Eiro fixou o olhar na Troll fêmea à sua frente e lentamente virou a cabeça para olhar par os membros do seu grupo. Eles estavam esperando que ele dissesse o que o Troll disse a eles, mas mesmo eles eram capazes de adivinhar o que estava acontecendo, considerando a maneira como a Troll estava se aproximando do Demônio.
Eiro se virou para a Troll e balançou a cabeça. — Não foi isso que eu queria dizer. Quero que você se torne minha serva, não minha noiva…
— Eu posso servi-lo como sua noiva…. — respondeu ela sem pestanejar, e Eiro suspirou fundo e depois agarrou os braços da Troll, afastando-os sem muita dificuldade. — Já tenho alguém que amo — disse a ela.
A Troll olhou para ele com uma expressão sedutora. — Ela não poderia ser mais bonita que eu, poderia?
— Ela é. Ela é a quarta mulher mais linda que conheço — respondeu Eiro sem rodeios. — Vou dizer novamente. Você pode se tornar minha serva, mas nunca minha noiva. Você ainda seguirá minha força?
A Troll olhou para Eiro, saindo da cama. Ela ajoelhou-se na frente dele com maneirismos que ele nunca viu em um monstro antes. Ou melhor, maneirismos que as pessoas usavam quando falavam com seus lordes.
— Eu me tornarei sua. Por enquanto, uma serva. Mesmo que ainda não me queira como sua noiva, sua força ainda é deslumbrante — disse ela com um pequeno sorriso, e Eiro a encarou. — Qual é o seu nome? — perguntou, conseguindo falar lentamente com um sotaque mais da Linguagem Troll.
A Troll na frente dele balançou a cabeça. — Eu não tenho um nome.
—… Entendo — disse Eiro, fechando os olhos. Ele pensou em algumas boas ideais para nomes e teve uma ideia. Um termo que se traduzia aproximadamente como ‘busca por poder’ na Linguagem Antiga. — Rashi. A partir de agora seu nome será Rashi.
— Eu humildemente aceito este nome — respondeu ela, levantando-se enquanto Eiro olhava para seu grupo, alternando para a Linguagem Comum para explicar a situação.
— Então, não entrarei em muitos detalhes sobre o que falamos, mas ela concordou em ser minha subordinada — comentou o Diabrete, enquanto a Troll passava por ele.
Na Linguagem Troll, ela disse. — Então, deixe-me acabar com essas pragas para você, meu lorde — Rashi continuou se aproximando dos membros do grupo de Eiro, mas, antes que seu pé conseguisse tocar o chão de madeira mais uma vez, o Demônio cortou seu corpo na metade com seu Três de Espadas e agora a segurava pelo pescoço.
— Eles são meus companheiros. Não ouse tocar neles. Entendido? — disse a Rashi de forma ameaçadora, concentrando todo seu carisma em sua voz para soar o mais ameaçador possível. O corpo de Rashi rapidamente começou a se regenerar, suas antigas pernas definharam enquanto novas cresciam sob seu torso. Quando seus novos pés tocaram o chão, ela se virou com um sorriso estranho no rosto.
— Seu meu lorde assim o disser, eu os pouparei por enquanto — explicou ela com um sorriso amplo, seguindo-o, enquanto o Demônio caminhava até os membros do seu grupo. — De qualquer forma, ela está sob controle por enquanto. Serei capaz de impedi-la se ela tentar atacar vocês, não se preocupem — ele os tranquilizou, quando James apontou para a Troll com um sorriso irônico.
— Bom saber, mas você poderia fazer ela vestir roupas ou algo do tipo? Pode ser um pouco estranho vê-la correndo nua o tempo todo… — comentou James, ao considerar que Rashi parecia muito com uma humana.
Eiro deu de ombros e colocou a mão na bolsa. Vasculhou por um tempo, até retirar um pequeno frasco. Abriu a tampa e arremessou as sementes dentro dele em Rashi. Assim, as manipulou para que se enterrassem nos braços, peito, pernas e na parte inferior das costas dela.
O Demônio pressionou a mão no estômago de Rashi, antes de inserir um pouco de mana. Neste ponto, era capaz de evitar com facilidade os circuitos mágicos de outra pessoa, permitindo que movesse sua mana livremente por eles, se assim desejasse. Dessa forma, Eiro conseguiu fazer todas as sementes crescerem de forma muito específica de uma só vez.
Fez algumas partes crescerem a apodrecerem, e depois crescerem e apodrecerem novamente, parecia que Rashi estava sendo enterrada dentro de um tronco grosso que crescia ao seu redor, mas esse tronco se desfez tão rapidamente quanto surgiu. Agora, Rashi vestia uma armadura de madeira que cobria suas áreas íntimas, ao mesmo tempo que ajudava no combate de uma forma mais desimpedida.
Claro, ao mesmo tempo, como ela tinha essa madeira por todo seu corpo, Eiro seria capaz de controlá-la com mais facilidade se quisesse; poderia fazer as sementes afundarem em sua carne, para que pudesse prendê-la como fez com os outros. Afinal, ela ainda possuía monstruosidade dentro dela, e embora Eiro soubesse que ela genuinamente se entregou a ele, ela ainda poderia escolher fazer coisas que ele não queria, achando que isso seria útil para ele.
Assim, até que conseguissem selar sua monstruosidade e ensiná-la a tratar os outros da maneira correta, ele precisava ser o mais cuidadoso possível.
— Isso é um incômodo… Só me deixe caminhar sem isso — reclamou Rashi, mas Eiro revirou os olhos e balançou a cabeça. — Não, você vai usar isso por enquanto.
—… Sim, meu lorde — concordou ela com uma leve carranca, seguindo Eiro para fora do quarto. Ela viu todos os Trolls esqueléticos parados no corredor, mas nem piscou. Ela claramente não se importava com eles, assim como Eiro esperaria de um monstro como esse.
Porém, por ora, não importava como agia, ela era uma ótima fonte de informações sobre esta cidade — Quantos monstros do seu nível estão aqui na cidade? — perguntou, e Rashi zombou. — Não há nenhuma criatura como eu nesta cidade antes de sua chegada, meu lorde.
— Só responsa a pergunta. Sei que você entendeu o que eu quero dizer.
—… Há uma lagartixa chata… e aquele pássaro super irritante? também há… aquela toupeira, mas eu não o vejo com tanta frequência. Aquele cachorro grande e burro também seria um… E há aquela coisa demoníaca — explicou Rashi. Apesar de só ter acesso a Linguagem Troll, era evidente que ela era muito inteligente, algo que Eiro particularmente não esperava. Ela era capaz de explicar tudo muito bem e continuou. — Eu ouvi falar que também há algum idiota lá embaixo na água.
— Você quer dizer o Deus do Lago? Aquele preso embaixo desta ilha?
— Aquilo? Nah, não é mais um incômodo. Me assustou para caramba quando eu cheguei aqui, mas me acostumei rapidinho. Uma outra vadia disse que o domínio ali embaixo pertence a ela, então é isso — explicou Rashi a Eiro, que levantou as sobrancelhas.
— Ele te assustou quando você chegou aqui? Preso desse jeito, mal dá para sentir qualquer vibração que possa te assustar — comentou Eiro. — Quando você chegou aqui?
— Há muito tempo… Havia muitos de nós. Alguns, como eu, tiveram permissão para ficar e proteger este lugar das pragas, e vários outros que tinham ido embora voltaram — explicou Rashi, e todo o corpo de Eiro congelou.
— Eu ouvi que outros monstros se juntaram à esta ilha ao longo dos anos, mas você foi um dos originais, hein? — murmurou o Demônio. Rashi também era um Monstro criado para aquela horda, o que explica sua forma atual.
Ao longo de suas evoluções, seu corpo lentamente tentou se ajustar à verdadeira forma de sua alma, que era de um humano do qual o Rei dos Monstros tomou. Ele sabia que nem todos os monstros eram criados através da alma de pessoas, mas certamente parecia que Rashi era, e ao longo de suas próprias evoluções, seu corpo mudou de forma parecida, tornando-a muito mais humanoide… Embora, por algum motivo, ela parecia apenas com uma humana, enquanto Eiro ainda tinha muitas características que pertenciam a um Diabrete… Será que o humano cuja alma o criou era simplesmente muito feio ou algo do tipo?
Eiro continuou pensando, quando se recordou que Rashi mencionou um Demônio. — Esse Demônio que você mencionou também possui asas e uma cauda de escorpião como eu?
— Sim ele tem, como você sabia? Ah, ele deve ser do mesmo tipo que você! Aparentemente, ele foi designado para ser o verdadeiro ‘líder’ desta cidade por aquele ser realmente muito forte… Até eu devo admitir que ele é mais poderoso do que eu, mas da forma mais repugnante… O poder dele não é nem de longe tão bonito quanto o seu, meu lorde.
— Entendo — disse Eiro com um pequeno sorriso, sentindo-se animado com o que estava por vir pela conquista da cidade. Virou-se para os membros do seu gripo e sorriu levemente diante da situação hilária, e falou novamente, dizendo algo que surpreendeu os outros. — Acontece que o ser mais forte nesta ilha é outro Diabrete.