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The Death Mage Who Doesn’t Want a Fourth Time – Capítulo 57

O Rei do Eclipse é coroado e um santo recebe uma Mensagem Divina

Uma semana depois de Vandalieu ter sido reconhecido como o rei de Talosheim, uma grandiosa cerimônia de coroação foi realizada.

— Não dá só pra eu declarar que virei rei? — perguntou Vandalieu. — Eu até preparo uma festa decente depois.

— Filho Santo, embora esse tipo de cerimônia possa parecer sem sentido à primeira vista, você precisa mudar sua forma de pensar e perceber que há significado em reconhecer conscientemente que é o rei — disse Nuaza.

Com isso, decidiu-se que uma cerimônia adequada seria realizada, e várias preparações começaram.

A primeira foi a coroa e o trono, que Vandalieu fez às pressas usando Oricalco, dizendo: — Vamos usar esses por enquanto.

Eles tinham a cor negra dos fragmentos metálicos do Golem Dragão usados como material, mas aparentemente, aquela quantidade de Oricalco era suficiente para comprar um ou dois castelos.

Tarea queria desesperadamente ser responsável por confeccioná-los, mas Vandalieu a fez priorizar a produção de armamentos. Aqueles itens reais de Oricalco provavelmente seriam usados como matéria-prima para escudos e armaduras em breve, então ele decidiu que ela poderia fazer outros depois da guerra.

Em seguida, o dia da coroação foi anunciado a todos e começaram os preparativos para o banquete. Vandalieu tinha a sensação de que isso tomou a maior parte da semana.

— O próprio rei cozinhando… Será que vou acabar ganhando o título de “Culinária”? — comentou Vandalieu.

— Bocchan, o que você faria se isso realmente aparecesse no seu Status? — perguntou Saria.

Seu trocadilho não foi muito bem recebido.

Depois disso, todos se arrumaram (embora com roupas feitas de peles limpas, parecendo uma tribo de selvagens) e se alinharam no salão construído em frente ao castelo real.

— Ei, ei! Por que eu tenho que ser o oficial militar na linha de frente?! — reclamou Borkus. — Eu sou um aventureiro livre!

— G-garoto, ainda estou em treinamento, então não acho que esteja apta a assumir o cargo de maga da corte…

— murmurou Zadiris.

— Bocchan! Eu sou apenas um cocheiro e tratador de cavalos! Ser nomeado oficial civil é demais para alguém como eu! — exclamou Sam.

—… Eu já aceitei meu destino, então por que ninguém mais aceitou o seu? — perguntou Vandalieu. — Vocês realmente não sabem quando desistir. Especialmente você, Sam. Por que acha que fiz um salão grande o bastante para passar uma carruagem?

Como aparentemente a cerimônia tinha um significado, Vandalieu preencheu sem piedade os cargos vagos de oficial militar, oficial civil e mago real. Bem, estavam mais para “assentos nobres na praça”.

— Pois bem, a cerimônia de coroação começará agora — anunciou Nuaza.

Ele foi o responsável por conduzir a cerimônia. Tradicionalmente, o líder da Igreja de Vida deveria fazê-lo, mas como o único membro restante da igreja era ele, um ex-sacerdote guerreiro, foi necessário que ele assumisse esse papel.

Nuaza também havia demonstrado grande relutância em agir como líder da Igreja, mas ao ser perguntado por Vandalieu quem poderia ser nomeado no lugar, ele aceitou seu destino ao perceber que não havia ninguém mais adequado.

— Por podermos ver este dia, oferecemos nossa gratidão à deusa Vida e ao nosso ancestral Talos — disse ele, iniciando a cerimônia. — Tenho certeza de que Sua Majestade, o falecido rei, Suas Altezas, a Primeira Princesa Levia e a Segunda Princesa Zandia, também estariam muito felizes.

Então, Nuaza fez um breve resumo da história de Talosheim. Vandalieu faria uma promessa de continuar essa história e trazer prosperidade ao reino, receberia a coroa e seria agraciado com o título de Rei do Sol. E assim, a cerimônia de coroação terminaria.

As festividades viriam em seguida, mas—

— No entanto, a partir de hoje, estamos abrindo uma nova página na história — continuou Nuaza. — Filho Santo, por favor, aceite o título de primeiro Rei do Eclipse e faça um juramento de portar e sustentar a autoridade real de Talosheim.

O título concedido a Vandalieu não era “Rei do Sol”. Considerando o estado atual de Talosheim, esse título não seria adequado.

Atualmente, Talosheim era mais ativa à noite do que durante o dia. Seus habitantes eram Ghouls, que enxergavam bem com a luz da lua, além dos mortos-vivos e das novas raças monstruosas que viam no escuro tão bem quanto à luz do dia.

As únicas exceções eram as Abelhas do Cemitério e os Ents Imortais.

Por isso, o título de Vandalieu foi Rei do Eclipse. Não se usou algo como “Rei da Noite Sombria” porque soaria mal para sua imagem — e porque ele desejava que os Titãs que haviam fugido no passado, assim como seus descendentes, um dia retornassem a Talosheim.

Uma vez que Vandalieu se tornasse um nobre honorário e assegurasse sua posição na sociedade, queria realizar trocas comerciais e outros projetos.

Foi por isso que escolheu “Rei do Eclipse”, associado ao eclipse solar, algo que não é nem luz nem escuridão.

— Eu sou um com Talosheim — declarou Vandalieu.

Bem, na prática, vou acabar indo e voltando bastante, pensou, enquanto dizia a frase que havia sido combinada previamente e recebia a coroa de Oricalco.

— Vandalieu, o Rei do Eclipse, foi entronado neste dia — anunciou Nuaza.

No momento em que terminou de falar, um grito ensurdecedor ecoou por entre o povo.

— UOOOOOOOOOH! UOOOOOH!

— O REI! O REI! O REI!

O rei do eclipse sendo coroado.
O rei do eclipse sendo coroado.

Punhos e armas foram erguidos no ar acima da praça enquanto os Mortos-Vivos e Ghouls gritavam de alegria e louvor por Vandalieu.

Quimeras Ósseas, Zumbis de Pteranodonte e Abelhas do Cemitério voavam pelos céus em vez das pombas que poderiam ser vistas em cerimônias na Terra.

Todos já sabiam que essa cerimônia de coroação estava sendo realizada com o propósito de derrotar o exército de expedição da Nação-Escudo de Mirg. O mesmo exército que já havia destruído Talosheim uma vez estava voltando. Sabendo disso, o desejo por batalha fervilhava em cada um deles.

Mesmo após se tornarem Mortos-Vivos, os Titãs ainda mantinham a crença de que os pecados dos pais não deveriam recair sobre os filhos.

Mas, é claro, isso não significava que aceitariam o mal que a geração atual tentava infligir a eles. Se esta geração insistisse em destruir Talosheim também… então seria esmagada sem piedade.

Darcia estava em lágrimas.

— Pensar que o meu Vandalieu, que era tão pequenininho… Ainda é pequeno, mas se tornou alguém tão grandioso…

Vandalieu ficou feliz por vê-la chorar de emoção, mas achou desnecessária a parte em que ela disse que ele ainda era pequeno.

— É aqui que começa a lenda de Van-sama como o grande rei, não é? — disse Tarea.

Tarea… esse tipo de lenda não vai começar, pensou ele.

“Bom, hoje vai terminar com um banquete e celebrações com todos. Quanto à explicação das políticas de defesa contra o exército de expedição e o que faremos até a chegada deles, isso pode ficar para amanhã.”

Pode parecer que Vandalieu estava sendo relaxado, mas o momento atual era o fim do verão. O inimigo só chegaria, no mínimo, na primavera seguinte.

Além disso, Mortos-Vivos e Golems de vigilância haviam sido posicionados em intervalos regulares pelas rotas que o exército inimigo usaria ao sair do túnel.

Assim que se aproximassem, Vandalieu saberia imediatamente. Mesmo que enviassem espiões em menor número, ele saberia.

As muralhas da cidade também funcionavam como Golems de vigilância e, mesmo se passassem pelas muralhas, a cidade estava cheia de Golems.

Abelhas do Cemitério também voavam nos céus, ampliando ainda mais a rede de vigilância de Vandalieu.

Uhum, está tudo perfeito.

『Você adquiriu o Título de “Rei do Eclipse”!』

… Acho que não tinha como evitar esse Título.

Vandalieu até achava que talvez não ganhasse mais um título, já que “Filho Santo Profetizado” nunca havia se tornado um título, mas parecia que esse não era o caso.

Bem, eu já tenho o título de Rei dos Ghouls. Agora ganhei dois títulos de rei… acho que está tudo certo.

Enquanto pensava nisso e observava todos ao seu redor, algo de repente lhe ocorreu.

Ah… há algo… ou talvez um componente… que todos nós temos em comum. Não sei se poderei usar isso, mas vale a pena testar.

Mas aquele não era o momento nem o lugar para fazer experimentos. Então Vandalieu passou o dia com todos, aproveitando o banquete com pratos como sashimi em folhas de barco, ensopado de miso com Lobos de Agulha, bifes de dinossauro e gelatina de frutas feita com frutas Kobol e mel.


Em outro lugar…

Bormack Gordan usava sua túnica de sacerdote sem sua armadura, ouvindo atentamente as opiniões dos sacerdotes-guerreiros que liderava. Sua aparência era a de um bondoso senhor de idade.

Não apenas Vandalieu, mas qualquer um que o tivesse visto em combate duvidaria dos próprios olhos ao vê-lo daquele jeito.

— Então, todos vocês acham que não devemos participar da expedição da Nação-Escudo de Mirg, estou certo?

— perguntou Gordan.

— Sim, Alto Sacerdote-sama. Por mais que eu pense nisso, acredito que devemos usar nosso poder para outras finalidades — disse um jovem rapaz, mal tendo idade para ser um sacerdote-guerreiro. Ele parecia nervoso, mas expressava suas opiniões com clareza.

— Nós, sacerdotes-guerreiros, não somos soldados nem aventureiros. Não deveríamos ser comandados pelas circunstâncias do governo.

— Não hesitamos em lutar contra monstros. Mas há algum sentido em servir numa expedição como essa?

Os sacerdotes-guerreiros tinham se originado de padres das Igrejas em áreas remotas, armados com o propósito de caçar feras selvagens perigosas, muito antes do Rei Demônio criar monstros neste mundo.

Na era atual, eles eram clérigos que empunhavam poder militar para proteger a Igreja e seus fiéis, além de espalhar seus ensinamentos a pessoas que viviam em regiões distantes.

Para esses sacerdotes-guerreiros, a expedição até a Cordilheira da Fronteira, marcada para a primavera do ano seguinte, não era algo empolgante.

Eles eram homens instruídos. Estava claro para eles que havia motivos políticos por trás da expedição, assim como havia na invasão de Talosheim há duzentos anos.

E, além da Cordilheira da Fronteira, não havia pessoas que precisassem de proteção.

Esses dois fatos os faziam recusar a ideia de participar da expedição.

— Nós, fiéis de Alda, deus da lei e do destino, somos ensinados a lutar contra monstros — disse outro sacerdote-guerreiro. — Para nós, sacerdotes-guerreiros, é nosso dever. Entendemos que há sentido em lutar ao lado do exército na Cordilheira, onde os monstros são abundantes e os remanescentes das raças de Vida se escondem. Mas não deveríamos priorizar a proteção daqueles que estão diretamente expostos à ameaça dos monstros?

Na visão deles, defender vilarejos remotos ameaçados por monstros e caçar Vampiros infiltrados na sociedade

— bem como aqueles que caíram em suas tentações — deveria ser prioridade sobre lutar ao lado de soldados em terras perigosas e desconhecidas.

Essa também era uma opinião conservadora: preferir o dever moral e aderir rigidamente à doutrina.

— De fato, o que vocês dizem é razoável — respondeu Gordan.

Gordan era, ele próprio, alguém que colocava os princípios acima da fama entre o povo comum ou de ganhos financeiros.

Se não fosse assim, teria aceitado as recomendações para se tornar cardeal, e não estaria ainda lutando na linha de frente como sacerdote-guerreiro em idade tão avançada.

— Não estamos nos opondo a exterminar aquele Dhampir, como o senhor desejava, Alto Sacerdote…

— Não, isso não importa. Aquilo foi apenas um desejo pessoal meu. Não precisam levar isso em consideração.

Na longa vida que vivera até agora, Gordan jamais deixara um alvo escapar. Por mais habilidosamente que Vampiros e Lamias se escondessem, ele os encontrava… e os exterminava. Havia reduzido inúmeros Dhampirs — bem como seus pais — ao pó.

Com uma única exceção.

Essa exceção era um Dhampir. Seu nome era Vandalieu, e embora sua mãe bruxa tenha sido reduzida a cinzas e purificada, ele sobreviveu quando ainda tinha apenas seis meses de idade. Posteriormente, alcançou o Trabalho de Espiritualista e se tornou o líder de centenas de Ghouls antes mesmo de completar três anos de idade. Um caso verdadeiramente excepcional entre os mais excepcionais.

Vandalieu havia usado um método desconhecido para atravessar a Cordilheira da Fronteira e escapar. Gordan se arrependia profundamente de não ter conseguido impedir isso.

O fato de ele ter usado algum método desconhecido para cruzar a cordilheira significa que é possível que ele a atravesse novamente… para nos atacar.

As regiões ao sul do continente Bahn Gaia, do outro lado da Cordilheira da Fronteira, eram assombradas pelas raças criadas por Vida. E dizia-se que Vampiros de Linhagem Pura sobreviventes, detentores de um poder imenso, também habitavam lá.

Centenas de Ghouls poderiam ser uma ameaça para uma única cidade, mas se aquele Dhampir fosse deixado livre, uma nação inteira… não, a própria existência do continente poderia estar em risco. Era assim que Gordan enxergava a situação.

Se aquele Dhampir reunir ainda mais subordinados, poderá organizar um exército de monstros capaz de atravessar livremente a Cordilheira da Fronteira — algo que nós não conseguimos fazer — e então as regiões tanto a leste quanto a oeste poderão ser destruídas.

Foi por isso que, quando perguntaram a Gordan se ele participaria da nova expedição agora que o túnel havia sido descoberto, seu coração palpitou de empolgação — algo inusitado para alguém de sua idade.

Ele não tinha dúvidas de que aquilo era uma oportunidade concedida pelo próprio Alda.

No entanto, os objetivos oficiais da expedição eram recuperar o tesouro nacional perdido na expedição de duzentos anos atrás e purificar Talosheim.

Era algo natural. Apenas Gordan via Vandalieu como uma ameaça pessoalmente. Informações detalhadas não haviam sido repassadas aos altos escalões da Nação-Escudo de Mirg ou do Império Amid, com exceção de Palpapek, o marechal daquela época.

Ao pensar com calma, Gordan reconhecia que, mesmo atravessando a cordilheira, as regiões ao sul do continente eram vastas.

As chances de encontrar Vandalieu em um lugar assim eram mínimas. A única possibilidade seria se ele já estivesse esperando pela chegada do exército de expedição.

Aquele Dhampir é astuto e cauteloso. Fugirá sem hesitar se achar que não pode vencer. Por outro lado, se o encontrarmos, será porque ele acredita que pode ganhar.

Na visão de Gordan, Vandalieu não apareceria nem mesmo se ele próprio participasse da expedição.

Afinal, apenas dois anos haviam se passado desde então. Seria impossível para Vandalieu ter reunido força de combate suficiente para vencer contra milhares de soldados de elite.

Talvez se barricando numa cidade fortificada… em Talosheim, haveria uma chance. Mas grandes brechas foram abertas nas muralhas da cidade durante a guerra de duzentos anos atrás. Provavelmente, essas muralhas já haviam desabado.

Por isso, participar da expedição era inútil.

— Muito bem, entendo perfeitamente o que vocês sentem. Irei recusar a proposta de participar da expedição — decidiu Gordan.

Mas naquela mesma noite, enquanto fazia suas orações a Alda antes de dormir, ele recebeu uma Mensagem Divina, como as que já havia recebido em outras ocasiões.

【A sombra do Rei Demônio desperta mais uma vez. Deve ser encontrada e destruída.】

— Isto é… Oh, meu senhor Alda! Está me dizendo para cruzar a Cordilheira da Fronteira e eliminar aquele Dhampir, não está?!

Gordan interpretou que não era coincidência, mas sim o plano do próprio Alda, o fato de ele ter recebido aquela Mensagem Divina na mesma noite em que decidira recusar a expedição.

E, em sua mente, Gordan associou a “sombra do Rei Demônio” a Vandalieu.

Essa dedução foi feita às pressas e possuía uma lacuna gritante em sua lógica, já que nem sequer a primeira letra do nome de Vandalieu havia sido mencionada na Mensagem Divina.

Mas ninguém — nem mesmo Alda, o deus que havia enviado a mensagem — teria imaginado que essa dedução estava, de fato, correta.


Vandalieu havia conseguido criar um vírus para usar na guerra!

— Ele é transmissível pelo ar, por membranas mucosas e através do sangue. Seus efeitos surgem em até cinco segundos.

Os sintomas são apenas náuseas violentas, dores de cabeça, tontura, febre, dor estomacal e dor nas articulações, então leva vários dias para matar a vítima e mata menos de 10% dos infectados.

Mas acho que isso já serve — concluiu Vandalieu.

Ele assentiu, olhando para o Tiranossauro de Duas Cabeças estirado no chão, com a língua para fora e um rastro de saliva, suco gástrico e muco nasal formando uma poça ao redor.

—… Bocchan, acho que isso já é mais que suficiente para uma doença incurável — comentou Rita, apreensiva.

— Se essa doença se espalhar pela Nação-Escudo de Mirg ou pelo Império Amid, essas nações pararão de funcionar — disse Saria.

— É verdade — concordou Vandalieu. — Mas eles têm magos de atributo da vida e grandes sacerdotes de Alda, então devem dar conta.

— Curar doenças com magia é bastante difícil, e cada enfermidade precisa de feitiços diferentes, então pode não ser tão simples assim — ponderou Sam.

— Existem pessoas com a habilidade de Resistência a Doenças, e outras com Resistência a Doenças e Venenos, mas são bem raras — acrescentou Kachia.

De acordo com Sam e Kachia, tanto o Império Amid quanto a Nação-Escudo de Mirg não tinham planos sofisticados para lidar com epidemias.

Sabiam que era possível lavar a área afetada com álcool ou água quente, mas antibióticos não existiam nesse mundo.

Poções, feitiços de cura e habilidades de resistência preenchiam essa lacuna… mas eram soluções incompletas.

Embora existissem Poções para tratar doenças, eram caras e não funcionavam contra todos os tipos.

Na prática, era mais comum ingerir Poções Antídoto para neutralizar toxinas acumuladas no corpo e aliviar os sintomas.

O desenvolvimento de feitiços de cura era lento e pouco avançado. Por exemplo, um resfriado poderia ser curado ao aumentar a Vitalidade do paciente…

Mas aplicar esse mesmo feitiço em alguém com câncer faria as células cancerígenas se espalharem, resultando numa morte quase imediata.

Tratar doenças com magia seria impossível sem avanços em anatomia, fisiologia, conhecimento sobre o funcionamento do corpo e de como os patógenos agem, além de inovações tecnológicas.

Quanto às habilidades de resistência, poucos aventureiros e cavaleiros possuíam resistência a doenças. A maioria dos monstros tinha resistência a venenos, não a doenças.

E como assassinos e mercenários costumavam usar venenos em vez de doenças, Resistência a Venenos era comum, enquanto Resistência a Doenças era rara.

Pessoas com saúde frágil o suficiente para adquirir essas resistências raramente se tornavam aventureiros.

— Eu criei algo mais perigoso do que pensei? — murmurou Vandalieu. — Mas eu projetei para que seus efeitos acabem em meio dia… então acho que está tudo certo.

Mesmo que a doença se espalhasse, não haveria vítimas fatais, já que seus efeitos cessavam após doze horas.

E, considerando a baixa densidade populacional desse mundo, ela não se espalharia além de uma vila ou cidade pequena.

Se algo fora do esperado acontecesse, Vandalieu poderia simplesmente usar força bruta com sua Mana, lançando uma Esterilização em larga escala.

Enquanto Vandalieu se convencia com essas justificativas, Rita e Saria haviam se aproximado para observar.

— Então, Bocchan, não vamos acabar logo com isso? — perguntou Rita.

Saria assentiu. — Ou vamos esperar o efeito passar?

— Não, melhor terminar agora. Por favor, fiquem à vontade — respondeu Vandalieu.

— Tudo bem — disseram as irmãs em uníssono.

Seus traseiros brancos balançavam de um lado para o outro enquanto se aproximavam do Tiranossauro de Duas Cabeças.

Em seguida, uma glaive e uma alabarda desceram cada uma sobre um dos pescoços da criatura.

Traseiros brancos, de fato.

Aparentemente, a habilidade Forma Espiritual de Rita e Saria havia evoluído, permitindo que elas se alimentassem livremente e enfim adquirissem uma aparência indistinguível da de uma pessoa viva.

Como Vandalieu, a pele delas era tão branca como se tivessem passado uma grossa camada de cera de vela, o que dificultava chamá-las de saudáveis, mas isso não era realmente um problema.

Saria, a mais velha, tinha uma aparência reservada, com o cabelo longo até a cintura, enquanto Rita aparentava ser uma garota energética e bonita, com o cabelo preso em dois rabos de cavalo laterais.

E ambas tinham corpos que combinavam perfeitamente com suas armaduras.

Antes, seus corpos em forma espiritual pareciam bonecos de palito ou pessoas usando collants justíssimos, de modo que era impossível distinguir se eram homens ou mulheres.

Mas agora, as peitorais de suas armaduras estavam volumosas, sem deixar nenhum espaço sobrando, as cinturas finas e os glúteos redondos e maduros.

Como uma usava armadura com pernas altas e a outra uma armadura tipo biquíni, cerca de metade da superfície de seus corpos ficava exposta.

Que grande tentação, pensou Vandalieu.

Ele ainda tinha corpo de criança, então seu entendimento disso era mais mental do que físico… Mas estava numa idade em que, dentro de alguns anos, não seria estranho se ele se apaixonasse pela primeira vez — se fosse uma criança comum.

Decidiu que faria as duas começarem a usar capas antes disso acontecer.

Aliás, quando as duas adquiriram essas aparências, haviam comemorado com entusiasmo.

“Olhe, Bocchan!” exclamou Rita. “Não sobra um milímetro sequer! Está tudo preenchido até não sobrar espaço! E minha cintura está tão fina! Estou realmente feliz por ter dito a todo mundo todo dia que sou bonita e sexy!”

“Uwah! Isso está delicioso, Bocchan!” chorou Saria. “Maionese, missô, tudo! O shōgayaki dos Orcs, os bolinhos de dinossauro, o tubarão voador no missô… Não me canso de comer sashimi com molho de peixe e wasabi!”

Rita estava orgulhosa de seu corpo em forma espiritual, enquanto Saria estava absorta em comer todos os tipos de comida que não podia provar antes, uma atrás da outra.

“Fiz elas aguentarem muito e as exigi bastante; da próxima vez que eu fizer uma Armadura Viva, vou ensiná-las a usar a habilidade Forma Espiritual logo de cara”, pensou Vandalieu enquanto as duas o manipulavam naquele dia… não com palavras, mas fisicamente.

A habilidade Forma Espiritual concede aos mortos-vivos e outras criaturas não só uma aparência, mas a capacidade de manifestar partes do corpo como músculos e ossos.

Como resultado, a força de Saria e Rita aumentou rapidamente.

Por falar nisso, como era de se esperar de armaduras de collant com pernas altas e biquínis de armadura, não faltavam pessoas perguntando se elas estavam suficientemente protegidas, já que suas armaduras deixavam muitas áreas expostas.

Por mais que parecessem humanas, a forma espiritual era apenas isso: uma forma espiritual.

Mesmo que suas cabeças fossem esmagadas, seus peitos e estômagos perfurados ou suas coxas expostas cortadas, elas não tinham carne com sangue circulando, nem ossos, muito menos órgãos internos.

Sentiriam dor, mas seus corpos em forma espiritual eram apenas extensões manifestadas de seus corpos principais.

Se a situação ficasse perigosa, elas simplesmente paravam de manifestar essa forma e voltavam a ser apenas armaduras ocas.

“Bocchan, por favor, ria da minha tolice”, disse Sam de repente, com um olhar meio triste.

“Agora entendo por que você me perguntou naquela época se realmente estava tudo bem vestir minhas filhas com essas armaduras.”

Diante dos olhos de Sam estavam suas duas filhas, cujos corpos estavam cobertos pouco mais do que se estivessem usando só roupa íntima, já que as armaduras tinham apenas protetores de punho e canela.

Suas aparências eram suficientes para capturar o olhar de qualquer homem.

Por algum motivo, aparentemente nenhum Ghoul macho havia tentado flertar com elas — provavelmente porque eram guarda-costas pessoais de Vandalieu.

“Bem, eu também não achava que seria tão problemático assim”, disse Vandalieu.

“E há muitas maneiras de resolver o problema, como fazê-las usar capas ou enrolá-las em panos.

Mas mudar as armaduras é impossível. Afinal, elas são os corpos principais daquelas duas.”

— “Ei, será que eu ficaria melhor assim também?” perguntou Kachia.

— “Kachia, por favor, continue vestida como está.” Vandalieu deu a mesma resposta que dera a Eleanora outro dia.

Se as duas usassem as armaduras das irmãs da Armadura Viva, seus corpos ficariam desprotegidos. Principalmente Kachia, já que ela não tinha a habilidade de regeneração como Eleanora.

… Antes disso, se ele fizesse todas as mulheres se vestirem com roupas tão reveladoras, era possível que adquirisse títulos como “Rei Erótico” ou “Rei da Luxúria”, além dos seus títulos de “Rei dos Ghouls” e “Rei do Eclipse”.

Esses títulos causariam sua queda social, pois não teriam efeitos benéficos e apareceriam no seu status.

— “Por enquanto, vamos em frente. Eu também quero upar antes que a primavera chegue,” disse Vandalieu.

— “Certo,” respondeu Rita.

— “Bocchan, eu também quero aumentar um pouco meu nível,” disse Sam.

— “Ah, eu subí de nível!” exclamou Kachia. “Finalmente sou uma Guerreira nível 100! Posso mudar de profissão~!”

『As habilidades【Técnica de Combate Corpo a Corpo】e【Suga-Sangue】de Vandalieu subiram de nível!』

『Você adquiriu a habilidade【Coordenação】!』

Explicação do Título

Rei do Eclipse

Condição para adquirir este título: tornar-se o Rei de Talosheim, conhecido como o Rei do Eclipse (em vez de Rei do Sol) e ser reconhecido assim por mais de 90% dos habitantes da cidade.

Efeitos principais:

• A habilidade Fortalecer Seguidores afeta todos os cidadãos governados pelo Rei do Eclipse (mesmo que sejam humanos, elfos ou anões).

• Permite que raças sem a habilidade Visão Noturna a adquiram, e que raças sem Visão Sombria a ganhem também.

• Finalmente, possibilita que aqueles com fraqueza à luz solar ou lunar adquiram resistência a esses elementos.

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