Tradutor/Revisor: miggigibe
Juliet suspirou ao ver o olhar de Jason.
— Desculpe. Encontrei-a no prédio do SMD, e de algum modo ela descobriu que sou sua agente. Ela não me deixou ir embora sem trazê-la junto. É uma história longa. Posso entrar?
Por um instante, Jason considerou mandar as duas embora. Mas decidiu ouvi-las. Virou-se e abriu espaço.
Griselda entrou primeiro, com ar pomposo, mas parou ao ver Riyala sair da sala. A princesa ainda vestia o casaco longo, mas o capuz estava abaixado, revelando os olhos vermelhos e as escamas nas bochechas e no pescoço.
Juliet recuou, surpresa. Griselda pôs a mão no rosto, curiosa.
Jason apontou para Riyala.
— Esta é Riyala, uma amiga minha. Ela não fala inglês porque veio de muito longe, então não estranhem se não entender vocês.
Ele apresentou as duas a Riyala, e a princesa se curvou com a elegância natural de uma nobre. Griselda ficou imediatamente impressionada e retribuiu a reverência. Juliet ainda parecia confusa.
— Quando você diz “muito longe”, quer dizer outro continente? Essas escamas e os olhos dela… é algum Dom super-humano?
— Sim — respondeu Jason, simples.
A explicação bastou para que elas se acalmassem um pouco.
— Desculpem a falta de mobília. Acabei de me mudar.
Griselda jogou o cabelo por cima do ombro e se apoiou na parede com dramaticidade.
— Não precisamos de mobília para esta conversa. Está bom assim.
Jason riu do gosto dela por teatrinho e voltou-se para Juliet.
— Por que veio me ver? Aconteceu alguma coisa?
Juliet abriu a bolsa e tirou várias pastas. A pergunta quase a fez rir. O homem tinha voado em um dragão no dia anterior, destruído parte do prédio do SMD e virado notícia nacional. Claro que havia acontecido alguma coisa.
— Consegui a estimativa dos danos ao prédio do SMD e das multas. O valor é alto, mas você pode pagar em parcelas. Também recebi muitas ligações de guildas tentando recrutá-lo. Desviei todas e disse que esperassem um pronunciamento público, o que recomendo que você faça logo. E há o problema de contato. Seu telefone não atendia.
— Quebrou numa luta.
Juliet suspirou e entregou um aparelho novo.
— Imaginei. Já coloquei um chip e alguns contatos importantes. Vou pedir para transferirem suas chamadas para este número.
Jason agradeceu e voltou ao documento. Juliet esperava que ele discutisse o valor. A multa era pesada o bastante para afetar boa parte de seu patrimônio.
Mas Jason apenas disse:
— Tudo bem. Vou pagar tudo de uma vez. Também fale com Keith Ledger, dos Executores. Descubra quanto ele será multado pelo que fez ontem e adicione ao meu pagamento.
Juliet arregalou os olhos.
— Sério? Eu pensei em parcelar para não pesar tanto.
— Não quero dever ao governo.
Jason abriu a Dimensão Alternativa e retirou uma bolsa de Cristais Mágicos. Juliet a abriu e ficou imóvel.
Havia centenas de cristais.
— Cinquenta grandes, duzentos médios e quinhentos pequenos. Conte depois. Tire as multas da minha parte e deposite o resto na minha conta. E tem isto.
Ele retirou uma moeda de ouro grande.
— Descubra quanto vale.
Juliet segurou a bolsa em uma mão e a moeda na outra, incapaz de reagir. O rosto de Jason continuava perfeitamente tranquilo.
Um pensamento absurdo atravessou sua mente.
Quero me casar com esse homem.
Alto, bonito, poderoso e capaz de gerar dinheiro mais rápido que quase qualquer pessoa que ela conhecia. Com aquela bolsa sozinha, ele ficaria mais de cento e sessenta milhões de dólares mais rico. Juliet se viu, por um instante, administrando as finanças dele como esposa, tendo filhos, vivendo uma vida perfeita.
— Juliet?
Ela despertou do devaneio, corando violentamente.
— E-eu vou fazer algumas ligações sobre a moeda e envio o recibo dos cristais. Mas… Jason, você está bem?