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Raising Villains the Right Way – Capítulo 31

Para que serve este duelo? (3)

Tradutor: miggigibe


O clarão ofuscante que por um instante devolvera ao campo nevado sua brancura e atraíra todos os olhares durou apenas um breve momento. Quando passou, restaram apenas poeira e uma nevasca, e a planície voltou mais uma vez ao seu tom acinzentado.

Todos ficaram em silêncio. Um silêncio tão profundo que até o menor suspiro parecia proibido. Só o som fraco de cascalho se desfazendo e poeira caindo preenchia o espaço, enquanto os vivos fitavam Alon com expressões variadas.

Os olhos dos soldados estavam tomados de assombro. Os dos cavaleiros, de esperança. Alon, porém, alvo de todos aqueles olhares, apenas mantinha a expressão vazia. Para ser mais exato:

'Por favor, por favor, por favor.'

Ele rezava com todas as forças. Desejava sinceramente que aquele golpe tivesse aniquilado o Deus Exterior. Mas…

— Ah.

Ao ouvir um murmúrio baixo e decepcionado vindo de alguém por perto, Alon percebeu que suas preces não tinham chegado aos céus. Diante dele, o gigante continuava de pé, com os braços erguidos em triunfo, voltado para o pôr do sol e com uma expressão radiante. Um enorme buraco atravessava seu peito.

[Impressionante.]

Uma voz grave. A visão do gigante sorrindo abertamente mesmo com o coração perfurado encheu soldados e cavaleiros de uma reverência que ia além do medo. Para Alon, porém, aquilo só trazia um desespero sem fim.

'Acabou.'

Seu ataque realmente acertara Ultultus em cheio. O problema era que destruíra apenas o coração, em vez de obliterar o corpo inteiro.

'…Faltou poder de fogo?'

Objetivamente, para alguém que só havia chegado recentemente ao 3º nível de magia, conseguir produzir tamanho poder de fogo já dependia de vários fatores. Entre eles, as restrições tinham um papel enorme. Tanto o uso das fórmulas babilônicas quanto a força bestial já constituíam restrições claras, mas, desta vez, as restrições que Alon impusera eram ainda mais rigorosas.

Na verdade, até no jogo, designar uma "espécie" ou um "inimigo específico" como alvo de uma restrição aumentava o poder bruto da magia em mais de 100% e 200%, respectivamente. Além disso, o tempo de encantamento, que normalmente seria inviável para uma magia ofensiva, estendera-se por dezenas de segundos. Ele só conseguira acumular tamanha potência porque o adversário não podia esquivar.

Ao preparar ainda uma magia auxiliar que fixava as coordenadas desde o início do feitiço, permitindo elevar ainda mais a potência, Alon enfim conseguira disparar um ataque daquela magnitude.

Em resumo, a magia de instantes atrás era, naquele momento, o golpe mais poderoso de Alon e seu único trunfo. Como falhara, sua derrota era inevitável. O ataque realmente destruíra o coração do Deus Exterior, mas destruir apenas o coração não bastava para fazê-lo desaparecer.

Como se quisesse provar isso, Ultultus continuava orgulhosamente parado no mesmo lugar, ainda com um largo sorriso. Seu corpo estava coberto de queimaduras, e havia um enorme buraco aberto no peito, mas aquele sorriso majestoso permanecia intacto.

[Ah… entendo. Então você ainda preservava sua vontade.]

Murmurando palavras que somente Alon podia ouvir, o gigante falou de maneira enigmática. Alon baixou as mãos, que até então mantinha unidas formando um selo.

Mesmo naquele instante, os efeitos da poção de recuperação da mais alta qualidade continuavam restaurando seu corpo. Ainda sentia desconforto, mas já havia se recuperado o bastante para conseguir se mover. Isso, porém, pouco importava. Depois do feitiço que acabara de lançar, Alon esgotara toda a magia contida no bracelete e já não tinha forças para continuar lutando.

Por isso, por trás da expressão impassível havia apenas desânimo. Alon ergueu o olhar com certa dúvida ao ouvir as palavras seguintes de Ultultus.

?

Foi então que viu. O corpo de Ultultus começava a desaparecer lentamente. Refletindo a luz do pôr do sol, o gigante sumia dos pés para cima, e Alon assumiu uma expressão perplexa.

'Ele está… se desfazendo?'

O pensamento passou rapidamente por sua cabeça, mas Alon logo balançou a cabeça. Nunca vira o desaparecimento de um Deus Exterior acontecer daquela maneira. O breve instante de confusão passou.

[Impressionante, ó nobre. Jamais imaginei que carregasse até mesmo um "ranque" dentro de si.]

Embora não entendesse as palavras do Deus Exterior, Alon continuou ouvindo.

BUM!

Com um grande sorriso, Ultultus sentou-se pesadamente no chão, apoiou o queixo na mão e voltou a falar.

[Ó nobre, embora tenhamos trocado golpes apenas uma vez, foi realmente magnífico. De fato, "o negro" e "o azul" escolheram bem.]

…?

Confuso com a voz repentina em sua cabeça e com aquelas palavras misteriosas, Alon sentiu as perguntas se acumularem. É claro que sua expressão continuou imóvel, sem deixar transparecer nada do que pensava, e Ultultus prosseguiu.

[Como perdi o duelo, darei um presente a você. Também lhe concederei autoridade.]

Ultultus sorriu.

[Lembre-se de nós, os que preservamos o mistério e o legado do grande deus esquecido.]

A essa altura, quase metade do corpo de Ultultus já havia desaparecido, e a velocidade com que se desfazia parecia aumentar. Ainda assim, ele abriu um sorriso ainda mais caloroso e tornou a falar.

[Quando os "Usurpadores" rastejarem para fora das amarras que os aprisionam, invoque-me. Chame-me por meu verdadeiro nome, e não pelas alcunhas falsas e depreciativas que eles espalharam.]

Ele continuou.

[Pois você conquistou esse direito.]

Então…

[Chame-me…]

Com aquelas últimas palavras:

[Deus do Caos e da Desordem.]

O acessório preso à cintura do Deus Exterior caiu no chão, e ele desapareceu por completo, deixando para trás apenas um sorriso persistente, carregado de expectativa.

…?

Depois de testemunhar o desaparecimento completo do Deus Exterior, Alon ficou olhando sem reação para o acessório deixado para trás. Banhado pela luz do pôr do sol, continuou encarando sem expressão o ponto onde Ultultus havia sumido. A cena atraiu a atenção dos soldados e cavaleiros.

Enquanto os vivos observavam a cena, a reverência se espalhou entre eles.


Depois que o gigante desapareceu, a terra antes tomada pelo frio cortante e pelas vozes dos mortos mergulhou no silêncio, preenchido apenas pelo vento gélido. Os mortos-vivos inquietos, incapazes de morrer, enfim encontraram descanso, e os vivos começaram a se reunir para recolher e organizar os restos dos que haviam tombado.

Cerca de um dia depois, com a missão de capturar o Deus Exterior concluída, a expedição voltou a se mover, desta vez em direção a Caliban.

Mais ou menos dois dias depois disso, enquanto Alon voltava com os cavaleiros, da mesma forma que viera para o norte, três mudanças importantes já haviam ocorrido.

— Continência!

A primeira era que praticamente todos os cavaleiros agora lhe prestavam continência assim que o viam. A relação entre magos e cavaleiros nunca fora exatamente ruim, mas ainda existia certa rivalidade entre os dois grupos. Afinal, os magos eram mais próximos de estudiosos, enquanto os cavaleiros usavam magia puramente para o combate. Havia sempre alguma distância entre eles, e nunca existira tamanho respeito mútuo.

Mesmo assim, bastava Alon sair da carruagem ou da tenda para todos ao redor lhe prestarem continência, independentemente do grupo a que soldados e cavaleiros pertenciam. Essa foi a primeira grande mudança que Alon percebeu.

A segunda:

— Vice-mestra da Torre.

— Sim, sim…?

— Só queria perguntar uma coisa.

— P-pode perguntar o que quiser…!

O mal-entendido de Penia, por algum motivo, havia ficado ainda pior. Ao vê-la tremer como uma folha no instante em que lhe dirigia a palavra, Alon assumiu uma expressão preocupada e disse:

— Acho que a senhora está entendendo alguma coisa errada—

— Eu não estou entendendo nada errado…! O senhor é um mago de 2º nível, não é?!

Penia reagiu de forma exagerada. Sua voz tremia e o olhar vacilava, deixando-a com um ar quase digno de pena. Alon, porém, começou a ficar um pouco desanimado por outro motivo.

— …Eu sou de 3º nível.

— A-ah, isso mesmo!! O senhor é um mago de 3º nível! Eu devo ter me confundido…!

Penia assentiu freneticamente diante da voz calma, embora levemente indignada, de Alon.

— …Mas por que a vice-mestra da Torre Azul fala com tanta formalidade com alguém que é só de 3º nível?

— A-ah, é que… é mesmo? Talvez eu devesse falar de maneira mais informal…!

Penia, que agora parecia uma boneca quebrada, tentou abandonar a formalidade. Alon suspirou.

— …Fale como for mais confortável para a senhora.

— Ah, entendido. M-muito obrigada…!

Penia voltou imediatamente ao tratamento respeitoso e abaixou a cabeça em agradecimento. Ao receber gratidão simplesmente por permitir que ela continuasse usando o tratamento formal, Alon começou a se sentir como uma espécie de vilão cruel nos bastidores e logo perguntou:

— Por acaso, a senhora sabe alguma coisa sobre "o negro" e "o azul"?

— Não? E-eu não sei de nada.

— …Tem certeza?

— Sim, realmente. Não sei absolutamente nada.

Penia balançou a cabeça com tanta força que parecia realmente não saber de coisa alguma.

— Se souber alguma coisa, pode simplesmente me contar.

— Eu realmente não sei. Nunca vi nada negro nem azul.

A resposta veio tão depressa que Alon ficou sem palavras, perguntando-se se ela havia sequer pensado no assunto. Percebendo que não conseguiria nenhuma informação útil, assentiu.

— Bom, então eu já vou…!

Penia praticamente saiu correndo. Enquanto escapava da conversa, os cantos de sua boca se ergueram num sorriso estranho, como se aquilo lhe trouxesse uma felicidade imensa. Vendo-a fugir, Alon se sentiu estranhamente magoado.

Enquanto Penia desaparecia ao longe, Alon notou um mago observando-a com olhos cheios de reverência. Foi então que se lembrou das palavras-chave mencionadas pelo Deus Exterior.

'"O negro", "o azul", o sinal e o mistério do grande deus esquecido, o ranque, o herdeiro da vontade e a autoridade.'

De tudo aquilo, Alon só conseguia deduzir uma coisa:

'"O herdeiro do sinal e do mistério do grande deus esquecido" é sem dúvida algo que ouvi quando impus a Restrição por meio do anel… mas, fora isso, não sei de nada.'

Alon levou a mão à cabeça distraidamente. Na verdade, havia muita coisa que não conseguia entender. Embora o resultado tivesse sido favorável, ele ainda não compreendia por que o Deus Exterior, que não deveria ter morrido, fora destruído por aquele ataque.

E não era só isso. Ele não fazia ideia do que Ultultus queria dizer com "o negro" e "o azul", nem entendia a que se referia aquele "ranque".

'Se o único ranque que conheço neste mundo é o ranque divino… mas não pode ser isso, pode?'

Alon também estava perplexo com o verdadeiro nome que Ultultus revelara: "Deus do Caos e da Desordem". O nome lhe parecia estranho demais, mais adequado a uma divindade oriental do que ao deus dos bárbaros do norte que conhecia, o que só aumentava sua confusão.

'Talvez eu entenda se for até lá?'

Alon tirou de dentro do manto o acessório. Era o ornamento de couro com três ametistas enfileiradas que pertencera ao Deus Exterior Ultultus… não, ao "Deus do Caos e da Desordem". No jogo, aquele era um item obtido depois de derrotá-lo, e seu efeito era exatamente dobrar o dano causado pelo usuário.

Entretanto, ao equipá-lo, o dano recebido também dobrava. Por isso, os jogadores o chamavam de "cinto de canhão de vidro". Ao observar a parte interna do ornamento, Alon logo encontrou uma frase gravada.

"Para o herdeiro da vontade: siga para a antiga cidade de Kahara."

Ao ver aquelas palavras, que originalmente não deveriam existir no cinto, Alon deduziu sem dificuldade que aquele era o presente deixado pelo Deus Exterior e começou a refletir.

'…Chegar até lá não vai ser difícil.'

A antiga cidade de Kahara, como o próprio nome indicava, já não existia na era atual. Alon, porém, tinha uma ideia aproximada de onde ficava. Isso porque, no jogo, ela era uma das masmorras secretas que os jogadores podiam acessar depois de chegar à "Colônia".

Enquanto voltava para a carruagem observando a inscrição no cinto…

— …Estava aqui?

— Ah, Deus.

Alon percebeu que Deus começara a acompanhá-lo em algum momento, com a expressão vazia de sempre. Ao vê-lo aparentemente tão inalterado quanto de costume, Alon sentiu um leve desconforto. Isso porque Deus representava a terceira grande mudança que ele notara desde que retornara a Caliban.

É claro que, por fora, Deus não parecia ter mudado tanto assim. Parecia agir com um pouco mais de tensão, mas até isso era quase imperceptível. Não havia nenhuma diferença externa realmente significativa.

Ainda assim, havia um motivo para Alon se sentir um pouco inquieto:

— …Conde.

— O que foi?

— Quer que eu mate a vice-mestra da Torre?

— …Por quê?

— …Ela falou de maneira informal com o senhor, conde.

Desde aquele dia, Deus havia se tornado ainda mais agressivo ao demonstrar seu respeito por Alon, e isso o deixava desconfortável.

— Não precisa.

— …Entendido.

Embora não fosse muito evidente, Deus pareceu um pouco decepcionado com a resposta, fazendo Alon assumir uma expressão estranha.

— Então, conde.

— …O que foi agora?

— Quer que eu faça de dois magos um exemplo?

'O que deu em você?'

Alon sentiu uma onda de tontura…

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