou Marie.
Ainda irritados, nós dois saímos da sala comunal, deixando para trás um Elijah completamente perdido.
***
“Todo esse esforço… e ainda não encontrei nada contra ele.”
Naquela noite, Noelle apareceu no meu quarto, e eu não perdi tempo em contar o que havia acontecido. Minha intenção era descobrir alguma falha grave em Elijah que provasse que ele não era digno de Erica, mas, no fim, saí de lá sem absolutamente nada.
Noelle estava deitada na minha cama, apoiando a cabeça em um dos braços, e me lançou um olhar exasperado antes de suspirar.

“E daí se você não encontrou nada?” perguntou. “A questão aqui é: por que você está se intrometendo no noivado da princesa? Eu sei que você gosta dela, mas isso já é exagero. Você nem é da família.”
As palavras dela acertaram em cheio. No fundo, eu sabia que aquilo não era verdade — nós éramos família — mas não podia dizer isso em voz alta.
“Tudo bem, mas o irmão dela, o Julius, age como se isso não fosse nada. Como ele consegue ser tão frio com a própria irmã?”
“Isso é normal entre aristocratas, não é?” respondeu Noelle, virando-se de costas para encarar o teto. “Eu mesma fiquei noiva com cinco anos. Claro que não entendia nada disso na época.”
Noelle havia nascido em uma família nobre importante da República de Alzer, mas foi criada como plebeia, o que explicava sua falta de familiaridade com os costumes matrimoniais da nobreza.
Soltei um suspiro lento.
“Bem… claro, para a alta nobreza, casamento é mais um contrato entre famílias.”
Nessas uniões, o objetivo principal era fortalecer alianças, não havia espaço para considerar sentimentos românticos. A opinião dos envolvidos pouco importava, e, embora fosse ótimo quando havia amor, não era raro que casamentos políticos fossem completamente desprovidos dele. Era uma diferença gritante em relação à minha vida anterior, mas, ainda assim, esse era o funcionamento natural daquele mundo.
Noelle ergueu as pernas e as deixou cair com impulso suficiente para levantar o próprio corpo, apoiando-se em seguida enquanto voltava o olhar para mim.
“Então, no fim das contas, o que você realmente quer fazer aqui, Leon? Pretende acabar com o noivado da princesa?”
“Eu não… quer dizer… não.”
As palavras dela atingiram o ponto exato. No fundo, meu objetivo nunca foi encontrar defeitos em Elijah, mas garantir que Erica fosse feliz.
“Você ao menos perguntou o que eles querem?” continuou Noelle. “Isso vale tanto para o Elijah quanto para a princesa. Se nenhum dos dois quiser esse noivado, então tudo bem ajudar. Mas, se ambos aceitarem, você só está sendo um incômodo.”
“Urk!”
Foi como levar uma facada no peito. Não consegui nem formular uma resposta.
“Além disso, a Rie também está estranha com isso,” acrescentou ela. “Ela está nervosa, dizendo que vai acabar com o casamento da princesa. Até a Angélica e a Lívia estão preocupadas.”
“Elas estão?”
Angie e Lívia não estavam no Einhorn conosco; haviam embarcado no Licorne. Angie, em particular, tinha solicitado a viagem para tentar conversar diretamente com a senhorita Mylene.
Voltei o olhar pela janela na direção do Licorne. O navio branco refletia a aparência do Einhorn, com o mesmo chifre característico projetando-se na proa.
Noelle franziu levemente as sobrancelhas enquanto me observava.
“Você e a Rie ficam meio cegos quando o assunto é a princesa,” disse ela. “Eu e a Angélica estávamos nos perguntando… existe algum motivo para você se importar tanto assim?”
“Acho que… existem alguns motivos, sim.”
Ela soltou um suspiro, e, embora não parecesse irritada, seu sorriso claramente não era natural.
“Imagino que ela esteja passando por uma situação difícil, presa entre sua posição como princesa e as responsabilidades que isso traz.”
“Sim…”
O casamento de Erica com a Casa Frazer carregava inúmeras implicações, tanto para a família real quanto para o reino como um todo. Não era algo que pudesse ser desfeito apenas com base em sentimentos pessoais, já que as consequências seriam amplas e profundas. Se Erica tivesse demonstrado insatisfação, eu não teria hesitado em me envolver e tentar impedir o noivado, mas tudo indicava que ela havia aceitado seu destino.
“Se ao menos eu conseguisse fazer ela se abrir sobre o que realmente sente…”, murmurei.
***
“Rainha Mylene, por que decidiu posicionar Leon na fronteira?”
Angie se encontrava na sala comunal do Licorne, diante da rainha, tentando obter respostas. As ordens vindas do palácio pareciam suspeitas, e ela não conseguia compreender as verdadeiras intenções por trás daquela decisão.
Mylene levou aos lábios uma xícara de leite quente preparada por Lívia e tomou um pequeno gole.
“Ah… está delicioso.”
Claramente, não era uma resposta.
“O-Obrigada… mas, hum…”
Lívia lançou um olhar para Angie, como se pedisse que continuasse. Mylene soltou um leve suspiro e pousou a xícara sobre a mesa.
“Coloquei-o em Frazer para manter Rachel sob controle. Acha isso estranho?”
“Está brincando comigo?!” Angie se levantou abruptamente. “A decisão lógica seria manter Leon na capital, onde ele poderia reagir rapidamente a qualquer situação e se mover para defender as fronteiras conforme necessário. Concentrar forças apenas contra Rachel deixa o resto do reino vulnerável!”
Se não conseguissem proteger todo o território, Holfort poderia sofrer perdas devastadoras. Por isso, Angie acreditava firmemente que posicionar Leon em um ponto central era a estratégia mais segura, permitindo mobilização rápida sempre que necessário. Ignorar isso beirava a negligência.
Mylene, porém, manteve a calma.
“Como sempre, você se torna míope quando está nervosa,” disse ela. “Angie… não, Angélica… você está ignorando algo extremamente importante.”
“O quê…?”
Então, de repente, a compreensão a atingiu. Angie levou a mão à boca, chocada.
A questão não era tão relevante do ponto de vista militar, mas, para Angie e as outras noivas, tinha um peso enorme.
Mylene soltou uma leve risada.
“Você rompeu com sua própria família para proteger seu noivo, não foi? As inúmeras batalhas do duque Bartfort parecem ter deixado marcas profundas nele. Pelo que sei, ele precisa de medicação diária para conseguir dormir.”
O rosto de Angie empalideceu.
De onde ela tinha ouvido isso? Da princesa Erica? Ou talvez de Julius?
Angie estava profundamente preocupada com Leon e queria aliviar o peso que ele carregava. No entanto, estrategicamente, a decisão de Mylene parecia extremamente questionável, o que a levou a confrontá-la. Ainda assim, ao expressar suas preocupações daquela forma, acabou dando a entender que desejava vê-lo lutar.
“O duque se tornou um herói nacional ainda muito jovem,” continuou Mylene. “É natural que isso tenha um custo. Posicionei-o em Frazer, em grande parte, para tranquilizar a Casa Frazer, e, enquanto ele estiver lá, Rachel não se moverá com facilidade.”
Leon já havia frustrado diversas tentativas de Rachel no passado — e, em todas elas, acabou virando o jogo contra eles. Era difícil imaginar que ousariam agir imprudentemente em qualquer lugar onde ele estivesse presente.
Angie tentou desesperadamente encontrar uma forma de pressionar a rainha e descobrir suas verdadeiras intenções, mas, ao apresentar a decisão como sendo para o bem de Leon, Mylene eliminou qualquer margem para contestação. Se insistisse, Angie corria o risco de parecer alguém que queria forçá-lo a lutar — e isso era algo que ela jamais poderia aceitar.
Ela é realmente dissimulada, pensou Angie. Ela sabe exatamente como me pressionar. Incapaz de afirmar sequer como blefe que desejava ver Leon lutando, ela permaneceu em silêncio.
Enquanto Angie hesitava, Mylene passou os dedos pela borda da xícara, fazendo o leite quente ondular suavemente.
“Prometo que não farei nada que cause um fardo desnecessário ao duque neste assunto,” disse a rainha. “Imagino que nem você nem a senhorita Olivia tenham objeções a isso.”
Ela voltou o olhar para Lívia, sorrindo.
“Ah… hum… bem…”
Pegando-a de surpresa, Lívia hesitou, sem saber como responder.
“Não,” declarou Angie com firmeza, falando por ambas. “Não temos objeção alguma — desde que Leon não precise lutar. Ainda assim, preciso perguntar: você realmente acredita que essa estratégia nos levará à vitória?”
Mais do que isso, a dúvida real era outra: Mylene realmente pretendia vencer essa guerra?
A expressão da rainha se tornou séria, e seu sorriso desapareceu.
“Não existe sentido em travar uma guerra se não for para vencê-la. Você já se esqueceu de quem lhe ensinou isso?”
Angie engoliu em seco.
Não… não esqueci. Foi você mesma quem me ensinou isso.
***
A Casa Frazer mantinha um porto militar em uma pequena ilha flutuante, onde o Einhorn e o Licorne atracaram. A ilha também abrigava uma fortaleza, e, assim que chegamos, os soldados do marquês começaram a comentar animadamente ao ver o Einhorn.
“Então esse é o famoso Einhorn.” “Olha só aquele chifre na proa.” “É o navio que derrotou a República de Alzer sozinho…”
Os olhares carregados de admiração eram evidentes. Enquanto eu observava a cena após desembarcar, Luxion se aproximou e apresentou seu relatório.
“Mestre, a descarga foi concluída. Também entregamos todas as mercadorias e suprimentos destinados à Casa Frazer.”
“Bom trabalho.”
“Tem certeza disso?”
Ergui uma sobrancelha.
“Do quê?”
As lentes vermelhas de Luxion se voltaram para Finn e Mia. Assim que desembarcou, Mia já explorava os arredores com curiosidade, enquanto Finn a observava com um sorriso gentil. Brave pairava próximo, como sempre, respondendo às provocações de Luxion. O único elemento fora do padrão era o homem mais velho, apoiado em uma bengala.
“Ah, você quer dizer o Sr. Carl? Ele veio do império por causa da Mia. Finn disse que não seria problema, lembra?”
“Seu erro foi confiar em alguém que se associa a um Traje Demoníaco. Todos eles são inimigos,” afirmou Luxion com naturalidade.
“Para você, talvez. Para mim, não.”
Ele não pareceu satisfeito com minha resposta, mas eu simplesmente o ignorei e aproveitei para me alongar.
“De qualquer forma… já passei por batalhas demais desde que entrei na academia. Parece que fui arrastado de uma para outra desde o primeiro ano.”
“Isso porque você se colocou nessas situações,” retrucou Luxion. “Posso sugerir novamente a eliminação completa das forças estrangeiras? Seria muito mais eficiente e resolveria todos os problemas de uma vez.”
Balancei a cabeça.
“Sou um cara que preza pela paz. Não existe rota de genocídio pra mim.”
“É curioso você amar tanto a paz, quando ela claramente não corresponde aos seus sentimentos. Seu amor é unilateral.”
“Tá bom, já entendi. Dá pra ficar quieto às vezes?”
Aquilo foi um golpe baixo. Preferi ignorar.
Enquanto aguardava, a senhorita Mylene e Erica desceram pela passarela sobre o tapete vermelho preparado para recebê-las. Um homem correu ao encontro delas — provavelmente o próprio Marquês Frazer. Ele tinha cabelos loiros semelhantes aos de Elijah e uma aparência surpreendentemente amigável e robusta para alguém responsável por defender a fronteira.
“É uma honra recebê-la, Rainha Mylene, Princesa Erica. Aguardávamos ansiosamente por sua visita.”
“Agradeço a recepção calorosa, Marquês,” respondeu Mylene. “No entanto, o tempo é curto. Sei que é um pedido repentino, mas gostaria de iniciar uma reunião imediatamente.”
O marquês arregalou os olhos com a urgência, mas rapidamente assentiu.
“Claro, Majestade. Ah, e devo informar que um diplomata do Reino Unido de Lepart já chegou.”
Dessa vez, fui eu quem se surpreendeu.
“Lepart? O país natal da senhorita Mylene?” murmurei.
“O timing é conveniente demais,” comentou Luxion.
“Você está pensando demais.”
Enquanto a comitiva real deixava o porto, Elijah saiu do Einhorn e veio direto até mim.
“Duque Bartfort! Fui designado como sua escolta durante sua estadia!”
Ter o herdeiro de um marquês como meu acompanhante mostrava o nível de consideração que estavam tendo comigo.
“Tentando ganhar pontos?” perguntei. “Não vai funcionar. Isso não me convence de que você é digno da Erica… quer dizer, de Sua Alteza.”
“Ah… entendo…”
Os ombros dele caíram, visivelmente abatidos.
Talvez eu tenha sido um pouco duro.
“Enfim… vai me mostrar o lugar ou não?”
“S-Sim! Claro!”
***
Por solicitação de Mylene, uma reunião foi rapidamente organizada em uma das salas da Casa Frazer. Uma longa mesa ocupava o centro do ambiente, onde um diplomata do Reino Unido de Lepart já estava sentado diante de um membro da família Frazer.
O homem tinha uma aparência impecável: alto, elegante, com bigode bem aparado, terno refinado e cabelos cuidadosamente penteados para trás. Seu olhar estava fixo em Mylene, e sua maneira de falar deixava claro que já se conheciam.
“Faz muito tempo desde nosso último encontro, Vossa Majestade. Continua tão deslumbrante como sempre.”
“E você continua tão bajulador,” respondeu Mylene com um leve sorriso.
“Falo apenas com sinceridade.”
Após as formalidades, o clima mudou imediatamente, e o assunto principal veio à tona.
“Peço desculpas pela pressa, mas gostaria de saber a posição do Reino Unido diante da situação atual.”
O diplomata ajustou a postura.
“Lepart não pretende aderir à Concordata de Defesa Armada — muito menos sob liderança de Rachel. Independentemente das decisões de outras nações, nosso povo jamais aceitará uma aliança com um inimigo de longa data.”
Dado o histórico de conflitos entre os dois países, a resposta não era surpreendente.
“Como esperado,” disse Mylene.
“A questão é outra,” continuou ele. “O Reino de Holfort tem condições de superar essa crise?”
Ele lançou um olhar breve na minha direção antes de voltar-se à rainha.
“Claro que sim,” respondeu Mylene com firmeza. “Por isso posicionamos nossa maior força aqui na fronteira.”
Dessa vez, foi ela quem me encarou.
O diplomata sorriu.
“Quando soube que o Einhorn e o Licorne estariam em Frazer, imaginei que o Duque Bartfort também estaria aqui. Isso certamente convencerá o parlamento de Lepart.”
A conversa seguiu em ritmo acelerado, com Mylene conduzindo a negociação enquanto o marquês Frazer observava satisfeito.
“Você recebeu informações sobre os movimentos de Rachel?” perguntou a rainha.
“Sim. Eles estão concentrando suas forças na capital.”
A sala imediatamente se encheu de murmúrios.
“Na capital? Não no porto militar?” “Isso não faz sentido…”
O diplomata ergueu a voz.
“Exatamente. Eles estão reforçando suas defesas internas.”
Era estranho. Com a aliança formada, Rachel deveria estar se preparando para invadir Holfort, mas, em vez disso, estavam fortalecendo a própria capital.
Apenas Mylene parecia imperturbável.
Ela ergueu a mão, pedindo silêncio.
“Eles estão com medo do duque Bartfort. Pretendem se esconder na capital e concentrar suas forças defensivas.”
“Como esperado do maior herói do reino!” exclamou o marquês, entusiasmado. “Com ele aqui, Rachel jamais ousará invadir nossas terras. Esta guerra certamente terminará com nossa vitória!”
Era uma visão otimista, mas não completamente equivocada. Minha presença já era suficiente para dissuadir o inimigo — desde que nada inesperado acontecesse.
“A princesa de Lepart continua impressionante,” comentou o diplomata. “Trazer o maior herói consigo foi uma jogada brilhante. Agora, tanto Lepart quanto Holfort podem ficar tranquilos.”
Seu sorriso, no entanto, não alcançava os olhos.
“Vamos enfrentar esta crise juntos.”