Assim como havia planejado, Eiro parou na frente do portão, após matar os dois Diabetes que estavam de guarda, e destruiu o portão sem hesitar. O grupo avançou com rapidez, e Eiro fez os Mortos-Vivos atrás dele conterem quaisquer Diabretes que tentassem atacá-los.
O único problema era que, no momento, sua necromancia ainda não era poderosa o suficiente para criar ‘drones’ Mortos-Vivos. Ele estava controlando a maioria deles diretamente, dando-lhes comandos que sua própria mente e magia interpretavam através de seus corpos. Mas eles não agiam por conta própria, afinal, não eram capazes disso. Isso significava que James, Jess e Krog teriam que descer sozinhos.
Por sorte, ele foi capaz de convencer Rashi a ajudá-los, fazendo-a prometer que ela não machucaria nenhuma das pessoas que encontrasse e que mataria apenas os Diabretes. Então, Eiro olhou para a criatura que havia feito muitos Mortos-Vivos protegerem durante todo esse tempo.
— Lugo, venha. Você está comigo dessa vez — disse o Demônio, fazendo seu familiar atravessar a multidão. Ele queria envolver Lugo muito mais, mas ele simplesmente não era forte suficiente para ajudá-lo. Mesmo assim, Eiro queria expô-lo a esse tipo de combate mais do que antes, para que ele pelo menos soubesse como reagir em certas situações.
Eiro se dirigiu pelo castelo, com apenas Lugo atrás dele, deixando os Mortos-Vivos para criarem uma barreira para impedir os Diabretes de atacarem os seus companheiros de uma só vez.
— Quando entrarmos lá, você sabe o que fazer, certo? Fique atrás de mim o tempo todo, eu vou protegê-lo. Tudo bem? — disse o Demônio. — Mas eu só posso fazer isso se você ouvir o que eu digo.
O Cervo berrou em resposta, e Eiro revirou os olhos. — Eu não disse que você é inútil, só estou dizendo que não sei quão forte esse cara será. Eu ainda quero você por perto.
Lugo permaneceu em silêncio por alguns instantes, suspirando pelas narinas enquanto virava a cabeça, irritado. — Tudo bem… Se você me escutar, podemos trabalhar para aumentar o seu nível, tudo bem? A Vila dos Monstros deve ter reunido algumas Pedra Mágicas de Natureza. Eu sei que você só gosta de comer essas — comentou Eiro, e Lugo virou a cabeça de volta para ele, caminhando um pouco mais rápido para alcançá-lo. Assim, com o que parecia um sorriso alegre, ele soltou um berro baixinho.
— Tudo bem, tudo bem. Embora eu ainda não entenda por que você não come as outras. Você sabe quão raras as Pedras Magicas de Natureza são, eu sei que você também se dá bem com Pedras Mágicas de Terra e de Água, então por que você não tenta comer algumas delas? Há muitas de água no lago onde a Náiade Solitária está — o Demônio tentou explicar, mas Lugo não parecia querer escutá-lo. Eiro tentou alimentá-lo com diferentes pedras mágicas, já que aparentava ser a única forma de o cervo conseguir subir de nível, mas ele era muito exigente com a comida.
Eiro não sabia se isso tinha alguma relação com as afinidades que Lugo parecia ter para magia, já que faria sentido um cervo ter forte afinidade com a natureza, mas ainda era meio problemático aos seus olhos. O fato de não poder levar Lugo para mais lugares o deixava realmente triste. Ele amava estar perto de Lugo, afinal.
— Certo, que tal isso… A cada nível que você ganhar comendo Pedras Mágicas de Natureza, você come uma pedra mágica da minha escolha de outro elemento. O que acha? — perguntou Eiro com as sobrancelhas levantadas, e Lugo virou a cabeça para ele. Lentamente, acenou a cabeça, então o Diabrete estendeu a mão e esfregou o focinho do cervo por um instante.
— Ótimo, obrigado, amigo — respondeu o Demônio com um sorriso. Por sorte, ele ouviu de Gobo que eles tinham descoberto um local nas minas onde havia muitas Pedras Mágicas de Natureza, então ele tinha bastante comida para dar a Lugo quando voltassem. Neste ponto da conversa, Eiro já havia matado mais alguns Diabretes que pensaram ser uma boa ideia se aproximar dele.
Por ora, ele não precisava usar a Energia Sagrada, seus ataques normais eram suficientes. Alguns dos crânios se estilhaçavam quando Eiro os acertava com uma de suas palmas. Ou eles eram incrivelmente fracos, ou o impacto dos seus ataques era muito mais forte do que pensava.
Não demorou muito para que chegassem ao local em que o líder dos Diabretes parecia ter transformado em seu lar. Sem hesitar, Eiro chutou a porta, preparado para o que veria do outro lado.
Homens e mulheres vivos, acorrentados ao longo das paredes… alguns deles eram apenas crianças. Como se fossem troféus, embora certamente não estivessem ali sem serem… usados. Isso era muito evidente pelos ferimentos sem seus corpos.
Também havia tesouros espalhados pelo interior da sala. Ouro, joias, pinturas, como se o Diabrete estivesse tentando imitar um Dragão ou algo do tipo.
E o Diabrete em questão estava sentado do outro lado da sala, mastigando o braço de um Elfo.
Ele estava completamente pelado, então o sangue que o cobria se misturava perfeitamente com sua pele. Ele também era bastante grande, com cerca de cinco metros de altura. Asas enormes brotavam de suas costas, e sua cauda também era bem grande. Aparentemente, ela havia evoluído na mesma direção que a cauda de Eiro, pois havia um ferrão em sua ponta, cheio de um veneno surpreendentemente poderoso.
Para surpresa de Eiro, algo que não esperava aconteceu. — Agora, quem seria você?
Esse Diabrete era capaz de falar na Linguagem Comum. Ele provavelmente foi ensinando por quem o colocou no comando aqui.
— Apenas o cara que vai te matar. Sabe, eu realmente odeio o que você fez neste lugar. É repugnante, sério — respondeu Eiro sem pestanejar, e o Diabrete sentado em seu trono, que na verdade era apenas uma grande pilha de metal fundido no formato aproximado de um trono onde pudesse se sentar, respondeu. — Considerarei isso um elogio.
— Na verdade não. De qualquer forma, devemos começar? Eu quero sair daqui antes do amanhecer — explicou Eiro, e o Diabrete se levantou, jogando o braço meio comido para o lado, logo ao lado do Elfo a quem pertencia.
O Diabrete se aproximou lentamente de Eiro. — Muito ruim para você. Eu sou forte. Super forte! Tão forte, eu fui o primeiro Diabrete a evoluir!
—… Com licença? — disse Eiro com um sorriso irônico. Ele já havia descoberto quem exatamente este monstro era. Inesperadamente, parecia ser o Diabrete que Eiro havia socado com tanto orgulho naquela época. Aquele que tinha evoluído para possuir asas em suas costas. Era o primeiro Diabrete que Eiro poderia se recordar de evoluir, pelo menos.
— Você sabe que não é o ‘primeiro’ Diabrete a evoluir, certo? Você foi o primeiro da nossa ninhada a evoluir, mas não somos os primeiros Diabretes a existir — comentou Eiro, e o Diabrete enorme inclinou a cabeça para o lado, confuso.
Eiro revirou os olhos, enquanto esticava as asas e movia a cauda à frente do seu corpo, olhando para seu oponente. — Como pode ver, eu também sou um Diabrete. Diferente de você, não sou um completo idiota, então deixe-me explicar um pouco de nossa história a você. Você e eu nem somos Diabretes de verdade. Diabretes de verdade, bem como qualquer outro Demônio de fato, nascem em algum lugar do inferno. Diabretes normalmente vêm do círculo da Ira, mas sabe, existem exceções. A propósito, os Diabretes são uma das raças de Demônios mais antigas que existem. Quando o Deus Demônio Superior foi lançado a este mundo pela primeira vez, depois de tentar lutar contra os outros deuses, criando uma fenda no espaço-tempo que deu origem ao submundo, ele transformou sua carne em Fiends, Diabretes e algumas outras raças entediantes. Isso faz com que todos os Diabretes sejam descendentes do Deus Demônio Superior. Mas nos dois? Nah, somos meras criações do Rei dos Monstros, tecnicamente, nem nossas almas são demoníacas. Aliás, parece que sua alma foi retirada de um macaco gigante. De qualquer modo, por muito, você não é o primeiro Diabrete a evoluir — explicou Eiro com um tom severo, e parecia que o Diabrete enorme na sua frente não conseguia compreender a maior parte do que ele disse.
Então, Eiro suspirou fundo enquanto tentava explicar de uma forma mais simples. — Você? Não é um Diabrete de verdade. Nem é o primeiro Diabrete a evoluir. Eu? Também não sou um Diabrete de verdade. Também não sou o primeiro Diabrete a evoluir. Apesar disso, cada uma das minhas evoluções foi única, enquanto as suas obviamente foram apenas… normais. Claro, você evoluiu para um monstro e tanto, mas, sabe, você não é nada especial. Há milhares iguais a você no submundo, pelo que ouvi dizer — explicou com um sorriso suave.
Desta vez, o Diabrete à sua frente pareceu entender o que ele tentava dizer e avançou furiosamente em sua direção.
Porém, Eiro já havia pegado uma Pedra Mágica de Energia Sagrada e estava mais do que pronto para enfrentá-lo.