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Re:Zero Kara Hajimeru Isekai Seikatsu – Arco 5 – Capítulo 45

Uma Maldição Inescapável

Assim que Wilhelm disse o nome de uma Bruxa a qual ele nunca havia ouvido falar, Subaru tremeu.

Ele só sabia da existência de outras “Bruxas”, com a exceção de Satella, por ter encontrado as seis Bruxas do Pecado na tumba de Echidna.

Que existiam “Bruxas” sem serem estas era uma notícia devastadora.

Subaru: “Então, Wilhelm-san. Se essa tal de Bruxa, Sphinx, tiver envolvida nessa invasão do Culto da Bruxa… Você tá querendo dizer que fora os Arcebispos tem outra Bruxa também?”

Se for este o caso, as forças de nossos inimigos são 4 Arcebispos e 2 guerreiros. Ao adicionar uma Bruxa na equação, a tarefa que já era difícil se tornava desesperadora.

Em resposta à preocupação de Subaru, Wilhelm, enquanto levantava sua mão…

Wilhelm: “Perdão, minha escolha de palavras foi vaga demais. A Bruxa conhecida como Sphinx pereceu na Guerra Demi-Humana. Não há como ela estar envolvida.”

Subaru: “A bruxa morreu? Certeza absoluta? Se fingir de morta e aí, mesmo depois de morrer de verdade, ter um monte de liberdade é a impressão que eu tenho de Bruxas.”

Satella era assim. Sempre que Subaru violava o tabu, ela aparecia; e o mesmo se aplica a Echidna, aproveitando sua vida após a morte na Cidadela dos Sonhos.

Dizer que estavam mortas não era garantia alguma, assim eram as Bruxas.

Wilhelm: “Não estou ciente da impressão que Subaru-dono tem de bruxas. Mas Sphinx é uma bruxa apenas em nome, é simplesmente um ser que era chamado desse jeito. Na realidade, as forças do Reino a chamavam de tal forma, mas a pessoa em questão nunca se nomeou assim.”

Subaru: “A pessoa em questão, você diz… Por acaso Wilhelm-san já se encontrou com ela em pessoa?”

Wilhelm: “Várias vezes durante a guerra civil. Quanto ao fim da Guerra Demi-Humana, o momento decisivo pode até ter sido a decapitação da Sphinx. Roswaal, Bordeaux e minha esposa foram figuras importantes desta época.”

Subaru: “Roswaal?!”

Um nome inesperado fez Subaru arregalar os olhos.

Ao ver esta reação, Wilhelm baixou sua cabeça levemente por um segundo e começou a ponderar.

Wilhelm: “Eu conheci a Roswaal-dono de duas gerações atrás. Embora na época eu não tenha sido dos mais amigáveis… ela tomou conta de mim.”

Subaru: “Duas gerações atrás… aah, é assim? Então o nome “Roswaal” é herdado de pai pra filho.”

Wilhelm: “Infelizmente ela foi desta para melhor pouco tempo depois, e então acabei me distanciando deles, o atual lorde Mathers é apenas um conhecido… Esta conversa está um pouco excessiva.”

Ele agora estava ouvindo histórias de relações surpreendentes, mas o tópico original definitivamente não era esse.

Subaru acenou com sua cabeça, então Wilhelm continuou o que estava contando com um “E então”…

Wilhelm: “Não a Sphinx, mas de alguma forma um ser usando um feitiço similar, é o que eu acho. O método de controlar os mortos usado na época foi apelidado de ‘Soldado Defunto’.”

Subaru: “Soldado Defunto… Isso… isso tem alguma fraqueza ou coisa do tipo?”

Wilhelm: “Até onde eu sei, o Soldado Defunto era limitado a uma técnica de controlar o corpo. Não chegava ao ponto de trazer de volta habilidades que a pessoa possuía em vida. Ele simplesmente profana os mortos enquanto mantêm suas aparências, na realidade, refletindo as habilidades daquele por trás do feitiço.”

Subaru: “Mas o『Oito Braços』e…  ela.”

A pessoa que foi transformada em um Soldado Defunto e está tendo sua morte profanada era ninguém menos que a esposa de Wilhelm. De qualquer forma, Subaru estava falando de forma hesitante com Wilhelm, embora ele, em teoria, houvesse aceitado o acontecimento.

Wilhelm franziu o rosto frente a relutãncia de Subaru.

Wilhelm: “Agradeço pela consideração. No entanto, é necessário ― mh, as habilidades de minha esposa e de Kurgan são semelhantes as que eles tiveram em vida. O que simplesmente ultrapassa as capacidades do Soldado Defunto.”

Subaru: “Nesse caso não tem uma chance disso não ser um Soldado Defunto? Se for assim, sua esposa pode até não ter morrido…”

Wilhelm: “Minha esposa está morta. Eu não era forte o suficiente.”

Subaru estava agarrando-se a uma frágil esperança.

Os sentimentos de Subaru foram cortados pela voz calma de Wilhelm com um único golpe.

Não havia palavras que Subaru poderia dizer ao velho espadachim.

Wilhelm: “Mesmo naquela época, casos que não podiam ser julgados como sendo meros Soldados Defuntos eram muito raros. Se é por causa da aptidão ao usar a técnica ou por algum outro fator, isto eu desconheço, mas… temos que considerar a força dos dois como tal.”

Subaru: “Você sabe algum jeito de acabar com eles?”

Wilhelm: “Destruindo o corpo completamente ou cortando fora a marca da maldição que se encontra em alguma parte do corpo. Então o Soldado Defunto volta a ser um simples defunto. Deve ser feito desta forma.”

A voz do pensativo Wilhelm não podia ser ouvida facilmente.

Buscando o que ele deveria fazer, tirando conclusões esforçadamente enquanto o fazia. ― Sua voz vacilante, seu punho cerrado, seus olhos arregalados; ele não escondia nada.

Wilhelm: “Perdão por tomar tanto do seu tempo. Não podemos deixar Crusch-sama esperar ainda mais. Por este caminho.”

Wilhelm curvou-se e gesticulou em direção à porta do cômodo próximo deles. O cômodo estava na parte mais centralizada do quarto andar, com uma placa caindo aos pedaços que dizia “Sala de Repouso”.

Lá dentro, Crusch, que havia chamado Subaru, estava aguardando.

Subaru, com seus passos audíveis, passou ao lado de Wilhelm e foi em direção à porta.

A distância até a porta definitivamente parecia ser horrivelmente longa. Subaru tinha a impressão de que as solas de seus sapatos ficavam colando no chão e atrapalhando seu progresso.

Que era a fraqueza de seu eu derrotado, Subaru estava claramente ciente.

Subaru: “― Sou eu. Natsuki Subaru. A Crusch-san… tá aí?”

Ele bateu na porta e falou estas palavras com um tom de voz tão baixo que até chegou a questionar-se se alguém havia ouvido. E então, após um breve período de silêncio, a porta se abriu.

O rosto que emergiu do outro lado da porta era o de Ferris. Mas sua aparência havia mudado por completo.

Ferris: “Subaru-kyun”.

Olhos avermelhados de tanto chorar, e cabelo castanho bagunçado. Seu corpo estava coberto por sangue escuro, não era dele, mas de outra pessoa; e sua clara pele havia sido manchada por este sangue o qual não teve tempo de limpar. Sua bochecha e seu pescoço estavam ambos sujos com sangue fresco também.

Ao ver esta cena lastimável, Subaru acabou por involuntariamente segurar seu fôlego.

Subaru: “Crusch-san me chamou, é o que me disseram. Então…”

Ferris: “É. Lá dentro, ela está na cama… Não faça nada desnecessário, por favor.”

Uma voz firme que continha um pouco de ódio mais para o final.

No entanto, tal ódio não estava sendo direcionado a Subaru. Pode-se dizer que estava sendo direcionado a tudo. Odiando a tudo neste mundo, raiva que não tinha para onde ir agora controlava Ferris.

Subaru respirou fundo e seguiu Ferris.

Mesmo sendo chamada de sala de repouso, não era muito espaçosa. Mesas longas e cadeiras que estavam arrumadas em duas fileiras e, mais ao fundo, o pequeno cômodo estava dividido por um limiar. A cama estava do outro lado dele.

E era naquela cama em mau estado que ela estava.

Crusch: “Natsuki-sama?”

Crusch, consciente, percebeu que Subaru havia entrado e o chamou pelo nome.

Em resposta ao seu chamado, o pescoço de Subaru enrijeceu. Preparando-se, fingindo-se de calmo, soltando palavras de conforto. ― Incapaz até de fazer algo tão simples assim.

Crusch: “Não estou em um estado apresentável… Perdão… ”

Subaru: “… Não. Nada… disso. Não é nada disso”

Ao ver Subaru congelado no lugar, Crusch desculpou-se com um tom de voz letárgico. Em resposta à atitude deplorável da garota, Subaru, ainda abalado, respondeu com palavras vagas.

― Tendo sido encharcada no sangue de Capella e envolta em sua maldição, Crusch estava em um estado miserável.

Em seu pescoço e na parte de trás de suas mãos e pés, veias negras proeminentes podiam ser vistas por toda a sua pele. Não era difícil imaginar que, sob todas aquelas toalhas, lençóis e roupas, sua pele estaria do mesmo jeito. Estes vasos sanguíneos pulsavam ao invés de circular o sangue, era como se uma serpente debatendo-se estivesse comprimindo o corpo esguio de Crusch.

Sua pele, antes clara e intocada, estava sendo violada de forma horrível.

Claro que o dano não se limitava apenas a abaixo do pescoço.

O rosto astuto da nobre Crusch, similar a uma longa espada ― o lado esquerdo havia sido desfigurado por manchas. Já o lado direito manteve sua beleza. Isto acabava por reforçar o contraste entre os dois lados de seu rosto, deixando ainda mais aparente a injustiça por trás de uma nobre pessoa estar sendo profanada.

Havia um tapa-olho sobre o olho esquerdo como se para cobri-lo, o estado do olho oculto era difícil de se imaginar.

Subaru: “Isso é… a mesma maldição do sangue de dragão que eu tenho?”

Se for o caso, então para ele a maldição não havia sido nem um pouco cruel.

Conhecendo Crusch Karsten, a preocupação de Subaru não parou por aí.

Ele olhou para a sua própria perna direita. Assim como a pele de Crusch, ela também estava cheia de manchas e envolta por veias negras. No entanto, a perna de Subaru, sem contar a terrível aparência, não havia sido afetada. Ele não sentia dor nem nada parecido.

Mas para Crusch a situação era obviamente diferente. Ela tinha dificuldades ao respirar e, toda vez que as veias negras pulsavam, ela suspirava como se estivesse resistindo dor.

Subaru: “Ferris…”

Como ela ainda não foi curada? Ele virou-se em direção ao maior curador do reino. No entanto, o pensamento passageiro de Subaru serviu apenas para ferir Ferris, impotente e cerrando seus dentes ainda mais.

Mordendo seus lábios e perfurando seus próprios braços com suas unhas enquanto curvava sua cabeça, assim estava Ferris. Ele compreendia sua falta de poder e estava mais abalado por causa dela do que qualquer um ali.

Sabendo da relação dos dois, Subaru não tinha motivos para duvidar que todos os métodos possíveis e inimagináveis já haviam sido tentados.

Subaru: “Crusch-san…  Eu… O que foi?”

Por que ela o havia convocado em uma situação dolorosa desse jeito?

Ele não achava que havia algo que ele podia fazer. Talvez ela tinha algo a dizer. Quem sabe pedir para vingá-la da Luxúria, que a deixou desse jeito. Talvez algumas palavras de rancor até sejam direcionadas a Subaru.

Mesmo se insultos fossem lançados contra ele, mesmo se pragas fossem jogadas nele, ele aceitaria tudo.

Ao ouvir a pergunta de Subaru, Crusch abriu sua boca, aparentando ter dificuldades para tal.

Dedicando todo o seu corpo a esses lábios, não tendo ignorado o fraco suspiro que ela soltou, ele prestou atenção e a ouviu.

E…

Crusch: “… São…  e salvo… Estou aliviada.”

Subaru: “――――”

Crusch: “Eu ouvi… falar que você… foi amaldiçoado… que nem eu…”

No suspiro aliviado que soltou, Subaru sentiu que um peso havia sido aliviado dos ombros dela.

E ao mesmo ele entendeu os verdadeiros sentimentos em seu coração, ficando tão irritado com sua própria estupidez que dava vontade de morrer.

Então, ele havia duvidado da integridade de Crusch e, do seu ponto de vista, havia pisado no seu nobre coração. E ela estava genuinamente preocupada se Subaru estava sofrendo das mesmas dores que ela.

Subaru: “Me… desculpe… Crusch-san…”

Tendo suspeitado dos sentimentos de Crusch, as coisas tendo resultado no sofrimento dela, sendo incapaz de sofrer em seu lugar, sua voz quando disse aquilo era uma mistura de todos esses sentimentos.

Sem nem perceber o que estava fazendo, ele esticou seu braço e agarrou as mãos que Crusch, sem forças, havia deixado sobre sua própria barriga. Os vasos sanguíneos negros não tinham nenhum textura diferente quando tocados. O fato da sensação não ter mudado mesmo com uma aparência tão arruinada deixava tudo ainda mais deplorável. Mas…

Crusch: “Fu, u…?”

Subaru: “Gu!?”

Crusch soltou um suspiro fraco ao mesmo tempo que um ruído dolorido escapou da garganta de Subaru.

Uma dor parecida com a de segurar ferro quente injetou-se nele pela sua palma. Em um piscar de olhos, Subaru soltou a mão de Crusch e encarou a sua própria palma, de onde aquela sensação veio.

Aquela erosão escura está se espalhado por ela.

Subaru: “O… quê…!?”

Ferris: “Deixa eu ver, Subaru-kyun!”

Ferris agarrou a mão de Subaru, que estava gemendo de dor, e a inspecionou. A luz da cura envolveu o local, mas não havia sinais da dor e sofrimento indo embora. Ao invés disso ―

Subaru: “Ferris… A mão da Crusch-san!”

Ferris: “Eh…?”

Subaru arregalou seus olhos e Ferris seguiu seu olhar. Então aqueles olhos amarelados, vendo a mesma coisa que Subaru havia visto, arregalaram-se também.

Subaru havia segurado a mão esquerda de Crusch ― Nesta mesma mão, embora levemente, a erosão negra havia enfraquecido.

O que se passava na mente de Subaru ao ver esta mudança e a sua própria mão era…

Subaru: “Não pode ser, passou do corpo da Crusch pro meu…  É isso mesmo?”

Só podia ser visto desta forma. A mão que foi tocada e a mudança na sua própria eram um positivo e um negativo. Não havia dúvidas de que parte da maldição passou do corpo de Crusch para o de Subaru.

Ferris: “M-Mas, comigo não aconteceu nada? Eu examinei o corpo de Crusch-sama e encostei nela várias vezes… Eu… Para mim…”

Em resposta à hipótese de Subaru, Ferris balançou sua cabeça de um lado para o outro.

Não era alegria devido a uma possibilidade de cura ter sido encontrada, mas sim uma demonstração de suspeita pela veracidade da hipótese. Não, suas próprias emoções eram definitivamente diferentes.

Ferris: “Eu não consigo fazer a Crusch-sama se sentir melhor…”

Subaru: “Então vamos testar mais uma vez.”

Deixando o abalado Ferris de lado, Subaru novamente se colocou frente a Crusch. Seu rosto mostrava que ela não estava ciente do que havia ocorrido, mas ainda assim olhava com antecipação para o Subaru que se aproximava. Para tentar não mostrar uma expressão paralisada para aquela pessoa de tapa-olho, Subaru respirou fundo.

Para checar mais uma vez, ele passou a mão de leve na bochecha de Crusch.

Subaru: “― Gu, euh!”

Instantaneamente, o cérebro de Subaru foi atacado. Atacado por uma dor tão forte que era como se magma tivesse sido colocado em suas veias. A maldição violadora de corpos que estava no corpo de Crusch fluia pelas pontas de seus dedos e queimava seus sentidos.

Subaru: “Ga, aaaah!”

Enquanto sentia dores penetrantes difíceis de aguentar, Subaru gritou e jogou seu corpo para trás. Desta forma, por causa do momento, a mão que estava tocando Crusch distanciou-se dela.

Subaru: “Ah, ha, haa…”

Seus pulmões estavam tendo espasmos e seus olhos se contorciam.

Assim como um peixe fora d’água, Subaru abriu sua boca desesperadamente em busca de oxigênio.

Ferris: “Su-Subaru-kyun…  Tudo bem?”

Ao ver que sua respiração estava começando a normalizar, Ferris falou com Subaru. Quase sem a noção necessária para perceber o chão sólido o qual havia caído, Subaru levantou-se com dificuldade.

E, olhando para o rosto de Crusch deitada na cama…

Subaru: “Como foi, Ferris. Foi eficaz, pelo menos um pouco?”

Ferris: “Ah…”

Com um ploft, Ferris, que havia confirmado a condição de Crusch, sentou-se novamente.

Ele também viu com seus próprios olhos. A bochecha que havia sido afetada pela maldição teve os efeitos da mesma aliviados. Se um tratamento desses era possível, quer dizer que salvar Crusch tam ―

Crusch: “Você não pode, Natsuki-sama…”

Subaru se preparou para tentar mais uma vez. No entanto, ninguém menos que Crusch o parou.

Sem compreender o sentido por trás de suas palavras, Subaru perguntou…

Subaru: “Você não… notou? Sua mão tá…”

Crusch: “――Mão?”

Ao ouvi-lo, ela olhou para sua própria mão. E foi quando ela finalmente percebeu a mudança que havia ocorrido.

Assim como em sua perna direita, veias negras estavam espalhadas por sua pele. Por aí estava tudo bem. Se fosse só por isso, a sua determinação em assumir a maldição de Crusch não seria abalada.

Mas definitivamente havia algo de estranho ali.

Comparado à erosão que havia sido tirada de Crusch, estava em um patamar completamente diferente.

As partes negras em sua mão e sua bochecha ficaram um pouco mais claras por causa do que Subaru fez.

No entanto, Subaru, que havia assumido o fardo em seu braço direito, estava com sua pele coberta pela erosão negra até o cotovelo. Estavam em níveis incomparáveis.

A maldição não foi transferida em uma razão de 1 para 1. Estava mais para 10 para 1.

Subaru: “Não, ainda assim…”

Se isto era ou não um motivo para hesitar, aí já é outra história.

Ele sentia dor no momento da transferência. Mas, assim que o corpo havia aceitado a maldição, não havia sinal algum de que ela iria realmente machucar Subaru.

Comparado ao sofrimento constante e infernal de Crusch, o que Subaru sentiria era apenas por um momento. Ali, entre homem e mulher, não havia necessidade de pensar em qual dos dois lados deveria aguentar o fardo daquela tortura.

Seja a sua perna direita ou sua mão direita ficando negra, se fosse pelo bem de Crusch então não importava.

Crusch: “Natsuki-sama, isso não é bom… Sou incapaz de aceitar esses sentimentos.”

Subaru: “Não seja boba. É só uma dor leve, tá tudo bem. Se você comparar isso a se tatuar pra se achar o cara e se arrepender depois, vamos pensar nisso como sujar um corpo que já era desse jeito pra começo de conversa. E eu aguento a dor também. É estranho, mas não me incomoda tanto assim. Então…”

Crusch: “Você consegue garantir que continuará desta forma no futuro…? Pode ser que no final Natsuki-sama e eu acabemos incapazes de lutar. Na situação que nos encontramos isso seria um golpe avassalador…”

Preocupando-se mais pela cidade e pelo povo do que pelo seu próprio corpo, era assim que Crusch pensava. Era lógico, mas nem tudo deveria ser tratado apenas com lógica.

Crusch: “Ferris, por favor, pare Natsuki-sama…”

Ferris: “E-eu…”

Crusch: “Por favor. Porque no momento as pessoas necessitam mais de Natsuki-sama do que de mim…”

Ferris: “Se Subaru-kyun está determinado a ajudar… O sofrimento de C-Crusch-sama…”

O julgamento do hesitante Ferris colocava Crusch em primeiro lugar. Ninguém podia culpá-lo por isso. Ninguém ali presente estava errado, afinal de contas.

O pensamento “Aquilo que não está errado está correto” era errôneo.

Crusch: “Não se deixe levar pelos seus sentimentos. Natsuki-sama, eu imploro…”

Subaru: “Crusch-san, ainda assim, eu…”

Crusch: “Você não… tinha dito isso antes?―’Eu vou cuidar de todo o resto, pode deixar comigo’?”

Subaru: “― Euh!”

Os olhos suplicantes de Crusch capturaram Subaru e não irão deixá-lo escapar.

Aquelas palavras de confiança haviam saído de sua boca? Para Crusch ter dito tudo isto, ela estava dizendo a ele para…?

Crusch: “Por favor, diga isso para… mim também…”

Subaru: “――――”

Crusch: “’Eu vou cuidar de todo o resto, pode deixar comigo’.”

Um sorriso com traços de dor estava aguardando as palavras de Subaru.

Enquanto segurava o fôlego e mexia sua língua dentro de sua própria boca que estava seca, Subaru silenciosamente fechou seus olhos.

Sem pensar no futuro e imerso apenas naquilo que estava diante de seus olhos, ele estava fazendo ela dizer coisas que não precisavam ser ditas, então pelo menos ―

Subaru: “Crusch, por favor, descanse aqui com calma.”

Crusch: “Natsuki-sama.”

Subaru: “Porque eu vou cuidar de todo o resto, pode deixar comigo.”

Crusch: “― Sim.”

Se era só cumprir com o papel que lhe havia sido dado e dizer aquelas palavras tão desejadas, então ele precisava fazer isso.

Ao ouvir a resposta de Subaru, Crusch respirou fundo, parecendo relaxar-se.

Suas pálpebras, que antes piscavam fracamente, terem se fechado logo em seguida comprovava que, até agora, ela estava agarrando-se à sua própria consciência com toda a sua força. Então Crusch soltou um quieto suspiro e mais uma vez voltou a combater os efeitos da maldição.

Subaru: “Desculpa, Ferris. Mas tenho que ir agora.”

Ferris: “O que… eu devo fazer… Está tudo bem?”

Ele estava de pé colocando uma toalha sobre Crusch como uma coberta, Subaru ouviu uma voz delicada quando estava prestes a sair. Era a primeira vez que Subaru viu Ferris demonstrando sinais de fraqueza.

Em sua mente, o que ele queria era continuar ao lado de Crusch.

Mas a situação atual e as habilidades de Ferris não permitiriam tal coisa.

Subaru: “Eu preciso da sua força. Não tô dizendo pra sair da Prefeitura. Mas se rolar alguma coisa, vou avisar eles pra evacuarem os feridos pra cá. Então conto com você pra isso.”

Ferris: “… A pessoa que eu mais queria salvar… e não consigo.”

Subaru: “Ferris…”

Ferris: “Desculpe. Eu disse algo bobo… Só me dê um segundo, por favor.”

Enquanto olhava para o outro lado, Ferris sentou-se em uma cadeira ao lado da cama. Subaru então finalmente deu um tapinha de leve no seu ombro e se retirou do recinto.

Da mesma forma que estava quando Subaru entrou, Wilhelm havia permanecido no corredor, esperando.

Wilhelm: “Muito obrigado por considerar os sentimentos de Crusch-sama.”

Wilhelm disse isto ao Subaru que retornava. As notícias do ocorrido lá dentro já se espalharam para fora ou quem sabe a expressão de Subaru era simplesmente fácil de se ler?

Subaru: “Não é nenhuma história nobre de como eu considerei os sentimentos dela. Já que é mais uma história de como eu fui encorajado… Seja como for, o que há com o meu corpo?”

Assumindo a maldição de Crusch, seus efeitos sendo mais fracos nele para começo de conversa. Se fosse para voltar mais ainda, o assim chamado fator da bruxa e o 『Retorno Através da Morte』, tudo era tão vago.

Será que algum dia ele encontrará um motivo e desfecho para isso tudo?

Subaru: “Vamos deixar a Crusch-san sob os cuidados do Ferris. Quando tudo tiver resolvido, tô pensando de fazer aquilo que eu tinha feito lá dentro mais uma vez.”

Wilhelm: “Está tudo bem com esse seu braço direito?”

Subaru: “À primeira vista não é muito convidativo. Se eu usar manga comprida e luvas talvez fique tudo certo… Se é pelo bem de salvar uma garota bonita, então uma única cicatriz que não sara não é problema algum.”

Embora ele tivesse certa aversão a isso, estes eram os sentimentos genuínos de Subaru.

Se não há nenhuma outra solução, então assumir completamente a maldição de Crusch também estava tudo bem. Mesmo se seu corpo ficasse da cor de carvão por causa disso. Emilia, Rem e Beatrice, ele teria que implorar pelo perdão de todas elas.

Subaru: “Mas isso tudo é assunto pra depois da gente sair vivo desse aperto. Wilhelm-san, vamos lá pra baixo. Devem tá discutindo sobre o plano de recuperar as torres de controle agorinha mesmo.”

Provavelmente todos os melhores guerreiros que nossos aliados podem oferecer estão reunidos aqui.

O que viria a seguir dependeria da cooperação e das habilidades dos Arcebispos do Pecado, assim como o timing e execução do plano de ataque. De acordo com o tempo limite imposto pelo Culto da Bruxa, restavam apenas 6 horas.

Wilhelm: “Subaru-dono, quanto a este assunto, tenho um pedido.”

Subaru: “Um pedido?”

As palavras de Wilhelm fizeram Subaru parar de ir em direção às escadas. ― O espadachim idoso acenou com a cabeça, olhando para a porta da sala de repouso atrás dele, demonstrando preocupação por sua mestra em seus olhos.

Wilhelm: “Se possível, por favor, recomende-me para a tarefa de subjugar a Luxúria. Já que compreendo bem seus poderes de mutação e super-regeneração, irei pedir isto de ti.”

Subaru: “Por acaso isso é vingança pela Crusch-san?”

Wilhelm: “Sim, mas, além disso, é vital capturar a Luxúria viva e ouvir de sua própria boca o que ela fez com Crusch-sama. Para isso irei me tornar até mesmo um demônio. Antes de cortar sua cabeça fora, irei com toda a certeza arrancar a verdade dela.”

A intenção de matar emanando do Demônio da Espada era como uma onda de calor para Subaru.

De forma furiosa e sombria, por não ter sido capaz de fazer nada, o intenso desejo de Wilhelm de vingar sua mestra agora se inflamara.

Subaru: “Esse é o espírito… Mas, tudo bem com os Soldados Defuntos?”

Wilhelm: “――――”

Subaru: “A sua esposa, não é você quem conhece ela melhor? Não importa o que aconteça, você vai ter que tomar decisões.”

Wilhelm: “Subaru-dono, Reinhard já chegou lá embaixo?

Wilhelm o interrompeu subitamente enquanto ele falava de suas preocupações.

Sem jeito, Subaru acenou com a cabeça. Reinhard e seu poder de combate não poderiam ser deixados de fora do ataque. No entanto, era certo que a antiga Santa da Espada acabaria no seu caminho.

Wilhelm: “Poderia não contar ao Reinhard sobre a verdadeira identidade dos Soldados Defuntos?”

Subaru: “… Hã?”

Subaru, perplexo, não foi inicialmente capaz de compreender o motivo por trás do pedido abrupto.

Subaru: “Então… Não contar pra ele o que aconteceu com a sua esposa… é isso que você quer dizer?”

Wilhelm: “Precisamente. Para Reinhard… para meu neto, quero evitar que ele se encontre com minha esposa na forma de um Soldado Defunto. Ele certamente irá me culpar. Porque a culpa é de ninguém a não ser minha.”

Subaru: “Que é a sua culpa, você diz.”

Ele queria dizer que não era verdade, mas Subaru não podia dizer nada do tipo tão descuidadamente.

Já que a imagem de Heinkel aparecendo e destruindo o clima nesta manhã lhe veio à mente.

Não havia credibilidade. Mas também não podia ser negado.

Wilhelm considerava Reinhard a causa da morte de sua esposa. Tal passado dificultoso e inacreditável ele não negava.

Wilhelm: “Por acaso Subaru-dono pensa da 『Proteção Divina do Santo da Espada』 como algo especial?”

Subaru: “… Sendo sincero, eu diria que não sei muita coisa dela. Talvez que todas as pessoas que eram chamadas de Santos da Espada tinham ela e que você fica forte pra cacete com ela, eu só tenho uma impressão dessas…”

Wilhelm: “Pensar nela desta forma não é errado. Mas há uma diferença entre a 『Proteção Divina do Santo da Espada』 e outras Proteções Divinas… Isto é, ela é hereditária.”

Subaru: “Uma Proteção Divina… hereditária…”

Em resposta ao suspiro de Subaru, Wilhelm acenou com a cabeça.

O espadachim idoso fechou seus olhos como se estivesse relembrando memórias dolorosas.

Wilhelm: “Aquela Proteção Divina foi sendo passada adiante sem falhas desde os tempos de Reid Astrea. Ela tornou-se o legado da Família Astrea, e um membro do clã é sempre escolhido para ser o próximo Santo da Espada. A Proteção Divina de minha esposa definitivamente foi herdada pelo Reinhard.”

Subaru: “Uma Proteção Divina que é passada adiante pelos membros do clã… então é assim. Daí quando a sua esposa morreu, a Proteção Divina foi pro Reinhard.”

Compreendendo isso, algo chamou a atenção de Subaru quando estava prestes a se convencer.

Depois que a Santa da Espada foi morta pela Baleia Branca, Reinhard foi o próximo na linha de sucessão. Era um passado trágico, mas que podia ser descrito como uma passagem de legado apropriada.

Não bate com o que havia sido dito na discussão entre os Astreas de manhã cedo.

A aflição de Wilhelm, a zombaria de Heinkel, o silêncio de Reinhard, tudo isso interferia na ideia de ter sido uma sucessão apropriada.

E a resposta era――

Wilhelm: “Foi na época da subjugação da Baleia Branca.”

Subaru: “Wilhelm… san…”

Wilhelm: “Reinhard recebeu a Proteção Divina enquanto minha esposa estava no meio da expedição contra a Baleia Branca. Durante tal conflito, minha esposa, tendo sido abandonada pelo Deus da Espada, pôde lutar apenas como uma mulher comum.”

― Esta era a verdade por trás do distanciamento da Família Astrea.

No meio da subjugação da Baleia Branca, a Proteção Divina foi passada adiante subitamente durante o embate. O que quer dizer que no campo de batalha restava apenas a Santa da Espada.

Tornando-se uma predecessora e uma pessoa comum, ela ainda lutou contra o grande majuu para proteger vários outros soldados ― e eles perderam contato com ela.

Wilhelm: “Aquele responsável por tirar a espada de minha esposa foi ninguém menos que eu. Aquele responsável por forçar ela, que era amada pelo Deus da Espada, a deixar sua espada de lado e tornar-se uma mulher comum, foi ninguém menos que eu. Isso levou à sua morte”

Subaru: “――――”

Wilhelm: “O Deus da Espada por ela traído não a perdoou, e então sua Proteção Divina foi retirada dela no campo de batalha. E uma única lâmina era tudo que restava para ela confiar, imagino como ela deve ter se sentido… É verdade que eu não pude aceitar e difamei Reinhard, aquele o qual foi escolhido pela Proteção Divina. Enquanto ele estava em luto pela morte de sua avó e aguentando o grande peso de seu novo fardo, eu teimosamente não conseguia perdoá-lo… Agora me arrependo de ter feito isso.”

Noite passada, o arrependimento que Wilhelm havia revelado a Subaru ― Era aquele mesmo erro.

Mesmo sabendo que Reinhard não fez nada de errado, Wilhelm esteve em luto pela morte de sua esposa e não foi capaz de aceitar. Por causa disto, os Astreas se dividiram.

Wilhelm: “Eu não quero que aquilo ocorra novamente. Reinhard não tem culpa da morte de minha esposa. Eu não tenho motivo algum para culpá-lo.”

E, então, ao invés de revelar a Reinhard, ele estava dizendo que resolveria isto ele mesmo.

Esse sentimento ele compreendia bem até demais por causa desta conversa. Se Subaru era capaz de fazer isso, ele também queria ser capaz de tal coisa. Mas o fardo por Wilhelm carregado era pesado demais.

Subaru: “Sobre a Crusch-san e a sua esposa… daqui não sai, Wilhelm-san. Mesmo se eu não falar sobre os Soldados Defuntos, ainda tem a questão de quando eles podem aparecer…”

Wilhelm: “É uma preocupação desnecessária, Subaru-dono”

Subaru: “Hã…?”

Wilhelm sacudiu sua cabeça em resposta à preocupação de Subaru, que estava trazendo à tona algo que tinha incerteza.

E o Demônio da Espada, sua expressão facial tendo se distorcido até formar uma careta aterradora, disse…

Wilhelm: “― Porque nem pensar que a minha esposa não irá atrás de mim.”

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