Mushoku Tensei: Jobless Reincarnation – Volume 9 – Capítulo 6.5

Sylphiette - Parte 04

Ultimamente, estava sentindo cada vez mais ansiedade com a situação.

Silente acabou por ser uma garota. Isso, por si só, não foi uma grande surpresa. Algumas das fontes da Princesa sugeriam que esse poderia ser, de fato, o caso. Parando para pensar, muitas das suas pequenas inovações eram coisas que qualquer mulher poderia apreciar. Ela melhorou a nossa comida, as nossas roupas e o sabonete que usávamos para limpar os nossos cabelos… uma vez que percebessem que estava fazendo tudo por si mesma, fazia total sentido.

Minha ansiedade, na verdade, não era em relação a ela. Era mais em relação ao Rudy. Por alguma razão, ele parecia devotado à Silente.

E já havia um monte de mulheres bonitas na sua vida. Linia, Pursena… Elinalise agora era namorada de Cliff, claro, mas ainda contava. Rudy nunca havia demonstrado muito interesse por elas.

Mas Silente era uma história diferente. Por alguma razão, ela era especial para ele. Ela tinha um problema complicado com o qual estava lutando, e ele queria ajudá-la. Isso provavelmente fazia parte do motivo. Rudy gostava de ajudar as pessoas.

Mas não era  isso. Havia alguma conexão especial entre os dois, uma que eu não conseguia entender. E isso com certeza estava aproximando os dois. Provavelmente não tinham sentimentos românticos um pelo outro. Não tive a impressão de que Rudy tinha se apaixonado por ela. Mas o relacionamento deles parecia mais… íntimo do que qualquer um dos outros. Eram ainda mais próximos do que eu fui com Rudy nos tempos em Buena Village? Talvez.

Desde que Rudy começou a ajudar nos experimentos de Silente, ele passou a gastar menos tempo investigando o Incidente de Deslocamento com o Fitz. E a passar mais tempo com ela, é claro. E quando se passa tempo o bastante com alguém, não é incomum que algo como sentimentos românticos surjam meio que do nada.

Na época em que ele fez amizade com Linia e Pursena, não fiquei tão preocupada. Mas dessa vez, não era difícil para mim imaginar a Silente levando-o embora. Isso fez meu coração latejar de um jeito doloroso.

Eu odiava a Silente ou coisa assim? Não era como se tivéssemos conversado muito. Eu não tinha motivos para odiá-la. Só não queria que tomasse o Rudy de mim, só isso e nada mais. Ela apareceu do nada, e começou a agir como se o conhecesse desde sempre. Já até se sentava casualmente ao lado dele, como se tivessem uma amizade de anos. Era o lugar onde eu deveria estar.

E não era eu que estava sentando lá, fato. Então, realmente não poderia colocar isso para fora. Mas se ela iria reivindicar aquele assento, queria que fizesse isso direito. Queria que primeiro passasse muito e muito tempo com ele, e fizessem memórias juntos. Ou isso, ou preferia que ela se afastasse. Assim, talvez pudesse aceitar… o que quer que fosse.

— Uff…

Será que eu e Rudy realmente íamos só… nos separar assim? A Princesa disse que eu poderia tomar o tempo que precisasse com isso. Mas se não houvesse chance alguma, queria que Fitz parasse de interagir com Rudy por completo. Nós seguiríamos caminhos separados.

Mesmo que Fitz deixasse a sua vida de uma vez por todas, Rudy continuaria se saindo muito bem, seguindo em frente, assim como sempre fez. Silente tomaria o meu lugar para ela. E talvez acabassem passando o resto das suas vidas juntos.

Eu não gostava desse pensamento… Nadica de nada.

Isso não estava indo nada bem. Mas o que eu deveria fazer?

A resposta era bastante óbvia. Tinha que contar quem eu era, e então dizer como eu me sentia. Isso pelo menos serviria como um passo, de uma forma ou de outra.

Mas não importava o quanto isso era óbvio, eu não conseguia fazer as minhas pernas se moverem. O pensamento E se ele disser não? ficava piscando na minha cabeça e me impedindo de me mover.

Se não fizesse algo, com certeza me arrependeria. Mas eu não tinha coragem de fazer o que precisava. Quando foi que me tornei tão covarde? Eu costumava ser uma criança muito tímida, claro, mas pensei que tinha conseguido mais coragem do que isso nos últimos anos.

Será que, em algum momento, minha coragem caiu do meu bolso?

Eu realmente queria que alguém a trouxesse de volta para mim.

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