Switch Mode

Raising Villains the Right Way – Capítulo 29

Para que serve este duelo? (1)

Tradutor: miggigibe


A maioria dos membros da ordem Eclipse, liderada por Deus Macallian, apoiava Alon. No entanto, faziam isso apenas porque Alon era considerado o benfeitor de Deus. Na realidade, o que sentiam por ele era quase indiferença. Para os cavaleiros da Eclipse, Alon não tinha nada de particularmente especial além de ser o benfeitor de Deus.

Se havia alguma emoção envolvida, era só a inveja que alguns cavaleiros mais jovens sentiam ao ver como Deus tratava Alon. Fora isso, mal tinham qualquer sentimento por ele. Em suma, os cavaleiros não nutriam uma opinião especialmente favorável sobre Alon.

Mas, pelo menos naquele momento…

— Vice-mestra da Torre, posso lhe pedir um favor?

— S-sim… Que tipo de favor…?

Os cavaleiros só conseguiam encará-los boquiabertos, sem reação.

— Poderia preparar uma Poção de Leviteon?

— Uma… Poção de Leviteon?

— Sim. Consegue fazer?

— Ah, sim, claro! Com certeza…!

Não apenas os cavaleiros da Eclipse, mas até os da Sombra Prateada, que Penia acabara de repreender, ficaram chocados. Afinal, todos sabiam que a vice-mestra da Torre diante deles tinha uma personalidade tão excêntrica quanto seu talento para a magia.

Na verdade, não eram só eles. Qualquer cavaleiro que já tivesse participado de uma expedição ao norte provavelmente ouvira histórias sobre "Penia, a Histérica".

Nas viagens ao norte, os magos da Torre Azul, muitas vezes convocados junto das expedições, viviam reclamando da personalidade insuportável de Penia. Era praticamente impossível não conhecer sua fama.

Por isso, sabendo muito bem com quem estavam lidando, os cavaleiros ficaram ainda mais espantados.

— Hm, só para confirmar… por acaso você tem ou sabe preparar o Elixir da Excepcionalidade?

— Ah, ah… Eu não tenho, mas acho que consigo fazer…

— Poderia preparar esse também para mim?

— Bem… ele leva muito tempo para ficar pronto, e eu ainda tenho outras coisas para fazer…

— Eu realmente preciso dele.

— E-eu faço! Prometo que faço…!

Os cavaleiros não conseguiam acreditar no que estavam vendo.

Penia, vice-mestra da Torre Azul e maga de 6º ranque, obedecia sem resistência às ordens do conde Palatio.

Não. Era mais do que simples obediência. Ela se desdobrava para não desagradá-lo de maneira alguma. Para os cavaleiros, aquilo era inacreditável.

E, é claro…

— Q-que… diabos…?

Os magos enviados pela Torre Azul junto com Penia reagiam do mesmo jeito. Eles passavam os dias suportando as broncas incessantes dela e quase choravam lágrimas de sangue de tanto sofrer.

— O que… é isso?

— Estou vendo coisas?

— A vice-mestra da Torre perdeu completamente a cabeça?

Os magos, com expressões de quem acabara de testemunhar o fim do mundo, soltaram exclamações de incredulidade.

— Da última vez, ela se recusou a fazer isso porque era difícil demais e passou semanas reclamando… mas agora vai fazer?

— Será que estou vendo errado? Algum idiota lançou uma magia de ilusão de brincadeira?

— Você é burro? Se alguém tivesse lançado uma magia de ilusão, também teria que usar Silêncio na vice-mestra da Torre. Quem teria poder mágico sobrando para uma coisa dessas?

O choque era tanto que alguns chegaram a tentar, discretamente, dissipar qualquer magia que ainda pudesse estar ativa, imaginando que algum outro mago estivesse pregando uma peça.

Então…

— Obrigado.

— N-não, é algo que eu devo fazer.

— Quanto devo pagar?

— Pa-pagar…?

— É natural pagar pelo favor que pedi. Basta me dizer quanto, e depois mando o valor para a Torre de Magia.

— Ah, bem…

— Mas, se for muito caro, talvez o pagamento demore um pouco. As finanças não andam muito boas ultimamente.

— Só… só me dê uma moeda de ouro.

— …Uma moeda de ouro? Não é barato demais?

— Não, está tudo bem…! Sim, está ótimo assim…!

— …Nesse caso, não vou recusar uma oferta tão generosa.

Ao verem Penia sorrir e aceitar apenas uma moeda de ouro por duas poções que normalmente custariam centenas de moedas de ouro para serem preparadas, cavaleiros e magos ficaram com expressões vazias. Logo, todos voltaram os olhos para Alon.

Os cavaleiros estavam maravilhados, enquanto os magos o encaravam com reverência.

'Parece que houve algum mal-entendido, mas pelo menos consegui as poções sem dificuldade.'

Pensando nisso, Alon voltou para junto de Evan.

— …Espere, conde. Desde quando o senhor fala sem formalidades com a vice-mestra da Torre?

— Hm? Sou nobre, então só falei com ela sem formalidades.

Não era possível…

— …Como é? Pelo que sei, a vice-mestra da Torre recebe um tratamento equivalente ao da nobreza, então a etiqueta manda que vocês dois se tratem com formalidade…

— …É mesmo?

— Sim.

Ao perceber que fora um tanto rude com Penia, Alon soltou um suspiro discreto.


'Com isso, reuni todas as cartas de que preciso.'

Pouco depois, Alon recebeu de Penia a Poção de Leviteon e o Elixir da Excepcionalidade. Algumas horas mais tarde, ouviu Deus dizer:

— Recuar?

— Sim.

Deus começou a explicar a situação atual, e Alon assentiu levemente enquanto escutava.

'É verdade. Eles não parecem em condições de lutar.'

Alon se lembrou dos muitos soldados feridos e das expressões de terror em seus rostos quando chegara à base avançada.

'Os cavaleiros pareciam relativamente bem, mas as expressões deles também não eram boas. Os únicos andando por aí com calma eram os magos, que vieram investigar o ritual, não lutar.'

'Quanto aos magos… já fugiram.'

Alon olhou ao redor. Ao contrário de antes, quando a área estava cheia de magos, agora não havia nenhum à vista desde que Penia entregara as poções.

Percebendo que os magos já tinham apertado o botão de fuga depois de sentirem o perigo na base avançada, Alon ouviu a pergunta de Deus:

— O que pretende fazer?

Sem hesitar, Alon respondeu:

— Vou ficar aqui.

Alon trouxera tantos itens para Caliban, chegando até a pegar emprestado o Anel do Arrogante da família real, justamente para lidar com o Deus Exterior.

Se não cuidasse daquele Deus Exterior, o futuro que previa seria nada menos que um desastre.

Enquanto repassava o plano na cabeça…

— Aaaaaah!!

De repente, um grito horrível ecoou ao longe. Alon se levantou imediatamente e correu para fora da tenda.

Ali, viu um mago gritando desesperadamente, acompanhado por outros magos que fugiam em disparada na direção da base avançada.

E então…

!!!

Atrás deles, os mortos-vivos se aproximavam.

— São os mortos-vivos!

— Aaaaaah!

Os soldados gritaram, como se um pesadelo recente tivesse voltado à memória, e se reuniram na entrada com as espadas em punho. Os cavaleiros também começaram a preparar as armas enquanto confusão e medo se espalhavam por seus rostos.

Apesar do caos repentino, Alon entendeu rapidamente o que havia acontecido.

'Um ataque…!'

Ao perceber que o Deus Exterior havia se movido ainda mais rápido do que os magos em fuga previram, o raciocínio de Alon foi interrompido por um grito.

— Todos, saquem suas espadas!

Com a ordem urgente de Fiola, vinda do alojamento, a batalha começou.

Mortos-vivos que avançam às cegas, sem tática nem estratégia, são muito inferiores em combate a um exército bem treinado. Mesmo que os necromantes deste continente erguessem mortos-vivos por meio de necromancia, jamais conseguiriam superar soldados devidamente treinados.

Mas…

— Por favor, me salvem!

— Aaargh!

Aquele grupo de mortos-vivos era fundamentalmente diferente dos cadáveres controlados por necromantes comuns.

— Morra! Morra logo! Por favor!

Os soldados cravavam suas lanças nos mortos-vivos.

Alguns miravam o coração, outros a cabeça, e alguns atacavam as pernas. As lanças perfuravam várias partes dos corpos dos mortos-vivos. Se fossem cadáveres erguidos por um necromante, os ferimentos já seriam graves o bastante para fazê-los parar de funcionar.

Mas…

Mesmo com lanças fincadas nos corpos, os mortos-vivos continuavam avançando. Vê-los caminhar com as armas ainda atravessadas na carne era mais do que suficiente para espalhar terror entre os soldados.

Chof!

— Grk—!

Um soldado morreu no mesmo instante, com a garganta perfurada pela espada de um morto-vivo. A situação piorou ainda mais quando a criatura atacou imediatamente o soldado ao lado.

A semente do medo plantada nos instintos dos soldados estava mais do que pronta para florescer. A formação se desfez, e o campo de batalha mergulhou no caos em questão de instantes. Isso aumentou o número de mortos, que por sua vez se levantavam como novos mortos-vivos, criando o pior tipo de ciclo vicioso.

Ainda assim, apesar da situação terrível, os soldados cerraram os dentes e continuaram lutando, com os olhos injetados de sangue bem abertos. Por quê? Porque ainda tinham esperança.

Os cavaleiros, empunhando armas revestidas de aura, abatiam rapidamente os mortos-vivos aos milhares. Os magos, que entraram na batalha mais tarde, eliminavam as criaturas ainda mais depressa que os cavaleiros.

Entre eles, a magia lançada por Penia era especialmente impressionante.

— Sincelo.

Crac! Cra-cra-crac!

Sua magia era extraordinária. Centenas de mortos-vivos que avançavam contra os soldados foram congelados num instante e despedaçados, formando um espetáculo magnífico.

No entanto, mais do que Penia, quem realmente enchia os soldados de esperança eram os dois Cavaleiros-Mestres presentes, Fiola e Deus. E, entre os dois, a presença de Deus era especialmente esmagadora.

Sshht!

Dezenas de mortos-vivos o cercavam. Alguns eram soldados com grandes feridas na cabeça, outros eram cavaleiros com buracos enormes no peito. Mas…

Num instante, as centenas de mortos-vivos ao redor de Deus pararam de repente, como se o próprio tempo tivesse congelado.

Então…

Shh!

Com um único golpe horizontal, leve e preciso, Deus cortou ao meio todos os mortos-vivos imobilizados.

Um golpe. Centenas de corpos.

Uma demonstração esmagadora de força sobre-humana que fez a esperança surgir nos olhos de soldados e cavaleiros. Mas, naquele exato momento…

Bum!

Com uma explosão ensurdecedora, o Deus Exterior desceu no meio do campo de batalha.

Por um instante, os mortos-vivos pararam de se mover, e os soldados voltaram os olhos para a nova presença. A pressão esmagadora do Deus Exterior tomou o campo de batalha, e nem Deus nem Fiola conseguiram esconder a tensão que surgiu em seus olhos.

Quando a poeira cinzenta baixou e revelou a figura de um homem, todos prenderam a respiração.

Embora vestisse roupas dos bárbaros, sua forma já havia ultrapassado tudo o que ainda poderia ser chamado de humano. O corpo gigantesco e a pele azul deixavam claro que aquele ser havia muito abandonara os limites da humanidade.

Então…

[Bárbaros, não profanem os pecados daqueles que desconhecem a honra.]

Com essas palavras, a voz de Ultultus ecoou, e os mortos-vivos começaram a se levantar outra vez. Os corpos que Penia despedaçara começaram a se recompor, fundindo-se como lodo enquanto recuperavam sua forma física. Os cadáveres cortados pela espada de Deus também começaram a se reconstruir.

Naquele instante…

Sshht!

Fiola, que permanecera em silêncio até poucos momentos antes, apareceu de repente bem diante do Deus Exterior. Seu instinto aguçado lhe disse que o rumo da batalha havia mudado no momento em que os mortos-vivos ressuscitaram e que já não havia como garantir a vitória.

Como uma das Cavaleiras-Mestras mais velozes de Caliban, dotada do poder da "velocidade divina", ela atacou antes mesmo que Ultultus pudesse reagir.

Tunk!

O ataque repentino de Fiola perfurou o coração de Ultultus.

Mas…

Apenas a ponta da espada conseguira penetrar.

[Uhh.]

O olhar de Ultultus se voltou para Fiola, carregado de desprezo.

[Bárbaros desconhecem a honra. Quem não preserva a honra abandona a própria existência. Além disso…]

Crac!

[Também renuncia à nobreza da alma.]

Tum.

O corpo de Fiola, que até um instante antes segurava a espada, tombou no chão. Sua cabeça já não estava presa ao corpo.

No entanto…

[Não há morte honrosa para aqueles que desprezam todo valor.]

Com essas palavras, o corpo decapitado de Fiola começou a se contorcer e se erguer, convulsionando enquanto voltava a ficar de pé. Diante daquela cena horrenda, todos os presentes compreenderam a realidade cruel: aquela batalha estava perdida.

O medo se espalhou pelos rostos dos soldados, e o desespero começou a tomar os cavaleiros e magos.

Nem mesmo Penia e Deus, que haviam ultrapassado em muito os limites de pessoas comuns, estavam imunes ao desespero. Na verdade, eles o sentiram antes dos demais.

Graças à percepção aguçada, sabiam que o ser diante deles possuía um poder muito maior do que haviam imaginado.

Enquanto gritos de agonia e desespero ecoavam entre os mortos-vivos, todos eram engolidos pela desesperança, exceto um homem.

— Ó poderoso Deus dos Duelos, Ultultus.

Enquanto todos os outros afundavam no desespero, um único homem começou a caminhar na direção do gigante, passando entre vivos e mortos-vivos.

Passo, passo.

Nem devagar, nem depressa.

— Em conformidade com o grande juramento de Kalgunius.

O rosto do homem que caminhava na direção do gigante continuava calmo mesmo naquele cenário infernal de desespero, como se já tivesse passado por uma experiência assim incontáveis vezes.

E aquele homem…

— Eu, Alon Palatio, em nome do grande juramento…

O conde Palatio…

— …exijo um duelo babilônico.

Com um giro do pulso, Alon ergueu o braço. Um bracelete que brilhava com uma intensa luz cinza reluziu enquanto ele se colocava frente a frente com o gigante.

Comentários

0 0 votos
Avalie!
Se Inscrever
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais Antigo Mais votado
Inline Feedbacks
Ver todos os comentários

Opções

Não funciona com o modo escuro
Resetar