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Raising Villains the Right Way – Capítulo 21

A Igreja do Embaixador (1)

Tradutor: miggigibe


Alon já tinha uma boa noção do motivo pelo qual os nobres o ignoravam tão abertamente.

— Porque os rumores finalmente perderam força.

Até então, os nobres temiam Alon porque acreditavam que ele fosse o cérebro por trás da queda de Avalon, que havia controlado o vasto submundo do Leste ao lado de Leo.

Mas os nobres já não o consideravam esse grande articulador. Desde que se tornara conde, Alon não havia feito nada de relevante por vários anos.

Desde a época do avô de Alon, a família do conde Palatio sempre fora conhecida como uma casa de péssima reputação que jamais deixava de exercer influência sobre o submundo. A família Palatio dominara o submundo do Leste de forma constante, embora a extensão desse domínio variasse com o tempo.

Desde que Alon assumira o título de conde, porém, a família Palatio deixara de exercer qualquer influência sobre o submundo. Como resultado, o submundo do Leste estava agora dividido entre matilhas de lobos que o devoravam aos poucos, as mesmas que antes só conseguiam catar as migalhas deixadas fora do território controlado pelo conde Palatio.

O poder da família do conde Palatio também havia enfraquecido, o que era natural. Até então, boa parte desse poder fora sustentada pela riqueza gerada no submundo. Mas, desde que assumira o título, Alon deixara de gastar dinheiro para manter esse poder. A vida que desejava não era uma de grande sucesso no submundo, e sim uma vida confortável e próspera como a de qualquer nobre.

Em outras palavras, ele já tinha conseguido o que queria.

Só que, ao se retirar por completo do submundo, Alon acabou alimentando novos rumores entre os nobres.

Alguns começaram a especular que talvez o atual conde Palatio nunca tivesse sido um grande articulador, mas apenas alguém que assumira o título por acaso.

Com o passar do tempo, enquanto Alon continuava sem fazer nada, o boato foi sendo aceito como verdade.

No fim, a reputação de Alon se reduziu à de um "idiota sortudo que acabou virando conde no lugar do verdadeiro cérebro por trás de tudo".

É claro que ainda havia alguns nobres desconfiados de Alon, mas até eles começavam a concordar com os rumores que se espalhavam.

Afinal, não fazia sentido que Alon, se realmente tivesse poder para destruir Avalon em um único dia, passasse tantos anos sem usar esse poder.

De qualquer forma, Alon já esperava ser tratado mais ou menos assim. O que não esperava era que algumas pessoas se dessem ao trabalho de vir provocá-lo diretamente.

Alon ergueu os olhos para os dois nobres, ambos com um ar malicioso no rosto. Não reconhecia nenhum dos dois.

Mas, pelos brasões gravados nas carruagens, era fácil perceber que um pertencia à família do conde Crylde e o outro à família do conde Edolon.

'Os dois já parecem ter idade de sobra, mas isso não é infantil demais?'

Alon riu consigo mesmo ao reparar nas marcas da idade no rosto de ambos.

Não demorou para entender por que os dois nobres tinham vindo até ali apenas para zombar dele.

'…Ah, entendi. É uma reunião das vítimas.'

A família Palatio tinha uma péssima reputação, mas também fora uma das famílias mais poderosas do submundo. Por isso, naturalmente oferecia benefícios às casas vizinhas, ao mesmo tempo que as explorava muito além do necessário.

Entre as famílias mais frequentemente tratadas como ferramentas estavam justamente as do conde Crylde e do conde Edolon.

Resumindo a situação atual, essas famílias, que haviam sofrido nas mãos dos Palatio, agora estavam descarregando seu ressentimento sobre Alon.

É claro que quem as explorara não fora Alon, e sim Leo, o primogênito da família do conde.

Em outras palavras, Alon não tinha motivo algum para ser alvo daquela zombaria.

Mas, para os dois nobres empenhados em provocá-lo, pouco importava que ele fosse Alon. O que importava era que ele era o conde Palatio.

— Todas aquelas forças do submundo que você tinha desapareceram porque não soube administrá-las direito?

— Parece que também não anda cuidando muito bem da sua carruagem. Quer que eu lhe empreste dinheiro?

Os dois condes, como os trolls anônimos tão comuns em comunidades online, faziam o possível para provocar Alon.

— Hmm.

Alon pensou por um instante:

'Isso é meio irritante.'

Mesmo assim, preferiu seguir a razão em vez dos impulsos.

Se começasse uma briga ali, poderia facilmente esmagar os dois nobres diante dele. Talvez não chegasse a matá-los, mas conseguiria deixá-los moídos de pancada. O problema era que isso só complicaria as coisas. No instante em que brigasse com eles, Alon teria de abandonar o grupo e seguir viagem separado. E isso poderia trazer problemas desnecessários, como cruzar com bandidos pelo caminho.

Era óbvio que reagir às provocações era exatamente o que eles queriam.

'Não preciso dar corda para esses idiotas.'

Alon decidiu ignorá-los.

Ele não era burro o bastante para cair numa armadilha tão óbvia.

Naquele dia, Alon comeu duas espigas de milho enquanto usava as provocações dos dois condes como música de fundo.

'Delicioso.'

O milho assado parecia ainda melhor naquele clima um pouco frio.

'Com um pouco de manteiga seria ainda melhor.'

Alon pensou nisso enquanto contemplava distraidamente o céu iluminado pela lua.


Nos dias seguintes, aquela convivência desagradável continuou.

Todas as noites, o conde Crylde e o conde Edolon apareciam para lançar novas provocações, e Alon fingia não se importar, deixando as palavras passarem como se não significassem nada.

De um lado, alguém que ignora. Do outro, alguém desesperado para não ser ignorado. Naturalmente, quem ignorava sempre saía ganhando.

Alon havia internalizado profundamente uma das lições de vida que aprendera em certa comunidade online: "Não alimente os trolls."

Pelo menos ali, ninguém conseguiria vencê-lo nisso.

É claro que, depois de alguns dias, outros nobres também começaram a zombar de Alon. Cochichavam que lhe faltava dignidade como nobre ou caçoavam dele por permanecer calado diante dos insultos de Crylde e Edolon.

Mesmo assim, o conde Crylde e o conde Edolon, que vinham provocando Alon com mais insistência, não estavam exatamente satisfeitos.

— Droga — rosnou o conde Crylde.

— Isso é um absurdo…

O conde Crylde franziu a testa enquanto observava Alon à distância. Eles eram os que vinham zombando, mas, no fim, eram eles que estavam sendo ignorados. Naturalmente, aquilo era irritante.

Depois de algum tempo remoendo o mau humor, os dois trocaram sussurros discretos.

— Confirmou?

— Sim. E parece que ele não tem nenhum outro guarda.

Na verdade, os dois condes não vinham zombando abertamente de Alon apenas para descarregar a frustração. Também estavam avaliando a segurança ao redor dele.

— …Mesmo usando um artefato para verificar às escondidas, não encontrei nada. Só tem aquele moleque idiota e o cavaleiro errante ao lado dele.

— Então os rumores eram verdadeiros mesmo.

— Parece certo. Se ele tivesse alguma força própria, não estaria se deslocando sozinho assim.

— Nesse caso, podemos seguir com o plano.

Os dois condes investigavam Alon porque pretendiam expandir sua influência para o submundo.

Eles sabiam muito bem que Alon não tinha qualquer interesse pelo submundo e que, por causa disso, a região havia sido tomada por diversas matilhas de oportunistas. Embora os rumores sobre Alon já fossem amplamente aceitos, os dois condes, que haviam sido atormentados por tanto tempo pela família Palatio, queriam confirmar a verdade com os próprios olhos.

Precisavam ter certeza de que Alon realmente já não possuía poder algum.

Depois de vários dias observando-o e confirmando que Alon não tinha guardas pessoais, sorrisos surgiram no rosto dos dois.

— Os deuses estão sorrindo para nós.

— De fato. Quem diria que teríamos a chance de entrar no submundo?

A maioria dos nobres hesitava em se envolver com o submundo, mas os dois eram diferentes. Como já haviam servido de lacaios para a família do conde Palatio, sabiam muito bem quão astronômica era a riqueza que circulava naquele mundo.

Também conheciam bem o gosto doce do poder que vinha dele.

Agora que a família Palatio parecia ter se tornado uma casca vazia, os dois falavam com entusiasmo, como se já tivessem conquistado o submundo.

Na verdade, não era impossível que assumissem o controle do submundo se unissem forças. Afinal, o motivo de nunca terem feito isso antes não era falta de poder, mas o medo que sentiam da família do conde Palatio.

Depois de uma longa conversa, voltaram a atenção para Alon.

— …Se assumirmos o controle do "lado oculto", devíamos dar um presente àquele idiota, não acha?

— Excelente ideia. Existe um limite para o quanto alguém pode ignorar os outros.

— Ele provavelmente age assim porque não entende o quanto o mundo pode ser perigoso. Vamos ter que ensiná-lo.

— O conde Crylde é mesmo uma pessoa admirável.

Os dois condes exibiam sorrisos suspeitos que nada tinham de nobres. Como se não tivessem feito nada de errado, estavam certos de que a oportunidade pela qual tanto esperavam logo chegaria.

Os dois acabavam de encerrar a conversa em particular e estavam prestes a voltar ao acampamento onde os outros nobres se reuniam quando um grito rompeu a noite.

— Monstros!

Tudo aconteceu de repente. Sob a cobertura da escuridão, monstros apareceram.

Era como se estivessem emboscados, esperando em silêncio, até que um soldado os avistou por acaso e gritou.

No mesmo instante, rugidos monstruosos ecoaram do interior da floresta, como se respondessem a um sinal.

Mercenários e cavaleiros sacaram as armas de imediato para proteger os nobres, num movimento tão coordenado que parecia ensaiado.

Então veio a ordem:

— Mago, ilumine a área!

Um mago que certo nobre levara à grande cerimônia religiosa apenas para ostentar respondeu ao comando do cavaleiro e lançou uma esfera de luz para o alto.

A luz se espalhou num instante, e os mercenários e cavaleiros que até pouco antes faziam barulho mergulharam em silêncio.

O que a luz do mago revelou na floresta escura foram goblins.

Goblins são comuns em florestas. Com a força física de uma criança, não representam grande perigo para ninguém além de mercenários novatos.

As espadas enferrujadas e os arcos que carregam podem ser perigosos, mas pouco ameaçam mercenários experientes e cavaleiros.

Goblins só se tornam problemáticos quando se reúnem em grande número. Mesmo assim, algumas dezenas ainda podem ser afugentadas com relativa facilidade.

Aquilo, porém, estava muito além de algumas dezenas.

— …Isso é loucura…

Quando há goblins suficientes para preencher toda a floresta à frente, eles sem dúvida se tornam uma ameaça até para cavaleiros e mercenários.

E havia algo pior. Os goblins diante deles estavam longe de ser comuns.

— …Mas o que é aquilo?

A pergunta de um dos cavaleiros, carregada de medo e confusão, era dirigida à aparência das criaturas.

O problema não era apenas serem goblins, mas o aspecto grotesco deles.

Cristais roxos cresciam por todo o corpo das criaturas, inclusive na cabeça, como se tivessem sido acometidas por alguma espécie de praga.

A situação ficou ainda pior quando alguém reconheceu o que havia entre a horda.

— Espera, aquele não é o Mark?

No meio dos goblins, o corpo de um mercenário veterano que havia sido enviado para vigiar o perímetro por precaução estava sendo devorado brutalmente.

— Krrk—

Nas mãos de um goblin enorme estava o que restava do corpo de Mark.

Os mercenários que presenciaram aquilo sentiram o medo crescer por dentro.

— Isso… isso não pode estar acontecendo…

Mark, o cadáver mutilado diante deles, era um mercenário veterano capaz de lidar sozinho com dezenas de goblins.

O fato de ter sido morto sem sequer conseguir avisar sobre a aproximação daquela enorme horda significava uma coisa para os mercenários:

Aqueles goblins mutantes não tinham nada de comuns.

Os cavaleiros que seguravam as armas ao lado dos mercenários também perceberam que a situação era grave.

Mesmo que houvesse apenas algumas centenas de goblins, aquela luta seria extremamente desfavorável para os cavaleiros.

Sozinhos, talvez conseguissem lidar com eles. Mas agora precisavam proteger os nobres.

E goblins eram monstros astutos, perfeitamente capazes de explorar essa fraqueza.

Enquanto os mercenários pareciam paralisados pelo medo diante da aparência estranha dos goblins e da morte de Mark, os cavaleiros capazes de sentir magia perceberam algo a mais.

Os goblins diante deles estavam imbuídos de poder mágico.

Mesmo uma pequena quantidade de magia dentro de um monstro aumenta consideravelmente suas capacidades físicas, e os cavaleiros sabiam disso.

Os cavaleiros cerraram o rosto diante dos uivos estranhos dos goblins e do ataque que parecia prestes a começar.

Tum!

Uma muralha de pedras e escombros ergueu-se de repente no meio da horda.

Todos os olhares se voltaram para ela.

O mago que lançara a magia de luz reconheceu aquela parede como "Muralha de Pedra", uma magia de 3º nível.

Logo depois, uma barreira translúcida de um escudo de 2º nível se formou além da muralha, e a expressão dos cavaleiros passou do desespero à confusão.

Os olhares hostis dos goblins se concentraram por completo na muralha.

— Reforçar!

Uma voz calma ecoou pelo ar.

A voz continuou logo depois:

— Comprimir.

Com um forte ruído de pedras se partindo, a esfera translúcida encolheu rapidamente e deformou a muralha de pedra, comprimindo-a para dentro.

Tum, tum…

No silêncio que se seguiu, o som de passos fez cavaleiros e mercenários voltarem a atenção para uma única direção.

Um homem se aproximava. Mesmo naquela situação de vida ou morte, parecia completamente tranquilo, caminhando com uma expressão indiferente.

Os nobres e cavaleiros logo perceberam que aquele homem era o conde Palatio.

— Vácuo.

Assim que seus lábios se moveram outra vez, o escudo arredondado transformou-se numa massa áspera de pedra, mais ou menos do tamanho de uma bola de futebol largada à beira de uma estrada.

Então Alon pronunciou as últimas palavras:

— Retorno à Origem.

O bracelete em seu pulso começou a emitir uma tênue luz cinzenta.

Bum!!!

As pedras comprimidas explodiram para todos os lados como chumbo de espingarda, despedaçando dezenas de goblins.

Tudo aconteceu num único instante.

Nobres, cavaleiros e mercenários ficaram em silêncio, de boca aberta, enquanto observavam os goblins imbuídos de magia serem reduzidos a pedaços de carne.

Entre eles, os olhos dos condes Crylde e Edolon se arregalaram tanto que pareciam prestes a saltar das órbitas.

Com todos os olhares voltados para si, Alon disse apenas:

— Parem de ficar aí parados e se preparem.

Sua voz permaneceu calma enquanto ele olhava para a frente.

Como se estivessem hipnotizados, os cavaleiros e mercenários ergueram as espadas.

O medo que vinha se espalhando por seus corações desapareceu por completo, quase como por magia.

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