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Raising Villains the Right Way – Capítulo 33

Líder...? Eu...? (1)

Tradutor: miggigibe


Na madrugada em que Alon recebeu a carta informando que Yutia havia se tornado cardeal, começou a reunião regular da Lua Azul.

As reuniões da Lua Azul costumavam acontecer a cada seis meses.

Por causa da distância entre os membros, na maior parte do tempo eles se comunicavam por uma esfera de cristal em vez de se encontrarem pessoalmente.

…Ainda assim, embora as reuniões só acontecessem a cada seis meses, não costumavam durar muito.

As reuniões, realizadas por meio da esfera de cristal criada por Rine, raramente passavam de dez minutos.

A maior parte do tempo era ocupada por Yutia, que conduzia as discussões, ou por Seolrang, que intervinha com comentários inocentes.

Em resumo, tirando as duas, os outros membros só diziam "sim" ou "não", ou davam opiniões breves quando necessário. Fora isso, praticamente não falavam.

É claro que Ladan ou Rine às vezes puxavam algum assunto trivial do dia a dia, mas Deus permanecia em silêncio durante a maior parte das reuniões.

Isso não acontecia apenas porque Deus não tinha nada a dizer. Ele também era naturalmente uma pessoa de poucas palavras.

Por isso, ninguém esperava o que veio a seguir.

— Ah, ouvi dizer que a Grande Lua foi embora. Como foi encontrar a Grande Lua pessoalmente? — comentou Seolrang com inocência. Nenhum deles imaginou que aquela pergunta faria a reunião, que normalmente durava dez minutos, passar dos trinta.

Até aquele momento, os cinco Grandes Pecados presentes na reunião estavam bastante interessados.

Não porque Deus estivesse fazendo um discurso repleto de elogios à Grande Lua, mas porque todos estavam surpresos com o simples fato de ele conseguir falar tanto.

No entanto…

[A Grande Lua ficou diante da entidade de outro mundo, Ultultus.

Quando todos estavam tomados pelo desespero e pelo medo, e até a vice-mestra da Torre Azul estava cega de terror, a Grande Lua avançou sem a menor hesitação e desafiou a entidade para um duelo.

Pensando agora, parece que a Grande Lua já estava preparando magia desde aquele momento.

Mas essa não é a parte importante.

O momento em que a entidade ficou frente a frente com a Grande Lua—]

Quando o discurso de Deus passou dos trinta minutos e já se aproximava de uma hora, os outros começaram a sentir uma perplexidade cada vez maior.

Ninguém imaginava que aquela história pudesse se prolongar tanto.

[Agora que penso nisso, quando a Grande Lua partiu—]

[Espere, você está fugindo do assunto—]

Rine tentou interromper Deus, mas…

[Ouça só esta parte. Estou contando uma história sobre a Grande Lua, não estou?

Então, onde eu estava?

Ah, sim, em Ultultus—]

Completamente absorto na história sobre a Grande Lua, Deus retomou o relato a partir de um ponto anterior e continuou seu longo discurso.

Rine e Seolrang, suplicando tanto com o olhar quanto por magia através da imagem transmitida, encararam Yutia na esperança de que ela interviesse, já que era a única capaz de fazer Deus parar.

No entanto…

[De fato, a Grande Lua é realmente extraordinária.]

Em vez de fazê-lo parar, Yutia parecia tão envolvida na história quanto ele. Assentia e sorria cheia de admiração.

Ao perceberem isso, os outros entenderam que aquela história não terminaria tão cedo.

Como esperado, o discurso de Deus finalmente chegou ao fim… uma hora e meia depois.

[…]

Naquele momento, Rine, Ladan e Seolrang gravaram na mente uma lição: nunca mais deveriam perguntar a Deus sobre a Grande Lua.

E assim a reunião chegou ao fim.

Já era alta madrugada.


No dia seguinte…

— Conde, parece que Yutia realmente se tornou cardeal.

— Sério?

— Sim. A guilda de informações também confirmou que Yutia agora ocupa uma das oito posições de cardeal do Reino Sagrado de Rosario.

Ao ouvir Evan, Alon murmurou para si mesmo, com uma enxurrada de pontos de interrogação girando na cabeça.

— Evan.

— Sim, meu senhor?

— Cardeal é uma posição muito alta no Reino Sagrado, não é?

— Isso mesmo. Como mencionei antes, os cardeais ficam logo abaixo do papa. E eles também têm autoridade para declarar um "Chamado de Guerra", o que é bastante significativo.

— Um "Chamado de Guerra"…?

— Em termos simples, eles têm o direito legal de declarar uma guerra santa.

— É claro que existem algumas condições que precisam ser cumpridas.

Ao ouvir aquilo, Alon deixou escapar um breve arquejo e, depois de um momento de silêncio, voltou a falar.

— Evan.

— Sim, meu senhor?

— É possível se tornar cardeal com tanta facilidade assim?

— …O senhor está perguntando isso a sério?

Evan respondeu olhando para Alon com uma expressão que deixava claro o quanto considerava aquela pergunta absurda.

— Eu só fiquei curioso.

— …É claro que não é algo fácil. Tirando os santos escolhidos diretamente por Deus, existem apenas oito cardeais em todo o Reino Sagrado. O senhor realmente acha que seria fácil?

Alon assentiu, mas inclinou levemente a cabeça, ainda confuso.

— Como diabos ela conseguiu…?

Fora Alon quem enviara Yutia para o Reino Sagrado, sabendo que ela tinha talento para seguir o caminho da fé.

Mesmo assim, jamais imaginara que Yutia se tornaria cardeal do Reino Sagrado em menos de dois anos.

Ele sabia muito bem que o posto de cardeal não era algo que se alcançava apenas com devoção.

Embora estivesse perplexo com a situação atual de Yutia, Alon logo deixou o assunto de lado.

Afinal, pensando racionalmente, o sucesso de Yutia no Reino Sagrado não representava perda alguma para ele.

Na verdade, aquilo talvez até acabasse sendo algo muito bom.

— Será que finalmente tenho um apoio de peso…?

Já circulavam por Caliban rumores de que o conde Palatio era benfeitor de Deus, um dos Cavaleiros-Mestres de Caliban, mas aquela situação era diferente.

Com Deus, Alon mal trocava uma palavra por dia, e até mandar uma única carta era algo raro.

Yutia, por outro lado, era alguém com quem ele trocava cartas todos os meses e a quem poderia pedir favores com facilidade caso precisasse.

A diferença era enorme.

Assim, embora continuasse impassível por fora, por dentro Alon estava bastante satisfeito e assentiu várias vezes.

'Talvez isso me renda algum benefício?'

Ele se permitiu guardar uma pequena expectativa.


Cerca de uma semana se passou.

Como havia planejado, Alon voltou para a propriedade do conde e passou a desfrutar de uma vida tranquila.

Dormir até mais tarde, preparar torradas pela manhã e saborear um bife no jantar… aquele estilo de vida despreocupado lhe proporcionava o tipo mais precioso de felicidade.

Isso, porém, não significava que ele passara a semana inteira sem fazer nada.

Por mais que desejasse parar de pensar por completo, Alon não podia se dar ao luxo de relaxar, sabendo que uma entidade de outro mundo já havia descido uma vez.

Se uma havia aparecido, existia a possibilidade de outras também descerem.

Em outras palavras, agora havia a possibilidade de entidades de outro mundo surgirem depois que os Cinco Grandes Pecados haviam sido selados.

Em vez de resistir à situação, Alon a aceitou com resignação.

Embora tivesse sido difícil, de certa forma aquilo não era de todo ruim.

Se o efeito borboleta causado por ele ter salvado os Cinco Grandes Pecados havia levado àquilo, então algumas entidades de outro mundo aparecerem era muito melhor do que a alternativa de não tê-los impedido e deixá-los destruir os reinos.

Pelo menos as entidades de outro mundo davam algum sinal antes de aparecer. Já os Cinco Grandes Pecados cairiam como uma bomba, sem deixar às pessoas outra opção além de rezar.

De qualquer forma, plenamente consciente de que outras entidades de outro mundo poderiam aparecer, Alon passou a semana reunindo informações e estudando magia.

— Haa…

Alon soltou um longo suspiro enquanto olhava para o chão.

Ao contrário das partes firmes do campo de treinamento, havia ali uma lama pegajosa que sujava seus sapatos.

— Finalmente consegui?

Foi justamente quando Alon percebeu que a magia que vinha pesquisando desde que retornara de Caliban finalmente havia funcionado…

— Conde, hm? Está estranhamente frio aqui, não está?

Ao ouvir a voz confusa de Evan, que acabava de entrar no campo de treinamento, Alon voltou naturalmente o olhar para ele e falou:

— Voltou?

— Sim.

— Encontrou alguma coisa? Alguma informação útil?

Alon perguntou com certa expectativa, na esperança de obter alguma resposta sobre Ultultus, os Seres Negros, os Seres Azuis ou qualquer outra informação relevante.

— Nada mesmo?

— Nada. Disseram que não sabem coisa alguma sobre poderes estranhos, nem sobre os Seres Negros ou os Seres Azuis.

Ao ouvir a resposta de Evan, Alon estalou a língua em desapontamento e pensou consigo mesmo.

'Parece que vou precisar ir à Colônia atrás de informações.'

Alon refletiu, lembrando-se do que estava escrito no artefato.

Normalmente, combinava mais com ele procurar pistas por conta própria do que recorrer à guilda de informações.

Ainda não havia partido, porém, porque a localização de Kahara, a cidade do deus antigo, ainda não tinha sido revelada naquele ponto da história.

'Nem pensei nisso porque, no jogo, sempre dava para acessar o lugar depois de ir à Colônia.'

Alon estalou a língua outra vez, frustrado, e deu de ombros.

Se sua vaga lembrança de Psychedelia estivesse correta, a localização de Kahara provavelmente seria descoberta em breve.

'Se a lore estiver certa, deve ser neste ano, já que ela foi descoberta três anos antes de o protagonista deixar o vilarejo.'

Lembrando-se de que aquele ano correspondia a três anos antes do início da história original, Alon concluiu que não havia outra escolha além de esperar até lá e assentiu.

— Entendido.

— Vou pedir que continuem procurando, só por garantia.

— Ah, a propósito, meu senhor. O senhor recebeu um presente — exclamou Evan de repente ao ver Alon assentir brevemente.

— …Um presente?

— Sim. Colocaram no seu escritório. É melhor dar uma olhada.


Depois de ouvir Evan, Alon voltou ao escritório e encontrou o presente à sua espera. Ao conferir o conteúdo, não conseguiu evitar uma pequena exclamação.

— …Ah.

A admiração escapou de sua boca sem que percebesse.

O motivo da surpresa era simples: dentro da caixa havia uma taça de ouro maciço cravejada de joias reluzentes.

— …Se eu vendesse só esta, daria para comprar facilmente uma ou duas mansões — murmurou Evan, chocado, enquanto encarava a taça.

Ainda absorvendo a surpresa, Alon conferiu o nome do remetente na embalagem. O nome estava escrito em letras grandes e inconfundíveis: "Barão Pirima".

— Por que ele me mandaria isto?

Naturalmente, Alon não fazia ideia de quem era o barão Pirima, então inclinou a cabeça em confusão.

No entanto…

— Talvez os rumores finalmente tenham se espalhado — sugeriu Evan.

— Rumores?

— Sim. Afinal, já faz algum tempo que circula o rumor de que o senhor é benfeitor de Deus, um dos Cavaleiros-Mestres de Caliban.

— …Um presente tão extravagante só por causa dessa ligação?

Alon perguntou, perplexo.

Pouco depois, porém, percebeu que era verdade.

— …É sério?

Ao conferir a carta que acompanhava o presente, Alon murmurou surpreso.

A carta trazia uma breve apresentação do barão Pirima e palavras lisonjeiras que elogiavam Alon por ser benfeitor de Deus.

— …Os Cavaleiros-Mestres são famosos, mas tanto assim…?

Alon ainda exibia uma expressão perplexa.

'É verdade que, no jogo, os Cavaleiros-Mestres eram celebrados onde quer que aparecessem, mas…?'

Lembrando-se de uma cena do jogo em que viajara brevemente com Reinhardt, um dos Cavaleiros-Mestres de Caliban, durante uma missão, Alon pensou consigo mesmo.

'Bem, acho que pode existir uma ou outra pessoa assim.'

Com esse pensamento, e bastante satisfeito, ele assentiu enquanto pegava a taça de ouro.

A propriedade do conde não enfrentava dificuldades financeiras, mas quanto mais riqueza, melhor.

Em sua vida anterior, Alon já tivera experiências suficientes para saber o quanto a quantidade de dinheiro disponível podia afetar a qualidade de vida.

'Vou guardar isto como uma reserva secreta.'

Embora permanecesse impassível por fora, por dentro Alon sorria satisfeito enquanto contemplava a taça de ouro.

E, no dia seguinte…

— Meu senhor — chamou Evan.

— O que foi?

— Chegou outro presente. Na verdade, desta vez são dois.

— …Dois?

Mais uma vez, Alon recebeu presentes de um nobre que não conhecia.

Desta vez eram dois artefatos raros, ambos tão valiosos quanto a taça de ouro recebida no dia anterior.

— Uau, estes artefatos vêm dos níveis mais profundos do labirinto. Devem ser absurdamente caros — disse Evan, admirado, enquanto observava os artefatos nas mãos de Alon.

Embora Alon parecesse impassível, por dentro estava radiante.

'Isso é… networking?'

T/N: Networking é a criação de uma rede de contatos que pode gerar oportunidades, favores e benefícios.

Ao ler a carta que elogiava Deus e também o próprio Alon por ser benfeitor dele, Alon sorriu satisfeito enquanto contemplava os artefatos.

Com a riqueza acumulada por meio daqueles presentes, percebeu que poderia elevar ainda mais seu já confortável padrão de vida em pouquíssimo tempo.

A lembrança amarga de Deus não entrar em contato com ele no passado já havia sido completamente esquecida.

'Deus… você é mesmo um filho exemplar, hein?'

Na cabeça de Alon, Deus agora havia se tornado o exemplo perfeito de um filho dedicado.

— Meu senhor, com todos esses presentes, poderíamos até trocar sua carruagem por uma de engenharia mágica. O senhor vai precisar dela para o Torneio do Grande Conselho daqui a alguns meses, não vai? — sugeriu Evan.

— Talvez não seja uma má ideia — respondeu Alon, sorrindo satisfeito enquanto segurava o artefato.

No entanto, aquilo durou pouco.

No dia seguinte…

— Meu senhor, chegou outro presente!

— Ah.

No dia seguinte…

— Um presente, meu senhor!

— Ah.

Três dias depois…

— Meu senhor, chegou um presente.

— Hm.

Mais uma semana depois…

— Meu senhor, mais um presente.

— …Hm?

E então, exatamente um mês depois…

— Meu senhor, chegou mais um presente…??

…???

Alon começou a sentir que havia alguma coisa estranha acontecendo.

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