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Warlock Apprentice – Capítulo 353

Questionamentos Irrazoáeis

Na mesma noite, Angor recebeu os registros do clã enviados por Leonrick.

Esses arquivos continham todos os segredos registrados pelo Clã Grifos nos últimos 800 anos. A princípio, Angor pretendia procurar algo relacionado a magos. Mas sua atenção logo foi desviada por todo tipo de coisa interessante.

Ler os registros era como ler um romance repleto de dramas comuns. Na verdade, eram melhores do que dramas. Ele achou muitos dos feitos históricos dos Grifos mais emocionantes do que as histórias de ficção que lera antes.

Historicamente, todo o Domínio de Zeal era como um grupo incestuoso e disfuncional, como certos clãs frequentemente mencionados na mitologia grega.

Angor franzia a testa enquanto fazia suas próprias deduções ao ler os registros. Parecia que a atual rainha do Domínio de Zeal, Huey, poderia ser irmã do atual rei, Bayerkhala. No entanto, os livros de história para o público afirmavam que eles não eram parentes — que a rainha era filha de um oficial imperial, enquanto o rei era descendente da realeza. Esse simples fato deu a Angor muito em que pensar, como por exemplo, que tipo de loucura estaria acontecendo na corte.

Havia também negócios obscuros entre vários clãs nobres. Por exemplo, um dos nove principais clãs apoiadores do Domínio de Zeal, o Clã Rodney, tão famosao quanto os Grifos, poderia ter perdido sua verdadeira linhagem seis gerações atrás. Era muito provável que o Clã Rodney de hoje fosse apenas descendente de um caçador, que não tinha mais filhos ou filhas do Rodney original.

Isso porque, sete gerações atrás, o chefe do clã mudou repentinamente sua orientação sexual e perdeu o interesse por mulheres. Ele se apaixonou por um caçador nas montanhas, e o tal caçador teve várias esposas e concubinas, que mais tarde se tornaram os novos membros do Clã Rodney.

Assuntos semelhantes aconteceram repetidas vezes ao longo da história. Angor achou isso repugnante, mas não conseguiu conter sua curiosidade e continuou lendo.

Já era manhã do dia seguinte quando ele terminou de ler os registros.

Ele suspirou ao sentir mais um grande fardo ser removido de sua mente. Ele havia adquirido uma nova compreensão sobre o que era o “mal”. Parecia que o verdadeiro mal vinha dos olhos que fitavam o abismo, e não do abismo em si. Era a humanidade que atraía o verdadeiro mal do abismo.

A humanidade era mais má do que ele imaginava.

Além disso, ele encontrou algo de que realmente precisava nos registros: descrições sobre magia. Trezentos anos atrás, a rainha do Domínio de Zeal estudou assuntos relacionados. A história pública dizia que essa rainha havia desaparecido, mas o registro secreto afirmava que ela deixou o país em busca da imoralidade.

Seu último rastro terminou no Mar Celestial.

Qualquer um poderia chegar ao Mar Celestial viajando para fora através da Baía de Boya. O mar interior que abrigava a Água Grasse era, na verdade, um braço do Mar Celestial.

“Vou investigar aquele lugar se não conseguir nada na reunião sobrenatural do mês que vem.”

A maior parte das informações sobre qualquer coisa sobrenatural vinha dessa rainha em particular. Ela mencionava conceitos como magos e feitiços, que eram praticamente inúteis, provavelmente porque a própria rainha não tinha um conhecimento profundo de magia.

E… isso era tudo o que estava escrito nos registros.

Parecia que os registros compostos por mortais não eram confiáveis, afinal. Mesmo assim, Angor se sentiu muito esclarecido depois de ler as histórias corrompidas, que poderiam lhe ensinar como evitar certos truques e tramas ao encontrar outras pessoas no futuro, mesmo que fossem nobres ou reis.

Ficar acordado a noite toda não o cansou nem um pouco. Ser um Aprendiz de nível 2 fortalecera seu espírito, o que lhe permitia se manter em boas condições por três ou quatro dias sem dormir.

Ele pegou o tablet holográfico e planejou estudar Transmissão de Voz.

Ele conhecia quase todas as teorias necessárias para aprender aquele feitiço. Mas todas as teorias pertenciam ao sistema de conhecimento da Terra, que era diferente do mundo mago. Contudo, Transmissão de Voz era apenas um feitiço de nível 1; ele não precisava de nada muito profissional.

Agora, o que ele precisava era de tempo para trabalhar e estabelecer modelos de feitiços.

Enquanto estudava, Vovó Trusan levava Dodoro diligentemente para passear pela cidade para que ele pudesse relaxar. Dodoro ainda não conseguia falar, mas seus olhos começavam a demonstrar mais inteligência.

Ao meio-dia, quando Angor quase terminou mais uma combinação de dados, alguém bateu à sua porta.

Um jovem, vestindo um traje formal e segurando uma bengala, estava do lado de fora.

Angor ergueu uma sobrancelha ao ver aquela máscara familiar. “Devo dizer que não o esperava. ‘Sombra’ já está aqui?”

Ele verificou a hora e se certificou de que ainda faltava uma semana para a reunião. Mesmo assim, era compreensível se alguém aparecesse antes.

“Não sei quando ele vem. Talvez ele nunca tenha saído de Água Grasse.”, disse o visitante. Ele fez uma leve reverência antes de perguntar: “Posso entrar?”

“Claro.” Angor deu um passo para o lado.

Era o Mágico quem concordara em convidar Angor para o encontro sobrenatural.

Anteriormente, o Mago tentou convidar Angor para se juntar a ele diversas vezes, mas Angor sempre o rejeitava educadamente. O motivo era óbvio: eles compartilhavam sentidos e objetivos diferentes, e Angor não pretendia permanecer nesta cidade mortal por muito tempo.

Foi por isso que o Mago não o visitou novamente por um tempo.

Angor trouxe um copo e o encheu com “Criar Água” antes de entregá-lo ao Mago. “Peço desculpas. Não tenho chá nem vinho, então você terá que beber isto.”

O Mago olhou para a água e sentiu inveja de repente. Ele havia encontrado o legado de alguém por acaso, o que o levou ao mundo dos magos, e nunca conseguiu aprender muitos feitiços. Nem mesmo algo para criar água.

“Então, precisa de alguma coisa hoje?” Angor sentou-se no sofá.

O Mago tomou um gole da água refrescante. Ele estava prestes a falar quando de repente viu a pilha de papéis de rascunho na mesa à sua frente.

Eles mostravam todos os tipos de dados e fórmulas. A única coisa que ele reconheceu foi a Lei de Condução de Samuel, uma expressão relacionada à mana que ele havia lido antes nos livros que encontrara. Mesmo assim, ele ainda não tinha ideia de como usá-la.

E esse era apenas um dos cálculos complicados escritos nos papéis.

Isso significava que… o garoto sentado à sua frente realmente sabia mais sobre magos? Ele era mais forte?

“O que… é isso, se me permite?” O Mago apontou para os papéis.

“Eu estava tentando elaborar um feitiço antes da sua visita.”, respondeu Angor com indiferença.

“Qual feitiço?” O Mago ficou realmente curioso.

Angor sorriu. “Você não está pedindo demais?” Ele usou Mão de Feitiço para juntar os papéis espalhados em um canto e olhou para o Mago novamente.

“Você ainda não respondeu à minha pergunta.”

O Mago praguejou mentalmente enquanto esboçava um sorriso. “Claro que não vim aqui à toa. Sabe, não é fácil encontrar alguém como você. Só quero conversar um pouco.”

“Claro. Mas, novamente, espere pagar algo quando quiser ganhar algo.”

Ao obedecer à “troca equivalente”, Angor não se importava de perder um pouco, contanto que pudesse aprender algo útil. O Mago já o havia apresentado ao encontro sobrenatural, e ele achou razoável pagar algo em troca.

Mas o Mago continuava indo à sua casa pedir feitiços valiosos em troca de algo insignificante. Angor estava ficando irritado com essas trocas injustas. E parecia que estava acontecendo de novo, já que o Mago ainda não havia oferecido nada em troca.

O Mago, por outro lado, tinha uma mentalidade completamente diferente. Esse homem conhecia apenas alguns feitiços comuns e um único feitiço especial, que ele não podia se dar ao luxo de revelar. Agora, ele achava Angor mesquinho demais, em vez de reconhecer sua própria desvantagem no acordo.

“Tudo bem… Vou dizer outra coisa, já que você não queria conversar.” O Mago parecia frustrado.

Angor bufou silenciosamente. O Mago ainda não havia percebido o verdadeiro problema.

“Você me disse da última vez que sairia de Água Grasse em busca de organizações de magos”, disse o Magico.

“Sim.”

“Você visitou Leonrick ontem à noite, não é? O que vocês dois estão aprontando? Você o informou sobre o meu plano?”

Angor tentou não revirar os olhos. “Visitar Leonrick é um problema? Não posso sair e ver alguém como eu quiser?” Angor usou o mesmo tom questionador contra o Mago quando perguntou: “Você está dizendo que eu não posso encontrar alguém só porque ele é seu inimigo?”

Ele conseguiu engolir o final de sua reclamação — E quem você pensa que é?

“Você é diferente!” gritou o Mago.

“O que há de diferente? Sou um humano como qualquer outro.”

O Mago fez uma careta de nojo. “Nós NÃO somos humanos! Nós somos algo além! Somos sobrenaturais! Como mortais imundos podem ficar ao lado de alguém como nós?”

E lá vem de novo…

Angor gemeu impotente. Era por isso que ele não queria interagir muito com o Mago.

Parecia que aquele homem havia perdido a esperança na humanidade. Para o Mago, os humanos estavam errados. O mundo inteiro estava errado.

Qualquer mago em sã consciência não negaria o fato de que um dia também foram “humanos”.

O Mago só havia aprendido alguns feitiços. Bastariam vários mortais adultos capazes para derrotá-lo. Mas ele acabara de fazer uma declaração extrema, com a qual a maioria dos magos de verdade discordaria.

Angor manteve a calma. “Experimente isso quando você abandonar seu corpo humano, sua alma, e extinguir o espírito do homem nas profundezas da sua mente. Talvez então você soe mais convincente.”

O mago revelou um olhar frio.

“Claro, mal posso esperar para que isso aconteça.”

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