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Release that Witch – Capítulo 1030

A Cerimônia de Coroação

Tradutor: FlorestNerd



“Ela estava… sendo muito ousada”, disse Rouxinol, mal-humorada, enquanto saía da Névoa. “O que ela quis dizer com isso?”

Roland também havia notado a sutil mudança na atitude da Pérola da Região Norte depois que contou a ela como Machado de Ferro havia lidado com os nobres. Ele tinha a vaga sensação de que Edith havia se tornado completamente honesta com ele, o que, na verdade, não era algo ruim.

“Bem…” Roland pensou por um momento e perguntou: “Você consegue dizer se ela está mentindo ou não?”

“Ela estava dizendo a verdade”, respondeu Rouxinol, torcendo a boca. “Ela realmente quis dizer o que disse. Caso contrário, eu a teria impedido e ido até o fundo da questão.”

“Bem, nesse caso, deixe para lá.” Roland sorriu. “Não tenho força nem tempo para ficar adivinhando o que todos estão pensando.”

Rouxinol parou de reclamar instantaneamente depois de ouvir aquelas palavras. Virou a cabeça com indiferença e disse:

“Você… você está certo… Só precisa se concentrar em uma ou duas pessoas, e isso basta.”

Roland precisou fazer um grande esforço para conter o riso. Contraiu os lábios, divertindo-se com o quão ruim Rouxinol era em esconder seus próprios pensamentos. Roland pigarreou e disse:

“Então, vamos voltar para o escritório. Tenho muito trabalho a fazer.”

Ele precisava testar os dois motores de combustão interna recém-desenvolvidos e descobrir como usá-los para alcançar a produção em massa. Além disso, precisava projetar as peças e outros equipamentos mecânicos complementares. Também tinha que trabalhar no projeto e na montagem dos trens blindados, na fabricação da borracha biológica, bem como na expansão das fábricas e dos exércitos.

No entanto, havia uma coisa que superava todas essas tarefas.

Embora fosse apenas uma questão de formalidade, desempenharia um papel significativo na união das pessoas.

No momento em que Olivia chegou a Primavera Eterna, Roland soube que era hora de ascender oficialmente ao trono.

…

Uma semana depois, o Distrito do Castelo de Primavera Eterna foi aberto ao público pela primeira vez. Sob a orientação da polícia e dos guardas, milhares de civis, que haviam passado por um processo de triagem, reuniram-se no pátio, aguardando a coroação com entusiasmo.

As ruas decoradas com fitas e luzes além do Distrito do Castelo estavam repletas de pessoas. Aparentemente, o entusiasmo delas não havia diminuído por causa da neve.

O castelo do Lorde também havia sido temporariamente modificado devido à cerimônia que se aproximava.

O muro do jardim da frente havia sido derrubado e substituído por cercas para que as pessoas pudessem ver o que estava acontecendo lá dentro. Todas as instalações do pátio haviam sido removidas, e novos trechos de grama haviam sido colocados. O público teria uma visão completa de toda a cerimônia assim que subisse a encosta do Distrito do Castelo.

Cada lado do castelo estava decorado com uma bandeira vermelha de bordas pretas, que descia do telhado e se estendia por todo o edifício. A cor viva das bandeiras se destacava em meio à vasta brancura, conferindo um toque de solenidade e grandeza àquele castelo decadente.

A maior mudança havia ocorrido no segundo andar do castelo.

Uma varanda voltada para o portão do jardim da frente se projetava do segundo andar. Sem dúvida, o rei receberia ali as bênçãos de seus súditos após a coroação.

Apenas o projetista da varanda, o ministro Carl, sabia que aquela alteração temporária havia sido feita pelas bruxas. A Srta. Agatha primeiro criou uma parede de gelo, sobre a qual a Srta. Soraya aplicou um “revestimento de tijolos”, fazendo-a parecer parte do castelo.

Com um clima tão frio, a espessa parede de gelo duraria vários dias.


Por outro lado, as pessoas dentro do castelo estavam ocupadas com os preparativos.

“Sua Majestade, está pronto?” A voz de Wendy surgiu do lado de fora do quarto. “Todos os ministros e convidados estão aqui esperando por você.”

“Entendi. Só me dê um momento”, respondeu Roland.

Ele se virou para a garota de vestido branco e perguntou:

“Você está pronta?”

“Espere um pouco… Ainda estou um pouco nervosa.” A garota não era ninguém menos que Anna. Ela olhou para a multidão lá embaixo através da cortina, aparentemente ansiosa com o frenesi que acontecia ali. “Tem certeza de que quer que eu vá com você? O oficial de cerimônias me disse que nenhum rei fez isso antes.”

Roland percebeu que Anna não era tão destemida quanto ele imaginava. Embora estivesse sorrindo, ainda estava preocupada e perdida diante de um evento tão grandioso. Sua confiança vinha de seu excelente desempenho acadêmico e de seu desejo por novos conhecimentos. Quando se dedicava ao trabalho, era uma verdadeira gênia. Apesar de todo o seu talento, porém, ela era essencialmente uma jovem de vinte e poucos anos, nascida e criada no campo.

Anna certamente não estava acostumada a se apresentar diante de milhares de pessoas.

Roland sorriu e disse baixinho:

“Então vou estabelecer um precedente. Ou você quer que eu mesmo me coroe?”

“Não, claro que não.” Anna balançou a cabeça. “Eu só…”

Roland se aproximou dela, abraçou-a e disse:

“Nesse caso, vou colocar de outra forma.”

“Outra forma?”

“Sim.” Roland respirou fundo e perguntou em um tom muito sério: “Senhorita Anna, eu gostaria de tê-la como minha esposa. Você aceita a minha proposta?”

“Haha.” Anna caiu na gargalhada. “Não, eu não sou mais uma prisioneira. Além disso…”

“O que mais?”

“É tão repentino.” Ela bateu no ombro de Roland com seu pequeno punho, depois estendeu a mão direita enluvada e disse: “Obrigada, Roland. Vamos.”

Roland apertou a mão dela com força e respondeu:

“Como desejar.”


O casal abriu a porta, atravessou o corredor, desceu as escadas e entrou no saguão do andar térreo.

O silêncio tomou conta do salão no mesmo instante. As pessoas automaticamente abriram caminho para os dois enquanto curvavam a cabeça.

Roland olhou para as bruxas de Primavera Eterna à sua esquerda enquanto seguia em frente. Viu Tilly, Cinzas, Rouxinol, Wendy, Raio e Agatha… Completamente diferentes de como eram três anos atrás, elas haviam se integrado à sociedade e se tornado uma parte inseparável do reino.

À sua direita estavam os funcionários da Prefeitura e os oficiais locais, incluindo Barov, Edith, Machado de Ferro, Carl, Kyle, Theo, Yorko e assim por diante. Eles formavam os órgãos governamentais do Reino de Castelo Cinza. Ao longo dos anos, haviam se elevado de pessoas comuns a figuras políticas proeminentes.

A coroação deveria ter sido um procedimento muito complicado. No entanto, como as bruxas e os funcionários de Primavera Eterna já haviam reconhecido a legitimidade de Roland, o processo foi consideravelmente simplificado.

Roland levou Anna ao centro do salão, onde havia uma mesa de pedra com duas coroas de ouro sobre ela.

Como tanto o rei Wimbledon III quanto a Igreja de Hermes haviam partido, Roland recusou o pedido do oficial de cerimônias para conduzir a coroação, insistindo que o rei e a rainha deveriam coroar um ao outro.

Foi a primeira vez na história de Castelo Cinza que um rei e uma rainha foram coroados ao mesmo tempo.

O oficial de cerimônias certamente se opôs à sugestão de Roland, mas sem sucesso. Surpreendentemente, Barov ficou do lado de Roland dessa vez.

Roland se abaixou e permitiu que Anna o coroasse. Em seguida, colocou gentilmente a outra coroa sobre a cabeça dela.

Quando os dois se viraram, todos se ajoelharam.

“Viva o nosso rei!”

Sob os aplausos da multidão, Roland e Anna caminharam até o outro extremo do salão, saindo do salão abobadado e entrando na varanda.

Houve uma explosão de barulho lá embaixo!

Antes mesmo que ele levantasse a mão para acenar, uma ovação ensurdecedora o inundou.

“Vida longa ao Rei Roland!”

“Vida longa ao Rei!”

“Viva a Cidade de Primavera Eterna!”

Os aplausos eram estrondosos. A multidão foi tomada pela euforia quando o rei ascendeu ao trono. Confetes e pétalas caíam da varanda e giravam no vento frio. Por um momento, ninguém mais parecia se importar com as rajadas de neve.

Assim que o sino da cidade tocou, os canhões no acampamento do Primeiro Exército também produziram rugidos estrondosos à distância.

Ali, na fronteira entre a Terra Bárbara e a Região Ocidental, ergueu-se o novo Rei de Castelo Cinza.

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