Switch Mode

Re:Zero Kara Hajimeru Isekai Seikatsu – Arco 5 – Capítulo 41

Devaneios Heroicos

Anastasia: Você realmente voltou bem cedo?

Quando eles voltaram para a Prefeitura, Anastasia os recebeu com um sorriso meio que forçado.

Tendo deixado o prédio cheio de bravura apenas para retornar desse jeito, honestamente, o rosto de Anastasia era uma das últimas coisas que Subaru gostaria de ver.

Mas isso não era hora para ficar preocupado com tais sentimentos.

Subaru: Sim, eu estou de volta. Mas eu irei sair de novo assim que eu acabar as coisas por aqui. Só tem algo que eu preciso tentar fazer na Prefeitura primeiro.

Anastasia: Você teve outra ideia de novo? Eu tô com um pressentimento ruim quanto a isso…

Subaru: Bom… o primeiro abrigo estava num estado horrível, eu já mencionei isso no espelho de comunicação. E eu acho que a influência da Ira deve ter afetado os outros abrigos também.

Anastasia: Então eles sucumbiram à ressonância emocional… Não é como se eu não estivesse sentino também. Se eu ficar de mau humor, eu sinto que ele só vai continuar piorano para sempre… Mas eu creio que isso funcione de forma um pouco diferente em todo mundo.

Subaru concordou com a análise de Anastasia.

De fato, Subaru também percebeu isso na rua. A efetividade da autoridade de Sirius podia variar drasticamente entre as pessoas.

Talvez simplesmente estar ciente da existência da Autoridade poderia ajudar a aliviar seus efeitos: o fato de que Subaru foi capaz de acalmar Garfiel e Al dessa forma provou isso precisamente.

Al: Eu nem sei como que o abrigo chegou a esse ponto, mas eu não consigo parar de me preocupar com o caso de a mesma coisa acabar acontecendo com a nossa galera agrupada aqui. Eu realmente torço para que eu não tenha voltado aqui somente pra ser pego em algum outro sacrifício de sangue ou coisa assim.

Anastasia: Bom, você não tinha porquê se preocupar com isso. Por sorte, nós só temos pessoas inteligentes e racionais aqui. Apesar de que eu não posso dizer o mesmo para o cara que está sempre arruinando o clima.

Al, que voltou com Subaru, disse isso enquanto olhava em volta no primeiro andar da Prefeitura. Ouvindo isso, Anastasia bufou, interrompendo Al, que estava dando uma de espertinho com um sarcasmo.

Vendo Al responder com uma encolhida de ombros silenciosa, Anastasia virou-se de volta para Subaru.

Anastasia: E, então, o que você tá planejano fazer? Você voltou porque você teve uma ideia, certo?

Subaru: Aah, correto… Aliás, cadê o Julius? Ele não está com você?

Anastasia: Eu não gosto de ser bombardeada com uma pergunta atrás da outra, sabe… Julius está agindo um pouco estranho. Eu creio que parte disso seja porque nós não encontramos Joshua ainda, mas eu sinto que isso não é tudo…

Subaru: Agindo estranho… Agora que você mencionou isso, ele estava um pouco estranho, não estava?

Ao acordar após o ataque falho à Prefeitura, Subaru percebeu que Julius estava um pouco menos articulado do que o normal. Ele parecia estar tirando conclusões e fazendo sugestões que ele nunca faria em circunstâncias normais, e havia uma falta de confiança visível quanto a ele.

Ele era um homem com uma grande sensação de dever. Subaru pensou que isso era devido ao arrependimento de ter deixado a Gula escapar, contudo talvez fosse algo a mais que isso.

Garfiel: Capitão. É um mau hábito ficá se preocupano com todo problema puraí. Eu sei que tu tá preocupado com o Julius, mas isso aí não é algo que a gente pode consertá agora.

Subaru: Ah, sim, você está certo. Bom, eu tenho certeza que aquele cara vai ficar bem sem que ninguém precise ficar se preocupando com ele. Além disso, a gente tem os nossos próprios problemas para se preocupar. Anastasia-san, o transmissor no último andar ainda está em condições de funcionamento, certo? Não é como se estivesse quebrado ou a gente tivesse perdido o manual ou coisa do tipo…

Tendo sido trazido de volta pela chamada de atenção de Garfiel, Subaru fez essa pergunta. Por outro lado, Anastasia piscou seus olhos redondos algumas vezes antes de responder.

Anastasia: Não está quebrado, e eu já trabalhei com aparelhos similares antes, então tá tudo bem… mas o que você tá planejano fazer com isso?

Vendo a surpresa nos olhos de Anastasia, Subaru coçou sua própria bochecha. Apesar de que ele esperava que ela iria se opor à ideia, era o único plano que ele conseguia pensar. Quanto a minimizar o número de vítimas, essa também seria a medida mais efetiva.

Subaru: Como eu disse no espelho de comunicação, a área atualmente está sob a influência da Autoridade da Ira. O abrigo que nós visitamos… ficou repleto de sangue por causa de uma pequena irritação que acabou se inflamando. A menor das emoções negativas poderia se tornar um espiral para o mais extremo dos desastres. É assustador.

Anastasia: Sim. Eu penso o mesmo. Quanto mais pessoas têm, mais difícil é para se controlar e mais rápido para o pânico se espalhar. Dito isso, nos abrigos… ou até mesmo fora deles, as pessoas estão tendentes a se amontoarem. Correto?

Subaru quietamente concordou com a pergunta de Anastasia.

O que é mais apavorante em relação à autoridade de Sirius é que quanto mais pessoas estão juntas, mais poderosa é a sua influência. E quando as pessoas ouviram as ameaças do Culto da Bruxa nas transmissões, uma tendência ao pânico inescapável se iniciou: uma forma realmente doentia de tirar proveito do desamparo das pessoas. Não estava claro se o Culto da Bruxa estava contando com a cooperação deles, mas o fato é que isso criou um círculo vicioso que estava ameaçando a vida das pessoas nesse mesmo momento.

Anastasia: Você quer dizer… que você pensou numa forma de combater isso?

Subaru: É só um “Talvez isso possa funcionar”. Eu acredito que valha a penar tentar. É só que…

As palavras de Subaru sumiram abruptamente na frente do olhar esperançoso de Anastasia.

Vendo isso, Anastasia estreitou seus olhos como se estivesse examinando os pensamentos mais internos de Subaru, enquanto Subaru exalou uma respiração profunda.

Subaru: Uma vez que nós começarmos, tudo será escutado pelo Culto da Bruxa, palavra por palavra. Então há a possibilidade de que nós possamos correr outros perigos se nós provocarmos aqueles caras.

Anastasia: E em troca, há uma boa chance de nós podermos reduzir a ameaça existente.

Subaru: Sim, correto. Agora que nós retomamos a Prefeitura, e com a autoridade da Sirius sendo a única afetando os refúgios… mesmo que seja difícil calcular os riscos, eu ainda acho…

É impossível imaginar como o Culto da Bruxa iria reagir se eles fizerem algo grande. Os perigos eram equivalentes a jogar um fósforo aceso em um arsenal de pólvora, o que é sempre o caso quando se está lidando com o Culto da Bruxa. O que dificulta ainda mais as análises é que a pólvora também pode explodir sozinha a qualquer momento mesmo que eles joguem o fósforo ou não.

Anastasia: — Eu acho que eu sei mais ou menos o que você tá planejano fazer agora, Natsuki-kun.

Subaru: Sério?

Após brevemente se afogar em pensamentos, Anastasia deu um suspiro longo e falou. Ao ouvi-la, Subaru levantou suas sobrancelhas, surpreso com a reação dela.

Anastasia: Seguino o fluxo da conversa, e já que você perguntou sobre o aparelho de transmissão lá no começo, eu ficaria mais preocupada se eu ainda não pudesse entender as coisas depois de tudo.

Subaru: B-bom, sim, eu acho. E então o que você acha? Você é contra, não é?

“Ela provavelmente vai se opor”, assim como ele havia pensado previamente.

Então, Subaru não teria outra chance senão passar pelo gigante obstáculo que era convencer Anastasia —

Anastasia: Haa, o que eu irei fazer quanto a você…

Subaru: … Egh, você tá bem com isso?

Anastasia: Falano logicamente, essa seria a melhor ação possível. Independente do quanto eu goste de vencer, se isso significa que eu estarei deixando uma pilha de corpos para trás no momento que nós erradicarmos o Culto da Bruxa, a vitória ainda teria um gosto muito amargo.

Ouvindo essa resposta inesperada, por um momento Subaru ficou espantado ali.

Enquanto isso Anastasia mordeu seus lábios como se estivesse tentando lidar com alguma emoção indigerível dentro dela, porém foi Garfiel quem quebrou o silêncio.

Garfiel: Yo, Capitão e Irmãzona-chan. Que cês tão falano em fazê mesmo?

Anastasia: Que criança pouco perspicaz… Até mesmo o meu Ricardo já teria percebido.

Para Garfiel, que foi deixado de lado na conversa, Anastasia lançou esse comentário impiedoso. Garfiel cerrou suas presas quando ouviu isso, mas Al deu uma palmada no ombro dele por trás, rindo para Garfiel quando ele se virou.

Al: Basicamente, o que o mano tava pensando é isso aqui: ao invés de tentar fazer a Autoridade da Ira parar de se espalhar pela cidade, seria mais rápido e fácil tentar virar ela a nosso favor.

Garfiel: Virar ela, como assim…

Subaru: A habilidade da Sirius causa o compartilhamento de emoções. Quando as pessoas estão ansiosas e com medo, essa emoção dilata quanto mais as pessoas se juntam, até que ela seja detonada por alguma coisinha pequena e explode. Então…

Anastasia: Se você puder substituir medo e a ansiedade por outra emoção… Pintá-la de algo como esperança, então é ela que será compartilhada no lugar.

A pergunta de Garfiel foi respondida por Al e Subaru, e, por último, por Anastasia.

Ao ouvir isso, os olhos de Garfiel cresceram enquanto ele soltava um gemido de compreensão.

Garfiel: Aaah, então é isso! Aí eles num vai mais se matá. E se as coisa corrê bem, até memo aqueles com o espírito quebrado vão volta à luta.

Subaru: Quando eles são engolidos pela atmosfera em volta deles, até mesmo os soldados mais experientes não são capazes de ficar de pé. Se nós pudermos libertá-los dessa ansiedade, eu acho que nós não teremos mais problemas em fortalecer nossos reforços.

Garfiel: Isso num é incrível!? Faz isso, Capitão! Nós têm o aparelho misterioso. Quanto mais cedo nós começa…

Anastasia: Espera, espera! Não é tão simples. Não é como se eu não tivesse considerado isso eu mesma…

Anastasia bateu suas palmas para acalmar Garfiel, que estava empolgado demais. Vendo isso, Garfiel mostrou suas presas.

Garfiel: Hah? Por que nós tá se segurano? Tu cabô de falar que tava de acordo, num falô? Num me diga que cê tá desistino no último minuto.

Anastasia: Eu nunca falei que eu estou desistino. Eu te disse, eu já pensei sobre isso. Tem outro problema em cima disso além de apenas pesar os prós e os contras.

Subaru: Os prós e os contras… aqueles que nós havíamos falado mais cedo?

Anastasia: O pró é o próprio objetivo dessa estratégia: eliminar a ansiedade e o desespero dos cidadãos para que nós não tenhamos essa constante ameaça em nossas costas. O Contra é que qualquer coisa que nós transmitirmos para a cidade, naturalmente também iria chegar aos ouvidos do Culto da Bruxa. Nós não temos a menor ideia de como eles irão reagir.

Anastasia levantou seus braços tanto para Garfiel e Subaru, e com um “entretanto”, ela continuou:

Anastasia: Em termos de desvantagens, eu acredito que eles sejam quase negligenciáveis. O Culto da Bruxa nunca proibiu resistência quando eles fizeram suas demandas em primeiro lugar. É como se eles sequer se importassem se os outros estão frustrados ou opostos em relação a eles.

Subaru: … Agora que você mencionou isso, mesmo que nós tenhamos atacado à Prefeitura, eles não usaram isso como pretexto para exigir alguma retribuição. É como se o que eles fizeram com as pessoas na prefeitura fosse apenas para o próprio entretenimento.

Anastasia: Entretenimento? Eu gosto dessa palavra. É uma forma bem precisa de descrever as inclinações doentias daqueles caras.

Anastasia suspirou, enquanto Subaru queria vomitar só de pensar nos rostos daqueles Bispos.

Entretanto, ambos concordaram que não haviam riscos extras em fazer a transmissão. E, então, a preocupação de Anastasia era —

Anastasia: Enquanto eu não tenho objeções sobre a transmissão por si mesma, o problema é… o que ela vai conter, e quem é que irá dizê-la…

Subaru: O que e quem…?

Sem entender o que Anastasia estava dizendo, Subaru franziu suas sobrancelhas. Se ela estava perguntando quem deveria fazer a transmissão para a cidade para despertar a esperança nas pessoas e livrá-las de sua ansiedade, então——

Subaru: Bom, é aí que entra a Anastasia-san. As pessoas te reconhecem como uma Candidata da Seleção Real. Se algo inspirador vier da boca da Anastasia-san…

Anastasia: Isso pode parecer estranho vindo de mim, mas eu creio que seja difícil esperar esse tipo de efeito vindo das minhas palavras. Por mais que eu odeie admitir, eu não tenho a capacidade necessária para essa tarefa.

Subaru: ————

Anastasia chacoalhou sua cabeça com a sugestão intuitiva de Subaru.

Subaru não entendia o que ela queria dizer. Já que, naturalmente, toda a cidade de Pristella deveria saber sobre a posição de Anastasia como uma Candidata da Seleção Real.

A fama dela certamente superava a de qualquer um ali presente.

Subaru: Não tem capacidade… por quê? Digo, Anastasia-san, você é…

Anastasia: Se renome fosse tudo o que importasse, então eu certamente seria a mais apropriada. Se isso fosse tudo que precisasse para mudar as coisas para melhor, então eu ficaria feliz em fazer isso. Mas não é assim que as coisas funcionam. Meu renome e derrotar o Culto da Bruxa não estão relacionados em ponto algum. Apenas saber que “Alguém famoso está lutano contra o Culto da Bruxa” não basta nesse caso.

Subaru: Mas…

Anastasia: Nesse caso, seria inútil. O que precisamos é de esperança. Esperança que possa tomar o lugar da ansiedade nos corações das pessoas de uma vez só.

Subaru não tinha palavras para respondê-la.

Honestamente, ele gostaria de repreendê-la pela sua pusilanimidade e refutar o que ela estava dizendo. Entretanto, não era outra pessoa, mas sim a própria Anastasia que mais parecia lamentar a pobreza de sua própria declaração.

Anastasia não diria essas palavras sem pensar; muito pelo contrário.

Era precisamente por ela ter pensado tanto sobre isso que ela se avaliou como indigna dessa função.

Anastasia: Eu posso ser capaz de enganar e iludir as pessoas com palavras magníficas. E eu estou certa de que a cada dez pessoas, cinco seriam enganadas; mas esse seria apenas um telhado de palha frágil e desesperado que iria sucumbir à mais leve das brisas, e tudo que eu iria conseguir é criar uma mudança momentânea de sentimento.

Subaru: En-então… e quanto à Crusch-san? Ela tem experiência militar e pertence a uma família nobre de Lugnica…

Anastasia: Certo, as palavras certamente teriam peso se viessem da Crusch-san, mas essa seria a antiga Crusch-san. A Crusch-san atual não tem esse tipo de influência nas pessoas. Sem mencionar que a Crusch-san atualmente está lutando pela própria vida. Esse é um problema que teria que ser resolvido antes de pedir a ela para trazer inspiração a qualquer outra pessoa.

Subaru: Lutando pela própria vida? É tão ruim assim?!

Ouvindo que Crusch estava em um estado ainda pior do que lhe havia sido dito, Subaru deu um passo em direção à Anastasia.

Com a diferença de altura entre eles, Anastasia olhou para Subaru e apertou seus lábios. Subaru rapidamente se virou para Garfiel, apenas para vê-lo balançando fracamente sua cabeça.

Garfiel: A irmã das orelha de gato num vai deixa ela morrê, tô certo disso. Ela injetô muita força vital nela… mas eu sô contra deixá ela falá na frente do aparelho de transmissão também. Caramba, ela mal consegue falá…

Subaru: Droga! E quanto ao Julius? Se é o Julius, então ele…

Anastasia: É verdade que o Julius é um Cavaleiro da Guarda Real, um dos maiores Cavaleiros no Reino e o meu orgulho. Mas quanto você acha que o nome do Julius significa nessa cidade? Na melhor das hipóteses, as chances deles são mais ou menos iguais às minhas. E eu sou mais eloquente…

Crusch estava fora de questão, e Julius também foi eliminado.

Dos rostos na Prefeitura que poderiam possivelmente inspirar esperança nos outros, sobravam apenas Wilhelm e Ricardo; contudo Ricardo não tinha nem influência, nem popularidade.

E como qualquer pessoa poderia pedir isso de Wilhelm, agora? Mesmo que ele aceitasse, que vantagem o título de Wilhelm como antigo Comandante da Guarda Real teria agora?

Subaru: Bom, o que a gente faz? Quem mais a gente tem?

Al: Bem…

Logo agora que Subaru pensou que ele havia encontrado uma contramedida efetiva contra a Ira, ele estava travado com a falta de pessoas para executá-la.

Enquanto Subaru se afogava nesses pensamentos, Al casualmente levantou sua mão.

Al: Se alguém for fazer a transmissão, não deveria ser você, mano?

Subaru: —— Hah?

Ouvindo-o dizer isso como se fosse algo óbvio, Subaru demorou um pouco até reagir.

Deixando sua boca aberta, não havia necessidade quase alguma de pensar no que Al havia acabado de dizer.

Fazendo uma piada tão sem graça numa hora como essa, o que ele estava pesando?

Subaru: Ei, Al. Nós estamos no meio de uma conversa séria aqui. Aquele tipo de conversa onde todo segundo conta. Eu não posso lidar com suas piadas agora.

Al: Ei, ei, espera um minuto. Eu estou ciente de que eu sou um cara que a Princesa-san contratou porque mais da metade dos meus comentários são irrelevantes, mas eu não estava fazendo piadas agora.

Subaru: Se você não estava brincando, então o que te fez pensar que eu poderia fazer isso? Se você está tentando ser engraçado ou se você está doido, eu não sei o que é pior aqui.

Al: O que tem de tão doido nisso tudo? Por que você não dá uma olhada em volta?

Apesar de que Al era alguém que tem um “Não-sério” gravado em todo seu corpo, dessa vez ele repentinamente abaixou seu tom de voz e apontou com seu queixo. Seguindo o movimento dele, Subaru desviou seu olhar para as duas outras pessoas além dele — Anastasia e Garfiel. Apesar de que Subaru tinha imaginado que eles estariam tão perplexos com o que acabaram de ouvir quanto ele…

Subaru: … Ei, vocês também?

Anastasia e Garfiel: ————

Os olhares deles estavam sérios, certamente não surpresos ou incomodados em nenhuma hipótese.

Eles estavam olhando para Subaru com uma afirmação sincera em seus olhos. Era quase como se eles tivessem dizendo que eles concordavam com Al.

Subaru: Vocês estão brincando, né? Por que vocês parecem que estão todos de acordo? Se Anastasia e Julius não podem fazer isso, o que faz vocês imaginarem que eu possa?!

Al: Bom, como eu disse na rua, nós chegamos tão longe por sua causa, mano. Garfiel concorda comigo. O jeito que ele fica chamando você de “Capitão, Capitão” e tal.

Subaru: Como essas duas coisas estão conectadas!?

Al: É a mesma coisa! Você deve ter feito algo de bom para fazer o Garfiel te chamar desse jeito. Isso mostra o quanto ele acredita em tu, certo? Você parece achar que o que você fez não foi grande coisa por algum outro motivo. Mas, além de você, quem nessa cidade ou nesse mundo pode dizer que derrotou a “Preguiça” do Culto da Bruxa?

Subaru: ————

Al colocou seu rosto bem perto de Subaru.

O capacete frio tocou a testa de Subaru, e um pequeno calor poderia ser sentido através do metal gélido e duro, vindo da testa de Al no outro lado. Por um momento, sentido-se perfurado pelos olhos escondidos dele, Subaru prendeu sua respiração.

Al: Em uma cidade ocupada pelo Culto da Bruxa, quem melhor para inspirar esperança nas pessoas do que o homem que matou um Bispo do Culto da Bruxa? Os únicos que são capazes de realizar essa tarefa são você e Reinhard. E você é o único aqui.

Subaru: ——gh.

Sendo acertado com outra batida em sua testa, Subaru tropeçou para trás.

Vendo Subaru recuar segurando sua cabeça, Al afrouxou os ombros.

Anastasia: Eu tenho a mesma opinião. Se alguém deve fazer isso, esse alguém é você, Natsuki-kun.

Subaru: Anastasia…

Dizendo isso, Anastasia olhou para baixo.

Era uma expressão que parecia estar lamentando sua própria falta de poder, ao mesmo tempo que confiava essa esperança a outra pessoa.

Nesse momento, vendo essa expressão, Subaru finalmente percebeu a grande expectativa em suas costas.

Subaru: Garfiel… você também acha isso?

Garfiel: Eu num sei de nada sobre tu tê matado uns Bispo da Preguiça aí. Mas, sim, eu tô pensano a mema coisa.

Diante da pergunta calma de Subaru, Garfiel coçou sua cabeleira pequena.

Garfiel: Se tem uma voz nessa cidade que pode virá a esperança nas pessoas… Eu diria que essa voz ia sê tua, Capitão. Se tu dé teu máximo, eu sinto que tu consegue fazê isso. É o que eu penso.

Subaru: ————

Essa é uma confiança tremendamente pensada e sem fundamento.

Surpreso, e segurando sua respiração, Subaru claramente entendeu a magnitude da fé confiada a ele.

Olhando de volta, ele viu Anastasia, que acenou com a cabeça.

E então ele viu Al, que encolheu seu ombro.

Como antes, Garfiel ainda estava olhando Subaru. Quando Subaru se virou para vê-lo, ele também acenou com a cabeça.

Subaru: ————

Absorvendo cada uma das reações, Subaru levantou sua cabeça.

Estreitando seus olhos em direção à luz da fraca lâmpada de cristal, ele exalou um suspiro longo.

—— Eles esperam coisas demais dele.

Ele sentiu isso de Wilhelm, Julius e Reinhard também.

Eles entenderam tudo errado sobre Subaru. Tudo errado.

Eles eram muito melhores, trabalharam muito mais e eram muito mais nobres do que ele era.

Ainda assim, como se fosse algo óbvio, eles elogiavam Subaru, ofereciam ajuda a ele e o recebiam com tanto calor. Esse fato sempre atormentou Subaru. Quando a pessoa que você respeita, a pessoa com quem você não quer perder e a pessoa que você nunca poderia alcançar o afirmam, não é só uma questão simples de se sentir feliz.

Isso o deixa ansioso. Que algum dia, quando o seu verdadeiro eu for exposto, ele com certeza irá desapontá-los.

Quando eles perceberem que o verdadeiro Subaru, na verdade, é patético, fraco e inútil, certamente eles ficarão entristecidos e irão se arrepender do calor que demonstraram a ele.

Isso era o que ele sempre havia pensado. E, no entanto…

Até mesmo Al, Garfiel e Anastasia tinham tais esperanças em Subaru.

À beira de ser esmagado pelo peso, Subaru forçou a si mesmo até o seu limite e, no entanto, o seu limite não era nem de perto suficiente enquanto ele tentava estar à altura dessa expectativa várias e várias vezes.

Esse era o caminho que Natsuki Subaru escolheu.

— O caminho que ele uma vez prometeu para uma única garota que ele iria tomar. O caminho do herói dela.

Mas, de uma forma ou outra, ele já não era mais apenas o herói dela. O que Subaru tinha em suas costas agora era—

Al: Se você fizer isso, mano, de agora em diante serão devaneios heroicos que você estará carregando em suas costas.

Al, de repente, deu esse aviso ao silencioso Subaru.

Vendo o olhar de Subaru cair, Al continuou com uma voz apática.

Al: Você nunca pode perder. Você deve apenas ganhar. Você pegará as esperanças deles, carregará as expectativas deles, e lutará para mostrar o futuro a eles. Se você tomar essa decisão aqui, é isso que você terá que fazer.

Subaru: … Eu nunca posso perder, huh. Soa como as coisas sempre foram, não soa?

Al: O peso disso é diferente. Se o mano perder aqui, a derrota não será só do mano.

Subaru não entendia o que Al estava dizendo.

As batalhas de Subaru sempre foram desse jeito. Quando Subaru perde, Subaru não é o único que havia perdido. Tudo que Subaru queria proteger seria perdido com a derrota de Subaru.

As coisas sempre foram assim. As coisas nunca foram de outro jeito.

Se a derrota não o custasse algo, ele não teria motivo para lutar.

O fato de que Subaru estava lutando era porque havia coisas que não podiam ser protegidas a menos que ele lutasse.

E depois de hoje, o número dessas coisas iriam avolumar-se em proporções inacreditáveis.

Subaru: Tch, isso ainda assim não é como as coisas sempre foram?

Al: ————

Exalando um suspiro, ele tomou sua decisão.

O batimento de seu coração até agora foi acalmado enquanto sua visão clareava.

Apesar de que ele não conseguia enxergar o rosto de Al, ele conseguia sentir que Al estava segurando sua respiração, olhando-o com uma expressão de surpresa.

Subaru: Anastasia, eu farei isso. Se minha voz pode fazer diferença, então deixe comigo.

Anastasia: …Tem certeza? Uma vez que você carregue a esperança das pessoas…

Subaru: Não vai ser diferente do que eu já sempre faço. “Herói”, não soa muito mal, soa? Só que honestamente, é meio embaraçoso ficar me chamando disso…

Vendo a expressão preocupada de Anastasia, Subaru suavemente esfregou a ponta de seu nariz.

Subaru: Se é só uma questão de ser um herói, eu já tomei minha decisão um ano atrás. Caso contrário, eu estarei trazendo vergonha à garota que está olhando para mim, e à garota cujas costas eu estou olhando.

Anastasia: — Então é isso? Bom, tá certo. Os garotos sempre gostam de se exibir, afinal…

Como se estivesse dizendo “Não há o que fazer”, Anastasia sorriu e deu a Subaru uma pequena cutucada no peito.

Subaru ficou um pouco surpreso por essa reação.

Já que essa deve ter sido a primeira vez que ele viu Anastasia baixar sua guarda e mostrar suas verdadeiras emoções.

Com esse sentimento rapidamente derretendo em seu peito no local onde ele havia sido cutucado, Subaru levantou seu rosto.

Subaru: Obrigado, Garfiel, Al. Por me ajudarem a tomar minha decisão.

Dizendo isso para os dois em suas costas, Subaru seguiu Anastasia.

“O que eu irei dizer quando eu estiver de pé na frente do aparelho de transmissão”, ele se perguntou.

Ele ainda não estava certo do que dizer ou do que não dizer.

Mas estranhamente não havia confusão ou ansiedade acompanhando-o.

Afinal, é tudo como sempre, certo?

— Porque ele sabia que, como sempre, ele não tinha escolha senão se exibir novamente.

Comentários

5 1 voto
Avalie!
Se Inscrever
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais Antigo Mais votado
Inline Feedbacks
Ver todos os comentários

Opções

Não funciona com o modo escuro
Resetar