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Damn Reincarnation – Capítulo 239

Lehain (10)

— Desculpa. — Eugene abaixou a cabeça em contrição e não fez nenhum movimento para se defender. Ele estava muito ciente de que, quando Anise estava nesse estado, não adiantava tentar desculpar seu comportamento. Qualquer outra pessoa poderia ter tentado oferecer algumas justificativas fracas, mas Eugene sabia que era melhor nem tentar. Em vez disso, ele sabia que sua única opção era se desculpar imediatamente e sem reservas.

A voz de Anise estava cheia de incredulidade quando ela perguntou a Eugene:

— Você ao menos compreende o que fez de errado?

Apesar das três curvas distintas em seu rosto, os cantos dos lábios voltados para cima e as rugas que eram seus olhos, uma aura inconfundível de ameaça emanava dela. Eugene não pôde deixar de tremer de medo, embora não pudesse ver seus olhos claramente, que se estreitaram em forma de meia-lua. Ele estava intimamente familiarizado com o olhar gélido e penetrante que se escondia por trás daquelas pálpebras semicerradas.

— Ehem… — Moron pigarreou de repente, sem nenhuma razão particular a não ser para quebrar a tensão na sala. Como homem e guerreiro, ele sentiu a obrigação de vir em defesa de Eugene e aplacar a ira de Anise. Mas assim que Anise voltou seu olhar radiante para ele, com uma leve inclinação de cabeça, Moron se viu prendendo a respiração, sem saber o que dizer a seguir.

Moron suportou todo o impacto da ira de Anise por muito mais tempo do que Hamel três séculos atrás. Ou melhor, era mais correto dizer que Anise suportou o maior sofrimento por causa da imprudência de Moron. Toda vez que Moron avançava como um bufão ignorante, sem se importar com o perigo atrás dele, Anise era compelida a seguir seus passos, enquanto soltava uma torrente de xingamentos que poderia fazer até mesmo o guerreiro mais endurecido recuar. Sempre que Moron empunhava seu machado e martelo descontroladamente, Anise não tinha escolha a não ser executar imediatamente suas habilidades milagrosas de cura para curar os ferimentos dele.

A notável bravura e o destemor inabalável de Moron permitiram que ele liderasse inúmeras batalhas para triunfar. No entanto, foi apenas através dos repetidos atos de intervenção divina de Anise que Moron conseguiu sobreviver a cada batalha, sempre lutando na linha de frente. As habilidades milagrosas dela impediram Moron de sofrer ferimentos fatais ou ficar permanentemente incapacitado, permitindo que ele continuasse lutando e liderando suas tropas à vitória.

Sempre que a dor de seus estigmas, frustração e raiva atingiam seu auge, Anise liberava suas emoções sem restrições, direcionando sua barragem letal quase exclusivamente para Moron e Hamel. Apesar disso, Moron sentiu uma alegria ao ver Anise finalmente desabafar suas emoções depois de tanto tempo. No entanto, não se aproximou dela com um sorriso ou tentou abraçá-la, embora fosse conhecido por sua idiotice. Ele teve bom senso para saber que não era melhor provocá-la ainda mais.

Moron desviou o olhar, ainda prendendo a respiração, e permaneceu em silêncio. Era uma declaração tácita de que não queria fazer parte da situação em curso. Eugene não pôde deixar de sentir uma sensação de decepção e traição pela falta de apoio de Moron.

“Você não deveria ter tentado intervir em primeiro lugar. Por que a provocou ainda mais limpando a garganta? Seu idiota patético.” Eugene repreendeu Moron mentalmente.

Eugene hesitou, imaginando se deveria ir tão longe quanto ficar de joelhos para apaziguar a raiva de Anise. Ele lançou um rápido olhar para ela, e a visão de sua expressão furiosa o deixou ainda mais incerto. Os três estavam parados no andar mais alto da torre, onde os ventos gelados do campo de neve sopravam das janelas e paredes quebradas, aumentando a atmosfera tensa.

Moron era o responsável pelo frio gelado que enchia o ar. Quando o Rei Demônio do Encarceramento invadiu a fortaleza, Moron avançou contra ele quebrando as janelas e paredes, o que acabou causando os ventos gelados do campo de neve que encheram a sala.

Eugene estava intimamente preocupado com as consequências de seu ataque a Gavid Lindman. No entanto, Gavid acabou deixando a fortaleza com a Névoa Negra. Enquanto isso, Anise desempenhou seu papel fingindo receber uma mensagem divina, enquanto o Papa de Yuras reconheceu a Espada Sagrada e a suposta mensagem divina. Moron também mostrou seu apoio às ações de Eugene dando um tapinha em seu ombro e o abraçando.

Graças à ajuda deles, as outras pessoas não puderam questionar as ações repentinas e inesperadas de Eugene. Embora o Imperador de Kiehl parecesse absolutamente não convencido, ele não podia mais pressionar Eugene quando até mesmo seu cavaleiro guardião, Alchester Dragonic, também se aproximou para proteger o jovem Lionheart.

“A julgar pelos olhos daquele desgraçado, ele definitivamente vai encontrar algo para me questionar. Bem, por enquanto não é da minha conta…” Eugene fez alguns cálculos mentais rápidos para avaliar a situação.

Não apenas o imperador de Kiehl, mas também o sultão de Nahama expressaram sua insatisfação com Eugene, olhando para ele abertamente. Não era nenhuma surpresa, visto que Amelia Merwin, uma das Três Magas do Encarceramento, estava abertamente em conluio com o Sultão. O diretor da Aliança Anti-Demônios e o Rei de Shimuin também estavam encarando Eugene com olhares intensos, mas ele não tinha como saber quais eram suas intenções.

Anise inclinou a cabeça levemente e voltou seu olhar para Eugene, seus olhos ainda escondidos por trás de um sorriso. Sua voz era suave e curiosa quando ela falou.

— No que você está pensando?

De repente, seu sorriso desapareceu e seus olhos se abriram ligeiramente, revelando um olhar frio e assustador que fez Eugene estremecer. Era ainda mais assustador do que lembrava. Ele prendeu a respiração, incapaz de encontrar uma resposta apropriada, sentindo-se sob intenso escrutínio.

— Hamel. Por que eu deveria sofrer por causa de seus atos imprudentes, omissos e idiotas? — Continuou Anise.

— Sinto muito. — Repetiu Eugene.

— Por que você está se desculpando? Realmente sabe o que fez de errado? Hamel, sei que você não está sinceramente arrependido de suas ações. Você e eu nos conhecemos há muito tempo, e eu o conheço melhor do que você imagina. — Disse Anise.

— Sinto muito. — Repetiu Eugene.

— Então o que você fez de errado? — Perguntou Anise.

— O ataque a Gavid… — Murmurou Eugene.

— Explique-me o porquê isso estava errado. — Disse Anise.

Eugene sabia no fundo o porquê havia atacado Gavid Lindman, mas expressar isso em palavras provou ser uma tarefa árdua. Enquanto hesitava, Anise soltou um bufo e zombou dele.

— Você nem consegue articular o motivo do seu ataque, não é? — Ela disse com uma inclinação de cabeça. — É porque suas ações foram movidas por pura emoção, Hamel. É por isso que você não consegue explicar coerentemente a ninguém o motivo por trás de suas ações.

— Aquele maldito estava pedindo por isso. — Retorquiu Eugene.

— Hamel! Você está pedindo uma surra agora mesmo com o que está falando. — Disse Anise.

— Não é um pouco inapropriado você dizer algo assim? Você é muito educada, ao contrário de mim, então deveri—

Enquanto Eugene tropeçava em suas palavras, tentando expressar sua desaprovação, o ataque repentino de Anise o pegou desprevenido. Antes mesmo que ele pudesse terminar a frase, a arma dela, o mangual com um perigoso acessório de adamante, se lançou contra ele com força mortal. Ameaçou abrir o crânio de Eugene.

— Por que você está desviando?! — Gritou Anise.

— Eu vou morrer se for atingido! — Eugene gritou de volta.

— Não seja um bebê. Eu sei muito bem que seu corpo atual é muito mais saudável e robusto do que o corpo frágil de sua vida anterior. — Respondeu Anise.

— Hamel não era frágil. — Interrompeu Moron de repente.

— Moron, cale a boca. E o que não havia de frágil nele? Hamel sangrava e desmaiava em um piscar de olhos, tornando a vida difícil para mim. — Disse Anise.

— Hamel se esforçou até ficar em tal condição. Hamel foi um grande guerreiro. — Retorquiu Moron.

— Apenas cale a boca. — Anise olhou com fogo em seus olhos, e Moron obediente e silenciosamente fechou os lábios. — Hamel. Eu sei que não era incomum você agir tão emocionalmente antes, então eu podia só relevar. Não tinha problema você agir assim trezentos anos atrás. Se eu fosse dizer merda assim—

— Dizer merda assim… Isso não é um pouco… — Interrompeu Eugene.

— Pare de me cortar, a menos que você realmente queira morrer. — Disse Anise.

— Sinto muito. — Disse Eugene.

Anise pigarreou e continuou:

— De qualquer forma… Para ser honesta, trezentos anos atrás, tínhamos Sir Vermouth, mesmo que você tivesse morrido.

Os lábios de Eugene se curvaram em uma carranca com suas palavras. Ele não pôde deixar de sentir uma pontada de angústia. Mesmo que fosse verdade, não era doloroso dizer essas coisas diretamente na cara dele?

— Tínhamos Sir Vermouth, então não tinha problema você agir de forma imprudente com moderação. Mesmo se tivesse problemas enquanto brincava, tínhamos Sir Vermouth para cuidar disso. Bem, eu também estava lá, assim como Sienna e Moron. Mas você não pode continuar se comportando assim. Hamel, pensei ter te contado da última vez. Nesta época, você deve ser como Sir Vermouth. — Explicou Anise.

— Você é tão má. — Resmungou Eugene.

— Acho que seu comportamento impensado é ainda pior! E se Gavid Lindman fosse contra a vontade do Rei Demônio do Encarceramento e tentasse matá-lo? — Perguntou Anise.

— Ele é uma criança que se orgulha de ser um cavaleiro e a Lâmina do Encarceramento. Nunca faria isso. — Retorquiu Eugene.

Anise girou seu mangual acima da cabeça enquanto falava.

— Isso é algo sobre o qual nunca podemos ter certeza. — Disse ela. — Então, me diga, o que você ganhou atacando Gavid? — O adamante brilhou com uma luz perigosa, e Eugene engoliu em seco, nunca permitindo que seus olhos perdessem a trajetória da arma mortal.

— Ganhei confiança em muitas coisas. Em primeiro lugar, Gavid e o Rei Demônio do Encarceramento nunca irão interferir no que eu faço, a menos que eu vá para Babel. O Rei Demônio do Encarceramento não vai sair de Babel para me esmagar, nem vai me forçar a ir para Babel usando Gavid. — Disse Eugene.

— Mas não era sua intenção descobrir isso no começo, não é? — Disse Anise.

— Não, bem, Anise, você viu aquele desgraçado ajoelhado no chão, certo? Há algo sobre como seu cabelo oleoso e angular refletia a luz. Só de olhar me deu vontade de dar um bom chute… Mas pensei que cortá-lo com uma espada seria melhor do que chutá-lo… — Explicou Eugene.

— Então foi por causa de suas emoções no final! Hamel! Qual é a diferença entre um homem que não consegue controlar seus impulsos e uma prostituta? — Rosnou Anise.

— Agora você está me chamando e me tratando como um merda… — Resmungou Eugene.

Os lábios de Anise se curvaram em um sorriso fino, sua voz suave e inabalável.

— Não, Hamel. Você não é um merda. Está apenas um degrau acima disso. — Ela gesticulou com as mãos, acenando para Eugene se juntar a ela em oração. Suas mãos estavam cruzadas na frente do peito e ela fechou os olhos com uma expressão piedosa. — Vamos orar juntos, certo? Arrependa-se de seu erro e prometa-me que não agirá de acordo com suas emoções novamente. Repita comigo: A partir deste momento, prometo nunca agir de forma imprudente assim e juro nunca incomodar minha amada Anise.

[Irmã!] Kristina protestou.

“Se você quiser, vou pedir para ele adicionar seu nome também”, prometeu Anise.

[E-Eu não quero tal coisa.]

“Sério? Você realmente não quer isso? Kristina Rogeris, aquela que engana a si mesma não pode obter a salvação pela Luz e ascender ao céu.”

[Eu já fui salva, então está tudo bem.]

“Isso é mesmo verdade? Kristina, sua salvação é tão escassa que você ficaria satisfeita em simplesmente assistir aos fogos de artifício com Hamel? Bem, não é o mesmo para mim. Sou gananciosa, então só vou pensar que fui salva depois de escrever uma nova história com Eugene, coisas que você não fez com ele.”

[Irmã! O que você está dizendo é muito diferente do que disse antes.] Kristina gritou, mas Anise não respondeu.

— Preciso mesmo incluir a parte do ‘amada’? — Perguntou Eugene.

— Não se preocupe se você tem tanto ódio e ressentimento por mim. — Respondeu Anise.

— Adoro a Anise e o Hamel. — Exclamou Moron.

— Se você abrir a boca mais uma vez, eu juro…! — Rosnou Anise.

— Anise, me diga a verdade. Você está mais chateada com a forma como se envergonhou na frente dos outros do que preocupada comigo, certo? — Perguntou Eugene.

— Você já sabe a resposta, então por que se dá ao trabalho de me perguntar, Hamel? Tenho mais de trezentos anos e, no entanto, por sua causa, tive que passar por tantos problemas, abrir minhas asas, dançar e até arrancar meus cabelos de frustração. Você estava ocupado demais brigando com Gavid para perceber, mas a maneira como os sacerdotes de Yuras me trataram… Você tem alguma ideia de como aquelas crianças, que uma vez me reverenciaram como a Santa e seguiram cada palavra e ação minha, olhavam para mim? Você sabe que tipo de expressão eles tinham em seus rostos? — O pensamento por si só fez o rosto de Anise corar de calor, fazendo com que suas bochechas parecessem estar pegando fogo. Ela rapidamente levantou as mãos para cobrir o rosto, juntando-as em oração.

Eugene concordou sem uma palavra com a declaração de Anise, juntando as mãos na frente do peito. Ao considerar a situação, ele percebeu que Anise havia ido longe demais. Também era verdade que ele havia atacado Gavid sem nenhum aviso prévio.

Eugene recitou:

— ‘A partir deste momento, prometo nunca agir de forma imprudente assim e juro nunca incomodar minha… A-Amada Anise.’

— Você disse amada duas vezes. Isso significa que você me ama duas vezes mais? Ou está sugerindo que ama Kristina igualmente? Ela está ouvindo dentro de mim. — Disse Anise.

— Apenas gaguejei… — Respondeu Eugene.

— Hamel, você parece ter se arrependido sinceramente, então eu também perdoarei meu amado Hamel. — Disse Anise com um sorriso satisfeito antes de largar o mangual.

Emergindo debaixo de seu manto, Mer murmurou baixinho:

— Sir Eugene não passa de um maldito infiel. — Seus olhos opacos e sem vida estavam fixos em Eugene, fazendo com que um forte sentimento de culpa tomasse conta dele. — Vou me lembrar de tudo. Um dia, quando a Senhorita Sienna for libertada de seu selo, farei questão de contar a ela tudo o que ouvi e vivi.

— Faça como quiser. Se Sienna tiver consciência, ela não vai me culpar. — Disse Anise.

— Por que ela não culparia você? — Disse Mer.

Anise deu uma risada sarcástica em resposta à pergunta de Mer.

— Por que Sienna não me culparia? — Ela repetiu. — Pense nisso, criança. É bem óbvio, não é? Sienna pode ter se ferido, mas sobreviveu. Ela está selada, sim, mas ainda está respirando. Mas e eu? Meu corpo foi quebrado, meus ossos viraram pó e minha carne foi reduzida a fertilizante para a próxima geração de Anises… — Ela colocou uma expressão taciturna enquanto falava sobre seu passado terrível. Os lábios de Mer se abriram e fecharam repetidamente, uma indicação silenciosa de sua incapacidade de formar uma resposta.

— Como minha residência atual está dentro de Kristina, com quem sou compatível de várias maneiras, não se pode negar que não passo de um espírito insatisfeito. Sou como uma vela tremeluzindo ao vento, sujeita a desaparecer a qualquer momento. Além disso, se Kristina me rejeitar por causa de sua relutância em aceitar minha existência…

[Irmã, irmã! Eu nunca faria algo assim. Então, por favor, não diga algo tão triste.] Kristina interveio com um grito.

Anise gostou secretamente dos gritos de Kristina.

— Eu… Assim como quando tirei minha vida no passado, desaparecerei em vão sem ter conseguido nada do que esperava. Mesmo assim, não vou culpar ninguém. Nem você, Mer Merdein, que me tratou como uma gata ladra, nem Sienna, que pode criticar meus atos, nem você, Hamel, por não se apegar a mim. Assim como o solo retorna à terra e o pó ao pó, retornarei ao solo e ao pó e rezarei pela felicidade e pelo descanso confortável daqueles que amei no céu. — Disse Anise antes de fazer uma pausa deliberada. Ela respirou fundo e deu o sorriso mais benevolente que conseguiu. — Mesmo que eu não passe de um leve lembrete, um fantasma, amo todos vocês.

Grandes gotas se formaram nos olhos de Moron, e Mer fungou também. Até Eugene se aproximou de Anise com uma expressão triste e estendeu os braços antes de tomá-la em seus braços. Mer também saiu do manto e se juntou ao abraço.

— Desculpe. A Senhorita Anise pode ser má, mas você ainda é uma boa pessoa. Eu também… Amo você, Senhorita Anise. — Disse Mer.

— Eu também amo a Anise. — Moron pegou Eugene, Anise e Mer em seus braços enquanto chorava. Anise deu um sorriso satisfeito, imprensada entre as pessoas que amava.

* * *

No dia seguinte, Eugene acordou no quarto da mansão que lhe foi alocado. A discussão com Anise, ou melhor, Kristina e Moron persistiu até de madrugada, mas ninguém levantou uma sobrancelha. Afinal, era perfeitamente normal para o Corajoso Moron, o lendário herói que havia confrontado os Reis Demônios três séculos atrás, aconselhar o atual Herói e Santa. Nada parecia fora do lugar.

Além disso, apesar de não ter descansado, Moron estendeu um convite a todos os membros da família Lionheart desde o raiar do dia. Seu propósito era dar orientação e oferecer palavras de bênção aos herdeiros do Grande Vermouth.

“Espero que aquele idiota não diga nada fora do lugar…”

Moron havia sido avisado desde o amanhecer. Muitas pessoas não sabiam que Eugene era a reencarnação de Hamel, então Moron deveria tomar cuidado com o que diria.

Gavid Lindman e a Névoa Negra não haviam retornado desde sua partida na noite anterior. Moron sentiu uma sensação de mal-estar crescendo dentro dele. Como havia mencionado no portão, não pôde deixar de ponderar se Gavid estava arquitetando algum tipo de esquema no vasto campo de neve. No entanto, Eugene estava convencido de que Gavid não era capaz de tal traição. Apesar de sua saída vergonhosa anterior, Eugene acreditava que Gavid era um indivíduo orgulhoso e leal ao Rei Demônio do Encarceramento. A ideia dele em busca de vingança era absurda na mente de Eugene. Além disso, ele descartou qualquer preocupação de Gavid lançar um ataque ao forte com a Névoa Negra. Para ele, era uma preocupação desnecessária.

Eugene não pôde conter sua diversão enquanto passeava perto da muralha da fortaleza.

— Oh, que coisa. — Ele riu em vão para si mesmo. Kristina não estava caminhando ao lado dele no momento. Sua lealdade era ao Império Sagrado e, como Bispa da Luz, ela era afiliada ao Pacto Luminoso, como era o caso de todos os bispos. Portanto, ela estava atualmente na companhia deles.

O treinamento estava em andamento fora da fortaleza. Era uma colaboração entre o Exército Mágico de Aroth e os magos pertencentes à Escola de Masmorras de Nahama. Os cavaleiros estavam lutando contra um exército de monstros invocados.

Os cavaleiros engajados na batalha em curso pertenciam à Aliança Anti-Demônios. Atrás deles estavam curandeiros e sacerdotes da Aliança e de Yuras, prontos para cuidar de qualquer ferimento que pudesse surgir. Embora todos estivessem se esforçando ao máximo, isso não impressionou particularmente Eugene. Ele sabia que bestas demoníacas eram oponentes muito mais formidáveis do que monstros comuns. Além disso, os monstros contaminados com energia demoníaca eram significativamente mais cruéis e perigosos do que suas contrapartes não corrompidas. Para Eugene, parecia que o treinamento que receberam apenas arranhava a superfície do que era necessário para lidar com tais ameaças.

Mas não havia como evitar. Como Aman Ruhr havia declarado, o verdadeiro valor da Marcha dos Cavaleiros estava na reunião das figuras mais influentes do continente. Na verdade, até mesmo o Rei Demônio do Encarceramento havia aparecido no dia anterior, o que significava que os reis estavam atualmente ocupados com discussões sobre os preparativos futuros dentro do castelo.

No entanto, deixar os cavaleiros sozinhos durante esse tempo não era uma opção. Portanto, os cavaleiros continuariam com seu treinamento, mesmo que fosse enfadonho e pouco prático. No entanto, eles encontraram alguma satisfação em comparar suas habilidades com as de seus pares, o que lhes deu uma sensação de superioridade. Foi também uma oportunidade para caçar cabeças, já que muitos cavaleiros e mercenários estavam reunidos na Marcha dos Cavaleiros. Alguns mercenários receberiam contratos exclusivos e outros seriam nomeados cavaleiros.

— Você está assistindo a algo muito chato. — O dono da voz se aproximou sem esconder sua presença, e ao perceber a falta de resposta de Eugene, ele falou primeiro.

— Não é tão ruim assim quando se observa por um tempo. — Disse Eugene, virando a cabeça.

Um homem alto estava olhando para Eugene. Era o Comandante dos Doze Melhores de Shimuin, o Primeiro Cavaleiro: Ortus Neumann.


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