Já haviam se passado meses desde a última vez que o Pequeno Tesouro havia falado. Nesse período, ele não pronunciou uma única palavra.
Mesmo ansiosa, Ning Xi nunca o forçou. Ela sabia que não podia apressar esse tipo de coisa. Com o tempo, acabou se acostumando a se comunicar com ele por gestos e pelo quadro de escrita. Tanto que, muitas vezes, bastava um olhar para entender o que ele queria dizer.
Ela já nem sentia mais que ele fosse diferente das outras crianças. Mas ouvir aquela voz, pela primeira vez em tanto tempo, rompeu tudo dentro dela.
“…mamãe.”
Foi simples, baixo, mas suficiente. Foi como se uma flecha doce atravessasse seu peito. O ar travou na garganta de Ning Xi, um calor intenso se espalhou por todo o corpo, sem explicação. Algo profundo, quase instintivo.
Ela apertou o Pequeno Tesouro contra si. E naquele instante, sentiu com absoluta clareza: seu vínculo com essa criança não era um simples cuidado. Era mais profundo, quase como se fossem carne e sangue. Como se nunca tivessem se separado. Como se sempre tivessem sido um só.
“Senhorita Ning, o CEO Lu pergunta se a senhora pode sair agora.” a enfermeira chamou suavemente da porta.
Mesmo sem vontade de se afastar, Ning Xi respirou fundo e se recompôs, “Claro.”
Ela enxugou rapidamente as lágrimas do coelhinho. Seus olhos ainda brilhavam.
“Pãozinho… não se preocupe.” A voz dela era firme. “Eu definitivamente vou me tornar sua mamãe!”
O garotinho assentiu com força. As lágrimas ainda escorriam, mas ele a segurava como se não fosse soltar nunca mais.
…
Poucos minutos depois, a luz da emergência finalmente se apagou.
A porta se abriu.
Ning Xi foi levada em uma cadeira de rodas por alguns médicos. O Pequeno Tesouro caminhava ao lado dela, ainda com o rostinho molhado de lágrimas.
Mesmo assim, parecia visivelmente mais calmo. Ao ver aquilo, todos ao redor soltaram um suspiro coletivo.
O médico então anunciou, “A paciente não está mais em estado crítico.” O corredor inteiro relaxou ao mesmo tempo.
“Eu sabia!” Lu Jingli quase chorou de alívio. “O Pequeno Tesouro é um santo remédio!”
Yan Ruyi e Lu Chongshan trocaram um olhar. Por mais que não gostassem de Ning Xi, não podiam negar: o Pequeno Tesouro não podia perdê-la.
Em um canto mais afastado, o rosto de Guan Ziyao ficou rígido. As mãos dela tremiam levemente. Isso já tinha ido longe demais. Seria melhor se aquela mulher tivesse morrido de uma vez.
E o pior… aquela palavra, “mamãe”, certamente comoveu os anciãos Lu. Ela parecia ecoar sem parar na mente dela, como um espinho preso.
A situação estava piorando. Cada vez mais fora de controle.
…
Em um corredor lateral do hospital, Mo Lingtian hesitou por um momento antes de falar. “Ziyao… você tem certeza de que isso foi só um acidente?”
Guan Ziyao ficou ainda mais tensa. “Mo Lingtian, o que você está insinuando?” Sua voz subiu um pouco, “Com tanta gente olhando, eu não teria como fazer nada. E a Cao Lirong é só uma parente distante. Você acha mesmo que eu mandaria alguém matar Ning Xi?”
Ela respirou fundo. “Você acha que eu sou esse tipo de pessoa?”
Mo Lingtian franziu a testa.
Ele não queria acreditar nisso.
Mas a coincidência era estranha demais.
“Mas o CCTV mostrou que tudo começou com a provocação da Cao Lirong… e depois ela simplesmente perdeu o controle. Isso não parece normal.”