“Eu aposto no Usuário de Ents”, disse Vigaro.
“Heh”, Borkus bufou. “Que ingenuidade. Eu vou apostar no Mestre da Armadura.”
“Hmm, que difícil…”, Zadiris parou para pensar. “Que tal o Gerente da Fábrica de Golens? Aqueles Golens alinhados não são chamados de fábrica?”
“Uhm, em que vocês estão apostando?” perguntou Vandalieu.
Vandalieu tinha ido até as ruínas da Guilda dos Aventureiros — que provavelmente deveria ser renomeada como centro de distribuição ou posto de trocas — para trocar de Classe, e viu Vigaro e Borkus apostando em algo.
Se ao menos eles tivessem cartas nas mãos… Bem, não existiam cartas de baralho nesse mundo, já que papel era um material precioso, mas Vandalieu não teria achado estranho se ao menos tivessem algo parecido.
Zadiris levantou o olhar.
“Ah, garoto, isso é, bem… toda vez que você troca de Classe, surgem novas Classes, não é?”
Vandalieu havia recebido a maldição de “Incapaz de aprender Classes existentes”, mas sempre que visitava a sala de mudança de Classe, apareciam novas opções que não existiam antes. Ele havia consultado a sábia Zadiris e o aventureiro experiente Borkus sobre isso.
Claro, como essas Classes não existiam antes, eles não tinham conhecimento direto sobre elas, mas podiam tentar adivinhar baseando-se em Classes similares.
Por sinal, após a cerimônia de coroação, Vandalieu explicou sua situação para todos em Talosheim — os Ghouls, Titãs Mortos-Vivos, Abelhas de Cemitério e até mesmo os Ents Imortais.
Todos, sem exceção, ficaram sabendo que Vandalieu havia vivido duas vidas anteriores, que era um humano de outro mundo, que havia sido amaldiçoado pelo deus da reencarnação, e que cem pessoas seriam reencarnadas neste mundo vindas de Origin algum dia.
As reações foram:
“Eu não entendi muito bem, mas isso é incrível!”
“Eu sabia que você não era uma criança comum, mas isso é demais!”
“Você viveu em um continente chamado Outro Mundo na vida passada? Numa ilha? Um país chamado Terra, né? Incrível.”
Zumbidos das Abelhas de Cemitério.
Farfalhar dos Ents Imortais.
Bem, parece que aceitaram. Também parecia que ninguém realmente entendia o conceito de outros mundos, embora tivessem uma noção básica sobre reencarnação.
Aparentemente, muitos dos Titãs Mortos-Vivos já tinham uma vaga ideia sobre as circunstâncias dele. Pensando bem, uma criança havia recriado os temperos lendários deixados pelo Campeão Zakkart, como missô e molho de soja (ou mais precisamente, molho de peixe). Era natural que se perguntassem se o Santo Filho também vinha de outro mundo.
Vandalieu já havia sido marcado como inimigo por Alda, o deus da lei e do destino que possuía a maior influência neste mundo, bem como pelos deuses que o serviam e os Vampiros de Sangue Puro que adoravam um deus maligno.
Um deus desconhecido chamado Rodcorte o amaldiçoou, mas até Rodcorte agora era apenas mais um nome na lista de inimigos — o que não surpreendia mais ninguém.
Que resposta confiável e tranquila.
Deixando isso de lado, o que aconteceria com a Classe de Vandalieu?
“Então estamos fazendo apostas sobre qual Classe vai aparecer para você”, disse Zadiris.
“Deixando de lado qual Classe você vai realmente escolher, garoto, sempre aparecem novas Classes para você, certo?” disse Borkus.
“O que você acha que vai surgir dessa vez?” perguntou Vigaro.
Vandalieu olhou para eles.
“… Classes novas normalmente são descobertas a cada poucas décadas ou séculos, se bem me lembro?”
Logo após a era dos deuses, foi um ponto de virada nesse mundo onde Classes como Cavaleiro e Soldado foram descobertas uma após a outra. Porém, com o passar do tempo, a descoberta de novas Classes se tornou cada vez mais rara.
Por isso, cada Guilda, incluindo a dos Aventureiros, oferecia recompensas em dinheiro a quem descobrisse uma nova Classe.
“Mas sabe, você tem descoberto Classes novas uma atrás da outra nos últimos dois anos, não é, garoto?” apontou Borkus.
“Por isso achamos que virão mais Classes novas”, disse Vigaro.
“… Só não fiquem bravos comigo se não aparecer nenhuma nova, ok?” disse Vandalieu.
“Então, garoto, que tipo de nova Classe você acha que vai surgir?” perguntou Zadiris.
Vandalieu pensou um pouco antes de responder.
“Plantador de Árvores, talvez?”
Vandalieu provavelmente foi o primeiro em Lambda a criar Ents a partir de sementes, então essa foi a resposta que lhe veio à mente.
Ele também estava constantemente plantando árvores encontradas nas Dungeons e Ninhos Demoníacos, e transformando-as em Ents Imortais.
“Plantador de Árvores? Já tem gente fazendo isso nos países humanos”, disse Borkus. “Não que exista uma Classe para isso.”
“É mesmo? Sério?” perguntou Vandalieu, surpreso.
Na história da Terra, áreas desmatadas muitas vezes eram deixadas como estavam, o que levava ao aumento de montanhas áridas e regiões desertas em climas secos. Mas parecia que em Lambda, as pessoas plantavam árvores.
“Sim, aparentemente começou com pessoas que plantavam árvores nas terras destruídas durante a batalha entre os campeões e o Rei Demônio”, contou Borkus.
… Ao que tudo indicava, nem mesmo Bellwood seria tolo o suficiente para negar o plantio de árvores e insistir em esperar que a natureza se recuperasse sozinha.
Mas talvez o campeão Suzuki tivesse sido um defensor radical da conservação da natureza na Terra. Isso poderia explicar por que ele permitiu o reflorestamento, mas proibiu o uso de tecnologia de outro mundo.
Bem, também era possível que o reflorestamento estivesse acontecendo antes mesmo do surgimento do Rei Demônio, e simplesmente não restaram registros disso.
“Então, o que vocês estão realmente apostando?” perguntou Vandalieu.
Como atualmente não havia nenhuma moeda sendo usada em Talosheim, as trocas estavam sendo feitas por meio de escambo. Por enquanto, também não havia nenhum item sendo usado como equivalente principal de valor.
Vandalieu achava que comida provavelmente era o item mais próximo disso.
“Estou apostando chá de samambaia”, respondeu Zadiris.
“Minha aposta é Amonita seca e salgada”, declarou Vigaro.
“A minha é a carne que tirei de um Orc Nobre antes”, disse Borkus. “Você pode caçar bastante deles na Montanha da Vida de Queda de Barigen.”
Vandalieu decidiu fazer sua própria aposta.
“Então, eu vou apostar um pouco de mel que não vai haver nenhuma Classe nova.”
“Garoto, por que sua aposta é tão pessimista?” perguntou Zadiris.
“Se coisas boas continuam por tempo demais, nunca se sabe quando a sorte vai acabar. Isso me assusta”, respondeu Vandalieu.
Com essas palavras, ele seguiu para a sala de mudança de Classe.
『Classes que podem ser selecionadas:【Quebrador de Almas】,【Usuário de Punhos Venenosos】,【Usuário de Insetos】,【Nêmesis】,【Criador de Zumbis】,【Lançador de Árvores】』
Apesar das expectativas de Vandalieu, duas novas Classes haviam surgido.
“‘Criador de Zumbis’ e ‘Lançador de Árvores’… Suponho que ‘Lançador de Árvores’ se leia ‘Ki-jutsushi’. Tenho certeza de que isso apareceu porque eu criei Ents Imortais a partir de sementes, galhos e qualquer outra parte possível de uma árvore, mas…”
Parecia mais uma espécie de artista mágico. Em Lambda, eles não eram chamados de magos, mas de artistas mágicos, que ganhavam a vida como animadores de festas ou artistas de rua.
Seria uma versão voltada para monstros vegetais da Classe de Domador + algo que facilita criar monstros planta?
No entanto, ao contrário dos Mortos-Vivos e dos monstros insetóides, os monstros vegetais podem ser domados normalmente… Bem, Vandalieu pensaria nisso depois.
A mais misteriosa era a Classe de Criador de Zumbis. Gubamon e Ternecia, Vampiros de Sangue Puro que criavam e controlavam Mortos-Vivos com a proteção divina do Deus Maligno da Vida Alegre, existiam neste mundo há cem mil anos.
Vandalieu pensava que eles já teriam descoberto e adquirido Classes como Criador de Zumbis ou Mago Fantasma.
“Será que eles não adquiriram Classes… ou não podem?” Vandalieu se perguntou.
Talvez tenham se tornado monstruosos demais e perdido a capacidade de adquirir Classes quando começaram a adorar o deus maligno. Vandalieu fez essa suposição sem provas, mas como Eleanora não conhecia os títulos raciais dos Vampiros de Sangue Puro, era impossível confirmar. Vandalieu deixaria essa descoberta para outra oportunidade.
Por ora, deixando de lado o fato de que havia perdido a aposta, a questão era: qual Classe deveria escolher em seguida? Mas…
“Para aumentar nossa força de combate como um todo, seria Usuário de Insetos ou Lançador de Árvores. Mas Riley, um ex-companheiro de Heinz, vai estar no exército que virá na primavera.”
Vandalieu não estava pensando em matar Riley pessoalmente a qualquer custo. Mesmo que surgisse uma oportunidade, se isso causasse problemas estratégicos, ele desistiria sem hesitação.
Ele acreditava firmemente que todos seriam capazes de se vingar por ele.
No entanto, se o motivo de abrir mão de matar Riley fosse sua própria fraqueza… aí era diferente. Vandalieu não suportaria isso.
“… Vou escolher Quebrador de Almas.”
Foi por isso que Vandalieu selecionou a Classe Quebrador de Almas.
『Os níveis das habilidades Forma Espiritual, Quebra de Alma e Controle à Distância aumentaram!』
『Você adquiriu as habilidades Processamento de Pensamento Paralelo e Materialização!』

No momento em que Vandalieu mudou de trabalho, suas habilidades Forma Espiritual, Controle de Longa Distância e Quebra de Alma subiram de nível como resultado dos bônus do trabalho. Parecia que o trabalho Quebrador de Almas concedia bônus para habilidades relacionadas ao espírito.
E ele também havia adquirido as habilidades Processamento Paralelo de Pensamentos e Materialização, mas… o que seriam elas? Vandalieu suspeitava que provavelmente eram habilidades relacionadas a espíritos ou almas.
Vandalieu achou estranho que sua capacidade de luta não tivesse aumentado tanto quanto ele esperava.
“… Será que eu deveria ter escolhido Usuário do Punho Venenoso? Ou talvez eu devesse simplesmente ter aceitado o trabalho de Arqui-inimigo.”
Bem, Quebra de Alma era uma habilidade que concedia um efeito adicional aos seus ataques mágicos e físicos. Isso provavelmente aumentaria sua capacidade de lutar.
Vandalieu se consolou dizendo isso para si mesmo e saiu da sala. Ele relatou os resultados para Zadiris e os outros que o esperavam no primeiro andar e os presenteou com mel.
Então, ele se dirigiu para a Savana Sub-Dragão de Borkus, como vinha fazendo desde o ano passado.
Embora os passos do inverno já pudessem ser ouvidos e Talosheim estivesse cercada por montanhas ao leste e ao oeste, a luz do sol ainda era forte durante a tarde.
No pátio atrás do castelo real, havia um monumento de pedra dedicado ao Gigante Solar Talos e à deusa Vida, e aquele era o ponto de Talosheim que dizia-se receber a maior quantidade de luz solar.
De fato, por alguma razão, a luz solar ali era muito intensa. Era como se fosse verão. Era possível que o monumento de pedra dedicado a Talos e Vida fosse o responsável por isso.
“Ugh, ah, hic.”
“Hah, ah, i-isso… tá tão fundo!”
“Eu… kuah, ah, tá quente, parece que meu corpo tá pegando fogo!”
“Eu-eu não aguento mais, não derrame mais dentro de mim, vai transbordar!”
Nota de tradução: Essas falas têm duplo sentido proposital e são estilizadas para soarem sugestivamente eróticas. A linha com “kuah” pode ser lida como uma separação da palavra japonesa “iku” (いく), usada com conotação sexual em alguns contextos. O autor provavelmente fez isso de propósito, como recurso humorístico/ecchi.
No pátio, havia mulheres belas, com a pele à mostra, ofegando sem fôlego.

“… Eu posso parar a qualquer momento”, disse Vandalieu às quatro belas mulheres… Bilde, Basdia, Eleanora e Kachia. Que visão tentadora, ele pensou.
Elas não estavam fazendo nada particularmente imoral ou provocante.
Havia um motivo para aquilo.
“N-não!” gritou Eleanora. “Eu ainda aguento continuar!”
Fumaça branca subia de sua pele clara, mas tudo havia começado quando ela disse que queria adquirir a habilidade Resistência à Luz Solar em preparação para a guerra na primavera.
Luz solar, prata e ataques de magia do atributo luz eram fraquezas universais dos Vampiros. A habilidade Resistência a Efeitos de Status não oferecia proteção contra isso, e habilidades como Resistência à Luz Solar ou Resistência à Prata normalmente não podiam ser adquiridas.
Porém, as circunstâncias de Eleanora eram diferentes.
Como Vandalieu havia adquirido o Título de Rei do Eclipse, ela agora era capaz de adquirir a habilidade Resistência à Luz Solar.
O exército da Nação-Escudo de Mirg que avançaria na primavera certamente atacaria durante o dia. Nenhum humano ousaria lutar à noite, sabendo que seus inimigos eram monstros que podiam enxergar no escuro.
Provavelmente haveria assassinos Vampiros infiltrados no exército, mas eles cobririam o corpo com mantos grossos ou armaduras completas para impedir que a luz solar tocasse sua pele. Isso chamaria atenção em uma cidade, mas no meio do exército não despertaria suspeitas.
Além disso, os Vampiros provavelmente se infiltrariam disfarçados como soldados particulares de nobres ou mercenários, não como parte do exército oficial, então o equipamento diferente não causaria problemas.
Vandalieu achava que seria suficiente se Eleanora seguisse esse exemplo e usasse um manto pesado e véu, ou uma armadura de placas.
Mas ela estava acostumada a ser ágil em combate, e mesmo que o uso de armadura metálica só a desacelerasse um pouco, ainda havia tempo até a primavera… então ela decidiu que seria melhor adquirir a habilidade de resistência.
E assim, naquele lugar onde a luz solar era intensa apesar da proximidade do inverno, ela estava ali tomando sol para adquirir a habilidade.
A luz a queimava enquanto ela estava vestida de maneira ousada, cobrindo apenas o busto e a cintura com panos.
Ela curava suas queimaduras com sua habilidade de Regeneração Rápida, e Vandalieu fornecia Mana quando ela ficava sem.
Era um regime de treinamento espartano… mas por algum motivo, Eleanora demonstrava um entusiasmo absurdo com a ideia.
Vandalieu não vinha mimando ela recentemente, então decidiu deixá-la fazer o que queria.
Foi então que Bilde, Basdia e Kachia passaram por ali, levando à situação atual.
É claro, como eram Ghouls, elas não precisavam da habilidade de Resistência à Luz Solar.
Elas estavam apenas treinando magia enquanto Vandalieu lhes fornecia Mana.
“M-mas Vandalieu, suas mãos (em forma espiritual) estão me massageando (em pontos sensíveis)…” murmurou Bilde.
“É mesmo”, disse Basdia. “Como você continua pressionando esses pontos que chama de acupuntura, não conseguimos evitar de fazer sons estranhos, Van.”
Para Bilde e Basdia, Vandalieu não só fornecia Mana, mas também realizava a mesma massagem espiritual que uma vez deu à Tarea, pois os corpos delas estavam rígidos de fadiga ultimamente.
Ele usava Transformação Espiritual em suas mãos, afundando-as nos corpos delas e estimulando diretamente os músculos tensos e pontos de acupuntura. Era como se fosse um massageador consciente de baixa frequência.
“E… existem mesmo desses pontos de acupuntura em lugares assim também?” perguntou Basdia, constrangida.
“Existem”, respondeu Vandalieu.
Pontos de acupuntura são encontrados em lugares como o topo da cabeça e a sola dos pés, mas também existem em áreas que normalmente causariam desconforto se tocadas por alguém do sexo oposto.
Vandalieu dizia com naturalidade: “Vou pressionar o ponto de acupuntura aqui”, e então pressionava.
Ele fazia isso sem malícia, pois suas mãos transformadas em forma espiritual haviam se ramificado como tentáculos, e ele não sentia a textura, o calor ou a maciez da pele delas — apenas estava consciente de que estava tocando um ser vivo.
“Entendo… Então tudo bem, mas…”
É claro que Vandalieu não estava tentando assediar sexualmente Basdia, então não a tocava nem pressionava de forma insistente.
Aliás, em Origin, onde ciência e magia coexistiam, o Qigong era reconhecido como uma forma de magia. Técnicas medicinais orientais, como a pressão em pontos de acupuntura, acupuntura e moxabustão, eram tão pesquisadas quanto a medicina ocidental, e amplamente utilizadas.
Como resultado, Vandalieu havia sido exaustivamente submetido a experimentos para ver se a magia do atributo morte poderia ser aplicada à medicina oriental.
Ao usar a transformação em forma espiritual para examinar o corpo de uma criatura, ele podia sentir intuitivamente a localização e os efeitos dos pontos de acupuntura naquele corpo.
Por causa disso, ele tinha uma compreensão clara dos pontos específicos dos Ghouls — pontos que nem existiam em humanos.
No entanto, aplicar magia do atributo morte à medicina oriental aparentemente não teve muito sucesso em Origin.
“Ah, não é que eu não goste que você me toque”, disse Basdia apressadamente. “Na verdade, eu fico feliz… Só fico meio sem jeito quando você é tão direto de repente.”
“Não é exatamente uma questão de ser direto ou não”, respondeu Vandalieu. “Claro, não é como se eu não quisesse tocar você, Basdia.”
Aquilo era apenas uma massagem. Mesmo que fosse difícil de descrever, com suas mãos transformadas em tentáculos pela Forma Espiritual, ainda assim era só isso — uma massagem.
Não havia nenhuma conotação sensual por trás daquilo.
Kachia estava ofegante.
“Van… você me deu… Mana demais…”
Vandalieu estava apenas fornecendo magia para ela, mas mesmo assim, aquele era o resultado.
“Ué, mas eu só te passei um pouquinho, sabe?” disse Vandalieu.
“Esse ‘pouquinho’ é demais! Meu total de Mana não chega nem a duzentos, lembra?!”
Kachia, que havia trocado de Classe para Aprendiz de Maga, tinha uma reserva máxima de Mana inferior a 200.
Mulheres Ghouls geralmente têm aptidão mágica, então a reserva de Mana dela era um pouco abaixo da média feminina, mas ainda superior à média dos Ghouls homens.
Provavelmente isso se devia ao fato de que ela já foi humana, e também uma aventureira de linha de frente no campo de batalha.
Lutadores da linha de frente, como Guerreiros e Cavaleiros, possuem menos Mana que magos, mas em compensação têm atributos mais altos em Vitalidade, Força, Vigor e Agilidade.
Diferente dos magos, os lutadores da frente só consomem Mana ao usar técnicas marciais, então isso é natural.
Na verdade, quem tem mais Mana que Vitalidade normalmente não optaria por lutar na linha de frente.
Kachia havia sido uma guerreira, e o crescimento dos atributos dela ao se tornar Ghoul refletia isso.
Embora o aumento de Mana tenha sido proporcionalmente maior que o dos outros atributos, o valor inicial era tão baixo que o total ainda ficou pequeno.
Ela havia trocado de Classe para Aprendiz de Maga mesmo com essa limitação, mas sua dificuldade em acumular Mana suficiente tornava difícil a prática mágica e evolução de suas habilidades.
Por isso, Vandalieu estava acompanhando-a, fornecendo Mana para que ela pudesse praticar.
Mas… o problema era a noção de quantidade de Vandalieu.
Para ele, com sua reserva de mais de 200 milhões de Mana, uma “pequena quantidade” podia ser dezenas de milhares.
Duzentos de Mana, para ele, eram como um grão de areia.
Por isso, sempre que Kachia ficava sem Mana, Vandalieu despejava nela o que considerava uma “pitadinha” — o que para ela era um tsunami mágico.
Ninguém poderia culpá-la por ofegar e dizer que estava “transbordando”.
“É verdade, mas esse transbordamento de Mana não causa nenhum dano ao seu corpo, certo?” perguntou Vandalieu.
“Não, você tem razão, mas é incrivelmente…” respondeu Kachia, com um olhar desconfortável.
“Bem, sua Mana já se recuperou, então continue praticando.”
“N-não dá… se eu continuar, minha Mana vai acabar de novo logo em seguida…”
“Se isso acontecer, eu passo mais pra você.”
Kachia soltou sons de reclamação. Por alguma razão, lágrimas começaram a se formar em seus olhos enquanto ela voltava à prática. Bilde e Basdia já haviam retomado seus treinos antes dela.
A propósito, Bilde tinha afinidade com o atributo terra, Basdia com o água, enquanto Kachia possuía afinidade com quatro atributos: fogo, vento, luz e espaço. Embora Bilde fosse considerada mediana, Basdia tinha pouco talento como maga, razão pela qual havia decidido no passado que seria mais útil para a vila Ghoul ao aprender técnicas de combate físico — e se dedicou completamente a isso.
No caso de Kachia, diziam que seria um milagre se a magia dela sequer pudesse ser considerada útil, então ela havia desistido da magia antes mesmo de começar.
Contudo, com o aumento de Rank de Basdia e a transformação de Kachia em Ghoul com troca de Classe, seus atributos como Mana e Inteligência aumentaram o suficiente para que pudessem treinar assim.
Aliás, assim como Eleanora, as outras três também estavam vestidas de forma bastante reveladora. Isso se devia ao fato de que a moda dos Ghouls normalmente já era ousada, mas elas haviam tirado ainda mais roupas por dizerem que seus corpos estavam “quentes demais”.
Não importava o quão forte estivesse o sol — aquilo era, no mínimo, incompreensível.
Eleanora arfava e gemia:
“V-Vandalieu-sama… só mais um pouco… com só mais um pouco, a habilidade…”
“Hmm, controlar o solo é difícil. Como você faz isso, Rei?” perguntou Bilde.
“Certo, mais uma vez do começo!” disse Basdia, se motivando.
Kachia suspirou:
“Se eu não ganhar mais habilidades logo, vou acabar ficando viciada nisso.”
A pele de Eleanora, de um branco neve, avermelhava-se com aparência dolorosa e depois voltava ao branco. Em contraste, a pele de Bilde e Kachia tinha um tom saudável de cinza-acastanhado, enquanto a de Basdia era da mesma cor, porém mais escura e marcada com linhas avermelhadas que realçavam ainda mais suas curvas.
As formas expostas de seus corpos tremiam de maneira provocante.
Vandalieu chegou a pensar se fazer algo assim diante do monumento de pedra não traria alguma punição divina, mas aparentemente não havia problema, já que Vida e Talos eram deuses bastante abertos a essas coisas.
Pensando bem… será que Vida vai me mandar alguma Mensagem Divina?
Vandalieu orava todos os dias na Igreja enquanto estava em Talosheim, mas fazia isso apenas inclinando levemente a cabeça, como faria diante de uma estátua de Kṣitigarbha na Terra — talvez não fosse o suficiente?
Como a profecia recebida por Nuaza se referia claramente a ele, era quase certo que Vida estava ciente da sua existência.
Vandalieu então decidiu que pediria a Nuaza que o ensinasse a orar adequadamente.
Enquanto isso, no frio do inverno, os soldados estavam ocupados com trabalhos pesados de carpintaria.
“É bom que estamos recebendo pagamento, mas… quando foi que viramos escravos?” reclamou um deles, enquanto ele e outro soldado carregavam pedras em dupla.
O soldado que fazia dupla com ele deu um sorriso amargo.
“Ei, ei, escravos não recebem pagamento ou salário,” disse ele. “Bom, mesmo que recebessem, não serviriam de muita coisa aqui,” acrescentou.
Os soldados estavam na saída do túnel que levava à Nação-Escudo de Mirg. Haviam recebido a missão de construir um forte simples naquele local.
O interior do túnel havia sido completamente limpo de monstros por Riley, o herói aclamado como “o segundo vindo do herói trágico”, então a passagem por ele era segura. No entanto, uma vez que se atravessava a Cordilheira da Barreira, o mundo externo não guardava qualquer relação com a segurança do túnel.
Monstros de Rank 3, que normalmente só apareceriam em Ninhos do Demônio, circulavam por ali livremente, e até criaturas mais poderosas atacavam como se fosse algo perfeitamente natural.
Um forte era necessário para manter a segurança do túnel que levava às regiões meridionais do continente. Era essencial impedir que monstros entrassem por ali.
Entretanto, artesãos comuns não seriam capazes de trabalhar em um local onde havia risco constante de serem devorados vivos por monstros. Por isso, a Nação-Escudo de Mirg enviou soldados para essa tarefa. Um terço deles ficava na defesa do local onde o forte seria construído, outro terço fazia o trabalho de construção e o restante descansava. Foi decidido que essas funções seriam alternadas entre eles durante a construção do forte improvisado.
Além disso, dezenas de aventureiros — a maioria de Classe C — haviam sido contratados para fazer a vigilância, patrulhar os arredores e defender o forte se necessário.
Nenhum monstro de Rank 5 ou superior apareceu depois que Riley, a Lança do Vento Verde, e seu grupo exterminaram várias criaturas poderosas, como Dragões de Pedra de Rank 8, mas isso era apenas por precaução.
Como as defesas estavam sólidas, embora alguns tivessem se ferido, nenhuma baixa foi registrada. A linha de frente da guerra contra o Reino de Orbaume seria muito mais perigosa do que aquilo.
Era difícil acreditar que esta era uma terra amaldiçoada, onde Vampiros e Dragões corriam soltos.
“Mesmo assim, está faltando alguma diversão,” lamentou um dos soldados.
Naturalmente, como estavam longe de qualquer assentamento humano, não havia formas de se entreterem. Não havia vendedores ambulantes, artistas nem prostitutas, e tanto os soldados quanto os aventureiros estavam proibidos de consumir álcool, para que estivessem prontos para qualquer emergência.
A única coisa pela qual podiam ansiar era a comida… que, infelizmente, consistia de ranchos militares: pão duro, carne seca, um pouco de queijo e vegetais desidratados.
Riley havia distribuído carne de dragão de forma generosa enquanto esteve ali, mas seria crueldade esperar que os aventureiros de Classe C — que foram forçados a aceitar esse pedido de emergência mal pago sem poder recusar — fossem tão generosos quanto um aventureiro de Classe A contratado diretamente por um general do Império Amid.
Os aventureiros de Classe C estavam reunindo materiais raros de monstros que só podiam ser encontrados nas regiões do sul do continente e, naturalmente, ficavam com a maior parte da carne para si. Quando reuniam mais do que conseguiam comer, o exército às vezes comprava o excedente a preços razoáveis, mas… as chances dessa carne chegar aos soldados comuns eram mínimas.
“Ah cara, agora que me lembro, ouvi boatos de que o aventureiro de Classe S, o Trovão Schneider, recusou participar da expedição,” comentou um dos soldados.
O outro bufou.
“Imagino que um aventureiro de Classe S-sama esteja ocupado demais curtindo a vida cercado por mulheres que correm atrás dele. Aposto que, enquanto a gente se mata aqui, ele está sendo servido por várias mulheres seminuas ao mesmo tempo… Ele devia era morrer.”
“Não fala mais nada. Vamos só garantir que a gente se divirta de verdade quando voltar pra cidade. De qualquer forma, esse forte-barreira é um ponto estratégico pra expedição que vai pra Talosheim.”
“Isso é verdade, mas… será que a gente vai participar da expedição mesmo?”
“… É, é impossível, né.”
Diziam os boatos que apenas a elite da elite seria escolhida para participar da expedição. Soldados comuns como eles mal tinham esperança de serem convocados. Havia muitos soldados comuns — e aqueles dois eram medíocres mesmo entre eles.
“Bom, tudo bem. Tudo está de acordo com a orientação de Alda, como dizem. Tenho certeza de que coisas boas vão acontecer se a gente continuar se esforçando.”
“É, é. Alda-sama, Alda-sama, estamos trabalhando duro, então por favor nos abençoe com popularidade entre as mulheres do bar.”
“Você devia rezar por uma promoção, isso sim.”
Os soldados batiam pregos com seus martelos enquanto brincavam e faziam piada.

| Explicação do Trabalho |
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Guerreiro Vassalo Também conhecido como Gladiador. Os possuidores dessa habilidade podem ser referidos de várias formas, mas este é um Trabalho que pode ser adquirido ao se obter habilidades de combate corpo a corpo enquanto se está em uma posição social semelhante à de escravo, e o mestre do portador do Trabalho concede permissão para essa mudança de Trabalho. Essa posição social semelhante à escravidão não é determinada pela estrutura social ou pelo estado mental do portador, mas por um sinal visível, como uma coleira de subordinado ou uma marca gravada diretamente no corpo do portador (como uma tatuagem ou estigma), que serve como prova de subordinação. Os bônus para habilidades são fundamentalmente os mesmos do Trabalho Guerreiro, mas também concede bônus para a aquisição de habilidades como Ultrapassar Limites, Saúde Robusta, Força Muscular Aumentada, além de Autoaperfeiçoamento: Subordinação, uma habilidade que aumenta os Valores de Atributos quando atuando como subordinado a outro indivíduo. Porém, ao contrário do Trabalho Guerreiro, não há bônus para habilidades como Técnica de Armadura, portanto não é um Trabalho adequado para portadores de escudo. |