O grupo se dirigiu ao centro da cidade, cuidando dos monstros solitários que não faziam parte de grupos maiores, ou aqueles que conseguiram escapar enquanto eles cuidavam dos outros.
Não demorou muito para que Eiro conseguisse sentir alguns dos Demônios que haviam feito desta parte da cidade seu lar. Na verdade, não eram muitos, o que fazia sentido, considerando que a maioria deve ter morrido durante a invasão ao império Sagrado, já que estavam cercados por fontes de sua perdição. Independentemente disso, o fato de ainda restarem tantos surpreendeu Eiro.
Ao mesmo tempo, isso significava que todos eram fortes. Eiro esperava que nenhum deles continuassem sendo um ‘Diabrete Inferior’, mas que houvesse outros tipos: Magos Diabretes, Guerreiros Diabretes, Caçadores Diabretes… Claro, cada um deles era especializado em um papel mais adequado. Eles tiveram oito anos para desenvolver suas forças até este ponto, afinal.
Para Eiro, no entanto, parecia que nenhum deles seria um problema. O Demônio fez sua mana fluir pelo pequeno pedaço de madeira que havia transformado em um anel que usava na mão esquerda. Era um pedaço daquela Madeira Profana, que utilizava para acessar Energia Profana.
Ele infundiu seu corpo com ela, enquanto influenciava o Caos da armadura para também torná-la profana. Era praticamente o oposto do que era mais cedo, algo como um Anti-Paladino. Logo, aproximou-se do primeiro grupo de Diabretes, que se viraram em sua direção assim que o perceberam.
De imediato, assumiram posturas de ataque, aqueles que tinham asas as abriram, e todas suas caudas estavam rígidas, prontas para ajudá-los a reagir a qualquer tipo de ataque.
Eles estavam agindo de forma surpreendentemente inteligente. Em vez de atacarem de forma aleatória, estavam sendo cuidadosos. Porém, era mais provável que simplesmente conseguissem dizer que Eiro era um Demônio superior a eles. Com um sorriso no rosto, ele se aproximou. — Olá. Vocês se importariam de me levar até aquele que está no comando? — perguntou a eles, mas eles não se moverem, em vez disso continuaram parados. Parecia que não o entenderam.
Eiro respirou fundo enquanto continuava se aproximando. Parou na frente de um Diabrete particularmente grande, com cerca de três metros de altura, que segurava uma espada-longa como se fosse um brinquedo.
Lentamente, Eiro cruzou os braços, tentando decidir o que fazer com esses caras. para ser honesto, se ele fosse capaz, adoraria levá-los consigo. Porém, será que eles realmente teriam alguma utilidade a ele?
Começou a pensar em algum tipo de plano, quando de repente notou algo. Havia alguns… brinquedos de criança jogados em uma pilha perto deles.
Enquanto arregalava os olhos, com seus batimentos acelerando, o enorme Diabrete à sua frente brandiu sua espada. No entanto, Eiro apenas se inclinou um pouco, desviou e decepou o braço do Diabrete com seu Três de Espadas. Em seguida, pressionou sua palma aberta no abdômen do Diabrete, para sentir o que havia em seu estômago.
— Ah… Esqueça — disse o Demônio, enquanto cravava as garras de sua manopla, as lâminas do Três de Espadas, na barriga do Diabrete. Um instante depois, arrancou alguns de seus órgãos internos, rasgando-os no processo. O enorme Diabrete pressionou sua mão restante no ferimento, mas, ao fazê- lo, Eiro estendeu o braço e pressionou os dedos contra a mandíbula dele enquanto ele gritava de agonia.
Com um puxão rápido, seguido pelo som de algo quebrando e rasgando, a mandíbula do Demônio caiu no chão sujo. O Diabrete caiu de joelhos, enquanto Eiro segurava seus dois chifres. Com uma torção rápida, o pescoço do Diabrete foi quebrado e seu rosto desfigurado agora encarava os outros Diabretes.
— Erm… Você não disse que queria tentar falar com eles primeiro? — perguntou Jess com um sorriso irônico, olhando para o Diabrete que havia caído no chão e começava a sangrar. Eiro olhou para seus companheiros com um sorriso. — Sim, mas esses caras possuem uma dieta com a qual eu não concordo, o que me irritou um pouco. No fim, precisamos mesmo de mais Diabretes? — disse Eiro sem rodeios, enquanto olhava de volta para o grupo na sua frente. — Eu já não só demoníaco o suficiente?
Sem hesitar, ele caminhou até os outros Diabretes e os cortou. Completamente, a ponto de não poder mais usá-los como mortos-vivos, não que realmente quisesse transformar essa escória em seus soldados. Eles o enojavam demais para isso.
Nem um minuto depois, Eiro estava ali parado, cercado pelos cadáveres desses Diabretes. — Isso significa que, desta vez, não levaremos nenhum deles como prisioneiros?
— Yep, exatamente — respondeu o Diabrete. — Mataremos todos eles.
— Mas por quê? Eles não deveriam ser úteis para você? — questionou Jess, apenas para ter certeza de que Eiro fizesse a escolha certa, e o Demônio acenou a cabeça.
— Podem ser, mas particularmente não. Diabretes não possuem nenhuma habilidade especial que os torne incrivelmente úteis para nós. Os Homens- Toupeira são úteis para a expansão da vila, os Trolls são ótimos como segurança extra e guardas no geral. Os Lobos Sangrentos serão bons para grupos de caça, enquanto as Harpias são perfeitas para defesas e ataques aéreos. Existe um lago lá perto, então qualquer que seja os monstros peixes lá embaixo eles certamente serão úteis de alguma forma, assim como os Homens-Lagarto. Todos possuem um motivo para serem poupados, exceto os Diabretes, eles não possuem. Eles simplesmente são repugnantes para mim — explicou diretamente. — Além disso, estou com vontade de matar meus irmãos agora.
Enquanto Jess e Krog permaneciam em silêncio por alguns segundos depois dessa explicação, James levantou as sobrancelhas. — Espera, sim, esses Diabretes são da mesma horda que você, certo? Isso significa que você os conhece?
— Mais ou menos, mas não diretamente. Não é como se eu tivesse prestado atenção especial a algum deles, de qualquer forma. Pelo menos na maior parte do tempo — disse Eiro. — Se eles tivessem algum aspecto único, talvez eu os reconhecesse, mas não é como se fizesse alguma diferença no fim.
Só porque eu conheço alguém não significa que eu não vá matá-lo se me incomodar — respondeu o Demônio com um tom ríspido, chutando o chão, fazendo um prédio próximo desabar, já que havia arrancado a maior parte das áreas de sustentação da estrutura.
Havia mais alguns Diabretes dentro, mas nada com que se incomodar. À medida que o grupo avançava em direção ao centro da cidade, Eiro foi capaz de sentir o interior do castelo, que outrora pertenceu ao lorde deste lugar.
Havia alguns Diabretes correndo lá dentro, mas não era só isso. Uma grande parte do interior do castelo foi reservado para… pessoas. Eles não haviam matado todos quando invadiram a cidade; mantiveram alguns como prisioneiros. Algo que explicaria por que havia tantos Diabretes aqui.
As pessoas eram mantidas como comida, e… como forma de reproduzir para aumentar seus números. Eiro deveria salvá-las mais tarde, elas não mereciam esse tipo de tratamento, afinal.
Havia até um berçário lá dentro… e, surpreendentemente, as crianças ganhavam brinquedos… o que explicava como aqueles Diabretes conseguiram pôr as mãos neles, mesmo que tal pensamento o deixasse ainda mais enojado.
— Vamos nos separar quando entrarmos. Jess, vou te dar algumas Pedras mágicas de Energia Sagrada, havia várias nos depósitos de Zaragon. Quando eu quebrar o portão principal, entraremos no pátio. Abrirei uma passagem para vocês chegarem à seção subterrânea no centro do pátio. Matem todos os Diabretes lá dentro. No canto nordeste desta estrutura subterrânea, voices encontrarão muito sobreviventes… Pessoas. Certifiquem de reuni-los em um só lugar, mas esperem lá embaixo até eu voltar. Proteger toda elas podem distrai-los quando vocês subirem, então lá embaixo vocês terão mais vantagem. Posso sentir inimigos distantes, então devemos esperar até estarmos todos juntos de novo — Eiro explicou a eles, enquanto o grupo o encarava com expressões sérias.
— Entendido… E o que você vai fazer enquanto isso? — perguntou James, e Eiro olhou para ele com uma expressão praticamente inexpressiva. — O que você acha? Vou matar alguns Diabretes.