Na manhã seguinte, enchemos o porão do Einhorn com o tesouro que havíamos recolhido na Fortaleza das Mãos de Ouro. Nosso saque incluía não só ouro e prata, mas também vários outros itens, como vasos e diversos bens valiosos. Em termos de exploração de masmorra, tinha sido uma viagem bastante lucrativa.
Depois de dividir tudo, percebemos que o lucro seria considerável quando vendêssemos o lote inteiro.
Ainda assim, apesar de todo o sucesso, Marie caiu de joelhos diante do tesouro e começou a soluçar.
“Lady Marie, por favor, mantenha-se firme!”, exclamou Carla, tentando consolá-la.
“Minha senhora, vamos enxugar essas lágrimas, certo?”, implorou Kyle.
Mas, apesar dos esforços dos dois, Marie permanecia inconsolável.
“E-eu não consigo acreditar… Isso é cruel demais. Nós vasculhamos cada canto daquele lugar, e, no fim, ninguém nos disse uma palavra sobre aquela passagem secreta!”
Como Cleare não havia transmitido a mensagem, os grupos de Marie e de Jake continuaram completamente no escuro sobre o que fizemos na passagem secreta. Assim, apesar de todo o trabalho que ela e seus companheiros tiveram, acabaram recebendo muito pouco em troca.
“Mas… hum… não foi tudo em vão!”, insistiu Carla. “Nós conseguimos concluir aquela masmorra como aventureiros de verdade. Só isso já é uma conquista incrível, algo de que podemos nos orgulhar pelo resto da vida!”
“Eu não estava procurando o direito de me gabar! Eu queria o tesouro!”, lamentou Marie.
Para ser justa, Carla não estava errada. Aquela aventura renderia histórias dignas de serem contadas por anos. Em Holfort, aventureiros e suas façanhas tinham enorme valor simbólico, e o simples fato de terem participado da expedição já lhes rendia uma parcela de honra. O problema era que Marie não estava atrás de prestígio, mas de pilhas de dinheiro e relíquias raras que pudessem lhe garantir independência. Era até doloroso ver tamanha motivação terminar sem resultado.
Kyle me lançou um olhar torto.
“Meu senhor, o senhor realmente é a escória da terra. Suspeito que seu coração não bombeie sangue, e sim gelo.”
“Eu te disse, estava tentando ser legal. Se a Marie tivesse me escutado, eu a teria deixado vir comigo e dividir o tesouro.”
“O senhor realmente vai dizer isso agora?”
Kyle empalideceu ao olhar por cima do ombro.
As lágrimas de Marie tinham parado, mas os olhos ainda estavam vermelhos e inchados. Ela me encarava diretamente, com o olhar vidrado. Todo traço de emoção tinha sumido do rosto dela, e isso mandou um arrepio direto pela minha espinha. Parecia cem por cento um fantasma saído de algum filme de terror.
“Ei!”, gritei sem querer, recuando um passo.
Então, num movimento absurdamente rápido e nada humano, Marie deslizou de quatro na minha direção. Até a forma como se movia era perturbadora, lembrando uma centopeia.
Ela se agarrou à minha perna e, ao erguer o pescoço para me encarar, continuava com aquela expressão completamente vazia. Os olhos estavam nublados, cheios de sombras.
“É divertido…?”, perguntou Marie. “Me diz. Você gosta disso? Gosta de ver as pessoas se arrependerem das escolhas que fizeram? Você sabe que, quando diz a alguém que tudo teria sido melhor se ela tivesse agido só um pouquinho diferente, isso faz a pessoa se odiar ainda mais… sabe disso, não sabe? E, vamos ser sinceros, mesmo que eu tivesse feito o que você disse e concordado, você não teria me ajudado mesmo assim, teria? Me diz que eu estou errada. Vai, diz!”
Marie começou a balançar minha perna, exigindo uma resposta. O pior de tudo era que sua voz continuava completamente sem emoção, o que só deixava a cena mais assustadora.
“Desculpa, tá bom? Se o que você quer é dinheiro, eu te dou dinheiro.”
“Eu já disse que não adianta nada se você simplesmente me der isso!”
“S-sim, senhora!”, gritei, voltando imediatamente para a linha.
Enquanto continuava agarrada à minha perna, Marie começou a chorar de novo.
“Eu queria encontrar o tesouro para poder me tornar independente…”
Em qualquer outra situação, eu teria dito para ela arranjar um emprego normal em vez de apostar na ideia de encontrar um tesouro capaz de sustentar sua vida inteira. Mas, naquele momento, eu simplesmente não tive coragem. Então tentei mudar de assunto e desviar a atenção dela.
“Então… parece que a condição da princesa Erica se estabilizou. Cleare disse que estamos liberados para visitá-la quando quisermos.”
Erica estava em observação na enfermaria. Naturalmente, Marie se preocupava com o bem-estar da filha. Assim que ouviu que poderia vê-la, se soltou de mim e saiu correndo do hangar.
“Ericaaa!”
Erica estava sentada na cama quando a mãe entrou correndo e a abraçou aos prantos. Por um instante, Erica apenas olhou para a outra mulher, surpresa.
“Estou bem, mãe.”
As duas estavam sozinhas no quarto. Sem ninguém por perto para interrompê-las, podiam conversar livremente como eram antes.
O tio deve ter armado isso de propósito, pensou Erica. Ao pensar em Leon, sentiu-se feliz ao perceber que ele era exatamente como lhe haviam dito.
Lágrimas escorriam pelo rosto de Marie enquanto ela erguia o olhar.
“Erica, eu estou tão feliz que você esteja bem.”
“Você está sendo dramática demais. Eu só fiquei um pouco cansada.”
“É porque você sempre se esforça demais!”, repreendeu Marie. “Você devia ter ficado no navio.”
“Eu disse a todos que iria, então fui. Mas, mais importante… como foi a masmorra?”
Por causa da doença que afligia Erica naquele mundo, Marie estava sempre preocupada com ela. Nesse sentido, seu comportamento era perfeitamente maternal. Fisicamente, a diferença de idade entre as duas era pequena; mentalmente, era imensa, e, nesse aspecto, Erica ocupava com folga a posição mais madura, já tendo vivido muito mais do que Marie.
Mesmo assim, Marie não conseguia deixar de agir como mãe.
Erica pousou a mão nas costas dela.
“O Big Bro venceu sozinho”, resmungou Marie. “Ele é um trapaceiro completo. Sabia daquela passagem secreta o tempo todo e não me disse uma palavra! Ele até tentou enganar as próprias noivas só para garantir a vitória pra si. A cabeça dele não bate bem, eu juro.”
Enquanto Marie contava a história da astúcia e da cara de pau de Leon, seu rosto percorreu toda a escala possível de emoções.
Erica não conseguiu segurar o riso. Sua gargalhada foi tão elegante quanto se esperaria de uma princesa.
Marie inclinou a cabeça.
“O que foi?”
“É um pouco engraçado, mãe. Me lembra como as coisas costumavam ser. Lembra? Você vivia me contando histórias sobre o tio.”
Marie hesitou por um momento, tentando revirar a própria memória. Não se lembrava de ter contado esse tipo de coisa.
“E-eu fazia isso? Não lembro… Eu realmente falava tanto assim sobre ele?”
“Falava, sim. Nos dias em que chegava em casa bêbada, você sempre falava dele. Ficava imaginando como as coisas seriam se ele ainda estivesse vivo, ao mesmo tempo em que me dizia que ele era um canalha absoluto. Essas coisas. E, no fim, você sempre acabava dizendo…”
Eu quero vê-lo de novo.
Erica ouvia essas palavras repetidas vezes, pouco antes de a mãe apagar de exaustão. Marie tinha esquecido completamente esses episódios, e ouvi-los agora fez seu rosto corar.
“I-isso foi só… quero dizer, eu… você sabe…” gaguejou Marie, nervosa demais para formular qualquer explicação coerente. “E-eu só queria vê-lo de novo para poder fazê-lo trabalhar até os ossos! Então… hum… não é nada disso!”
As tentativas apressadas de negar só a faziam parecer mais infantil.
Erica a observou com um carinho quase maternal.
“Eu fico tão feliz que, no fim, você tenha conseguido reencontrá-lo.”
Marie fez uma careta e baixou o olhar. Os olhos se encheram de tristeza. Erica ficou surpresa com a reação, mas Marie realmente se arrependia de todos os problemas que havia causado a Leon.
“Acho que… talvez ele preferisse que a gente nunca tivesse se reencontrado.”
“Sério? Pra mim, parece que ele gosta de ter você por perto.”
“Isso é só porque ele vive sorrindo feito um completo idiota. Ele nunca mostra o que realmente sente. Erica, presta atenção no que eu digo: é melhor você nunca se casar com um cara podre como ele— ah!”
Marie se interrompeu no meio da frase, e seu rosto caiu. Ela acabara de se lembrar do noivado de Erica.
“Você não disse nada que me ofendesse”, assegurou Erica.
Marie se levantou de repente.
“Eu não acredito nem por um segundo!”, disse, a voz estridente. “Você não vai poder se casar por amor. Como consegue ficar aí sentada, agindo como se estivesse tudo bem? E, além disso, ainda por cima com os Frazer…”
O conhecimento de Marie sobre a série de jogos sempre fora, na melhor das hipóteses, inconsistente, mas ela ainda se lembrava de alguns detalhes do terceiro jogo. Sabia muito bem como Elijah Rapha Frazer era retratado ali, e era por isso que aquele noivado a perturbava tanto.
“Eu não posso te culpar por se preocupar, mas, ao contrário do jogo, Elijah não é uma pessoa má.”
“Eu não acredito! No jogo, o Elijah era um completo bajulador! E, além disso, ele era feio que nem um cavalo… espera. Erica, não me diga que você jogou o jogo?”
Marie ficou boquiaberta.
“Joguei, sim. Você o deixou por aí, e, quando encontrei tempo, fui jogando um pouco aqui e ali. Foi divertido.”
“Oh. Eu nem percebi… Mas, se você viu a história, então devia saber ainda melhor!”
Marie achou que aquilo só reforçava sua razão, mas Erica simplesmente balançou a cabeça.
“Mãe…”
A expressão de Erica se tornou séria, tomada por determinação.
“Eu reencarnei como a princesa de um reino. Essa é a minha responsabilidade.”
“Responsabilidade? Mas…”
“Talvez fosse mais correto dizer que eu a assumi. Independentemente de como se defina esse fenômeno, o fato é que eu sou a princesa de Holfort. Naturalmente, isso me impõe responsabilidades.”
Erica compreendia perfeitamente sua posição e tudo o que ela implicava. E compreendia também o papel que o casamento exercia naquele contexto.
“Meu casamento com Elijah é político, algo que foge completamente ao escopo das preocupações que tínhamos em nossas vidas anteriores. Essa união trará estabilidade e conforto para muita gente.”
“Quem se importa com as outras pessoas?!”, chorou Marie.
“Eu não me importaria, se fosse uma plebeia. Mas, repito: sou a princesa de um reino. Tenho a obrigação de proteger meu país e o seu povo.”
“Mas mesmo assim…” Marie ainda tentou insistir.
Os lábios de Erica se abriram num sorriso largo, enquanto ela fazia o possível para consolar a mãe.
“É por isso que você não precisa se preocupar. Elijah é gentil.”
“Ele é… gentil?”
“Eu sei que, no jogo, ele tinha uma personalidade terrível e, além disso, era um homem feio e obeso. Mas o Elijah que eu conheço fez o possível para emagrecer por minha causa. Hoje ele está só um pouco rechonchudo, e eu acho isso sinceramente adorável.”
“Mas você merece o homem mais bonito do mundo.”
Erica balançou a cabeça.
“Você realmente dá importância demais à aparência. Todo mundo envelhece. Mais cedo ou mais tarde, todos nós viramos ameixas enrugadas. O que importa é o caráter, e se a pessoa que você escolhe é confiável.”
Erica já havia vivido até uma idade avançada, e isso dava um peso enorme às palavras dela. Ou, pelo menos, fez Marie começar a se preocupar seriamente com o próprio futuro.
Marie enterrou a cabeça entre as mãos.
“Você tem razão nessa parte da idade… E esses garotos são confiáveis em algum nível? Porque, sinceramente, eu já acho que todos eles têm falhas graves de caráter. E, nesse ritmo, quando eu envelhecer…”
A ansiedade em relação às décadas futuras caiu sobre Marie como uma onda inescapável.
“Tenho certeza de que vai ficar tudo bem”, disse Erica, incapaz de apenas assistir à mãe entrar em pânico. “Você tem o tio ao seu lado, e os seus meninos não são pessoas ruins.”
Marie ergueu o rosto. Com toda a seriedade do mundo, fitou a filha e perguntou: “E o Jilk?”
“Me desculpe.” Erica pareceu, no mínimo, entender que Jilk era praticamente um caso perdido. “Eu realmente não sei o que dizer sobre ele.”
Com isso, as duas ficaram em silêncio por um momento. Marie parecia dolorosamente consciente de que tinha sido a arquiteta da própria ruína.
“B-bem, de qualquer jeito…” disse ela, apoiando as mãos na cintura, “se você diz que vai ficar tudo bem, então vai ficar. Você sempre teve muito mais juízo do que eu. Eu vivo estragando tudo. Nem desta vez consegui conquistar a minha independência.”
Ela soltou uma risada seca, sinceramente convencida de que era um caso perdido. Lágrimas voltaram a se formar nos cantos de seus olhos.
Erica passou os braços ao redor da mãe e a apertou com força.
“Isso não é verdade. Eu fico tão, tão feliz por ter encontrado você, mãe. E me desculpa por fazer você se esforçar tanto por minha causa.”
“Eu… eu só…!” Marie começou a chorar, o corpo tremendo enquanto se agarrava à filha. “Eu queria pelo menos agir como uma mãe de verdade! Foi por isso… foi por isso que eu…”

Fui para o meu quarto e me tranquei ali depois que Marie seguiu para a enfermaria.
“Mestre, por que você acha que Marie foi atrás do tesouro?”, perguntou Luxion.
“Hein?”
Assim que me joguei na cama, ele começou a me interrogar.
“Estou apenas apontando que, dadas as circunstâncias dela, não há razão lógica para ir tão longe. Você, por vontade própria, age como seu guardião, o que elimina qualquer dificuldade financeira significativa. Ainda assim, ela rejeitou a honra obtida com a participação na expedição simplesmente porque não conseguiu sua parte do tesouro. O que ela realmente queria?”
Do ponto de vista lógico, Luxion estava completamente certo.
Virei o corpo na cama para encará-lo.
“É porque a Erica é filha dela.”
“Isso não responde à minha pergunta.”
“Claro que responde. Ela acabou encontrando a própria filha da vida anterior. Não é tão estranho assim pensar que ela queira ser alguém de quem a filha possa se orgulhar.”
“Você quer dizer que essa é toda a motivação dela para buscar independência?”, perguntou Luxion, ainda cético. “Não consigo compreender. Ela teria muito mais benefícios permanecendo sob seus cuidados. Todas as necessidades dela seriam atendidas.”
Ele parecia tão pouco convencido que começou a buscar outras hipóteses.
“Considerando o perfil comportamental dela, não seria mais plausível supor que esteja tentando garantir o próprio futuro, caso você deixe de apoiá-la?”
Suspirei.
“Você não pensou nos sentimentos dela, pensou?”
“Sentimentos? Mestre, estamos falando da Marie. Aquela que não hesita em drenar cada gota do seu dinheiro?”
Dei de ombros.
“Quer dizer… você não está errado. Mas ela passou anos sem perceber que a própria filha estava dentro desse mundo. A essa altura, ela já tinha definido o próprio caminho: seduziu todos os interesses amorosos do primeiro jogo e tentou se estabelecer como a Santa.”
Fiz uma pausa antes de continuar.
“Isso até poderia ter dado certo, se ela soubesse como a história do jogo terminava. Mas, do jeito que foi, ela acabou sendo rotulada como uma fraude pela sociedade.”
“De fato. A falta de previsão dela me lembra você, Mestre. O parentesco entre vocês não surpreende.”
Fiz uma careta.
“Ei, eu penso muito mais nas coisas do que a Marie.”
“Tem certeza de que não está apenas ignorando sua verdadeira natureza?”
“Ah, cala a boca! O ponto é que, embora ela tenha pago o preço pela própria imprudência, acabou sob meus cuidados. Só que agora ela não quer que a filha a veja dependendo de mim para tudo.”
Soltei o ar devagar.
“No fundo, ela queria parecer uma mãe de verdade… alguém que tem tudo sob controle. Ela carrega os arrependimentos da vida anterior, por não ter sido uma mãe adequada.”
Parei por um instante, organizando o pensamento.
“Ela quer compensar isso. Pelo menos desta vez, queria parecer uma boa mãe.”
Luxion não perdeu a oportunidade.
“E, mesmo entendendo tudo isso, você ainda escondeu dela a existência da passagem secreta?”
“Isso não tem nada a ver com isso.”
“Você realmente é insensível, Mestre.”
Eu entendia perfeitamente por que Marie queria encontrar o tesouro: ela queria se sustentar sozinha e parecer uma mãe exemplar para Erica.
O problema era outro.
Ela ainda tinha aquela tropa de idiotas para sustentar.
Mesmo que tivesse ficado com todo o tesouro, o lucro mal teria sido suficiente para cobrir as dívidas acumuladas por aquele bando. No máximo, ela sairia do negativo — e ficaria no zero.
“Sinceramente, é melhor ela não se empolgar demais”, concluí.
Luxion girou no ar, como se estivesse processando a informação. Não fazia ideia do que aquele movimento significava.
“Agora entendo as motivações da Marie. No entanto, no processo, percebi algo que ainda me escapa.”
“E o que seria?”
“Como você consegue compreender tão bem os sentimentos da Marie e, ao mesmo tempo, ser completamente alheio aos sentimentos das mulheres com quem está noivo?”
Ele fez uma pausa.
“E, para deixar claro, não estou sendo sarcástico. Estou genuinamente perplexo.”
Isso doeu.
Fiz uma careta.
“Se eu realmente entendesse os sentimentos das mulheres, minha vida teria sido muito mais fácil.”
Luxion moveu as lentes para cima e para baixo, como se estivesse assentindo.
“Você é realmente alheio.”
“Você precisava mesmo esfregar isso na minha cara?”
“Se minhas palavras o feriram, foi apenas porque aprendi observando você, Mestre.”
Ah, ótimo. Agora a culpa ainda era minha.
Não, espera… isso não fazia sentido. Ele já era um robô arrogante desde o começo.
Balancei a cabeça.
“De qualquer forma, Marie não é uma mulher, na minha cabeça. Ela é só uma irmã mais nova.”
No meu dicionário pessoal, “irmã mais nova” estava mais para “praga inevitável” do que qualquer outra coisa.
Além disso, crescemos juntos. Eu não diria que a entendia perfeitamente, mas conseguia ter uma boa noção do que ela sentia — especialmente hoje, vendo toda aquela frustração e desespero.
“Angie, Livia e Noelle são completamente diferentes. São mulheres incríveis. É até ofensivo compará-las com a Marie.”
“Tenho certeza de que Marie teria algumas palavras bem escolhidas para você se ouvisse isso”, comentou Luxion.
Virei na cama, ficando de costas para ele.
“Tanto faz. Como está a Erica?”
“No momento, perfeitamente estável. Uma análise mais aprofundada permitiria um diagnóstico mais preciso, mas não tivemos tempo para conduzi-la.”
Esses exames exigiam muito tempo, por isso ainda não tínhamos feito análises completas em Erica ou Mia. Até agora, só tínhamos realizado verificações básicas.
“Quando as férias de verão começarem, vamos fazer os exames completos. Já consegui a autorização da Mylene. Quanto tempo levaria para obter os resultados?”
“Isso dependerá da Cleare, que será responsável pela análise dos dados.”
Eu só podia esperar que conseguíssemos descobrir a causa da doença que afetava Erica e Mia. Só então haveria uma chance real de cura.
Mas, com Luxion e Cleare ao nosso lado, eu estava confiante de que encontraríamos uma solução.
Quando comecei a pegar no sono, a voz de Luxion me arrancou de volta.
“Mestre, uma embarcação suspeita está se aproximando do Einhorn. E, ao que tudo indica… não há tripulação a bordo.”
Meu queixo caiu.
“Hã?”