Ning Qiutong endireitou-se levemente e encarou Zhuang Lingyu sem desviar o olhar. “Cunhada, você diz que meu tio a humilhou. Mas não é você quem envergonha essa família todos dias?”
“O que foi que você disse?” Zhuang Lingyu sibilou, a voz carregada de veneno.
“Pode manter esse teatrinho para quem está de fora o quanto quiser. Mas todos nesta sala sabem muito bem: Ning Xueluo é a adotada. Ning Xi é sua filha biológica. Sangue da família Ning.” a voz de Qiutong era calma, mas cortante “Ou você acha errado que ela receba a parte das ações que é dela por direito?”
“Eu nunca disse que o sogro estava errado ao dar ações à Ning Xi. Isso é direito dele! Estou perguntando por que Xueluo não recebeu nada!” Zhuang Lingyu retrucou, seu olhar frio.
“Por quê?” Qiutong deixou escapar uma leve risada, carregada de sarcasmo “Quer que eu explique?”
Ela não esperou a resposta.
“Ning Xueluo veio parar nesta casa por um erro grotesco na maternidade onde você deu à luz. Durante dezoito anos ela viveu cercada de luxo – uma vida a qual ela não tinha nenhum direito.” Ning Qiutong não elevava sua voz, mas seu tom não deixava ninguém a interromper. “Quando a verdade veio à tona, ela não só não voltou para seus pais biológicos, mas em vez disso, ficou na família Ning vivendo como se nada tivesse acontecido. E, graças a isso, garantiu até um bom casamento com o herdeiro da família Su.”
Seu olhar voltou-se para Ning Xi enquanto o silêncio parecia se comprimir ao redor da mesa.
“Enquanto isso, a verdadeira herdeira da família Ning passou dezoito anos em uma família pobre, numa cidadezinha do interior. Quando finalmente foi encontrada… não recebeu de volta nada do que lhe era devido. Tudo o que era dela foi tomado. Até os empregados desta casa a desprezam – chamam-na de caipira adotada.”
O olhar de Qiutong se tornou ainda mais frio quando encarou Ning Yaohua e Zhuang Lingyu.
“E vocês? O que fizeram como pais? Vocês a desprezaram. A esconderam. Preferiram manter as aparências diante de estranhos a assumir a própria filha. Me diga, com que direito vocês a criticam? Com que direito vocês a repreendem? Vocês não a criaram. Nunca a ensinaram. Ou acham que cumprir o dever de pais é só trazer para casa, dar comida e algumas roupas? Se era para ter pais de merda como vocês… teria sido melhor deixá-la onde estava. Pelo menos a criança não precisaria conhecer pessoas que não fizeram nada além de apunhalar seu coração.”
…
…
Quando Qiutong terminou, o silêncio era absoluto. Ninguém ousou dizer uma palavra.
Ning Xueluo estava pálida e rígida. Ning Yaohua e Zhuang Lingyu olhavam para Qiutong com raiva e incredulidade. O ancião olhava para Ning Xi, tomado pela culpa. Su Yan tinha os punhos cerrados…
Ning Xi permaneceu sentada, em silêncio. Seu olhar – confuso e vacilante – fixou-se na tia.
Depois de tantos anos de dissociação emocional lidando com essas pessoas… ela não esperava ser defendida daquela forma. Muito menos ali, diante de todos.
Ela não precisava fazer isso… nenhum deles jamais tinha feito.
Ning Qiutong fez uma breve pausa. Então, voltou-se para Ning Xueluo com o olhar afiado. “Com tudo que meu tio já lhe deu, você tem mais do que o suficiente para se casar e viver confortavelmente pelo resto da vida. Depois de tudo que você recebeu… ainda quer mais?”
Ela deu um passo a frente. “Responda, Tang Xueluo. Que direito você tem a essas ações?”
Ao ouvir tudo aquilo – especialmente o “Tang Xueluo” – os ombros de Xueluo tremeram. Suas unhas cravaram-se na palma da mão.
Ela abaixou o rosto, escondendo a expressão distorcida de ódio. No instante seguinte, virou-se e saiu da sala correndo.
Su Yan reagiu imediatamente e foi atrás dela.
“Como se atreve, Ning Qiutong! Mesmo sendo da família Ning, você não tem o direito de se meter nisso! Não fale do que você não sabe!” Zhuang Lingyu gritou, levantando da cadeira.
Nota da Equipe Finalmente alguém se pronunciou sobre a situação dos Nings