Eiro estava em frente à uma grande porta de madeira enquanto se virava para olhar para os seus companheiros. — Vocês estão prontos? — perguntou ele, e todos assentiram. Estava preparados para começar o ataque a este prédio, o qual estava repleto dos maios fortes Trolls que já enfrentaram. Claro, haveria vários mortos-vivos ao lado deles para facilitar a situação, mas ainda seria uma batalha difícil.
O Demônio levantou o pé na frente da porta e, assim que recebeu a aprovação de todos do grupo, aguardou alguns segundos pelo momento perfeito.
Então, chutou a porta, usando magia para fazê-la voar mais rápido, ao mesmo tempo que disparava chamas sobre ela.
A porta se estilhaçou quando acertou o primeiro Troll que passou por ela há alguns instantes. Eiro se certificou de manter sua mana ao redor da porta para que pudesse espalhar chamas mais profundamente na madeira. A lascas flamejantes foram controladas por ele, que usou as chamas combinadas com magia de vento, e as pressionou no corpo do Troll segundos depois.
As grandes lascas de madeira cravaram no corpo de Troll e praticamente se fundiram em sua carne devido às chamas, dificultando que as retirasse de seu corpo enquanto ele começava a se regenerar. Então, Eiro mudou o foco de sua mana para a própria madeira, e tentou fazê-la brotar e se enterrar ainda mais fundo dentro da carne do Troll. Logo, a madeira havia se espalhado completamente pelo corpo do monstro em áreas muito específicas, de modo que, em vez de expandi-lo, o corpo de Troll parecia crescer ao redor da madeira.
Esta foi a primeira tentativa de Eiro ‘imobilizar’ um Troll dessa forma, em vez de ter que injetar anestésicos em seu corpo… Afinal, os anestésicos provavelmente não funcionariam, a menos que ele de alguma forma fornecesse aos Trolls um suprimento constante e, mesmo assim, era provável que eles desenvolvessem resistência rapidamente.
De qualquer forma, a carne do Troll inchou ao se curar ao redor da madeira, fazendo com que caroços aparecessem pelo seu corpo. Era evidente que a criatura estava com muita dor e, além disso, o crescimento desordenado da carne e dos músculos ao redor das articulações estava incapacitando que se movesse.
— Huh, perfeito — disse Eiro, observando o corpo do Troll cair para trás, contorcendo-se de dor enquanto tentava resistir contra esse tipo de ataque incrivelmente invasivo. Enquanto isso, Eiro marcava esse Troll para que ele não fosse atacado pelos outros, e o grupo começou a lutar contra os outros Trolls. Demorou um tempo para revidar neste espaço, já que estavam muito mais restringidos aqui em comparação ao lado de fora. No entanto, o bom era que este lugar parecia ser algum tipo de pousada antes que a cidade fosse tomada pelos monstros, e a entrada tinha um pé-direito decentemente alto.
Só quando se aprofundassem na construção, teriam que lidar com alguns espaços mais apertados.
A líder dos Trolls estava em algum tipo de cômodo especial bem no topo, o tipo de sala que normalmente era reservada para VIPs. Ela continuava deitada ali, sem ser afetada pelo que acontecia ao seu redor, embora todos os outros Troll estivem em pânico, tentando descobrir onde o inimigo estava.
No entanto, por ora, eles conseguiram revidar contra a primeira onda e os Trolls da entrada foram eliminados. Para garantir que não fossem incomodassem por enquanto, Eiro e Gondos fecharam as portas com paredes de pedras, enquanto os outros descasavam por alguns minutos e o Demônio criava mais soldados mortos-vivos a partir dos Trolls.
Após terminar com isso, Eiro deu mais uma olhada no Troll cujo corpo estava restrito pela madeira que havia feito crescer dentro do corpo dele.
Pressionou a palma no peito da criatura e retirou toda a madeira. O corpo do monstro praticamente colapsou por um instante, até que a regeneração começou e curou o corpo do Troll sem mais delongas.
— Perfeito — disse Eiro com um pequeno sorriso no rosto. Se esse fosse o caso, então ele definitivamente seria capaz de prender a líder dos Trolls assim até que voltassem com Bavet. Essa era uma maneira surpreendentemente eficaz de lidar com isso… Talvez ele devesse tentar prender mais alguns Trolls únicos com quem se deparasse dessa forma.
— Isso é meio brutal, não é? — questionou James com um sorriso irônico, olhando para a pilha sangrenta de madeira fina que Eiro retirou do corpo do Troll, e o Diabrete apenas deu de ombros. — Não é particularmente mais brutal do que temos que fazer para matá-los. Desse modo, eles pelo menos conseguem manter-se vivos — explicou Eiro, enquanto pisava na cabeça do Troll repetidas vezes, até que seu corpo parasse de se regenerar, de forma que fosse considerado completamente morto e pudesse transformá-lo em um morto-vivo.
Como a cabeça não era necessária para um esqueleto morto-vivo se mover, já que ele reagia às coisas ao seu redor através da magia em vez dos seus sentidos, Eiro realmente não se importava de esmagar o crânio, não importa quantas vezes tivesse que o fazer.
Assim que terminou com isso aumentou seu pequeno exército morto-vivo em mais um membro, o grupo continuou a avançar por esta pousada velha e infestada de Trolls.
Acabaram se deparando com alguns Trolls que valiam a pena manter vivos, alguns que poderiam fazer outras coisas além de simplesmente brandir objetos pesados contra seus inimigos. Alguns que, de fato, usavam armas com uma quantidade inesperada de precisão, alguns que empregavam táticas em vez de avançar cegamente contra aqueles que estava na sua frente. Surpreendentemente, havia até mesmo um Troll que era capaz de usar magia.
Claro, Eiro utilizou algumas sementes especiais para crescer raízes dentro deles, raízes tão duras quanto aço, dando aos monstros pouca ou nenhuma chance de escapatória, em espacial depois que a regeneração deles parava completamente, impedindo-os de tentar expulsar as raízes. Eiro os reuniu em um depósito da pousada e, depois que todos os outros Trolls foram eliminados, eles se aproximaram do quarto da líder dos Trolls, a qual não parecia se importar com nada que acontecia.
Eiro foi o primeiro a entrar no quarto, com uma semente em mãos. A líder dos Trolls sentou-se lentamente na cama, olhando exausta para Eiro. Havia uma grande garrafa de álcool em suas mãos, e o álcool em si parecia ser especial… não era normal, no mínimo. Era semelhante a algum tipo de poção e, pelo cheiro incrivelmente forte, Eiro deduziu que essa bebida havia sido criada para deixas as pessoas bêbadas… Algo perfeito para um Troll que não conseguiria ficar bêbado de outra forma.
Eiro olhou para a líder dos Troll, que o encarou de volta, sem qualquer sede de sangue. — Você entende minhas palavras? — perguntou ele, e a Troll permaneceu em silêncio. O Demônio revirou os olhos, tentando se recordar de certos aspectos do que aconteceu hoje. Ouviu alguns Trolls falarem, pelo menos um pouco. A linguagem em si era surpreendente similar à dos Goblins, havia apenas uma leve variação na pronúncia, e o significado de algumas palavras provavelmente seria diferente.
Então, em uma tentativa de fala no dialeto adequado, Eiro olhou para a líder dos Trolls e disse:
— Você pode desistir e se tornar minha por vontade própria, ou pode lutar e se tornar minha através da força. Escolha — disse o Demônio, e a líder dos Troll o encarou de volta, aparentando estar surpresa.
— Você fala minha linguagem, Demônio? — perguntou ela. — Não é muito bom, mas é parecido, pelo menos — adicionou a líder, e Eiro acenou a cabeça em resposta.
— Tipo isso. Porém faça sua escolha, estou impaciente — disse o Diabrete com um tom ríspido, e a líder o encarou de volta com um sorriso. — Se conseguir me mostrar seu poder, eu vou- — respondeu ela, mas Eiro revirou os olhos e avançou. Havia concentrado magia de gravidade em seu punho para um ataque particularmente explosivo e devastador, concentrado em um ponto, e desferiu o golpe no centro do peito da líder dos Trolls.
Em instantes, a carne dela foi rasgada e seu sangue espirrou na parede atrás dela, antes mesmo que pudesse reagir. Ela estremeceu por um instante, mas foi apenas como se tivesse se assustado um pouco, sem se incomodar muito. Sua carne se curou dentro de segundos, e ele olhou para Eiro com uma expressão atordoada.
— Você é forte… você é muito forte… — disse a líder, estendendo o braço para Eiro. Ela claramente não estava tentando atacá-lo, então, por enquanto, Eiro deixou acontecer. Ela parecia bastante submissa, afinal.
Mas o que aconteceu a seguir era algo que ele não esperava. O cobertor que cobria seu corpo quase perfeitamente humanoide, com exceção da sua pele que era de um verde-acinzentado lamacento e seus longos cabeços amarelos-esbranquiçados, caiu para o lado enquanto ela se aproximava de Eiro.
— Você é forte, então eu serei sua noiva…