Enquanto Subaru olhava para aquela coisa, seus olhos se arregalaram, chocado ao ponto que ele momentaneamente esqueceu de respirar.
Echidna: Embora eu já esperasse que você reagisse dessa forma, ainda assim é um de pouco exagero você ter ficado tão chocado. Apesar da minha aparência, eu sou, por gênero, uma mulher… bem, na verdade, eu sou um espírito, é difícil dizer se eu tenho ou não um gênero. Talvez eu deva apenas dizer que eu me identifico como uma mulher?
Cabelo branco como a neve e olhos negros penetrantes, uma voz neutra e palavras complicadas. Essas características o lembravam daquela bruxa que se vestia de preto, cuja personalidade era bem parecida com a daquela raposa.
Subaru: Que… que piada sem graça. Você tá dizendo que é Echidna?
Seu primeiro encontro com a Bruxa da Ganância foi antes do primeiro teste do Santuário, durante uma das suas festas do chá. Ela havia seduzido seu convidado com palavras doces, na tentativa de transformá-lo em uma marionete, dançando da maneira como ela quisesse. Acima de tudo, ela queria usá-lo para obter as respostas que ela mesmo não poderia testemunhar. Pode-se dizer que ela era a curiosidade encarnada em forma de ser humano. Ela era alguém que Subaru nunca imaginou que veria novamente.
Subaru: Você… você se transformou em uma raposa? Parece brincadeira… E ainda por cima em uma situação complicada como essa, o que você tá fazendo dessa vez?
Anastasia: Espere um pouco, pare de tirar conclusões precipitadas e escute!
Subaru recuperou-se um pouco de seu choque inicial, pronto para tirar satisfação com essa raposa branca que clamava ser Echidna. Entretanto, ao ouvir Anastasia, ele se conteve. A hostilidade de Subaru sobre a raposa branca também se voltou para Anastasia, que estava andando casualmente com aquela coisa no pescoço.
Subaru: Não brinque comigo! Não me venha com essa! Você… você… O que diabos vocês fazem juntas? Ela deveria estar no santuário.
Anastasia: Eu realmente não sei do que você está falando, mas já faz uma década desde que eu conheci Echidna… e desde então nós quase nunca nos separamos. Isso não é um pouco incompatível com a sua história?
Subaru: Há uma década…?
Só de pensar naquela bruxa que havia planejado por tanto tempo vagar livremente pelo mundo fazendo o que queria deixou Subaru indignado. De acordo com a própria Echidna, ela não conseguia deixar aquele castelo dos sonhos. Então, se mesmo antes daquele momento ela havia planejado algo assim…
Subaru: Você é sempre assim… gosta de ver os outros vagando pela escuridão enquanto ri de sua ignorância.
Echidna: Mas que coisa… parece que estou realmente sendo detestada. Embora eu esteja certa de que isso é problemático para você, parece ser apenas um mal-entendido não esclarecido.
Anastsia: Exatamente, é como Echidna disse.
Em contraste com a fúria de Subaru, Anastasia e a raposa branca se entreolhavam de forma calma e compreensiva. A raposa então balançou a cabeça de uma forma surpreendentemente humana.
Echidna: Apesar de eu não ter a menor ideia sobre o porquê você desconfiar tanto dessa outra Echidna, posso dizer que isso não tem nada a ver comigo.
Subaru: O que você quer dizer?
Echidna: É muito simples. Eu não sei nada sobre nenhuma Echidna sem ser eu mesma, uma vez que nasci sem saber de nada, exceto meu nome, Echidna, e minha raça, espírito artificial. É tudo que sei sobre minha origem.
Subaru: O quê?!
Ele esperava por algum tipo de explicação, mas a raposa branca falou de forma estranha, de uma forma que não combinava com Echidna. Na verdade, se ela realmente fosse Echidna, qualquer coisa que ela dissesse poderia ser apenas uma mentira para enganar Subaru. Alegando ser um espirito artificial e ainda por cima se chamando de Echidna… embora ela dissesse que não tinha memórias de Subaru, ele não conseguia simplesmente acreditar nela.
Anastasia: Qual o problema? A expressão de Natsuki-kun está cheia de desconfiança.
Subaru: É claro, para mim, que conheço a verdadeira natureza de Echidna, reagir dessa forma é completamente natural. Você também deveria… foi mal. Echidna está dizendo que não se lembra de nada, certo?
Anastasia: Parece que você realmente não tem a intenção de acreditar… E nesta situação que estamos trabalhando com um limite de tempo… isso é realmente problemático.
Ao contrário da forma desconfiada com que Subaru falava, Anastasia continuava falando da mesma forma como de costume. Echidna estava trabalhando com ela, só isso já era o suficiente para que Subaru desconfiasse de Anastasia, e apesar de ele respeitar Julius e Ricardo, ele teria de reavaliar o quanto confiaria neles. Ele não podia esperar que os subordinados e o líder pensassem de forma diferente quanto a isso.
Subaru: Por que você está me dizendo seu nome, se não tem memória nenhuma? Além de tentar ganhar minha confiança? Era pra me convencer de que você não é ela?
Ela havia dito seu nome e contado um pouco da sua origem. Aquilo não provava que ela era a Echidna da festa do chá? O que significava que ela não era a Echidna no caixão, a qual Roswaal buscava. Não havia dúvidas de que ela era aquela que Subaru havia conhecido. Nesse caso, havia muitas perguntas que Subaru queria fazer a ela, no entanto ele sabia que não era hora. Encarando Subaru impaciente e desconfiado, Anastasia suspirou cansada.
Anastasia: Se você não tivesse perdido a transmissão, as coisas não teriam ficado tão complicadas.
Subaru: A transmissão do Culto da Bruxa? O que isso tem a ver?
Echidna: Uma das exigências era “entreguem seus espíritos artificiais”.
A raposa branca respondeu à pergunta com simplicidade. Aquela exigência deixou os pensamentos de Subaru em branco, enquanto ele lutava para entender as implicações por trás daquela exigência. A transmissão, o Culto da Bruxa, os espíritos artificias. Tudo isso significava que…
Subaru: Será que…
Echdina: Embora seja algo difícil de acreditar, eles querem nossos espíritos artificiais… ou seja, eles querem aquela garota que anda com você. Então, não é apenas natural que lhe chamemos para conversar?
Subaru: Como você sabia que Beatrice era um espírito artificial?
Echidna: Eu percebi no momento em que a vi, é tudo que eu consigo dizer. Eu não tenho certeza como, mas eu acho que ela também consegue reconhecer apenas olhando. Talvez seja algum tipo de detecção de espírito?
Com uma atitude um pouco mais cautelosa, a raposa branca respondeu às perguntas de Subaru uma a uma.
Beatrice não tinha mencionado nada sobre durante seu primeiro encontro com Anastasia. Contudo, é bem possível que Beatrice tenha percebido algo, mas, incerta acerca da precisão de sua percepção, ela não se manifestou, ocultando sua preocupação. Por que ela tinha que carregar aquele fardo sozinha nos ombros? Subaru virou-se para perguntá-la, porém imediatamente sentiu uma forte dor no peito, como se alguém esfaqueasse seu coração.
Echidna: O fato daquela garota não conseguir me detectar adequadamente é inevitável. Eu tenho muitos defeitos como um espírito, mal consigo fazer um contrato de forma decente com alguém. Nem ao menos magia para combate eu consigo usar de forma eficiente. Para compensar tudo isso, eu confio na minha habilidade de ocultar minha presença, esta confiança se mantém inabalável até hoje.
Subaru: Não consegue formar um contrato… então você e Anastasia…
Anastasia: Esta criança e eu não temos uma relação de espírito e contratante. Essa relação exige algo completamente diferente… Em vez disso, você poderia nos considerar como sendo cúmplices uma da outra.
Echidna: Desejo testemunhar o futuro desta criança, por isso que eu estou a seguindo. Estou com ela há anos, nos tornamos algo como parceiras ou coisa parecida. De tempos em tempos, ela até mesmo discute seus negócios comigo.
A raposa branca falou sorrindo, enquanto Anastasia coçava levemente o pescoço. A relação entre elas parecia ser harmoniosa; elas também pareciam compartilhar um certo grau de confiança.
Subaru: Por que… Por que você revelaria assuntos internos de sua facção que não tem nada a ver com a batalha em questão?
Echidna: Não é natural que revelemos alguns de nossos assuntos internos se queremos ganhar sua confiança? Além disso, com a vida de toda a cidade em jogo… neste momento crítico, cabe a nós agir. Não seria bom se entrássemos em conflito internamente apenas por causa de um pequeno detalhe, relativamente insignificante.
Anastasia: Eu realmente queria a impedir, mas… essa criança não liga pros conselhos dos outros depois de ter se decidido, então… eu gostaria que você ao menos a escutasse.
Echidna estranhamente estava agindo de forma honesta e genuína, as palavras complementares de Anastasia também foram bem convincentes. Subaru entendeu o porquê Anastasia estava agindo de forma tão fria: era apenas para criar uma situação onde ela pudesse ficar sozinha com Subaru. A fim de persuadir Subaru, ela certificou-se de remover Garfiel e Julius do local.
Anastasia: Obviamente, não aceitarei as exigências do Culto da Bruxa, mas exijo que Natsuki-kun esteja ao meu lado em relação a esta parte que diz sobre o espírito artificial. Caso contrário, mesmo que rejeitemos suas exigências, nem todos aceitarão nosso posicionamento tão facilmente.
Subaru: Eu não tenho a menor intenção de ouvir o que aquele bando de idiotas tem a dizer, concordo completamente com você… mas isso não significa que todas as minhas dúvidas sobre aquela Echidna raposa foram esclarecidas.
Anastasia: Você realmente não gosta desse nome… Essa Echidna que você conhece é tão mal caráter, Natsuki-kun? É um tanto incômodo que você direcione essa hostilidade para a minha Echidna.
Subaru: Peço desculpas se ela for alguém completamente diferente, mas a sua atitude e a forma como ela fala é quase idêntico… e…
Anastasia: E?
Subaru procurou as palavras certas para explicar para a confusa Anastasia. Subaru ainda não tinha certeza sobre a natureza dos espíritos artificiais, mas ele sabia que Beatrice e Puck foram ambos criados por Echidna. É claro, se a raposa branca realmente fosse um espírito artificial, possivelmente ela também foi criada por Echidna.
Em busca de alcançar a vida eterna, Echidna projetou uma réplica artificial de si mesma. Muitas de suas palavras não eram exatamente confiáveis, mas se tudo que ela disse fosse de fato verdade, então a conclusão de que Echidna havia se tornado um espírito artificial era razoável.
Jogando fora seu próprio corpo, livrando-se da noção de expectativa de vida. Se fazendo isso ela pudesse estender sua existência… aquilo realmente combinava com a Bruxa da Ganância, que buscava pela onisciência.
Então… se a raposa branca era realmente o espírito artificial que se autonomeava de Echidna… Entretanto, ela alegava que não tinha memórias, seria verdade ou não?
Anastasia disse que elas estavam juntas há mais de uma década. Contudo, somente aquilo não era o suficiente para acreditar nela. Não seria surpresa se ela estivesse planejando algo por uma década. Se alguém dissesse que ela estava planejando tudo para quando chegasse naquele exato momento… Subaru acreditaria.
Anastasia: Ei, ei, ele parece estar nos olhando de uma forma bem agressiva.
Echidna: Esse ódio tão profundo me deixa curiosa sobre essa outra Echidna, mas eu acho que deveríamos deixar esse assunto pra depois. Independente dele acreditar ou não, é irrelevante para nós. A propósito, Ana, você não deveria contar a ele o que está acontecendo?
A raposa branca falou com um tom de voz derrotado, como se já tivesse aceitado a desconfiança de Subaru. Anastasia então encolheu os ombros e bateu palmas, retomando a conversa.
Anastasia: Bem, agora que a maior parte das suas dúvidas foram esclarecidas, vamos ao tópico principal: o Culto da Bruxa. Eles fizeram outras três exigências.
Subaru: Outras três… um total de quatro então?
Anastasia: Sim, coincidentemente também é o número total de Arcebispos restantes. Como a maioria dos pedidos é claramente uma provocação… bem, tente não ficar muito bravo.
Exigências provocativas… novamente, eles foram longe demais. O Culto da Bruxa novamente desafiou a crença de Subaru de que eles não poderiam ir ainda mais longe. Anastasia, enquanto acariciava a cauda da raposa branca, disse…
Anastasia: A primeira exigência, feita pela Gula, é que entreguemos nossos espíritos artificiais.
Subaru: Gula…
Anastasia: Embora eu tenho muito que comentar sobre, deixarei para depois. Próximo foi da Ira, ela quer o Livro da Sabedoria que foi trazido para esta cidade.
Subaru: hk!?
Diante de outra surpresa inesperada, Subaru involuntariamente arregalou os olhos. Vendo isso, Anastasia estreitou seus olhos ligeiramente coloridos.
Anastasia: Julgando pela sua reação, Natsuki-kun, parece saber algo sobre isso, estou correta?
Subaru: ……
Anastasia: Não se preocupe, isso é muito bom. Isso veio me intrigando um pouco, nem Echidna, nem Julius sabiam nada sobre isso.
Subaru: … Aquela raposa disse que não sabe de nada? Nem sobre o Livro da Sabedoria…
Anastasia exibiu um leve sorriso. Afinal de contas, antes disso, ela estava preocupada com algo que não tinha a menor ideia do que se tratava. Mas, agora, ela tinha encontrado um vislumbre de esperança.
Echidna: Não, lamento que eu não saiba de nada… mas se você me permite especular… eu diria que essa Echidna que você conhece está ligada ao Livro da Sabedoria, correto?
Subaru: Sim, exatamente isso.
Echidna: Nesse caso, vou ter que perguntar, mesmo que não queria. Que tipo de pessoa era a sua Echidna? Ela tinha algum tipo de ligação com o Culto da Bruxa?
Embora Subaru acreditasse que ela não estava fingindo ignorância, ele sentiu que Anastasia e sua raposa branca tinham uma percepção bem inusitada sobre Echidna. É claro, considerando a natureza delas, era inevitável. Se você acreditasse no que a raposa branca disse, “Echidna” se referia apenas a sua própria existência, apenas Subaru sabia sobre a outra Echidna, o criador deste espírito artificial. Isso provava que exceto pelo nome da Bruxa da Inveja, as outras bruxas caíram no esquecimento.
Subaru: Echidna… é o nome de uma bruxa de muito tempo atrás. Além da bruxa da inveja, outras bruxas também existiam, Echidna era uma destas. Embora ela esteja morta, sua alma ainda está presente, por isso pude ter um encontro com ela, desde então, sempre tomo cuidado com tudo relacionado a ela.
Anastasia: Natsuki-kun… você está com febre por acaso? Você está falando coisas bem estranhas.
Subaru: Não tem nada de errado comigo. Essas bruxas realmente existiram. Elas podem até mesmo criar espíritos artificiais, então aceite pelo menos isso.
Echidna: Nesse caso… Essa Echidna pode ser minha mãe…
Com a resposta de Subaru, vieram várias implicações: a raposa branca conseguiu chegar a uma conclusão, mesmo aquelas palavras sendo duvidosas. Embora ele não esteja tentando esconder nada, Subaru sentiu um leve arrependimento por não ter dito aquilo diretamente.
Echidna: Em um momento tão inesperado, descobrir o segredo por trás do meu nascimento é sem dúvidas uma das muitas alegrias da vida. Quando puder, certifique-se de me dar mais detalhes.
Subaru:.. Mesmo sendo um espírito, é perceptível que você não sabe nada sobre a existência de espíritos artificiais. Nossa Beatrice parece saber muito mais que… não, parando pra pensar, ela nunca falou nada sobre você. De onde você veio, qual seu propósito?
Echdina: Infelizmente, não sei de absolutamente nada, nem sobre as circunstâncias do meu nascimento e nem sobre o propósito da minha criação, sim, isso é um mistério para mim. No momento, eu estou simplesmente acompanhando esta criança.
Diante do questionamento de Subaru, a raposa branca olhou para Anastasia, que lentamente redirecionou seu olhar para Subaru.
Anastasia: Estou bem curiosa sobre a relação entre a Echidna e a bruxa, mas por hora, vamos voltar ao assunto do Livro da Sabedoria…
Subaru: O Livro da Sabedoria é a origem do gospel do Culto da Bruxa… é basicamente a versão completa… O Livro da Sabedoria usa os mesmos princípios da Pedra do Dragão.
Anastasia: Os mesmos princípios da Pedra do Dragão… Isso significa que a credibilidade seria incrivelmente alta. É possível que a própria bruxa tenha feito o livro?
Subaru: Foi isso que ela deu a entender, mas as duas cópias existentes deveriam ter sido queimadas. Se novas cópias foram feitas, eu não sabia.
Echidna tinha dado cópias do Livro da Sabedoria para Beatrice e Roswaal. Ambas as copias, certamente, tinham sido destruídas há um ano. O livro de Beatrice tinha virado cinzas junto da Biblioteca Proibida, Ram havia queimado o livro de Roswaal.
Anastasia: Mas isso é apenas as palavras que você ouviu da bruxa Echidna. As palavras dela realmente são verdades?
Subaru: Também tem isso…
Embora infeliz que Anastasia simplesmente negou sua afirmação, Subaru sabia que a credibilidade daquelas declarações não eram muito altas. Contundo, ele não achava que Echidna tinha mentido sobre isso. Era uma intuição que apenas Subaru que falou cara a cara com a bruxa teria.
Subaru: ——
Anastasia: Não confia na pessoa, mas sim em suas palavras. Que pessoa problemática para Natsuki-kun.
Subaru: Eu também acho… Eu obviamente não confiei nela, mas confiei em suas palavras, que contraditório…
Toda ação de Echidna tinha sido precisamente calculada, apenas com o intuito de transformar Subaru em sua marionete. Entretanto, nem tudo que ela disse era de fato mentira. Subaru genuinamente acreditava ou ainda estava sendo influenciado pela bruxa?
Anastasia: Deixando de lado seus sentimentos pessoais, podemos chegar a três possibilidades quanto ao Livro da Sabedoria. A primeira, é que a bruxa mentiu e mais cópias foram feitas.
Subaru: A segunda é que o Culto da Bruxa não sabe que o Livro da Sabedoria não existe mais e está apenas brincando com a gente. E a terceira seria?
Anastasia: A menos que ela tenha mentido, só existe uma forma do Livro da Sabedoria ainda existir. Isto é, uma das copias não foi completamente destruída, ainda existem vestígios.
Subaru: O que…?
Que o Livro da Sabedoria ainda tinha deixado vestígios era algo que Subaru não tinha considerado. Anastasia balançou o dedo para Subaru, que estava estupefato.
Anastasia: Embora não seja completamente certo, o livro foi feito por uma bruxa, certo? Não podemos dizer que provavelmente seria difícil de destruir e talvez até mesmo capaz de se regenerar?
Subaru: De fato, não é impossível… mas a questão é… quem teria encontrado e mantido uma cópia restaurada?
Anastasia: Se você não viu com os próprios olhos que o livro foi queimado, e se ele foi visto pela última vez em lugar facilmente acessível… talvez eu esteja pensando demais, a segunda hipótese é bem mais provável, mas independente de como for, não aceitaremos a exigência.
Anastasia então levou a mão a boca, enquanto Subaru refletia naquelas diversas possibilidades. Quem poderia ter acesso aos vestígios do Livro da Sabedoria…? A cópia da Biblioteca certamente foi destruída junto da biblioteca. Mas e quanto ao livro de Roswaal? Embora ele tenha ouvido que Ram tinha queimado com magia… contudo nesse caso deveria ter virado cinzas e ter sido enterrado sobre a tempestade de neve. Se ainda existissem vestígios, alguém certamente teria pego, mas…
Subaru: Se alguém o trouxe para cá, então seria alguém da minha facção, sem dúvidas teria me contado. Creio que o Livro da Sabedoria não esteja aqui.
Anastasia: Nesse caso, não importa. Não preciso me preocupar tanto por causa de um livro que eu nem conheço direito.
Embora ele acreditasse, talvez seus verdadeiros sentimentos fossem mais próximos de “querer acreditar”. Anastasia não queria se aprofundar nos detalhes acerca do Livro da Sabedoria, ao invés disso:
Anastasia: Em seguida, temos Ganância e Luxúria. Simples e direto, não vale a pena a discutir sobre suas palavras.
Subaru: Esses dois… não, eles não são diferentes. Então, o que eles disseram?
Capella, Arcebispo da Luxúria, era sem dúvidas a pior de todas. Mesmo antes de conhecê-la, Regulus havia causado um dano severo em sua perna, além de sequestrar Emilia; Subaru realmente tinha motivos para odiá-lo. Além disso, sua imprevisibilidade também preocupava Subaru.
Anastasia: Espero que você não se irrite muito quando eu falar.
Subaru: Farei meu melhor, vamos ver…
Com uma expressão de “se você está dizendo…” Anastasia suspirou e disse…
Anastasia: A exigência da Luxuria não é como a dos outros, aparenta ser apenas uma forma de nos zombar… Era algo como “Enviem vinte casais para a torre de controle, eles não serão prejudicados.” (Obs: Mudado na Light Novel para “os restos mortais da bruxa do orgulho”)
Subaru: Aquela vadia mentirosa! O que diabos ela quer dizer com “eles não serão prejudicados”?! Por acaso ela esqueceu que ela transforma as pessoas em moscas e dragões apenas por diversão?!
Como sempre, Subaru enfureceu-se com as ações malignas de Capella. Vinte casais… só de pensar o que um monstro como Capella faria era assustador.
Anastasia: Pelo que eu posso concluir, o Arcebispo não considera mudar a forma de alguém como prejudicar. “Eu não vou ferir ninguém” é mais parecido com o significado das palavras dela… Quase senti como se pudesse vê-la falar. Bem, em seguida temos a exigência da Ganância…
Subaru: ……
Subaru optou por ficar em silêncio, enquanto aguardava as palavras de Anastasia. Entretanto, ela parecia não conseguir continuar, hesitando por um tempo considerável, então…
Echidna: A exigência do homem que se autoproclamava como Ganância era celebrar um casamento com sua noiva de cabelos prateados. Ele exigiu não ser interrompido durante seu casamento.
Anastasia: Echidna…
Echidna: Ana parece ter dificuldades em dizer, espero que esteja tudo certo em eu continuar.
Em vez de Anastasia, a raposa branca em seu pescoço prontificou-se e respondeu. A troca de pensamento entre as duas foi completamente ignorado por Subaru, “Celebrar um casamento com sua noiva de cabelos prateados” Quem seria a noiva de Regulus, Arcebispo da Ganância? A resposta era óbvia.
Subaru: VÁ SE FUDER!! SEU FILHO DA PUTA!
A forma como Subaru reagiu era completamente compreensível, no entanto, Anastasia não pôde deixar de franzir a testa, a raposa branca também se arrepiou. Aquela era a raiva de Subaru, de forma curta e grossa. Em sua mente, a imagem do homem de cabelos brancos veio em sua cabeça, aquele homem, que possuía poderes sobrenaturais, sequestrou Emilia e insistiu que o único valor que ela tinha estava em seu rosto. Ele era apenas um doente da cabeça, qual era o absurdo que ele estava pensando dessa vez?
Subaru: Então eles querem o Livro da Sabedoria, Beatrice e Emilia! O Culto da Bruxa não vai tocar em nenhum deles! Eles vão pagar por essas exigências de merda!
Anastasia: Eu imaginei que fosse reagir dessa forma, mas ouvir você dizer dessa forma é realmente reconfortante.
Vendo a forma vibrante com que Subaru falava, Anastasia sorriu. Não porque era um clima agradável, mas sim pois ela compartilhava do mesmo sentimento.
Anastasia: Nossos espíritos artificiais… Bem, eu não tenho a menor intenção de entregar Echidna para eles. Além disso, também me recuso a permitir que o Culto da Bruxa me intimide dessa forma. Eu trouxe Crusch-san e Emilia para esta cidade, e eles ousam fazê-las sofrer… Eu não serei capaz de encará-las novamente se eu não nos tirar dessa situação.
Echidna: Você é realmente uma guerreira, Ana.
Anastasia: Eu sei exatamente como podemos agir sobre esta situação para garantir a vitória. No momento, não podemos fugir, temos que esmagar o Culto da Bruxa e garantir que paguem por tudo que fizeram.
Calculando os males, reputação, vitórias e derrotas. A forma como ela falava podia não deixar claro, mas ela não tinha a intenção de retirar-se do campo de batalha. Ao contrário de Julius, Garfiel, Wilhelm, ou até mesmo Ferris, pode-se dizer que ela era a única que poderia ser criticada pela forma imprudente com que ela falava acerca do Culto da Bruxa, uma vez que ela não havia testemunhado os horrores que eles haviam praticado; entretanto, Subaru não tocou no assunto. Não havia necessidade de dizer coisas que abaixassem sua moral, e mesmo que a sua presença fosse apenas por vingança, ela ainda era uma aliada, alguém em quem poderia se confiar.
Anastasia: Creio que todos partilham deste mesmo sentimento, mesmo que um pouco. Dito isso, embora eles estejam alguns passos à frente, terminar assim é inaceitável! Procuramos desculpas para o fracasso quando estivermos no outro mundo!
Subaru:“——“
Anastasia: Enquanto estivermos vivos, ainda há chance. Nós não podemos desistir das nossas vidas! Seria trágico…
Um sorriso gentil apareceu no rosto de Anastasia, enquanto ela mostrava sua vontade de ferro. A pressão que emanava de seu corpo pequeno poderia fazer qualquer um esquecer que ela não era uma guerreira, que não tinha experiência no campo de batalha… Não, isso estava errado, ela era uma guerreira, já havia participado de várias batalhas. Se tratando de inteligência, ela era uma guerreira obstinada.
Anastasia: Seja Crusch-san ou as pessoas que perderam sua forma humana, se capturamos Luxúria, ela deve ser capaz de reverter o que ela fez. Natsuki-kun, sua amada princesa foi capturada, isso não é algo que você vai simplesmente aceitar, certo?
Subaru: Nem precisa perguntar! Emilia não pertence à aquele desgraçado, ela é minha noiva! Também vou vencer aquele desgraçado do Gula e trazer Rem de volta! Vou pegar aquela Sirius e vou arrancar os dentes dela! Vou arrastar aquela Capella até aqui, vou fazê-la se desculpar e fazer com que todos voltem ao normal!
Echidna: Céus… Ana e Natsuki-san estão tratando do impossível como se fosse algo fácil. Mas é exatamente isso que eu mais gosto em vocês.
Subaru reproduziu a forte declaração energética de Anastasia, vendo isso, a raposa branca assentiu em satisfação. A primeira e a segunda batalha tinham terminado em derrota. Mas a próxima estava bem a frente deles. Ninguém iria morrer, eles não permitiram que ninguém morresse. Eles sobreviveriam, vitoriosos.
Anastasia: Ricardo está cuidando dos arredores, enquanto Joshua procura por outras crianças perdidas. Ele deve voltar em breve, então, quando todos estiverem presentes, faremos uma reunião, planejaremos uma estratégia.
Subaru: Também precisamos confirmar a situação nos demais abrigos, e perto das outras torres.
Anastasia: Não vou esquecer disso… Parece que minha cabeça está exausta.
Uma vez que eles já decidiram o que precisavam fazer, seus corações estavam cheios de determinação, era natural.
Enquanto acenava com a cabeça para as palavras de Anastasia, o olhar de Subaru voltou-se para fora do edifício da Prefeitura. Pela janela, ele conseguia ver apenas uma das altas torres de controle.
Não havia como distinguir entre leste, oeste, norte e sul. Cada uma das torres poderia ser a que Emilia estava presa, onde a chave para as memorias de Rem estava, um inimigo declarado, ou um monstro detestável.
– Em Pristella, a batalha para salvar seus entes queridos continuava.