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Shadow Slave – Capítulo 3167

Uma Pequena Lembrança

Traduzido usando Inteligência Artificial



O vasto céu negro foi a última coisa que o soldado perdido havia visto em sua vida amarga e sem sentido.

Contudo, aquele não era o fim.

O homem havia vivido por mais um ou dois minutos… pelo menos, aquilo que havia sido o homem… e a sombra havia vivido aqueles minutos com ele. No entanto, não queria se lembrar daqueles últimos momentos, afinal, eles eram um vaso da Corrupção, e a sombra não tinha desejo algum de sentir as sementes da escuridão florescerem novamente em sua alma.

Arrancá-las pela raiz era um grande incômodo.

Ela permaneceu imóvel, escondida nas profundezas da caverna, as vívidas memórias de uma vida passada ainda ecoando em sua mente. Tudo naquela vida era tão vibrante, tão nítido, tão intenso… tão diferente de sua existência pacífica atual. A sombra não queria mais sofrer com a intensidade da vida.

E, ainda assim, não conseguia deixar de se lembrar.

O soldado perdido havia desprezado o Deus das Sombras, pensando que uma divindade que permitia que seus templos fossem queimados não era digna de reverência. Afinal, não restava nenhum vestígio do culto à Sombra no vasto e glorioso Império.

Contudo, ele não percebeu que o Império da Guerra, embora grandioso e esplêndido, existia apenas no mundo dos vivos… e a vida não passava de um sonho fugaz diante da morte.

A morte era eterna, afinal.

Uma vida que durava alguns anos ou a eternidade da morte… qual delas parecia insignificante? E por que o Deus das Sombras se importaria com o fato de aqueles que serviam à Guerra terem esquecido sua reverência por ele, se suas vidas no Império eram apenas uma breve parada no caminho para o Reino das Sombras?

A sombra suspirou.

Ela compreendia a morte melhor do que o soldado perdido. E, ainda assim, não conseguia esquecer o brilho fugaz da vida.

E então, sem ser convidadas, as memórias de outra vida, uma muito semelhante à primeira, mas também completamente diferente, vieram à tona do oceano profundo de suas memórias vagas e fragmentadas.

Naquela vida, ele teve azar. Teve azar porque nasceu na periferia do Império, em uma das terras distantes que as legiões da Guerra haviam conquistado.

As pessoas que viviam ali eram súditas do Império, mas não eram seus cidadãos. O glamour e o esplendor do coração do Império eram como um mito para elas, e passavam a vida trabalhando arduamente para não morrer de fome.

Ele vinha de uma família de servos camponeses. Eles não eram donos das terras que cultivavam, e a maior parte do que colhiam era tomada pelo governador de uma fortaleza próxima. Não eram escravos, é claro, eram homens e mulheres livres. A distância entre eles e aqueles que usavam um colar era tão vasta quanto o mar.

Pelo menos era isso que diziam a si mesmos, olhando com desdém para os escravos que cultivavam as terras dos ricos.

Ele não sabia quão vasto era o mar, de qualquer maneira. Nunca havia visto o mar… na verdade, nunca havia visto nada além do pequeno pedaço de terra de sua família e da aldeia próxima.

Ainda assim, não era uma vida ruim. Podia ser difícil e cheia de trabalho árduo, mas raramente passavam fome. Ele e seus irmãos talvez dividissem um pequeno cômodo, mas pelo menos dormiam sobre esteiras macias, não sobre palha áspera.

Todos eles, exceto os mais novos, acordavam ao amanhecer para ajudar o pai no campo. Sua mãe já teria preparado o café da manhã, e, depois de comerem até se saciar e agradecerem a ela, saíam pela porta frágil de sua casa modesta.

A porta era pintada de vermelho, e havia um sino de prata pendurado acima da varanda. Quando o vento soprava, ele tocava lindamente.

Nos momentos de doce lazer, aquele toque o acompanhava.

Mas, ainda assim…

Ele queria mais.

Nem sequer sabia que queria mais, ou o que significava desejar alguma coisa, até ver os soldados marcharem certo dia. Seu terreno ficava próximo à estrada imperial e, de tempos em tempos, os legionários passavam por ali marchando, um rio de estandartes vermelhos ondulando acima deles.

Ele era pequeno e fraco. Ao trabalhar na terra, ficava coberto de lama. Suas roupas eram ásperas e sem cor, gastas pelo tempo, enquanto seu corpo era magro e frágil. Os soldados, porém…

Os soldados imperiais eram tudo aquilo que ele não era.

Eram altos e poderosos. Suas vestimentas eram tingidas com cores vibrantes, e suas armaduras brilhavam intensamente sob o sol. Para uma criança serva como ele, eram o ápice do assombro, do esplendor… do orgulho.

Do Império.

Ele ficou obcecado por tudo que tivesse a ver com o Império depois de ver os soldados pela primeira vez. As oportunidades de aprender eram poucas e distantes naquela região remota da província, mas ainda havia histórias e lendas. Ainda havia sacerdotes errantes contando mitos sobre os Espíritos do Império.

Foi assim que ele aprendeu sobre o valente Espírito da Vitória, a divindade guardiã dos soldados, que era descendente do Dragão e um guerreiro de habilidade incomparável.

Ele também aprendeu sobre o Espírito da Beleza, a Donzela Sagrada, a divindade da perseverança, das colheitas e da maternidade.

O Espírito da Arte, cujo brilho e engenhosidade garantiam a prosperidade do Império, era o patrono de todos os artesãos e artífices.

E, finalmente, havia o Espírito da Alegria, a despreocupada divindade da festividade e da folia.

Ele também aprendeu sobre os Supremos que governavam o Império, os Altos Sacerdotes e Sacerdotisas do Culto da Guerra. Cada um deles era um herói famoso cujos feitos haviam se tornado lendas há muito tempo.

Quão maravilhosos eram, quão magníficos… quão oníricos.

E, é claro, havia o Dragão.

O Dragão, que habitava no topo de uma grande torre no coração do Império, uma torre tão alta que arranhava o céu e se impunha sobre o reino do Deus do Sol.

O Dragão, um vaso vivo do Deus da Guerra, havia fundado o Império e supervisionado seus primeiros anos. Ele ainda observava seus súditos de seu trono celestial, seu olhar aterrorizante afugentando outras divindades e as Criaturas da Corrupção.

É claro, o Deus da Guerra já não governava o Império pessoalmente. Os dias em que os deuses caminhavam sobre a terra haviam terminado há muito tempo, deixados nas míticas Eras dos Deuses e dos Heróis.

Esta era uma era dourada, a Era dos Humanos.

Mas, é claro…

Observando os gloriosos soldados marcharem diante da pequena fazenda, ele não conseguia deixar de imaginar que, um dia… quem sabe… ele também poderia se tornar um herói.

O tempo passou, e ele deixou de ser um menino para se tornar um jovem. A pequena casa de sua família parecia ainda menor agora, e o pedaço de terra em que trabalhavam parecia ainda mais patético.

Então, no fim, contrariando a vontade de seus pais, partiu na esperança de ingressar na legião imperial.

O vento estava forte no dia em que abandonou seu lar. Enquanto se afastava, deixando seus pais e irmãos para trás, o toque do sino de prata o perseguia como uma canção melodiosa… seguindo um impulso, ele o retirou das cordas e o colocou junto de seus pertences.

Ele teve sorte. Normalmente, não era fácil para alguém como ele, um jovem sem treinamento de uma remota província exterior, ingressar no grande e glorioso exército imperial. Mas o Império estava se preparando para uma nova campanha e, por isso, as legiões precisavam de novos corpos.

A competição por uma vaga em uma das legiões ainda era feroz, afinal, tornar-se um soldado prometia não apenas riquezas e glória, mas também um caminho direto para se tornar cidadão, mas ele se saiu bem diante dos recrutadores. Sua constituição também era alta, e ele não era estranho ao trabalho árduo.

E assim, sua nova vida como soldado começou.

No início, sentia saudades de casa com frequência. O sino que carregava em sua mochila o fazia lembrar dos dias quentes de sua infância… do toque de sua mãe, das risadas de seus irmãos. De uma época mais brilhante e inocente. À noite, segurava-o com força e se lembrava do passado.

Mas, conforme o tempo passava, ele buscava o sino cada vez menos. Seu toque já não lhe parecia doce… em vez disso, ele passou a apreciar o toque do aço afiado.

Sobreviver à sua primeira guerra foi um desafio. A segunda… a essa altura, já estava calejado, tendo se tornado uma lâmina temperada do Império. A terceira foi quando provou seu valor e foi elevado ao posto de centurião.

O exército lhe deu aquilo que sempre sentiu que lhe faltava: o direito de erguer a cabeça. De sentir orgulho de si mesmo. De saber que era uma parte importante de algo grandioso e temível.

De algo glorioso.

Ele havia deixado sua família para trás, mas o Império a substituiu. Os Espíritos eram seus pais, e os soldados companheiros eram seus irmãos. Lá fora, no campo de batalha, ele nunca se sentia sozinho.

Infelizmente, nem sempre havia guerra.

O Império já existia havia mil anos, e eram poucos os lugares onde suas legiões ainda não haviam chegado.

Os bárbaros inferiores e selvagens que os habitavam não tinham coragem para oferecer uma resistência adequada.

Construir caminhos até reinos que ainda não haviam sido conquistados exigia tempo e recursos.

Na melhor das hipóteses, os soldados eram enviados para reprimir uma revolta ocasional em uma das províncias mais novas. Na pior, eram deixados para apodrecer e morrer de tédio nas fortalezas, sem oportunidade de se elevarem através da batalha ou de desfrutarem dos muitos prazeres da guerra.

Seus sonhos de se tornar um herói também haviam sido esmagados. Apesar de todos os anos que haviam passado, ele sequer estava perto de se tornar um Desperto. E assim, suas perspectivas de carreira ficaram cada vez mais sombrias.

Embora tentasse afastar os pensamentos sombrios, às vezes não conseguia deixar de sentir amargura. Não conseguia deixar de ressentir aqueles que eram melhores do que ele, mais jovens do que ele… mais fortes do que ele.

E, ainda assim, sua devoção ao Espírito da Vitória e ao Dragão, assim como ao próprio Império, jamais vacilou. Na verdade, apenas se tornou mais fanática.

Ele já não era jovem naquela época e havia acumulado muitos méritos. Se quisesse, poderia se aposentar e viver uma vida confortável no coração do Império como cidadão. Na verdade, muitos de seus camaradas já haviam feito isso.

…Em pouco tempo, seriam a maioria.

Mas a ideia de se aposentar da vida de soldado jamais havia sequer passado por sua mente. Mesmo quando seus cabelos ficaram grisalhos e seu corpo começou a fraquejar, permaneceu firme em sua devoção a servir ao Império.

Porque o Império era seu deus.

Também era porque ele não conhecia nada além do abraço severo das legiões imperiais. O mundo fora de seu serviço era estranho e desconhecido. Tudo havia mudado, em certos aspectos… as estradas pelas quais marchava, as cidades que encontrava, as pessoas que conhecia. Tudo era novo, e parecia que o mundo estava passando por ele. Já o havia deixado para trás, perdido na poeira. Apenas os Espíritos e o Dragão permaneciam iguais, como o eixo do mundo.

Ele os amava por isso.

Aposentar-se? Viver confortavelmente em alguma cidade tranquila? Formar sua própria família e cuidar de crianças?

Ele não desejava uma vida assim. Não tinha interesse na maciez da terra. Tudo o que desejava era a dureza do aço.

Por fim, sua idade o alcançou, e o tipo de ordens que recebia mudou. Foi assim que acabou liderando uma caravana que escoltava condenados acorrentados, os mais baixos entre os baixos, cada um deles.

Escravos desprezíveis…

A missão não era muito difícil para um veterano experiente como ele. Além de manter os escravos sob controle e ensinar aos novos recrutas a não se aproximarem demais deles, não havia muito a fazer. Ainda assim, ele permanecia vigilante.

Sempre permanecia.

Afinal, havia participado da repressão de uma rebelião de escravos uma ou duas vezes. Aqueles miseráveis eram dez vezes mais numerosos do que ele e seus soldados. Ele sabia muito bem o que acontecia quando pensamentos perversos entravam em suas cabeças bestiais e sabia com que facilidade aquelas algemas de ferro se soltavam.

A verdadeira corrente que os prendia, a única que conseguia fazê-lo, não era feita de ferro. Era feita de medo. Era feita de rendição e submissão, então ele se certificava de impedir que os escravos pensassem em qualquer coisa além de seu chicote.

Ainda assim, até mesmo sua vigilância tinha um limite.

O perigo veio de uma fonte inesperada. Não eram os escravos desobedientes, os bandidos da estrada ou sequer os elementos. Veio do alto da montanha, assumindo a forma de uma hedionda Criatura da Corrupção.

Ele soube que aquele seria o lugar onde morreria no momento em que viu a besta.

As legiões imperiais não eram estranhas a lutar contra os Corrompidos, é claro, e ele havia participado de sua cota de batalhas contra aqueles inimigos insidiosos. Então, soube imediatamente que a besta pertencia a uma Classe elevada… ele e seus soldados mundanos poderiam enfrentar uma ou duas Bestas, talvez até um Monstro. Mas aquela criatura?

Era a morte.

Ainda assim, não desistiria sem lutar.

Se fosse morrer, morreria segurando uma espada, como havia feito durante toda a vida.

Morreria ouvindo o clangor do aço.

A batalha foi curta.

No fim de tudo, ele se viu deitado na neve. Não se lembrava de como havia chegado ali, nem do que aconteceu com seus soldados.

Não havia força em seu corpo. Não conseguia se mover.

Estava com tanto frio.

Estava com frio e sozinho, cercado pelo silêncio. Tudo o que conseguia ver era o céu noturno e os flocos de neve que desciam lentamente da escuridão sem limites acima.

Estava morrendo.

Foi preciso usar toda a força que lhe restava para virar a cabeça. Lá fora, na neve, percebeu o punho de sua espada. A lâmina estava quebrada, mas ainda era uma espada… sua espada…

Era uma espada do Império, assim como ele.

Tentou alcançá-la, mas sua mão não se moveu.

‘Preciso… preciso…’

Precisava pegá-la. Precisava… queria… morrer segurando aquele punho familiar.

Mas era inútil.

Ele ficou desesperado. Ficou fraco.

Seus pensamentos ficaram lentos e frios, assim como o mundo ensanguentado.

Estendeu-se em direção à espada com mais força do que jamais havia feito por qualquer coisa…

Mas, ainda assim, sua mão se recusou a se mover.

Lágrimas de raiva umedeceram seus olhos, ficando frias no ar gélido.

Então, uma sombra caiu sobre ele.

Movendo os olhos, viu um garoto magro parado acima dele, seu rosto pálido sem expressão. Sob a pálida luz da lua, sua pele parecia puro alabastro, e seus olhos escuros eram como duas peças de obsidiana.

Por um momento, teve medo de que fosse a Morte. Teve medo de que o Deus das Sombras tivesse vindo para levá-lo ao reino sem luz, quebrado e desarmado… não diferente dos miseráveis escravos que haviam morrido na encosta da montanha enquanto tentavam fugir da besta.

Não, não…

O garoto era apenas um dos escravos.

O miserável ainda estava vivo, tendo vindo para zombar dele.

Ele cerrou os dentes, querendo sentir fúria. Querendo amaldiçoar o verme patético.

Mas estava cansado demais. Estava frio demais para sentir qualquer coisa.

Até mesmo seu desespero havia desaparecido. Tudo o que restava era uma sensação de fraqueza e resignação. Sua vida era como a chama de uma vela, prestes a se apagar.

Ele encarou o garoto, e o garoto o estudou em silêncio.

Então, o garoto se ajoelhou ao lado dele e pegou a espada quebrada.

Estendendo a mão, o garoto ergueu uma de suas mãos impassíveis, colocou o punho nela e o depositou sobre seu peito.

Ele encontrou forças para apertar o punho com firmeza, olhando para o garoto com surpresa. E gratidão.

Sem expressão, o garoto soltou sua mão e se levantou. Então, virando-se, desapareceu na escuridão.

Houve silêncio então.

Ele permaneceu deitado na neve, segurando sua espada com força, dando seus últimos suspiros.

A morte estava chegando.

‘Espada… minha… espada…’

Sua espada finalmente estava em sua mão, mas, naquele momento, por algum motivo, ele não sentia que havia sentido falta de seu toque.

Em vez disso, lembrou-se de um peso diferente. O modesto peso de um sino de prata que havia segurado tantas vezes, há muito tempo.

‘Certo… o sino…’

Quando o havia perdido?

Ele não se lembrava.

Não havia pensado naquela coisa durante anos, mas agora que ela se foi, de repente sentia sua ausência.

Quase conseguia ouvir seu toque.

Seu toque doce…

Enquanto balançava ao vento em uma varanda banhada pelo sol. Agora, só restava o silêncio.

Apenas a escuridão.

A espada caiu de sua mão imóvel.

…A sombra emergiu da torrente de memórias, sentindo como se tivesse se afogado.

Em algum momento, sem pensar a respeito, havia assumido uma forma.

Aquela forma era áspera e vaga, mas ainda se assemelhava a um humano.

O toque límpido do sino de prata ecoou em sua mente.

Sentiu que quase conseguia tocá-lo…

Olhando para baixo, para sua mão negra, a sombra ficou surpresa ao ver um pequeno sino de prata repousando em sua palma, tendo aparecido ali como se por magia.

‘De onde…’

Ela franziu a testa, confusa, então ergueu o pequeno sino de prata e o estudou atentamente. Então, seguindo um impulso estranho, a sombra o fez tocar.

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