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Raising Villains the Right Way – Capítulo 46

O que está acontecendo? (2)

Tradutor: miggigibe


Basicamente, as reuniões regulares da Lua Azul costumavam terminar sem nenhum incidente digno de nota.

A reunião anterior havia se prolongado bastante por causa da explosão de Deus em resposta à pergunta de Seolrang, mas aquilo não passara de uma exceção.

Depois que todos, com exceção de Deus e Yutia, assimilaram que havia certas perguntas que jamais deveriam fazer a Deus, situações assim puderam ser evitadas.

Embora Deus, que normalmente permanecia calado, às vezes se manifestasse sempre que o assunto da Grande Lua surgia, essas conversas já não se estendiam tanto.

Isso porque Rine e Ladan sempre tratavam de redirecionar a conversa.

Assim, a reunião daquele dia deveria transcorrer em paz, ao contrário da anterior, e, graças aos esforços dos dois, esperava-se que terminasse em menos de vinte minutos.

[Aliás, Seolrang, aquela pessoa disse que iria à Colônia desta vez. Você chegou a encontrá-lo?] perguntou Yutia.

[Eu vou me casar com a Grande Lua!]

[O quê?]

Isso foi antes mesmo de Seolrang responder à pergunta.

No começo, o clima nem estava tão ruim.

Os outros membros da Lua Azul sabiam que Seolrang às vezes usava expressões exageradas, e Yutia achou que aquele era apenas mais um desses momentos.

Mas então…

[Aquela pessoa é realmente maravilhosa. Não é de admirar que Seolrang goste dele.]

[Exatamente! É por isso que eu vou me casar com ele!]

Foi naquele momento que todos perceberam que Seolrang não estava exagerando. Ela estava falando sério.

[…Do que você está falando?]

O rosto de Yutia, que costumava permanecer sereno em qualquer circunstância, endureceu de repente, e os outros membros da organização prenderam a respiração ao vê-la.

Todos naquela reunião sabiam exatamente o que significava quando a expressão e o tom dela mudavam daquele jeito.

'Ela está se contendo.'

'Ela está mesmo se contendo.'

'Ela está se segurando.'

Deus, Ladan e Rine perceberam imediatamente o estado de espírito de Yutia e se encolheram.

Mesmo sendo apenas uma reunião virtual realizada por projeção mágica, eles sabiam instintivamente o quanto Yutia podia ser assustadora quando ficava furiosa.

Ainda assim, os três presumiram que a tempestade logo passaria.

Seolrang conhecia Yutia bem o bastante e também tinha medo dela.

No entanto…

[Estou falando sério! Eu vou me casar com a Grande Lua!]

Contrariando a expectativa de que Seolrang recuaria, ela declarou sua intenção com confiança, como se já tivesse tomado a decisão final.

Os outros membros da organização ficaram boquiabertos.

Yutia fechou os olhos por um instante, como se tentasse recuperar o controle da própria expressão, e então tornou a abri-los.

[Seolrang, você entende o que está dizendo agora?]

[É claro que entendo! Nós vamos nos tornar uma família. Tenho certeza de que vou me sair bem!]

Yutia fechou os olhos novamente, como se tivesse ficado tonta, e depois os abriu devagar.

Com um sorriso tênue, como se tentasse acalmar uma criança, falou suavemente.

[Mesmo que esteja confiante, isso é impossível.]

[Por quê?]

[Porque nós somos as sombras da Grande Lua.]

[…?? Não podemos nos casar e continuar sendo sombras?]

Seolrang não parecia nem um pouco convencida. Sua expressão praticamente perguntava qual era o problema nisso.

Uma rachadura surgiu no sorriso tênue que havia voltado ao rosto de Yutia.

[Escute com atenção, Seolrang. Nós somos as sombras da Grande Lua. Sombras não podem ficar ao lado de seu mestre. Entendeu o que estou dizendo?]

A expressão de Yutia carregava uma irritação sutil, mas inconfundível, e os demais membros pensaram que a conversa finalmente chegaria ao fim.

[…]

Seolrang, aparentemente sentindo com mais clareza as emoções de Yutia daquela vez, encolheu-se um pouco.

Mas então, como se reunisse coragem, piscou e respondeu:

[Mesmo assim! Eu vou me casar!]

Mesmo depois de a irritação crescente de Yutia se tornar evidente, a declaração firme de Seolrang deixou os outros membros atônitos por um momento.

[Eu sei! De qualquer forma, o mais importante é o que a Grande Lua pensa!]

Os membros da organização só conseguiram encarar a situação de boca aberta. Seolrang estava declarando guerra a Yutia abertamente.

Quando Yutia e Seolrang começaram a se encarar com intensidade, uma única pergunta passou pela cabeça de Rine e Ladan.

O que exatamente havia acontecido entre Seolrang e a Grande Lua para fazê-la agir daquele jeito?

[Você realmente acha que aquela pessoa vai escolher você?]

[O Mestre disse que eu não sou tão ruim assim!]

É claro que Alon não dissera aquilo com sinceridade. Ele só tentara consolá-la quando Seolrang começou a reclamar e perguntar se ele não gostava dela.

Fora de contexto, porém, só aquela parte da conversa veio à tona, fazendo Rine e Ladan reagirem.

[O-o que você disse…?]

Yutia estava prestes a ser atingida pelo choque quando…

[O que exatamente aconteceu entre você e aquela pessoa, Seolrang?] perguntou Deus, tentando mudar de assunto.

[Então…]

Seolrang começou a contar suas interações com a Grande Lua, e a atmosfera foi se acalmando aos poucos.

Ao ver que Deus havia conseguido desarmar a situação tensa, Rine e Ladan trocaram olhares satisfeitos.

[…E foi isso que aconteceu.]

[Entendo.]

[E então? Não é incrível!?]

[De fato. Hmm… ouvindo sua história, de repente me lembrei da majestade que a Grande Lua demonstrou no norte, meio ano atrás.]

[…!]

Quando o relato de Seolrang chegou ao fim, depois de cerca de vinte minutos, Rine e Ladan exibiam expressões de pesar.

Aproveitando o breve momento de descuido dos dois, Deus desviou a conversa com naturalidade para os acontecimentos de meio ano antes.

E assim…

[…Ainda me lembro vividamente daquela figura, parada diante do pôr do sol sobre a terra cinzenta e estéril.]

[Ah! Eu sei exatamente do que está falando!]

[Ah.]

Antes que Rine e Ladan pudessem redirecionar a conversa, viram Seolrang concordar com entusiasmo, como se estivesse esperando por aquele assunto, e seus rostos escureceram.

Duas horas depois.

[Hmph… essa foi uma história bem longa.]

Como os dois haviam previsto, a história de Deus finalmente chegou ao fim, e Rine e Ladan sentiram um enorme alívio, pensando que a reunião enfim terminaria.

[De qualquer forma, você não pode se casar com aquela pessoa!]

[Posso!]

[Não pode!]

[Posso!!]

[Não pode!!]

[POSSO!!!]

[…]

Com a discussão entre Yutia e Seolrang recomeçando como se nada tivesse acontecido, Rine e Ladan gravaram uma nova constatação na memória naquele dia.

Yutia revelava um lado surpreendentemente infantil sempre que a Grande Lua estava envolvida, mesmo que só um pouco.

Não era exatamente o tipo de informação que queriam descobrir, pensaram Rine e Ladan enquanto erguiam os olhos para o céu, que já começava a clarear.


Cerca de uma semana depois, Alon finalmente conseguiu sair do deserto.

— Então virei visitá-lo novamente, conde!

Rad, líder da Caravana dos Cabelos Dourados, fez uma reverência tão profunda que poderia ser confundido com um simples servo.

No entanto, nenhum dos mercadores, mercenários ou mesmo magos presentes questionou a atitude de Rad.

Todos sabiam da fama cada vez maior que o conde Palatio conquistara na Colônia e, entre eles, os magos e mercenários haviam testemunhado seu poder com os próprios olhos.

— Nos veremos novamente quando o destino permitir.

— Muito obrigado!

Enquanto Rad se curvava num ângulo de cento e dez graus e começava a preparar a caravana para partir, alguém falou.

— Conde.

Quando estava prestes a subir na carruagem, Alon ouviu uma voz chamá-lo. Era Liyan, filha do mestre da Torre Vermelha.

— O que foi? — perguntou ele.

— O senhor pretende participar da Conferência de Magia no mês que vem?

— Hmm.

Alon fez um leve estalo com a língua, mantendo o rosto impassível.

'Conferência de Magia, hein…?'

A Conferência de Magia.

Era basicamente um evento realizado uma ou duas vezes por ano, no qual magos das diversas torres se reuniam para discutir teorias e experimentos resultantes de suas pesquisas e participar de competições amistosas.

'Eu quero ir.'

Na verdade, Alon já pensava em participar da Conferência de Magia havia algum tempo.

Mais especificamente, não eram tanto os materiais de pesquisa apresentados na conferência que despertavam seu interesse, mas a "Torre Central", onde o evento era realizado.

Havia algo naquele lugar capaz de aliviar, pelo menos em certa medida, a grave escassez de poder mágico de Alon.

Infelizmente, a política da Torre Central exigia que qualquer visitante fosse afiliado a uma torre para poder entrar. Por isso, Alon respondeu:

— Eu gostaria de participar, mas parece que não vou poder.

— Hã? Por quê? — perguntou Liyan.

— Porque não sou afiliado a nenhuma torre de magia.

Liyan pareceu um pouco surpresa com as palavras de Alon.

— …Então é verdade que o senhor não pertence a nenhuma torre?

— É. Não tenho motivo para mentir sobre isso.

— Nesse caso, gostaria de participar da conferência como membro da nossa Torre Vermelha?

— Como membro da Torre Vermelha…?

— Sim.

Alon refletiu por um instante sobre a proposta inesperada antes de responder.

— …Bem, certamente é uma boa oportunidade para mim, mas não acho que eu possa fazer muita coisa apenas participando em nome da Torre Vermelha.

— Não espero nada em troca. Assim como da última vez, será suficiente se pudermos conversar sobre magia durante a conferência — disse Liyan, erguendo discretamente os olhos para Alon.

'Certo, esse acordo é muito bom', pensou Alon.

Embora tenha se perguntado por um instante por que Liyan lhe oferecia condições tão favoráveis, Alon não encontrou motivo algum para recusar e assentiu.

— Então aceitarei sua oferta com gratidão. Quando devo ir para lá?

— Acredito que ainda falte cerca de um mês e meio, mas enviarei o cronograma exato por carta ou esfera mágica.

— Entendido.

Com isso, a conversa chegou ao fim.

— Até lá.

Alon se despediu dos magos da Torre Vermelha e começou a comprar alguns mantimentos no primeiro vilarejo que encontrou depois de atravessar o deserto, preparando-se para voltar ao próprio território.

— Ah, conde! — exclamou Evan de repente, como se tivesse acabado de se lembrar de algo, antes de lhe contar duas notícias.

— O que foi?

— Bem, é sobre a Rine.

— E?

— Ouvi dizer que ela se tornou uma figura poderosa em Lartania.

— Uma figura poderosa?

— Sim. Pelo que ouvi, ela se tornou uma das integrantes do conselho do Triunvirato.

— O Triunvirato… é o grupo responsável pela administração geral da Cidade-Labirinto, não é?

— Isso mesmo.

— …Rine?

— Sim.

— Ela realmente está subindo na vida.

A primeira notícia era que Rine havia alcançado uma posição de poder em Lartania, uma informação agradável que talvez lhes trouxesse alguns benefícios.

— E o Ladan…

— Sim?

— Parece que ele unificou cinco dos Sete Arquipélagos e praticamente se tornou o Rei Pirata.

— Hmm, isso é uma coisa boa?

— Não sei dizer se é bom ou ruim… mas a recompensa pela cabeça dele já ultrapassou vários milhões de moedas de ouro.

— …Vários milhões de moedas de ouro…?

— Sim. Pelo que dizem, já é comparável à recompensa do Rei Pirata original.

…

A segunda notícia era que Ladan havia passado de pirata a Rei Pirata do Arquipélago Somali, uma reviravolta um tanto estranha.


Sergius, um dos oito cardeais de Rosario, ocupava o posto havia mais de vinte anos. Era um homem que apreciava luxo e indulgência, muito distante do que se esperaria de um cardeal.

Gostava mais de uma garrafa de vinho do que de ler as escrituras e dava mais valor a ter uma mulher nos braços do que a rezar. Era fácil vê-lo como um verdadeiro câncer para o Reino Sagrado.

— É um prazer vê-la, cardeal Yutia.

— Igualmente, cardeal Sergius.

Yutia Bloodia sorriu de leve enquanto se sentava diante de Sergius.

Na verdade, Sergius não tinha intimidade suficiente com Yutia para justificar uma conversa a sós como aquela.

Afinal, aquela era apenas a segunda vez que via o rosto dela.

Ainda assim, havia um motivo para Sergius tê-la procurado.

— Vim lhe fazer uma proposta. Gostaria de ouvi-la?

Esse era o motivo.

— Que tipo de proposta?

— Indo direto ao ponto, preciso de um "nome".

— Um nome?

Sergius assentiu diante da pergunta de Yutia e respondeu:

— Sim. Parece que há pessoas daquele lado em conluio com elementos impuros.

— O senhor quer usar meu nome numa "Carta de Conversão", correto?

— Exatamente.

Uma Carta de Conversão era um tipo especial de carta que somente os escalões superiores de Rosario, especificamente cardeais ou pessoas acima deles, podiam enviar. Ela era expedida quando havia suspeitas de que alguém havia se aliado a hereges. Para redigir uma dessas cartas, era necessária a aprovação de pelo menos dois cardeais.

No entanto, Sergius não tinha intenção alguma de enviar a Carta de Conversão para seu propósito legítimo.

O verdadeiro motivo era que ele havia aceitado um suborno. E a razão para fazer aquele pedido a Yutia, alguém que praticamente nunca havia encontrado antes, era…

— Se me emprestar seu nome, farei questão de recompensá-la devidamente.

— Recompensar, diz?

— Não direi nada sobre a morte suspeita do cardeal Biantrea. O que acha?

Ao contrário dos outros cardeais, com quem teria de dividir o suborno, Sergius acreditava que Yutia era alguém com quem não precisaria repartir o pagamento. Essa confiança vinha do fato de que…

— Cardeal Biantrea? — perguntou Yutia.

— Imagino que não vá fingir ignorância, considerando a posição em que se encontra.

…ele havia reunido informações suficientes para ter certeza de que ela, assim como ele e os outros cardeais, já havia se corrompido.

— Então, não vamos complicar as coisas. Se me emprestar seu nome para a Carta de Conversão referente ao conde Palatio, ficarei calado sobre esse assunto.

Confiante em sua postura despreocupada, Sergius estava pronto para encerrar a conversa.

— …Entendo.

O sorriso gentil que até então adornava o rosto de Yutia desapareceu, e ela fez outra pergunta.

— Então o que está dizendo, cardeal Sergius, é que quer que eu lhe empreste meu nome?

— Sim, exatamente.

— Para acabar com o conde Alon Palatio?

— …? Sim, isso mesmo — respondeu Sergius com um aceno.

Mas, naquele instante…

— Hah…

Uma risada baixa e suave escapou dos lábios de Yutia.

E então…

!

O mundo ficou vermelho.

Tudo aconteceu de repente.

Alarmado, Sergius tentou se mover, mas logo percebeu que seu corpo já não lhe obedecia.

Junto com essa constatação veio uma sensação esmagadora de pavor, e ele virou instintivamente a cabeça trêmula na direção da origem daquele medo.

E então viu.

A mulher que até poucos instantes antes sorria calorosamente agora o encarava com olhos de um vermelho vívido.

— Você acabou de me dizer—

Qualquer um seria capaz de perceber a fúria inequívoca que emanava dela.

— que vai matar o meu Deus?

Foi naquele momento que Sergius percebeu que algo havia dado terrivelmente errado.

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