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Raising Villains the Right Way – Capítulo 45

O que está acontecendo? (1)

Tradutor: miggigibe


Cinco dias depois.

A notícia de que Kalman e Malian, ambos Baba Yaga, haviam atentado contra a vida de Seolrang se espalhou rapidamente por toda a Colônia.

Com o testemunho de Liyan Aguileras, filha do mestre da Torre Vermelha, e dos mercenários que sobreviveram ao ataque, o caso passou a atrair enorme atenção.

A população ficou indignada com a covardia de dois Baba Yaga se unirem para derrubar outro Baba Yaga.

Como resultado, as estátuas de Kalman e Malian erguidas na parte leste da Colônia foram derrubadas e destruídas.

Da mesma forma, as guildas ligadas aos dois Baba Yaga se desfizeram rapidamente e, em questão de dias, tudo o que restava de Malian e Kalman desapareceu da Colônia.

Seolrang ocupou o espaço deixado por eles.

Mesmo depois de cair numa emboscada armada por Malian e Kalman, Seolrang não apenas sobreviveu como também deu conta dos dois e, ao retornar, recebeu enorme apoio popular.

À medida que os depoimentos da filha do mestre da Torre Vermelha e dos mercenários eram confirmados, a popularidade de Seolrang alcançava níveis sem precedentes.

A população já começava até a chamá-la de "Primeira Baba Yaga", superando Kalman, que havia ocupado essa posição por mais tempo.

Além disso, o conde Palatio, conhecido por ter contribuído muito para que Seolrang lidasse com os dois Baba Yaga, também vinha atraindo enorme atenção.

Naquele momento, ele estava mais uma vez na Cidade Esquecida de Kahara, verificando algo no extremo leste, onde não conseguira ir da última vez.

Alon observava a inscrição gravada na tabuleta de pedra a leste.

— Hmm.

Depois de ler tudo na tabuleta, num intervalo que podia parecer tanto longo quanto curto, uma dúvida surgiu de repente na mente de Alon.

'Espera aí. Como é que eu estou conseguindo ler isso?'

As palavras gravadas na tabuleta não estavam escritas no idioma comum do continente. Apesar de não reconhecer aquela escrita, porém, Alon conseguia decifrá-la com naturalidade.

Era como se soubesse ler aquela escrita desde sempre.

Com uma expressão intrigada, Alon decidiu passar pela torre central e perguntar sobre aquilo antes de voltar.

Quando se virou e começou a caminhar, relembrou o conteúdo que acabara de ler na tabuleta.

'…Sobre Deuses Exteriores e deuses.'

A tabuleta de pedra a leste, que alguém lhe recomendara ler por talvez lhe dar uma ideia geral do que estava acontecendo, continha histórias relacionadas a Deuses Exteriores e deuses.

O que mais chamou sua atenção, porém, foi que algumas partes diferiam um pouco das informações que obtivera enquanto jogava Psychedelia.

— …Por que Deuses Exteriores e deuses estão descritos ao contrário aqui?

Em Psychedelia, Deuses Exteriores e deuses eram categorias claramente distintas.

Deuses Exteriores eram divindades que não pertenciam originalmente ao continente, nascidas da fé das pessoas ou oriundas de outros mundos.

Já os deuses eram seres que existiam desde o princípio, quando ainda não havia nada no continente.

Até onde Alon sabia, em Psychedelia os Cinco Grandes Pecados eram chamados de deuses, enquanto a divindade monstruosa que encontrara no norte era classificada como um Deus Exterior.

Naquela tabuleta, porém, os termos apareciam invertidos: aquilo que ele conhecia como "Deuses Exteriores" era chamado de "deuses", enquanto os Cinco Grandes Pecados eram tratados como "Deuses Exteriores".

É claro que a tabuleta não mencionava diretamente os Cinco Grandes Pecados nem os Deuses Exteriores pelo nome.

Em vez disso, os deuses descritos nela apareciam por meio de metáforas como "aqueles que prezam a honra", "aqueles que buscam a morte esquecida" ou "aqueles que se aprofundaram demais nos mistérios da magia".

Como havia jogado Psychedelia muitas vezes, porém, Alon sabia exatamente a quem aquelas metáforas se referiam.

Também sabia que expressões como "aquele de muitas mãos" e "aquele tomado pela ganância e pela inveja" faziam referência aos Cinco Grandes Pecados.

— Hmm…

Alon pensou por alguns instantes e então guardou aquela informação cuidadosamente na mente.

Fora a inversão entre "Deuses Exteriores" e "deuses", o que lera na tabuleta não entrava em conflito com aquilo que já sabia.

Isso porque as histórias de Psychedelia tratavam principalmente do futuro, não do passado.

'Queria poder perguntar sobre isso também.'

Alon organizou mentalmente o conteúdo da tabuleta enquanto caminhava em direção à torre central.


No fim, Alon não conseguiu encontrar "aquilo" novamente.

A porta que estivera no centro da torre quando chegara à cidade pela primeira vez havia desaparecido como se nunca tivesse existido.

Ele chegou a considerar abrir caminho à força e subir, mas não acreditava que conseguiria encontrar "aquilo" mesmo assim. No fim, decidiu ir embora.

— Mestre!

Assim que saiu, foi recebido com entusiasmo por ninguém menos que Seolrang.

Ela parecera entediada enquanto esperava, mas abriu um grande sorriso no instante em que Alon apareceu.

Já sentado com ela na carruagem, Alon ouviu:

— Vamos nos casar?

Era a décima nona proposta que ela fazia nos últimos cinco dias, deixando Alon visivelmente sem jeito.

De frente para Seolrang, que havia colocado as duas mãos sobre os joelhos dele, Alon percebeu que a distância entre os dois diminuía a cada dia.

É claro que não era Alon quem se aproximava. Seolrang é que vinha encurtando a distância.

— Hm?

Seolrang ergueu as orelhas e inclinou levemente a cabeça.

Ao ver a cauda dela balançando atrás do corpo, Alon soltou um suspiro baixo.

No começo, aquilo parecera enternecedor, como uma filhinha dizendo: "Quero casar com o papai!" Agora, porém, estava começando a se tornar um pouco complicado.

— …Como já disse antes, eu considero você parte da minha família.

Era a décima nona vez que ele dava aquela resposta.

— Mas nós não somos família de verdade!

E era a décima nona vez que ela retrucava.

— Se a gente se casar, o problema está resolvido!

— Que problema?

— Vamos virar família de verdade!

Ao ver no rosto de Seolrang uma expressão que praticamente dizia "Eu sou um gênio!", Alon não conseguiu evitar a sensação de que aquela conversa havia se transformado num diálogo em loop de algum jogo.

— Você sequer sabe o que significa se casar?

Decidido a avançar um pouco a conversa depois de chegarem à mesma conclusão dezenove vezes, Alon fez aquela pergunta.

— É claro! Tenho certeza de que consigo fazer o Mestre feliz!

Ao perceber, porém, que continuar a discussão só faria tudo voltar ao mesmo ponto, ele suspirou.

— Seolrang, casamento é coisa séria. Pense melhor nisso.

— Eu estou falando sério!

— …Então pense ainda mais seriamente.

Depois disso, Alon fechou a boca.

Naquele momento, ele não tinha intenção alguma de se casar com ninguém.

Além disso, embora não a tivesse criado pessoalmente, Alon ainda enxergava Seolrang mais como uma filha querida.

'Daqui a alguns anos ela para de falar essas coisas.'

Algum tempo passou e, quando o bico que Seolrang fizera após ser rejeitada tantas vezes finalmente desapareceu, eles chegaram de volta à Colônia.

Alon começou imediatamente a se preparar para partir.

Preferia ter saído um pouco mais tarde, mas, devido às particularidades da travessia do deserto, era mais seguro viajar junto dos grupos de mercadores que partiam em intervalos determinados.

E assim…

— Vamos nos encontrar de novo.

— Certo! E dessa vez o senhor vai ter que me dar uma resposta!

— …Está bem.

Depois de deixar para trás uma promessa que mais parecia vazia, Alon partiu da Colônia.


Seolrang observou Alon e o grupo de mercadores desaparecerem ao longe e só voltou para a guilda depois que a carruagem sumiu de vista.

A guilda, agora sem Ralga e os membros do clã que a haviam traído, continuava a mesma de antes.

A traição de Ralga havia enfurecido o clã que Seolrang reunira, e muitos de seus membros estavam genuinamente preocupados com ela, abalados pelo que acontecera.

A guilda, que aos olhos de Seolrang se aproximava pouco a pouco da organização ideal que ela imaginara, deveria tê-la deixado satisfeita.

'Deveria.'

— Haa…

Seolrang soltou um suspiro baixo.

Em vez do sorriso de sempre, seu rosto estava sem expressão.

Isso acontecia porque aquela experiência a fizera chegar a uma conclusão.

Por mais que tentasse, jamais conseguiria recuperar a felicidade que sentira quando era mais nova.

— Eu não quero isso.

O murmúrio desinteressado de Seolrang ecoou baixinho pela sala vazia.

À primeira vista, sua voz parecia normal, mas havia nela um leve tom sombrio.

Perceber que a felicidade que acreditara poder reencontrar ao criar uma "família" não passava de uma ilusão deixou dentro dela uma profunda sensação de perda.

Ela realmente acreditara que, se reunisse seu clã e fizesse tudo voltar a ser como antes, seria capaz de sentir aquela felicidade novamente.

Ainda assim, mesmo em meio àquela sensação de perda, um sorriso começou a surgir em seu rosto, e isso se devia a uma única pessoa.

Alon.

Naquele momento, Seolrang se lembrou de como, durante o ataque de Kalman, Alon confiara completamente nela e permanecera parado, preparando sua magia sem dar um único passo.

Também se lembrou de como, quando Ralga lançou seu ataque surpresa, Alon se jogara sem hesitar para salvá-la.

Não por palavras, mas por suas ações, ele lhe mostrara a imagem da família ideal, como uma Grande Lua guiando seu caminho.

A cauda de Seolrang balançou alegremente.

Em apenas uma semana ao lado da Grande Lua, ela vislumbrara o caminho para a "felicidade" que não conseguira encontrar no clã que reunira ao longo de dois anos.

O caminho até a felicidade que buscava.

É claro que ele ainda não era família, mas isso não importava.

Se ele ainda não era da família, bastava fazer com que passasse a ser.

— Quero me casar~

Seolrang murmurou as palavras que já repetira tantas vezes, com um sorriso alegre no rosto.

Seu coração batia acelerado de expectativa ao imaginar a felicidade que recuperaria quando a Grande Lua se tornasse sua família.

Infelizmente, porém, Seolrang também sabia que aquilo não poderia acontecer de imediato.

Por enquanto, ainda havia a tarefa de formar uma guarda pessoal para proteger e servir à Grande Lua.

…

Na verdade, no começo Seolrang não havia dado muita importância àquela tarefa.

Ela presumira que bastaria reunir membros suficientes do próprio clã para que a missão recebida da Grande Lua se resolvesse por conta própria.

Mas agora era diferente.

Para ela, a Grande Lua já não era apenas um Mestre. Havia se tornado alguém indispensável.

Por isso, ela precisava…

'Criá-la.'

Seolrang tomou sua decisão.

'Uma guarda pessoal capaz de protegê-lo de qualquer perigo, não importa a situação.'

Seus olhos dourados brilharam intensamente de determinação.


Na noite do dia em que Alon deixou a Colônia…

— A propósito, você verificou?

— Está falando das pessoas da guilda de Seolrang? Verifiquei todas. Tirando Ralga e os que foram neutralizados desta vez, ninguém parece apresentar nenhuma atividade suspeita.

Ao ouvir o relatório de Evan, Alon assentiu.

Depois de voltar das ruínas, Alon havia solicitado uma investigação por meio da guilda de informações para descobrir se existiam outras figuras suspeitas dentro da guilda de Seolrang, semelhantes a Ralga.

O motivo, é claro, era que seria um problema se Seolrang acabasse ferida novamente.

'Prefiro evitar complicações desnecessárias.'

Uma vez ele ainda conseguira dar um jeito, mas não tinha certeza de que tudo terminaria bem caso aquilo se repetisse. Por isso, Alon pretendia resolver antecipadamente qualquer problema em potencial.

— Bom, isso é um alívio.

— E, como ainda temos o dinheiro que o senhor nos deu, pedi que continuassem nos mantendo informados sobre qualquer novidade que surgisse.

— Bom trabalho.

Depois de responder a Evan, Alon finalmente sentiu que seu trabalho na Colônia estava praticamente encerrado. Soltou um longo suspiro e se recostou na carruagem.

Embora parecesse que tudo estava resolvido, infelizmente ele ainda não havia terminado.

'…Ainda falta lidar com mais um Deus Exterior…'

Além disso, os novos conhecimentos que havia adquirido continuavam circulando em sua mente.

Desde a inversão dos papéis de Deuses Exteriores e deuses até a menção daquela entidade à ordem.

Mas, acima de tudo…

'"Sulli" (順理).'

Alon se lembrou daquele fragmento de uma verdade oculta sobre o mundo, algo que jamais ouvira ou vira durante todo o tempo em que jogara Psychedelia.

'Será que finalmente chegou a hora de ir até lá?'

Ele continuou pensando, lembrando-se do lugar repleto de inúmeras inscrições que pretendia visitar havia muito tempo.

Foi nesse momento que…

[Eu]

Na reunião regular da Lua Azul, da qual todos os membros, inclusive os que estavam na Colônia, precisavam participar, a atmosfera até então tranquila de repente…

[Eu vou me casar com a Grande Lua!!]

[O quê—…?]

[…]

…transformou-se numa tempestade.

E numa tempestade bastante violenta.

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