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Demon’s Virtue – Capítulo 460

Marionetes

Zaragon continuou parado, seu traje coberto de respingos de sangue. Com um olhar profundo, acenou uma das suas quatro mãos sobre seu corpo, e o traje imediatamente ficou limpo. Com um estalar de dedos, o sangue cobrindo todo o cômodo também desapareceu dentro de alguns segundos.

— Repugnante. Quem você pensa que é para vir até minha casa e sujá-la com o sangue desses selvagens nojentos? — questionou Zaragon, enquanto olhava para os outros três clientes, que ainda estavam completamente sobrecarregados com a situação.

Com um aceno da mão, suas gargantas foram cortadas e suas cabeças caíram. Mas, na verdade, não caíram no chão, em vez disso, caíram por um buraco que apareceu de repente no chão, junto com seus corpos.

Agora que este lugar estava decentemente pronto e preparado para a batalha, Eiro decidiu que deveria tentar recordar Zaragon sobre quem eram ele e James. Levantou sua mão e retirou algo do ar. Uma Carta dourada e decorada apareceu entre seus dedos, e os dois corações da criatura começaram a palpitar com uma velocidade surreal. Algo que faria qualquer outra pessoa ter um ataque cardíaco.

— Você… você é aquele… aquele Diabrete repugnante?

— Bingo, temos um vencedor! E sua recompensa é absolutamente nada! — exclamou Eiro enquanto fazia a Carta retornar à sua Tesouraria. Ele se virou e puxou James na sua direção. — E eu trouxe alguém comigo, você também deveria ser capaz de se lembrar dele, não é?

—… a criança que fugiu naquela época? Ele pulou pelo buraco gigante na parede, então, infelizmente, era muito incômodo persegui-lo. Que maravilhoso que ele retornou a mim por conta própria — disse Zaragon, embora estivesse claramente tentando se recompor, tendo ficado abalado pela situação.

— Muito incômodo? Você quer dizer que era incapaz de persegui-lo, certo? Eu conheço sua espécie. Vocês estão conectados a um espaço específico por vez, e não podem sair dele. Seu foco está nesta sala, então seu controle é muito maior do que deveria ser, certo? — comentou Eiro, e Zaragon fechou os olhos por um instante. Ele suspirou enquanto colocava as mãos nas costas. Momentos depois, ele desapareceu em fumaça.

Reagindo imediatamente, Eiro empurrou James para o lado e colocou sua cauda na frente de Jess. Logo, sentiu um impacto, quando a mão de Zaragon atingiu sua mão.

— Comecem — disse o Demônio com um tom frio, e Krog brandiu seus machados contra Zaragon. A luta já havia começado, afinal. A criatura transformou parte dos eu corpo em fumaça para desviar do ataque, e Jess ativou o feitiço que preparava em silêncio. Uma forte rajada de vento atingiu Zaragon, e as partes dele que atualmente eram feitas de fumaça foram sopradas e espalhadas pelo quarto.

Antes que Zaragon fosse capaz de reagir apropriadamente ao que está acontecendo, James também o atacou, perfurando com sua adaga na cabeça do inimigo. Claro, Zaragon também transformou essa parte em fumaça.

Porém, neste momento, Eiro estendeu a mão em direção à fumaça antes de transformá-la de volta na carne de Zaragon e comprimir o ar naquele ponto o máximo possível.

Agora, tentavam fazer com que Zaragon usasse o máximo de sua mana. Ele não deveria ser capaz de continuar fazendo isso infinitamente. Apesar disso, como ficou evidente instantes depois, ele realmente não tinha. Uma das suas três mãos que não foram transformadas em fumaça estalou os dedos, e a sala começou a mudar do modo de ‘exibição’ para outro tipo de mercadoria. Estava completamente vazio mais cedo, mas, agora, pilares grossos se erguiam do chão.

Eles começaram a girar em torno do próprio eixo vertical, até que pararam lentamente. Agora, a parte frontal estava aberta, e dentro delas estava algo que parecia que causaria problemas. Eram antigas, provavelmente até ancestrais, mas isso não significava que estavam quebradas. Elas estavam bem- preservadas e provavelmente foram reparadas e aprimoradas através de novos métodos da época atual.

Eram… marionetes. Tinham natureza semelhante ao fantoche com que Eiro treinava, só que treinadas especialmente para serem armas reais. Eram muito mais avançadas do que o fantoche. Elas… eram seres artificiais. Estavam vivas, mas não estavam. Enquanto o fantoche era incapaz de causar qualquer dano real, estas provavelmente eram reconhecidas pelo sistema. Eram armas que se empunhavam sozinhas.

E havia uma dúzia delas, cada uma assumindo uma forma humanoide genérica. Eram altas, com físicos robustos e fortes. Cada uma delas tinha cerca de dois metros de altura, empunhando armas pesadas que certamente feririam ao acertar.

A pior parte, no entanto, era que eram incrivelmente rápidas. As marionetas, feitas de algum tipo de metal que Eiro não reconhecia, correram pela sala e os atacaram num instante. O primeiro a ser atacado, simplesmente por conta da sua posição, era Krog. A marionete que o atacou brandiu uma espada grande e pesada contra ele. Krog balançou seus machados sobre sua cabeça e parou de ataque, sabendo que não seria capaz de desviar não importava o que fizesse. Não tinha velocidade para isso, afinal.

Outra das marionetes, vestindo manoplas que faziam suas mãos pareces como martelos gigantes, acertou a lateral de Krog. O guerreiro pesado foi arremessado pela sala como e não pesasse nada. Porém, através do controle intenso que Krog tinha sobre seu corpo, foi capaz de pousar em pé. Duas costelas estavam quebradas, mas nem estremeceu. Ele avançou de novo, pronto para atacar.

No entanto, havia um problema: qualquer que fosse o metal que compunha as marionetes e suas armas, era muito mais forte do que o melhor aço.

Depois deste único impacto, os machados de Krog ficaram com amassados imensos. Ele nunca seria capaz de danificá-los assim, mesmo focando nas articulações, como deveria fazer contra esse tipo de inimigo.

Entretanto, ao mesmo tempo, esse ataque mostrou algo a Eiro. Apesar daquele metal ser tão forte, o dano que Krog recebeu… foi anticlimático. O Demônio viu a notificação de dano nos olhos de Krog, e o fato de que apenas duas costelas terem sido quebradas, apesar do impacto direto? Isso significava que não tinha tanta força quando Eiro imaginava que teriam.

Claro que ainda seriam extremamente perigosas, em especial ao considerar sua velocidade e números, mas, contanto que fossem capazes de descobrir uma forma de se defender contra eles, elas não seriam difíceis de se lidar. Assim que matassem Zaragon, Eiro imaginou que elas não seriam capazes de se mover. Elas provavelmente eram controladas por Zaragon, afinal.

Então, depois de encontrar seu alvo, uma marionete carregando um escudo de torre ridiculamente grande, Eiro estendeu a mão, usando uma das habilidades mágica que havia aprendido durante as últimas semanas enquanto se preparava para a viagem.

Ele usou magia de gravidade e concentrou um feitiço que aumentava a gravidade de um objeto naquela marionete específica. Ela se tornou incapaz de se mover, como Eiro esperava, e única maneira de se manter em pé foi empurrando seu corpo contra o chão, usando o escudo como apoio.

— James! — exclamou Eiro, mas ele já estava agindo. Ele desviou das marionetes com movimentos rápidos e suaves, prendeu o pé na parte de trás do escudo e o puxou para si. Depois de puxá-lo, a marionete caiu no chão e teve que soltar o escudo, momento em que James o chutou em direção a Krog.

Entendendo seu plano de imediato, Krog correu até o escudo e o pegou, soltando seus machados no processo. A marionete portando manoplas mais uma vez o atingiu antes que ele fosse capaz de pegá-lo, atingindo o exato mesmo local de antes. Agora, foi a vez de Eiro fazer alguma coisa.

Ele fez a bola comprimida da fumaça de Zaragon explodir para impedi-lo de se formar de novo. Jess estava conjurando feitiços de fogo com a ajuda de Sarius, que Eiro havia invocado de novo, para aquecer partes específicas dos corpos da marionete para enfraquecê-las e tornar mais fácil para destruí- las. Tudo isso enquanto fazia Gondos e Nelli fazerem outra coisa em preparação às partes posteriores desta batalha.

A Náiade estava espalhando uma névoa incrivelmente fina, enquanto o Golem criava uma areia superfina e tentava inseri-la, pouco a pouco, nas articulações mecânicas das marionetes.

O som da areia sendo esmagada à medida que as marionetes se moviam se tronou cada vez mais alta com o decorrer do confronto. Logo, Eiro alcançou Krog, fundindo seu corpo com uma alta quantidade de magia de ar para que fosse capaz de evitar as marionetes com o máximo de facilidade. Quando estava na frente de Krog, o Diabrete fundiu seu braço esquerdo com água de um cantil que carregava no quadril e pressionou a palma nas costelas de Krog. A infusão de água gerou ondulações dentro da carne de Eiro, e ele conseguiu injetar um pulso de magia no corpo do guerreiro. Era claramente doloroso, mas o Demônio colocou as partes da costela do seu companheiro perfeitamente no lugar. O último ataque da marionete com as manoplas deslocou pares das costelas quebradas de Krog, fazendo com que perfurassem sua carne.

Pouco a pouco, eles foram capazes de revidar contra as marionetes e, quando Zaragon conseguiu se formar de novo, já podiam lutar contra elas. Ainda não foram completamente destruídas, mas as marionetes receberam danos internos consideráveis. Se nada mais acontecesse, seriam quebradas em breve, algo que até mesmo Zaragon sabia.

…

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