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Circle of Inevitability – Capítulo 130

Rastreamento

Lumian reconheceu muito bem as ações de Margot.

Ele teria feito o mesmo!

Então, ele se lembrou de Aurore mencionando que Beyonders do caminho do Caçador eram relativamente comuns na República Intis. Lumian suspeitava que Margot também pudesse ser uma Beyonder do caminho do Caçador, mas não conseguiu determinar sua Sequência.

“Um chefe da máfia não teria uma Sequência alta, a menos que necessário… Se Margot for realmente um Beyonder do caminho do Caçador, ele não deveria ultrapassar a Sequência 7. Além disso, a probabilidade de ele ser um Piromaníaco é pequena. Leah e Valentine, apenas na Sequência 7, já são considerados investigadores de elite. Poderiam eles ser inferiores a um bandido de alto escalão que patrulha o território, rapta mulheres e intimida prostitutas?” Lumian ponderou silenciosamente enquanto recuava e desviava o olhar.

Embora parecesse improvável que Margot tivesse alcançado ou mesmo ultrapassado a Sequência 7, Lumian não ousou ser descuidado.

E se o título da Sequência superior fosse algo como ‘Canalha’, o que exigia que ele agisse como tal?

E se o Poison Spur Mob1 fosse mais complexo do que parecia, apenas uma extensão de uma organização secreta ou culto sombrio com amplos recursos, evitando deliberadamente a ostentação para escapar da investigação?

As chances eram mínimas, mas na falta de informações e conhecimentos místicos relevantes, Lumian teve que permanecer vigilante. Ele não conseguia eliminar as possibilidades nem avaliar sua probabilidade.

No corredor do segundo andar, o homem suspeito de ser Margot — vestido com camisa vermelha e colete preto e com as mãos nos bolsos — virou-se para seus três subordinados.

Franzindo ligeiramente a testa, ele parecia confuso e levemente descontente com o contato desnecessário deles com a colônia.

Ele olhou para o chão e cheirou.

A colônia não estava confinada à escada; levava descaradamente ao Quarto 207. Além disso, o degrau inferior apresentava marcas recentes de ter sido atingido por um objeto pequeno e leve.

Num instante, o homem que se presume ser Margot reconstruiu a cena na sua mente com base nas pistas ambientais: o inquilino do quarto 207 pode ter ido ao banheiro ou a um vizinho. Na volta, pretendia aplicar colônia, mas deixou cair o frasco na escada. Em seguida, espalhou a colônia pelo corpo, deixando apenas leves traços.

Isto era consistente com a mentalidade dos inquilinos do hotel.

O homem que se pensava ser Margot rejeitou suas suspeitas e instruiu seus três subordinados: — Lembrem-se de trocar os sapatos quando retornarem à Salle de Gristmill2.

— Tudo bem, chefe, — o trio respondeu quase em uníssono.

Não foi surpreendente; eles eram frequentemente solicitados a fazer algo semelhante.

“Salle de Gristmill…” Do quarto 207, Lumian ouviu a conversa e ficou cada vez mais certo de que o homem suspeito de ser Margot era um Beyonder do caminho do Caçador. Depois de conversar com Charlie naquela manhã, ele passeou pelo bairro Le Marché du Quartier du Gentleman, conversando com vendedores e clientes de bares. Ele descobriu que o Salle de Gristmill na Rue Anarchie Nº 3 era uma das fortalezas do Poison Spur Mob.

Somente quando Margot e seus comparsas chegaram ao fundo é que Lumian colocou seu chapéu de abas largas e saiu vagarosamente do quarto. Ele deixou um rastro do cheiro persistente de colônia, aventurando-se mais fundo na rua.

Sete ou oito minutos depois, ele chegou ao Salle de Gristmill. O leve odor de colônia barata confirmou que Margot e seus subordinados haviam retornado.

Salle de Gristmill não tinha a grande estátua e as inscrições do Salle de Bal Brise. Ocupava apenas uma parte da rua e apresentava uma recepção em tons dourados.

Lâmpadas a gás envoltas em tampas de vidro e barras pretas cruzadas em quatro pilares de pedra que iluminavam o hall de entrada dissipavam a escuridão da noite.

Naquele momento, o salão de dança fervilhava de atividade. Lumian ouviu cantos, risadas estridentes e dedilhados de instrumentos antes de entrar.

O layout lembrava o Salle de Bal Brise, com uma pista de dança no centro cercada por pequenas mesas e cadeiras redondas. Uma plataforma baixa de madeira na frente segurava uma mulher sensual.

Vestida com um provocante top branco curto, a fileira de laços do sutiã era claramente visível. Uma pinta preta adornava seus lábios e seu cabelo amarelo-acastanhado estava preso em um coque. Sua maquiagem enfatizava seus grandes e profundos olhos azuis, criando um fascínio sedutor e decadente.

Cantando baixinho, ela ocasionalmente chutava a perna direita. Sua saia fofa de cor creme na altura do joelho atraia os clientes a tentar espiar por baixo dela.

— O médico consultor tem um ar sedutor, 

— Ele primeiro se prepara arregaçando as mangas com cuidado, 

— Isso me leva de volta ao meu romance inicial, 

— Mas este excelente médico, ele se destaca com apenas um olhar, 

— Ele localiza o ponto ideal com tanta delicadeza e velocidade, 

— Discernidor, meu amor, seu toque é realmente habilidoso.

Em meio à performance sugestiva e cativante, Lumian se aproximou do balcão do bar e perguntou ao barman: — O que tem para comer?

O barman sorriu e perguntou: — Que tal o Rouen Meatloaf3? Ou você prefere pratos comuns como salsichas, pão e carne defumada?

Lumian, já ciente da predileção dos Trienenses por bolo de carne, assentiu. — Sim, duas porções de Rouen Meatloaf.

— E um copo de ponche de maçã? Pode neutralizar o sabor rico do bolo de carne. — O barman percebeu que era um cliente generoso quando Lumian não perguntou o preço e sugeriu uma bebida um pouco mais cara.

Punch era um coquetel de suco de frutas. Lumian sorriu. — Claro.

Com quase 200 verl d’or restantes, Lumian não precisava ser excessivamente frugal com sua comida e bebida. De qualquer forma, a economia não seria suficiente para cobrir o pagamento pendente do corretor de informações Anthony Reid.

— 3 licks para cada Rouen Meatloaf e 12 licks para o ponche de maçã, — o barman rapidamente citou o preço.

Lumian assentiu e tirou uma moeda de prata verl d’or, adornada com um pequeno anjo em relevo e uma linha difusa na superfície, jogando-a para o barman.

Depois de embolsar as duas moedas de bronze de 5 coppets como troco, ele esperou pacientemente.

A essa altura, a cantora no palco havia terminado sua apresentação e a banda tocou uma batida levemente intensa.

Os clientes lotavam a pista de dança, movendo-se ao ritmo, liberando a pressão, o cansaço e a dor do dia.

Um homem sentado próximo sorriu para seu companheiro e disse: — Eu amo muito esta atmosfera. Eu me pergunto quem inventou esse tipo de dança giratória. É muito mais atraente do que a velha quadrilha! Você pode imaginar? Muitas vezes eu tinha uma parceira em meus braços, apenas para esperar séculos pela minha vez de dançar. Meu entusiasmo já teria esfriado.

A quadrilha, ou festejos, envolvia quatro homens e mulheres formando uma praça e dançando ao som de um violinista antes de circularem uns aos outros. Outro homem riu e disse: — Ainda prefiro Can-can e Striptease. O Can-can, popular no Quartier de la Princesse Rouge, apresentava chutes altos e aterrissagens divididas como movimentos característicos. Quando as mulheres faziam fila com saias curtas e meias, chutando alto, muitas vezes se seguiam aplausos e moedas no palco.

Claro, era uma dança tecnicamente exigente. Um dançarino habilidoso precisava levantar a perna até a altura do nariz ou perto das orelhas. Lumian absorveu os sons ao redor, ocasionalmente olhando para as escadas onde o cheiro de colônia barata desaparecia. Logo chegaram dois bolos de carne grossos e uma bebida alcoólica transparente e onírica com tampa vermelha e cubos de gelo flutuantes.

Lumian tomou um gole do ponche de maçã, refrescado pela doçura, leve acidez e suavidade do álcool. A frieza do gelo o revigorou.

Ele então mordeu o Rouen Meatloaf, incapaz de resistir à mistura da doçura da massa não fermentada, do sabor da carne picada, do aroma do óleo e do toque de especiarias.

Depois de devorar um bolo de carne inteiro, tomou um gole do ponche de maçã para limpar o paladar. Após o jantar, Lumian segurou sua bebida, ouvindo a garota cantando e observando a multidão na pista de dança.

A atmosfera calorosa parecia afetá-lo enquanto ele ocasionalmente balançava ao ritmo do balcão do bar mal iluminado.

A cada vez, Lumian dava uma olhada rápida nas escadas, monitorando os movimentos de Margot e de seus subordinados. Era meia-noite quando Margot — vestido com uma camisa vermelha, colete de couro e cabelos curtos, verticais e amarelo-claros — desceu as escadas com três bandidos e saiu do Salle de Gristmill.

Ciente de que a outra parte poderia ser um Beyonder do caminho do Caçador, Lumian não o seguiu imediatamente. Ele estava preparado para perdê-los, já que os sapatos de couro da gangue, antes embebidos em colônia barata, haviam sido trocados. Confiar em seu olfato para rastreá-los à distância não era mais uma opção. Ainda assim, nutria alguma esperança. Ele notou que a maioria dos clientes do salão de dança estavam muito absortos e frenéticos, ocasionalmente derramando álcool no chão, criando manchas molhadas desde as escadas até a saída.

Balançando no ritmo, Lumian observou pelo canto do olho que Margot evitava consistentemente o chão úmido. Isso solidificou ainda mais sua crença de que Margot era um Beyonder do caminho do Caçador.

E quanto aos três subordinados de Margot, apesar de suas tentativas de evitar as áreas molhadas, suas habilidades de observação limitadas e a fraca iluminação da lâmpada de parede a gás faziam com que seus pés ou calcanhares ficassem inevitavelmente molhados.

Para quem frequenta bares e salões de dança, era inevitável. Margot ficou entorpecido com isso, não considerando isso um problema ou pensando muito no assunto.

Quase um minuto depois de saírem, Lumian levantou-se do balcão do bar e saiu do Salle de Gristmill.

Com poucos pedestres nas ruas, apenas o canto e os xingamentos ocasionais dos bêbados quebravam o silêncio. Lâmpadas de rua a gás danificadas lutavam contra a luz da lua, fornecendo a iluminação principal.

Uma luz fraca, com o carmesim do céu. As quatro luminárias de parede a gás na entrada do salão de dança permitiram que Lumian identificasse inúmeras pegadas molhadas e desbotadas há muito tempo, enquanto outras estavam frescas.

Três conjuntos de pegadas apareceram próximos e consistentemente ao mesmo tempo. Após uma inspeção mais detalhada, Lumian descobriu um conjunto de pegadas tênues e difíceis de notar, sem nenhuma mancha úmida no caminho. Lumian riu, sussurrando para si mesmo: — Andar constantemente com tolos e vermes só lhe trará danos.


Notas:

[1] Clube da Cobra Venenosa.

[2] Salão de Gristmill.

[3] Em pt-br é Bolo de Carne Rouen, mas eu deixei em inglês mesmo simplesmente pq eu quis.


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