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Chrysalis – Capítulo 116

Corpo de Ferro, Coração de Chamas

Donnelan estava exausto. O jovem mago de fogo se exauriu repetidamente nas últimas vinte e quatro horas, expelindo cada grama de esforço mental até sua mente parecer estar em chamas e sangue começar a vazar dos olhos. 

Sangue! Pelos olhos! 

Quando ele se voltou para o Centurião encarregado de sua unidade para indicar a angústia em que se encontrava, tudo o que conseguiu foi um bufo frio de desprezo e cinco minutos de descanso. Ele passou seus cinco minutos com a cabeça em um balde de água gelada na tenda médica, antes de escalar a muralha para terminar os últimos trinta minutos de seu turno. 

Esta foi a primeira vez que Donnelan se envolveu na defesa de uma onda, então ele não tinha certeza se o que tinha visto era normal ou não, mas o que ele testemunhou no último dia abalou sua impressão da Masmorra para sempre. 

Ele sabia que a Legião era rígida, realmente rígida, no gerenciamento da Masmorra. Os mercenários tinham um apelido para as regras da Legião, eles as chamavam de ‘Lei da Pedra’, inquebrável e esmagadora como uma montanha. 

Donnelan sentia alguma simpatia por essa opinião no passado. A Masmorra era perigosa com certeza, mas não era tanto assim, idiotas se matavam explorando-a, mas idiotas podiam se matar fazendo a barba, havia realmente a necessidade dessas regras? 

O mago já não se sentia do mesmo jeito agora. Quando a luz voltou, a Legião estava com força total na muralha de seu forte temporário, com oficiais subindo e descendo como demônios furiosos, verificando o equipamento e emitindo sinais irritados com as mãos para qualquer Legionário que parecesse estar devagar em seus preparativos. 

Quando os monstros começaram a explodir do chão, rompendo as paredes e até mesmo caindo do alto, Donnelan teve certeza de que estava tendo uma visão do inferno. O combate brutal estourou em todos os lugares em um instante, o fedor de sangue e os gritos de monstro inundaram seus sentidos até que ele quis vomitar. Vários Aprendizes haviam vomitado de cima da borda da muralha. Os Centuriões fizeram vista grossa à reação de seus soldados mais jovens, alguns deles já estiveram na mesma posição uma vez. 

As ondas infinitas de monstros se chocaram umas com as outras como um mar agitado, antes de convergir para o forte. Nenhum dos Legionários poderia explicar isso, mas uma vez que os monstros se aproximaram o suficiente do forte, eles pareceram atraídos por ele de forma irresistível, atacando de forma suicida em uma tentativa de escalar as muralhas ou abrir caminho através delas. 

Não demorou muito para que o forte fosse cercado por tantos monstros que parecia uma ilha sendo atacada por marés intermináveis. 

A única razão pela qual os monstros não surgiram diretamente sob seus pés foi devido à implantação de um antigo artefato da Legião que suprimia o ressurgimento de monstros em uma área no centro do acampamento. Este era outro dos segredos da Legião ao qual Donnelan tinha sido exposto ao longo da expedição, ele não tinha certeza de quanto mais eles escondiam nas mangas. 

Era chocante para ele ter sido Aprendiz ao lado dessas pessoas por cinco anos e nem um sussurro de segredos chegar a seus ouvidos, nada! 

“Como você está Don?” Uma voz exausta o alcançou. 

Donnellan olhou para cima para ver Mirryn, com o rosto coberto de poeira e se aproximando de sua posição na área de descanso, antes de cair contra o poste de uma tenda, aparentemente sem energia. 

Mirryn estava trabalhando tão duro quanto ele, levando suas habilidades de arco e flecha ao extremo a fim de acabar com os monstros de longo alcance, bem como tampar todas as lacunas quando eles conseguiam escalar as muralhas e ameaçar os magos. 

No fundo, o rugido de monstros e explosões regulares abalavam o forte enquanto os magos continuavam a bombardeá-los com cada grama de magia que podiam utilizar. Donnelan nunca sentiu uma mana tão densa em sua vida, cada mago sentia como se seus feitiços estivessem super carregados nessas condições, com o fogo mais quente, as tempestades maiores e o gelo mais frio do que nunca. 

O mesmo também era verdade para os monstros, é claro. Daí todo o barulho. 

O barulho constante estava começando a afetar a mente de alguns Aprendizes. Donnelan tinha visto outro arqueiro, um cara legal que chamavam de ‘Dedos’, devido aos seus dedos extremamente hábeis no arco e flecha, após cerca de 14 horas de onda, desabar trêmulo e gritando para que o barulho parasse, bem no meio da área de descanso. 

Dois médicos o nocautearam com uma runa, jogando-o na cama onde ele estava desde então. 

Foi quase o suficiente para fazer Donnelan se perguntar se ele mesmo deveria começar a gritar, talvez então ele dormiria um pouco! 

“Nunca estive melhor, Mir” – Donnelan falou lentamente – “Estou praticamente em férias”. 

Mirryn deu uma risadinha, com os olhos fechados e a cabeça apoiada no poste. “Eu ouvi sobre a coisa do olho. Sério que deram só cinco minutos?” 

“Sério”, afirmou Donnelan. 

Sua amiga só conseguiu balançar a cabeça em descrença, muito cansada para qualquer expressão maior do que essa. 

Depois de uma pausa, ela falou novamente. “Posso ter boas notícias para você”. 

“Oh?” 

“Aparentemente, os Aprendizes terão um intervalo de vinte e quatro horas antes do nosso próximo turno na muralha”. 

Donnelan ficou tão chocado que se sentou rápido demais, causando uma cãibra na perna. 

“Ai!” 

Demorou alguns minutos para endireitar a perna e esticá-la até que a dor diminuísse, durante o qual Mirryn riu dolorosamente e continuamente. 

“Como eles irão nos dar um descanso? Eles não precisam de nós lá em cima? Não vejo nenhum sinal de que a luta esteja diminuindo…” Donnelan murmurou em dúvida. 

Mirryn bufou: “Na verdade, está só piorando! Você sabe disso tão bem quanto eu. Não tenho ideia do que os chefões estão planejando, mas a Tribuna me deu esta notícia há dez minutos. Eu juro!” 

O jovem mago de fogo só conseguiu balançar a cabeça. Como eles iriam manter as defesas se tantos soldados fizessem uma pausa? 

No centro do acampamento, os oficiais mais graduados se reuniram, com centenas de anos de experiência coletiva em Masmorras reunidos em um só lugar. 

Apesar do barulho horrível que atingia os tímpanos de todos dentro do acampamento, os oficiais estavam imperturbáveis, acariciando suas barbas ou dedilhando o queixo enquanto trocavam resmungos sobre o estado dos jovens soldados nos dias de hoje. 

Houve uma agitação entre eles que logo os fez se voltarem para a esquerda como uma unidade, com a conversa desaparecendo. Momentos depois, Tito emergiu de sua tenda de comando, com placas escuras de armadura amarradas a seu corpo envelhecido, mas ainda volumoso. 

Enquanto ele se aproximava de seus velhos amigos e camaradas, Tito sorriu livremente, batendo-lhes nos ombros, compartilhando uma risada e um caloroso aceno de cabeça com cada um deles. Apesar da batalha violenta ocorrendo a menos de cem metros de distância, o Comandante parecia mais relaxado do que há algum tempo. 

Vários de seus oficiais perceberam essa mudança. 

“Quase se sente em casa agora, não é Comandante?” Sorriu um Centurião grisalho. 

Tito olhou para a floresta deslumbrantemente brilhante e puxou o ar profundamente para os pulmões, atraindo o rico mana para seu sistema. 

“Quase Margnus, cerca de outros 10% e quase terei essa sensação.” 

Os outros respiraram profundamente antes de concordarem com a cabeça. Não apenas o Comandante, mas o restante desses veteranos parecia igualmente mais revigorados e se movendo com mais facilidade do que em anos. 

Margnus olhou de volta para a tenda de onde Tito emergiu antes de falar, “Teve sorte em acordá-lo Comandante? Adoraria vê-lo em ação novamente depois de todo esse tempo.” 

Tito apenas balançou a cabeça. “Vai ser preciso muito mais do que 10% para fazer aquele velho machado de batalha funcionar!” Tito riu. “Ainda assim, eu acho que se conseguirmos sacudir nossos ossos velhos, o resto dos soldados poderá descansar fácil por um dia, o que vocês acham, rapazes?” 

Os homens e mulheres, que constituíam os oficiais do quartel-general da superfície de Liria, riram e ergueram as armas, antes de se moverem em direção às muralhas. Apenas Tito e Aurillia ficaram para trás. 

“Quanto falta para começarem a aparecer, comandante? Os Aprendizes estarão prontos?” A Tribuna perguntou, com uma preocupação clara em seu tom. 

Tito apenas sorriu. “Aqueles cachorros velhos já devem ter começado a subir há algumas horas atrás, a pressão no segundo nível estará atingindo o ápice em breve. Não demorará muito até que aqueles monstros comecem a empurrar cada vez mais coisas aqui para cima. Daremos o máximo de descanso que pudermos aos soldados, mas por enquanto, vamos realmente testar sua coragem.” 

A Tribuna assentiu. “Corpo de Ferro”. 

“Coração de Chamas”. 

 

 


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