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Demon’s Virtue – Capítulo 454

O Lago

Eiro voou até se aproximar do lago. Eles haviam acampado bem perto de onde encontrou as crianças pela primeira vez. Sorriu levemente ao avistar o lugar particularmente familiar. Havia mudado completamente com o passar de oito anos, mas parecia tão familiar que Eiro sempre seria capaz de reconhecê-lo, mesmo se uma casa tivesse sido construída aqui.

Parou no meio da clareira, a qual havia completamente tomada pela vegetação desde então. Mesmo assim, a árvore ainda estava ali. Aquela na qual estava apoiado enquanto segurava Avalin e sua cesta. Então, em um lugar onde agora havia um arbusto grosso, ele viu Arc pela primeira vez. Ele estava incrivelmente assustado, e Eiro provavelmente fez com que sua habilidade subisse de nível algumas vezes.

O Demônio levantou a mão e fez o arbusto definhar. Era como se pudesse ver bem ali; bem ali estava a carruagem. O jovem sacerdote tentou atacá-lo não muito longe de onde estava parado.

Eiro inseriu a mana no chão e procurou pelo buraco em que havia enterrado tudo. Os objetos que procurava logo foram puxados para cima do chão.

Surpreendentemente, a mochila se manteve intacta. Ela não podia mais ser usada de forma adequada, mas era surpreendente que ainda não tivesse apodrecido.

O Demônio pegou a mochila e segurou os objetos que estavam dentro dela.

— Hm… É isso? — murmurou, notando um pequeno caderno. Abriu-o e, embora fosse bastante difícil de ver o conteúdo escrito nas páginas, estando cobertas de sangue, o Demônio conseguiu descobrir algumas coisas.

Apesar de não ser exatamente o que esperava, era semelhante. Este era o caderno mantido pelo sacerdote, muito provavelmente. Ele não escreveu os detalhes exatos que Eiro queria descobrir, mas o Demônio ainda conseguiu encontrar algumas informações. Havia algumas informações escritas sobre as crianças logo no começo. Havia algumas anotações sobre como as habilidades de Leon foram seladas, mas nada específico sobre sua raça.

Bem, descobriu algumas anotações sobre ele ser um Homem-Besta, mas, infelizmente, não havia mais nada específico que isso. Nada sobre o clã a qual Leon pertencia.

— Merda — suspirou Eiro enquanto jogava o livro para lado. — Inútil para caralho — resmungou, enquanto seguia o caminho tomado pela vegetação.

Foi um pouco irritante que não tenha conseguido descobrir com facilidade o clã de Leon, mas ele já havia descoberto os detalhes mais importantes. Por exemplo, que Leon era de um clã carnívoro. Conseguiu descobrir isso através dos caninos afiados que cresceram rapidamente após a queda dos antigos.

Na verdade, foi até um pouco incômodo, já que Leon ficou com dor intensa por vários dias. Ele mal parava de se agarrar em Eiro e acordava no meio da noite, indo até o quarto de Eiro em lágrimas.

Essa maturidade prematura era realmente irritante… e enlouquecedora. Ver Leon assim também deixava Eiro louco. Porém, felizmente, ele ficou bem depois disso e exibiu orgulhosamente aos seus irmãos seus novos dentes super afiados.

Enquanto terminava essa reflexão, o Diabrete finalmente chegou às margens do lago.

— Acho que devo entrar agora, então — murmurou, olhando para seus Espíritos. — Nelli, vamos. E vocês dois, fiquem aqui em cima, este provavelmente ainda é o domínio da antiga Rainha das Náiades. Ela pode ficar assustada ao ver vocês dois — comentou Eiro, e os dois compreenderam.

Colocou sua capa de lado enquanto Nelli fluía para seu peito. Os dois se fundiram, enquanto ele manipulava a armadura para acompanhar a transformação, suportando essa mudança. Eiro descobriu que essa habilidade de fusão elemental continuava a ser aprimorada e, junto com isso, recebia ainda mais habilidades dos seus Espíritos quando fundidos com eles. Por exemplo, quando se fundia com Nelli, Eiro conseguia respirar sob a água. O formado de sua cauda e seus pés mudaram para permitir que nadasse mais rapidamente, acontecendo o mesmo com suas asas. Basicamente, quando se fundia com Nelli, Eiro conseguia viver debaixo d’água se quisesse.

Com um pequeno sorriso no rosto, caminhou direto para o lago. Eiro se certificou de usar magia de terra para limpar a poeira e sujeira na água, garantindo uma visão clara de todo o lago. Dentro dele, em sua parte mais profunda, Eiro e Nelli avistaram uma grande massa de magia concentrada.

— Espera, isso… — murmurou ele, sua voz sendo carregada pela água como se fosse o ar. Parecia uma visão um tanto familiar, embora ainda não tivesse certeza. Bateu suas asas e começou a disparar pela água em alta velocidade. Não demorou para que se aproximasse da massa de magia.

Foi quando Eiro pôde confirmar. Era uma fenda profunda da qual magia pura de água fluía. Era portal que levava ao plano elemental da água. Mas, surpreendentemente, não havia Náiades por perto, embora se esperasse que estivessem próximas de um lugar assim.

Embora, fizesse sentido. Este lugar deveria ser o lar da ‘Náiade Solitária’, afinal, ela não seria tão solitária se tivesse várias outras Náiades com ela.

Como o nome da bênção de Eiro não mudou, imaginou que o estado dela deveria ser mais ou menos o menos daquela época.

Olhou ao redor, tentando encontrar a Náiade, quando de repente ouviu um fluxo irregular à sua direita. Virou-se de imediato e pôde ver uma forma brilhante. Ela era baixa, da altura de uma criança, com uma cauda de sereia na parte inferior do seu corpo. A antiga Rainha dos Náiades se aproximou de Eiro com um sorriso suave.

— Faz um tempo. Estou feliz que você tenha sido capaz de sobreviver àquele ferimento e que tenha se esforçado tanto depois daquilo — disse ela, e o Demônio a olhou com seu próprio sorriso.

— A única razão pelo qual eu consegui sobreviver foi porque você me curou. E, claro, porque você me deu sua bênção.

— Você parecia bastante interessante. Uma criatura irregular como você era bastante merecedora da minha bênção.

— Agradeço por isso — respondeu Eiro com um sorriso genuíno. A Náiade Solitária se aproximou e colocou a mão no peito dele.

— Parece que você também recebeu a bênção da minha querida amiga. Que coincidência você tê-la encontrado.

— Eu sei, certo? Eu tive bastante sorte. E… há mais uma coisa pela qual preciso agradecê-la — declarou Eiro. — Obrigado por me fazer não querer ficar sozinho — disse a ela, e a Náiade Solitária virou a cabeça para o lado.

— Do que você está falando?

— Você sabe o que quero dizer. Sua bênção não apenas aumentou minha afinidade com o elemento água, mas também me fez evitar a ‘solidão’. Você é a razão pela qual consegui me aproximar das minhas crianças — explicou a ela e, com uma leve risada, a antiga Rainha acenou a cabeça.

— Entendo. Estou feliz que você tenha conseguido atender tão bem ao meu desejo.

— Claro. No fim das contas, eu mesmo queria isso — explicou Eiro. Com um sorriso em seu rosto, a Náiade Solitária continuou nadando ao redor dele.

— E vejo que… você também foi abençoado por outro antigo amigo meu. Ele até lhe deu outro presente interessante em sua jornada.

— Você quer dizer o portal espiritual? — perguntou o Diabrete, e a Náiade assentiu.

— Exatamente. Estou surpresa que você seja capaz de mantê-lo dentro de si.

— Ah… Bem, sim, sei que não é particularmente normal. Mas, falando em portais espirituais, você me deixaria-

— Deixar você levar este portal também? — interrompeu ela, e Eiro acenou lentamente com a cabeça.

— Sim, isso mesmo.

— E por que eu deveria fazer isso? Você não compreende que esse portal é a razão ela qual a Capital Sagrada foi construída aqui? Este lugar tem passado por muitos problemas nos últimos anos, você deseja trazer ainda mais ruína a este lugar? — a Náiade questionou Eiro, que olhou para a antiga Rainha com uma expressão sem emoção.

— Certamente não estou aqui para ajudar este lugar. Não me importo com o que acontece com este país. E se me perguntasse se acho que ele deveria continuar como está, ou ser substituído por algo novo a partir das cinzas deste país atual, minha resposta certamente seria a segunda opção — explicou Eiro.

— Então, o que você deseja fazer com o portal?

— Simples. Irei usá-lo para me tornar mais forte — disse o Demônio sem rodeios, enquanto sua voz ecoava pelas águas do lado. A Náiade Solitária para o Diabrete com um sorriso suave no rosto, enquanto Eiro aguardava pela resposta.

…

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