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Re:Zero Kara Hajimeru Isekai Seikatsu – Arco 5 – Capítulo 48

Aquele que Você Vai Amar um Dia

Por um momento Emilia não entendeu o significado do que o jovem havia lhe dito. Sem pensar ela engoliu em seco.

O jovem na frente dela, Regulus, em resposta, ergueu o dedo enquanto respondia,

Regulus: “Aah, sinto muito por perguntar isso repentinamente. Posso ter chocado você um pouco. Honestamente, peço desculpas a você nesse ponto. Parece que continuo tendo que dizer isso, mas sou um homem capaz de pedir desculpas quando necessário. Existem pessoas feias nesse mundo que não conseguem reconhecer seus próprios pecados e acabam culpando isso e aquilo, elas são muito imaturas e pequenas para admitir que cometem seus próprios erros. Eles acham que não fazem nada de errado, mesmo que você demonstre tudo o que há de errado com eles desde seu nascimento até o momento atual e examine cada detalhe. Isso por si só é um erro, é assim que eles vivem, mas o quão arrogantes eles podem ser? Se eles pudessem apenas parar e examinar seus atos e suas ações, e se comparar com a vastidão do mundo e vir a entender verdadeiramente o quão pequenos e insignificantes são em sua existência, então eles não terminariam assim, fazendo apenas um único pedido de desculpas, isso refletirá o seu caráter, demonstrando sua verdadeira personalidade, você não acha?”

Emilia: “Então, pedir desculpas é importante?”

Regulus: “Correto! Isso mesmo, pedir desculpas é importante. Muito importante. Que alívio. É óbvio que você entenderia esse ponto, por isso estou bastante aliviado. Neste mundo, as pessoas que não conseguem entender algo tão óbvio são inesperadamente muitas. Isso me faz desgostar delas. Então, parece que não há problemas em ajustar os entendimentos entre os cônjuges sobre o pedido de desculpas. Ah, estou aliviado. Parece que vou conseguir me dar bem com você de agora em diante. E então, eu me desculpei. O problema era que eu estava um pouquinho impaciente.”

Tendo falado até aquele momento, os olhos de Regulus olharam Emilia de cima a baixo. E como seu corpo estava envolto apenas em um manto, ela congelou com a visão.

Regulus: “Sim, timidez é importante até mesmo entre cônjuges. Nesse ponto eu acho que você é muito boa. Então, mais uma vez, preciso falar sobre a pergunta dita anteriormente, não quero que você entenda mal. Eu, mais do que tudo, não estava verificando se você é ou não virgem do ponto de vista mundano. Já disse e repeti isso várias vezes, mas sou seu marido e você é minha esposa. Não será adequado em um casamento que falte fortes laços de afeto e cortesia entre o relacionamento do casal. Conectado a um longo ciclo chamado amor, dedicar tudo ao seu parceiro é a ação mais óbvia. Portanto, eu preciso da garantia de que você nunca foi tocada por outro homem.”

Emilia: “Garantir que eu nunca fui tocada por outras pessoas…?”

Regulus: “Sim, exato. Verificar se você mantém ou não sua virgindade por evidências seguras é um absurdo. Mas, assim como uma pedra preciosa ao ser tocada, acho que isso tem um grande valor significativo. Então, deliberadamente, mesmo sabendo que seria uma experiência que você não gostaria de passar, perguntei. Quero que você entenda que isso é necessário por causa do meu amor por você. Um estranho que você não ama, que se importa com sua virgindade. O motivo é porque eu te amo, é por isso que estou verificando.”

Regulus falava constantemente da razão por trás de seus pensamentos. Sendo atingida por essas palavras, Emilia sentiu algo assustador do insistente Regulus.

Sem saber o por quê, algo em sua aparência incessantemente agitou uma sensação de dejá vu em seu coração.

O termo “virgem” que Regulus tratou com tanta importância finalmente saiu da boca de Emilia,

Regulus: “Então, eu quero perguntar mais uma vez. –Você é virgem ou não?”

Emilia: “Hum, quando você diz “virgem”, o que exatamente você está querendo dizer? Desculpe. Eu nunca ouvi essa palavra antes.”

Regulus: “…O quê?”

Depois de lançar uma pergunta à Emilia, Regulus se surpreendeu com a resposta confusa dela.

Ela sabia que Regulus tinha um grande apego à palavra, mas Emilia não sabia muito bem qual era o seu significado. Talvez ele se referia a alguma jovem, pensou ela.

Perguntando em voz baixa e ouvindo a resposta de Emilia, a expressão de Regulus turvou-se. Ouvindo-a, ele fechou os olhos e a boca antes de acenar com a cabeça.

Caído em seus pensamentos, sua expressão fez com que a ansiedade em Emilia aumentasse, mas o silêncio não durou tanto quanto esperava. Arregalando os olhos, Regulus estendeu a mão para Emilia, e,

Regulus: “Excelente!–Você literalmente é, minha garota ideal.”

Emilia: “Eeh?”

Segurando a mão de Emilia, Regulus soltou um sorriso brilhante no rosto. Era um rosto verdadeiramente feliz, ao contrário do sorriso de antes. Ele tinha um tipo de expressão que uma criança radiante faz quando recebe o brinquedo que queria com tanto apreço de seus pais.

Regulus agarrou e apertou a mão de Emilia para cima e para baixo, repetindo o gesto várias vezes.

Regulus: “Sim, é assim que deve ser. A virgindade do corpo isso, a virgindade do corpo aquilo, não é adequado para mim, sempre pensei assim. No entanto, o verdadeiro senso de pureza é o que está e permanece dentro de seu coração. O fato de seu corpo ser virgem é um dado adquirido. O que é realmente importante é que sua mente também permaneça virgem. Sinto como se tivesse alcançado a verdade. Surpreendentemente, você trouxe algo novo para minha satisfação interior.”

Emilia: “–“

Regulus: “Sim, sim, entendi. Não se preocupe, vou tratá-la e recebê-la como minha esposa. E além disso, também percebi algo importante. De agora em diante, quando acolher uma esposa, não basta apenas indagar sua virgindade. Se elas não estão no mesmo nível de inocência de uma criança, que não tem conhecimento sobre o significado de virgindade, isso diminui o valor da esposa. Um coração adúltero não serve. Isso é inadequado para ser minha esposa.”

Soltando a mão de Emilia, Regulus se afastou com uma expressão bem satisfatória.

Obviamente, o significado de suas palavras ainda não foram compreendidas por Emilia. Em primeiro lugar, o que ele queria dizer com “Marido” e “Esposa”? Isso era um mistério para ela. Pelo que Emilia entendia, a esposa fazia parte de alguma relação em que o pai e a mãe tinham, mas pelas observações de Regulus, a imagem de muitas esposas veio à mente. Essa era uma noção distante do bom senso que Emilia conhecia sobre a natureza dos casais. Talvez ele estivesse falando sobre um conceito diferente com uma pronúncia compartilhada?

Regulus: “Ah, e sua aparência definitivamente não pode ficar assim. Vou providenciar uma muda de roupas imediatamente. –Número 184! Venha aqui.”

Emilia: “–“

Ignorando a perplexa Emilia, Regulus repentinamente chamou por um número. E então, do outro lado do corredor, a mulher que havia saído da sala em que Emilia estava, apareceu. Uma jovem de cabelos loiros compridos e modos refinados chegou ao lado de Regulus e o cumprimentou recatadamente no lugar. Regulus acenou com a cabeça para a reverência dela e,

Regulus: “Para ela…uma muda de roupas para o número 79. Assim que tudo isso for preparado, farei o casamento. Essa criança está na mesma posição que vocês agora. Cuide dela e se deem bem.”

Número 184: “—“

Regulus: “Sim, isso mesmo. Você não tem mais tendência a rir. –Boa menina. Uma boa esposa.”

Para a mulher que acenou com a cabeça silenciosamente, Regulus falou como se estivesse satisfeito. Depois disso aproximando-se de Emilia, que ainda parecia perdida, ele passou um dedo na lateral de seu cabelo prateado e acariciou sua cabeça.

Regulus: “Então, até mais tarde.”

Emilia: “Sim…”

O instinto de Emilia estava alerta o suficiente, como se dissesse para ela evitar ir contra ele. Aceitando a resposta curta de Emilia, Regulus então, com o som de passos, desapareceu no final do corredor.

Regulus apenas marcou presença, sendo calmo e parecendo satisfeito–E mesmo assim, sua existência exalava uma estranha pressão, que transmitia a ela a sensação de uma ameaça perigosa que fazia ela lembrar de uma terrível ameaça que assolou sua antiga terra natal.

Número 184: “Por aqui.”

Quebrando essa tensão, a mulher ao lado de Emilia de repente a chamou. Ela estava olhando para as costas do homem que há muito tempo já havia desaparecido. Ao ouvir a voz da mulher pela primeira vez, ela se lembrou dos instrumentos de cordas por sua beleza nítida, como uma arpa. No entanto, a voz, assim como sua expressão, parecia como se todos os seus sentimentos e emoções tivessem congelados.

Emilia: “Ei, me desculpe. Mas, eu tenho uma montanha de perguntas que quero fazer.”

Número 184: “Sua muda de roupas.”

Emilia: “Ah, as mudas também são importantes, mas também tem…Ah sim, você sabe onde fica este lugar? Eu estava em uma praça em Pristella com uma pessoa do Culto da Bruxa… ah, sério.”

Ignorando Emilia enquanto ela tentava fazer perguntas, a mulher começou a se afastar imediatamente. Seguindo ela, Emilia não parava de fazer perguntas, tentando de alguma forma desvendar a situação, mas aquela que recebia os questionamentos, nada lhe respondeu.

Guiada pela mulher à sua frente, ela chegou na frente do quarto em que havia dormido anteriormente. Era também um espaço que lembrava uma sala de disposição simples, na qual os móveis pareciam ter sido empurrados a força para dentro.

Emilia: “Essa deve ter sido uma sala ligeiramente diferente.”

Número 184: “As roupas foram escolhidas com cuidado, e logo em seguida Marido-sama as trouxe. Número 79, você deve vesti-lás.”

Emilia: “Quando diz ‘Número 79’, você quer dizer eu? Agora pouco, acho que Regulus me chamou assim também… e você é…”

Número 184: “Eu sou a Número 184, esposa dele, assim como você.”

Emilia: “Como eu…”

Quando a porta se fechou, só então a mulher nomeada como Número 184, finalmente começou a conversar. Não houve mudança no tom de voz que havia perdido a emoção, mas agora parecia quase impossível puxar conversa.

Emilia: “Sobre a palavra ‘esposa’, eu perguntei algumas vezes, ela significa o mesmo que ‘senhora’? Então, eu acho que não me tornei a senhora de Regulus…”

Número 184: “Mesmo que essa ideia não resida em você, ele tem essa ideia. E se ele tem essa ideia, isso significa que a sua é irrelevante.”

Emilia: “Mas, não acha estranho…para se tornar uma senhora, você precisa casar-se com seu par, certo? Eu, não me casei com Regulus, e não tenho pensamentos nem intenções para isso. O casamento é entre um homem e uma mulher, que dizem que continuarão juntos e terão que continuar gostando um do outro até o fim. Eu, não posso fazer uma promessa dessas para ninguém ainda…”

Número 184: “Se você se refere à um casamento, ele será realizado agora. Com isso, o assunto está encerrado.”

Número 184 parecia não ter noção de como ouvir as palavras de Emília. Mesmo que o diálogo parecesse estabelecido, na verdade, não estava, e Emilia aos poucos estava ficando cada vez mais confusa. Nesse ínterim, número 184 se aproximou de Emilia e tentava puxar o cobertor que a cobria.

Emilia: “Ah espera, o que você está fazendo?”

Número 184: “Vestindo você no traja de noiva imediatamente. Felizmente, sua roupa já está preparada. Ao se despir para colocá-la na cama, seu tamanho foi verificado, então fique tranquila.”

Emilia: “Foi você quem me despiu?”

Número 184: “Por acaso eu pareço ser o Marido-sama? Por favor, assegure-se. Ele não tem o hábito de espiar a pele das mulheres, e, para começar, ele não tem o menor interesse nas mulheres. Logo depois que sua virgindade foi verificada, ele não faz absolutamente nada.”

Emilia: “Você está falando da tal ‘virgem’ também?”

Número 184: “… É surpreendente. Você literalmente não estava atuando, você realmente não sabe?”

Pela primeira vez algo parecido com alguma emoção passou pelo rosto de N° 184. Com aquele olhar ligeiramente surpreso, Emilia arregalou os olhos e sorriu.

Emilia: “Oh, você também sabe me surpreender. Então, você consegue falar enquanto sorri. Isso é muito mais adequado e gracioso, e combina mais com você, eu acho.”

Número 184: “… Marido-sama não deseja tal coisa. Também lhe aconselharei: Marido-sama gosta de seu visual atual. É mais sensato não rir, nem se enfurecer, muito menos mudar sua expressão. Se possível, tente não mudar sua reação, e até mesmo não abrir a boca seria melhor, eu acho.”

Emilia: “Você está me dizendo para não falar? Por que?”

Número 184: “Porque você nunca saberá se isso infringe os direitos de Marido-sama.”

Tirando a roupa de cama de Emilia, número 184 lhe deu um par de roupas íntimas. Depois de recebê-las, ela o segurou contra o corpo, e, para a surpresa dela, o tamanho parecia se encaixar perfeitamente.

Observando-a vestir as roupas enquanto agitava as mãos e os pés, n° 184 de repente soltou um longo suspiro.

Emilia: “Algo errado?”

Número 184: “… Não, eu apenas estava pensando em como você é linda. Suas mãos e pés estreitos, pele branca e longos cabelos prateados especificamente.”

Emilia: “Obrigado. Mesmo não te agradando, você ainda diz coisas gentis, estou feliz. Raramente me dizem coisas como essas, só tenho Subaru e Anne dizendo coisas assim.”

Número 184: “Subaru… ele é um homem, não é?”

Emilia: “Sim, meu cavaleiro. Ele realmente deve estar preocupado comigo agora, eu acho… Então, eu gostaria de saber onde estou, o mais rápido possível.”

Provavelmente, isso estaria causando a ele muita preocupação. Na cabeça dela, não havia nenhuma preocupação de que Subaru poderia ter sido morto.

Ele tinha Beatrice com ele afinal, e a ideia de que Subaru havia caído em uma situação tão desesperadora que poderia ter causado sua morte, não passou pela imaginação de Emilia primeiramente. Ele certamente iria passar por cima das dificuldades e iria ficar sã e salvo. Portanto, ser capturada e não poder dizer nada a Subaru era frustrante e realmente patético.

Número 184: “Aquele homem que chamou de Subaru, nunca o mencione na presença de Marido-sama.”

Emilia: “Uh, por quê?”

Número 184: “Tomando emprestado as palavras de Marido-sama, ‘a virgindade de sua mentalidade pode acabar se tornando suspeita’.”

Emilia: “Hmm, de novo é sobre aquela ‘virgem’.

Dar um termo sem explicar o significado era realmente muito confuso. Sem nenhuma outra explicação para a resposta de Emilia, que fazia beicinho, n° 184 tirou um vestido branco puro do armário e o segurou contra o corpo de Emilia. Na frente, a aparência era brilhante e tinha muitos enfeites extravagantes colados, era um lindo vestido de casamento.

Emilia: “Mmh, parece difícil de colocá-lo.”

Número 184: “Evitar reclamações, também seria uma escolha sabiá. Irei vesti-lá agora.”

Perguntando-se, com a cabeça inclinada, se um traje tão maravilhoso caberia nela, Emilia o vestia conforme as instruções de Número 184 enquanto trocava de roupa.


Regulus: “Aah, isso é ótimo. Como pensei, o branco combina com você.”

Emilia: “… Obrigada.”

Regulus falou com uma voz animada ao ver que Emilia havia trocado de roupa, sua aparência também havia mudado desde a reunião no corredor a pouco tempo atrás. A expressão de Emilia sugeriu que ela havia notado, e Regulus abriu levemente o colarinho em reposta.

Regulus: “Um casamento é importante, você sabe. Normalmente, penso que não devo estar vestido como tal, mas não gostaria de envergonhá-la com tamanha teimosia absurda. É ideal que os cônjuges demonstrem consideração um pelo outro, sem achar que isso seja desagradável. Não desejo preocupá-la ou sobrecarregá-la com pensamentos preocupados com toda a consideração que demonstrei, apenas quero que saiba que, se for por sua causa, sou um homem que pode aceitar algumas mudanças. E quanto ao local, ele estará pronto em breve.”

Emilia: “O lugar… você quer dizer aqui?”

Vestindo um smoking e túnicas brancas, Regulus virou a cabeça e, seguindo-o, Emilia também observou ao redor do lugar onde estava.

Era uma catedral –sendo exato, era mais uma catedral usada apenas para começar a cerimônia de um casamento. Depois de ter sido vestida por n° 184, Emilia saiu de seus aposentos pela primeira vez e percebeu rapidamente que estava descansando em uma sala dentro de uma das torres de controle. Como instruída, Emilia foi conduzida por n° 184, da torre e foi levada imediatamente para a essa catedral.

Regulus: “Essas garotas são minhas esposas. Elas estão na mesma posição que você. Todas juntas, são 291…é até triste, mas muitas dessas crianças morreram. Mas para aquelas que ainda estão comigo, eu derramo meu amor sobre elas igualmente, eu acho. Obviamente, um dos princípios de favorecer e amar pelo menos uma pessoa são ideias distorcidas demais para serem adequadas para o marido. Nunca faço coisas tão absurdas. Um amor fixo, para uma determinada quantia fixa, por meios fixos, é assim que eu divido. Aqui não há favoritismo, nem desigualdade, nem injustiças. Fique aliviada. Pois eu também te amo da mesma maneira como todas as outras.”

Emilia: “O que você está dizendo, isso não é…”

??: “Marido-sama. Resumidamente, posso dar uma palavra?”

“Não é esquisito?”, era o que Emilia iria dizer. Indo para a frente, número 184, que estava esperando e ouvindo a conversa deles, interrompeu a fala de Emilia, e vendo isso, Regulus franziu a testa.

Regulus: “Você sabe que agora estou conversando com ela, certo? Interrompendo-me justo agora quando estamos compartilhando o cultivo do surgimento do nosso amor, você não acha que está estragando esse momento? Ou isso simplesmente não passou pela sua mente? Acho que essas pequenas cortesias entre marido e mulher são de extrema importância. Eu já não disse isso continuamente diversas vezes? E, no entanto, ainda assim, você que nos atrapalhou, está deixando meu menor desejo simplesmente ir para o lixo. O que você tem a dizer sobre isso, n° 184?”

Número 184: “Eu realmente sinto muito. No entanto, isso é importante. Sei que é apenas presunção, mas estou apenas agindo por preocupação em relação a Marido-sama. Eu humildemente peço a você, para ouvir minhas palavras.”

Sua fala ficou mais rápida e sinais de perigo irromperam do corpo de Regulus. Mesmo sendo exposta a aquele olhar afiado como navalha, a atitude resoluta de número 184 não se intimidou. Naturalmente, com aquela visão, Regulus baixou seu tom.

Regulus: “…Tudo bem. Pode falar. Ser gentil com a esposa é o papel e generosidade vindo do marido. Não sou um homem tão mesquinho a ponto de ignorar tal ação.”

Número 184: “Estou muito grata. Bem, é em relação à mensagem dada na transmissão há pouco tempo atrás… será que ficará tudo bem mesmo? Se casualmente, alguma perturbação for causada durante a cerimônia…”

Regulus: “A transmissão? Ah, aquele cara que tinha uma voz trêmula que eu realmente não conheço fez. Isso realmente importa agora? É apenas um covarde cheio de reclamações que não consegue nem ao menos lidar com suas próprias fraquezas, listando algumas palavras adequadas, é tudo o que me parece. Se for para Capella ou Sirius, eu realmente não me importo com aqueles lixos. Será que você não confia na minha força? Como esposa, você está duvidando das habilidades de seu marido?”

Número 184: “Não, não é isso, eu realmente acredito nisso. Se o Marido-sama estiver presente, não precisamos nos preocupar. Eu estava apenas esperando que as palavras de Marido-sama levassem minha ansiedade embora, apenas isso. Por favor perdoe essa esposa carente, que falhou em confiar em você.”

Com uma resposta aparentemente preparada, número 184 tentou se esquivar da investigação de Regulus. Com as palavras de uma garota débil e demonstrando seu rosto e voz inexpressíveis, número 184 o compeliu. Regulus balançou a cabeça como se estivesse impressionado com suas palavras.

Regulus: “Então, foi isso. Eu mesmo não raciocinei sobre isso, me desculpe. Mesmo se eu não tivesse perguntando, eu deveria ter notado seus pensamentos ansiosos. É preciso levar em consideração os pensamentos dos outros, mesmo que não sejam ditos, o quanto eu estava agindo egoístamente? Eu reflito sobre mim mesmo.”

Número 184: “Em vez disso, sou eu que sinto muito. As palavras de Marido-sama me deram coragem. Eu também irei imediatamente ajudar na preparação da cerimônia.”

Regulus: “Ah, por favor.”

Se despedindo, número 184 se afastou de Regulus. Ao mesmo tempo ela encontrou os olhos ametistas de Emilia e deu uma piscadela furtiva. Assim que essas ações foram transmitidas, Emilia não hesitou em agir em uma fração de segundos.”

Emilia: “Cuidado!”

Número 184: “Eh?”

Enquanto a número 184 estava se distanciando, Emilia a puxou com força pelo braço. Apertando o corpo alto e leve da mulher contra o seu, Emilia deu um grande passo para trás com o impulso.

O espaço em sua frente, onde número 184 esteve momentos atrás, foi acariciado pelo vento. Abrindo um longo buraco no chão da catedral, estilhaçando-o e perfurando diretamente em uma linha de destruição. Sem diminuir a velocidade, o vento finalmente atingiu o portão principal, transformando a entrada em pó e espalhando ainda mais sua destruição.

Naquele mesmo instante ao sentir o poder destrutivo avassalador, Emilia, que ainda abraçava número 184, não conseguia pronunciar uma fala sequer. Número 184 também, percebendo a destruição ao se levantar atrás dela, congelou completamente.

E, parado no ponto de origem da destruição em uma pose como se tivesse articulado o braço direito momentos antes do vento causar a destruição, estava Regulus,

Regulus: “Desculpe, desculpe. Minha mão escorregou. –É um alívio que nada tenha acontecido com vocês, crianças.”

Emilia: “—“

Regulus: “Estarei na sala de espera até dar a hora, então me avisem quando tudo estiver pronto, ok? Aah, e enquanto você espera, não seria bom se você prendesse seu cabelo? Acho que essa opção de penteado é muito mais atraente, acredito. É bonito como é, eu acho, mas se esforçar para ser bonito é algo que deve ser feito incessantemente, é o que eu acho. Tentar ficar bonita, é o nível máximo de cortesia para com alguém que você gosta. Claro que, eu mesmo continuo muito satisfeito com meu ambiente atualmente preenchido, mas não tenho intenção de limitar o que já me foi dado.”

Falando, como se a destruição do momento não fosse nada, Regulus, enquanto sorria para Emilia, se dirigiu para a porta da sala de espera do outro lado da catedral. Vagamente deixada olhando para os vestígios da destruição, ela estava respirando profundamente.

Emilia: “O que foi isso agora…?”

Número 184: “…Muito obrigada por me salvar.”

Dizendo isso, número 184 se afastou do seio de Emilia. Ela se recompôs de sua forma antes congelada e saiu imediatamente do lado de Emilia. Seus passos agora se direcionavam para onde as outras mulheres estavam enquanto continuavam as decorações para a cerimônia. Parecia que aquelas mulheres simplesmente continuaram seu trabalho com a mesma reação que sugeria que elas não tinham relação alguma com a destruição causada anteriormente. Não, apenas isso, mas várias delas se reuniram ao redor do chão e da porta agora destruídos, e podiam ser vistas trabalhando para esconder seus vestígios de vista.

Emilia: “Esperem! Isso é estranho! Vocês não acham tudo isso estranho?”

Esposas: “–“

Diante dessas atitudes imperturbáveis, Emilia ergueu a voz confusa. Como uma, as mulheres não prestaram atenção à voz de Emilia e simplesmente continuaram a prepararem em silêncio.

Se as coisas forem assim, então essas estranhas relações irão continuar para sempre, pensou Emilia, indo em direção da única pessoa a quem suas palavras pareciam chegar, na direção de número 184.

Emilia: “Agora mesmo, você não quase morreu? Se eu não tivesse puxado você de volta, certamente seu corpo teria explodido. Isso foi assustador, então por que…”

Número 184: “Bem, e o que quer que eu faça? Eu já te agradeci por me salvar. Além disso, o que mais você quer de mim? Mais alguma coisa? Isso não é uma violação dos meus direitos?”

Emilia: “Não se trata de direitos ou obrigações! Vamos conversar sobre algo mais importante!”

Emilia apontou o dedo para as mulheres ainda trabalhando gradualmente dentro da catedral.

Emilia: “Regulus disse que elas são suas esposas. Todas elas, são esposas dele? E só por serem suas esposas, fazem tudo o que ele manda? Só por ser uma esposa, mesmo que esteja prestes a ser assassinada, você calmamente aceita isso!?… Essas coisas são estranhas! É muito estranho!”

Número 184: “Sim, você está enganada. Mesmo que você não seja feliz, o casamento é possível. Os cônjuges não precisam se amar. Se continuarem convivendo juntos, eles tornam-se cônjuges. Então, como cônjuges, eles acabam se acostumando com isso.”

Número 184 não negou que permanecia em uma posição que odiava. Ela não apenas estava refutando, como até mesmo afirmando sua própria situação. E isso foi distorcido e errado.

Casamento era pra quem quer ser cônjuge. Não é algo com o qual você apenas quer se acostumar.

Emilia: “Essa coisa toda de casamento, não tenho intenção alguma de concordar com tudo isso. Eu estou saindo.”

Aquelas mulheres que não estavam prestando atenção nas palavras de Emilia, agora ergueram o rosto. Enquanto ela, vestida com o vestido de noiva, anunciava sua rejeição ao casamento, elas ficaram a observando.

Resistindo aos olhares sem emoções, Emilia endireitou os ombros.

Emilia: “Eu tenho pessoas preocupadas comigo lá fora. E há muitas coisas que preciso fazer, não importa o quê digam ou façam. Então, eu simplesmente não posso ficar num lugar desses. Junto com todos, imediatamente, farei o que for necessário para alcançar meu objetivo.”

Número 184: “Marido-sama não perdoará tais ações.”

Emilia: “Eu não me lembro de ter me tornado a esposa de Regulus. Então, eu não quero algo como perdão. Junto com todos, eu definitivamente voltarei para salvar todas vocês.”

Número 184: “Eu…”

Emilia: “Todas vocês! Eu sei que vocês não estão com Regulus porque querem. Então, falarei com Regulus e pedirei que ele liberte todas. Qualquer uma que ainda quiser ficar com ele pode continuar sendo sua esposa. Mas, as pessoas que desejam se separar, eu irei libertá-las. Mesmo que tenham sido forçadas a se casar, não terá sentido se vocês não forem felizes juntos.”

Para Emilia, um casamento só tinha um significado quando ambos as pessoas se amavam, e ali não era esse o caso. Ali podia-se notar o rosto frio e infeliz de cada mulher presente. O quadro que Emilia pintou para representar o amor era a imagem de duas pessoas que se amavam, que um dia ela sonhou em vê-los tendo seus sentimentos entrelaçados, o rosto de Geuse e de sua mãe adotiva Fortuna apareceram em sua mente. Esses dois nunca se casaram e nunca se tornaram marido e mulher. Certamente seria um casamento feliz, onde teriam um laço matrimonial genuíno de amor mútuo e recíproco, e que Emilia aprovaria de muito bom gosto.

Emilia: “Eu conheço pessoas que se amavam, mas que infelizmente não puderem se casar. Então, eu não permitirei que um casamento infeliz de fachada como esse permaneça.”

Na declaração de Emília, um alvoroço correu entre a multidão de mulheres indiferentes, mas Número 184 se retirou do meio delas e se pôs diante de Emilia. Ela olhou diretamente para Emilia e depois encarou a entrada destruída.

Número 184: “Se você optar por sair, ninguém aqui te impedirá, é um direito seu, afinal. No entanto, Marido-sama não nos perdoaria, todas seríamos mortas aqui e agora”.

Emilia: “Mesmo que você seja esposa dele…?

Número 184: “Uma esposa que não consegue nem mesmo atender os desejos de Marido-sama continuará sendo apenas uma mulher qualquer, que não consegue preencher todos os requisitos de uma esposa. Se você sair agora, todas nós morreremos. Se você for, será a responsável pela nossa morte.”

Enfrentando Emilia, número 184 enquanto tomava a própria vida como refém falou. A opinião dela continha um conteúdo extremo. Como se refletisse a opinião de todas ali, as mulheres da catedral se levantaram para cercar Emilia, restringindo seus movimentos.

Claro, não havia ninguém lá que pudesse lutar e impedi-la. Todas eram mulheres um tanto comuns. Nascidas em famílias comuns, tendo uma moral comum, tendo vivido enquanto ansiavam por uma felicidade comum, eram todas com desejos comuns.

Ela foi incapaz de refutar sua determinação resoluta. Emilia tinha visto de perto os crimes de Regulus com seus próprios olhos. E por apenas respondê-lo, ele sem mais nem menos tentou explodir a vida de uma de suas mulheres em reposta. Aquele era o verdadeiro Regulus. Quando ele soubesse da fuga de Emilia, era difícil afirmar que ele não descontaria sua raiva e fúria sob as mulheres. Foram ninguém menos que as próprias esposa de Regulus que entenderam isso muito bem.

Emilia: “Quanto das esposas de Regulus estão aqui?”

Número 184: “No total, eram 291 pessoas. Dessas 291, 238 já morreram. Sendo assim, o número restante é de 53 no total”.

Emilia: “Essas mulheres que morreram…

Número 184: “Precisa de uma resposta?”

A resposta de número 184 foi uma resposta irônica a pergunta de Emilia.

Emilia percebeu a resposta mesmo antes de ouvi-la. E essa resposta estava clara nas ações de todas aquelas mulheres que estavam mudas em seu redor.

Emilia: “Se eu for embora agora, todas vocês sofrerão algo terrível nas mãos de Regulus…”

Em vez de alguma punição severa, seria mais provável uma morte direta e inevitável.

Tudo isso apenas pelos desejos egoístas e gananciosos de Regulus.

Inquestionavelmente, essas mulheres eram reféns do livre arbítrio de Emilia. Pensando nas consequências de suas ações, ela não deveria tomar decisões precipitadas.

Emília pensou em Subaru, em Beatrice e em todos seus outros companheiros fora da catedral, na cidade de Pristella, preocupados com ela agora.

Então deixando esses pensamentos egoístas de lado, Emilia se desculpou, e sentindo um gosto amargurado na boca, pronunciou:

Emilia: “Muito bem, vamos ao casamento”.


Depois de toda a comoção, a preparação do local prosseguiu como planejado em ritmo acelerado. Embora elas não fossem profissionais, o dano foi reparado tão bem que quase era imperceptível.

Só de olhar para o acabamento fino, podia-se dizer com que frequência aquelas mulheres precisavam fazer aquilo após as birras de Regulus.

Depois que Emilia concordou em prosseguir com o casamento, número 184 e algumas das outras esposas de Regulus cuidaram de seu cabelo no camarim e fizeram vários enfeites, decorando-o.

Essa foi a primeira vez que o penteado de Emilia ficou tão bem elaborado desde que Puck desapareceu, exceto nos momentos em que Annerose a ajudava.

Seu longo cabelo prateado estava preso e tecido em uma trança.

Olhando seu reflexo no espelho, Emilia admirou o trabalho das mulheres. Na verdade, ela parecia bem diferente do normal. Já fazia um bom tempo que ela não era imbuída a tal charme feminino. Não tendo ninguém por perto para ter exigências sobre seus cabelos além dos pedidos ocasionais de Subaru, vê-la dessa maneira era raríssimo.

Embora ela não pudesse evitar sentir que isso era um desperdício para ela.

Número 184: “Muito bem, vamos lá. Por favor, tome cuidado para não alterar o humor do Marido-sama.”

Número 184 relembrou Emilia enquanto saíam do camarim. Entrando na capela, Emilia percebeu que os presentes já haviam feito fila, aguardando pacientemente seu retorno–todas as esposas de Regulus, juntamente com o próprio Regulus que aguardava ansioso com um smoking branco em frente ao altar.

Embora não soubesse dos procedimentos por completo, Emilia pisou no tapete vermelho estendido sob a entrada e caminhou em direção ao altar, onde Regulus estava esperando.

Regulus assentiu em satisfação quando viu Emilia deslumbrantemente adornada.

Regulus: “Eu quase não te reconheci quando te vi ao trocar o vestido, mas claro que os adornos a levaram a outro nível. Eu estava certo em manter o assento do n° 79 vago, eu não poderia estar mais feliz com um julgamento meu.”

Emilia: “Por que este número está vago…?”

Regulus: “Bem, havia uma mulher que eu inicialmente pensei que seria uma combinação perfeita esse número, mas infelizmente eu a considerei inadequada antes que o casamento pudesse acontecer. Embora sua aparência muito importante fosse bem próxima do meu ideal, eu relutantemente mantive esse lugar vago. Mas, graças a isso te conheci, então, valeu a pena afinal.”

Emilia: “Manteve… vago…”

O que isso deveria significar exatamente? As meras palavras reascenderam a já dessensibilizada sensação de estranheza em Emilia. Mas, mesmo com esse contorno vago sobre a pessoa, ela não conseguia definir exatamente o que era essa sensação.

Enquanto isso, Regulus ajustou seu smoking na frente de Emilia que usava seu vestido de noiva

Regulus: “Bem, vamos começar a cerimônia de casamento? Eu suponho que seja um pouco informal, mas espero que não se importe. Desde que a cerimônia prossiga adequadamente, o resto são apenas coisas, detalhes superficiais. Não sou daqueles idiotas que priorizam a superfície apenas para perder de vista a essência. Deixar de ver a substância de um assunto dessa maneira é simplesmente ridículo. Como alguém pode simplesmente ficar satisfeito com o exterior e as aparências? Contentes com sua existência ignorante e autocontida, eles são estúpidos demais para perceber que estão apenas rindo de si mesmos pelas costas.”

Emilia: “–“

Enquanto Regulus continuava com seu longo e complicado discurso, número 184 caminhou para o outro lado do altar. Aparentemente, ela serviria como a facilitadora da cerimônia. Na verdade, ela parecia estar cumprindo um papel de coordenação entre todas as 53 esposas de Regulus também. Embora não fosse claro o que significava aquela coordenação quando na verdade, Regulus podia matar qualquer um delas ao menor capricho. Essa era apenas outra razão para mostrar que ele é um homem imperdoável.

Emilia: “Ouça, Regulus. Tem uma coisa que eu gostaria de te contar antes de me casar com você.”

Portanto, Emilia queria deixar isso extremamente claro. A expressão de número 184 ficou tensa com as palavras de Emilia. Mas, Regulus deu um assentimento surpreendentemente alegre e amigável em resposta.

Regulus: “Aah, claro, isso mesmo. Há algumas coisas importantes que também quero lhe contar antes de tornar-se minha esposa. Embora eu suponha que possa ensiná-la gradualmente depois que nos casarmos, é vital e necessário que você esteja mentalmente preparada de antemão. Descobrir nossas diferenças aqui e ali depois de já casados seria algo trágico, não concorda? E para garantir que algo tão infeliz assim aconteça, acho que é crucial que compartilhemos abertamente nossos pensamentos. Depois de nos tornarmos um casal, finalmente estaremos unidos de coração e alma, por isso é importante resolvermos isso primeiro.”

Emilia: “Mmh, sim. Se isso significa estar ligado de coração e alma, então, é realmente importante, não é?”

Regulus: “Sim, é o certo, não é? É bom estarmos juntos na mesma página. Então, algumas de minhas esposas já devem ter lhe contado algumas regras, mas por que não as examinamos? Primeiramente, uma vez que você acabar se casando comigo, você estará proibida de sorrir.”

Emilia: “…?”

Franzindo a testa, Emilia parecia não entender nada do que Regulus queria dizer, mas mesmo assim ele levantou o dedo e continuou,

Regulus: “Isso é muito importante, você sabe. Eu gosto do seu rosto atual. Gosto muito dele. Eu seleciono minhas esposas de acordo com seus rostos. Rostos lindos, adoráveis e de proporções encantadoras. Eu tive 291 esposas ao todo, e todas elas tinham os rostos lindos. Seu rosto também é adorável. E é por isso que você se tornará minha esposa, entende?”

Emilia: “—“

Regulus: “Irei dizer o que eu acho. Existem muitas, muitas, muitas pessoas egoístas neste mundo, mais do que eu. Você não costuma ouvir com frequência sobre casais cujo o amor começa a morrer quando se casam? Eles começaram um relacionamento porque gostavam um do outro, mas assim que eles começam a morar junto com o outro, todo os tipos de problemas começam a surgir. Gostos incompatíveis em alimentos. Hábitos incompatíveis. Hobbies incompatíveis. Programações incompatíveis. Existem todos os tipos de desculpas egoístas e, uma vez que as ilusões sobre o parceiro desaparecem, eles se tratam como lixo. Eu desprezo totalmente pessoas sem esperanças.”

Sorrindo, Regulus alegremente transmitiu suas opiniões sobre o amor. Inocentemente sem reservas, ele delirou sobre sua indignação com aqueles que desprezavam o amor.

Regulus: “Quem não é um pouco egoísta às vezes? Alguém de quem você gosta pode ter sensibilidades diferentes de você, mas por que a desilusão? Como e por que as pessoas podem ser tão estúpidas? Não é um absurdo? É por isso que seleciono pessoas com base em seus rostos. Se meu parceiro tem um rosto do qual gosto, não vou ficar desiludido, não importa que tipo de pessoa esteja por trás dele. Isso não importa porque eu amo esse rosto. Enquanto aquele rosto estiver lá, meu amor por essa pessoa nunca morrerá.”

Emilia: “—“

Regulus: “Mesmo que elas não guardem suas roupas após tirá-las. Mesmo que elas sejam maníacas assassinas que massacram crianças indiscriminadamente. Mesmo que suas habilidades culinárias sejam horríveis. Mesmo que elas vendessem o próprio irmão para pagar a dívida e fugissem. Mesmo que elas não separem roupas de cores diferentes, as quais irão manchar uma na outra enquanto se misturam. Mesmo que sejam psicopatas que matam animais secretamente apenas para de divertir. Mesmo que tenham um gosto horrível para roupas. Mesmo que elas sejam avarentas por natureza. Mesmo que não gostem de tomar banho e fedam como um sem-teto. Mesmo que elas acreditam seriamente que o apocalipse está chegando e continuam falando incessantemente sem parar sobre isso—— Eu não desgosto delas…”

Um após a outra, Regulus apontou para as 53 mulheres presentes enquanto gritava. Não ficou claro qual dessas descrições correspondia ou combinava com qual das mulheres ali presente. Nem Emilia conseguia entender como ele podia afirmar que amava apenas seus rostos e separava isso do interior das pessoas.

Regulus: “Eu nunca diria isso. Algo como ‘Eu costumava amar’. Eu amo seu rosto. E sempre vou amar. Mesmo se você for a bruxa que busca massacrar todas as pessoas neste mundo em agonia extrema e excruciante, não vou ficar desiludido. Enquanto eu tiver seu rosto.”

Emilia: “E…o que isso tem a ver com não sorrir?”

Regulus: “É muito simples. Há momentos em que uma boa garota que normalmente é fofa e bonita pode se tornar repulsiva no momento em que sorri, sabe? Como se eu pudesse permitir tal coisa. Então, não é apenas sorrir, mas também não pode chorar. De qualquer forma, não vou permitir que seu lindo rosto seja distorcido de nenhuma forma. Então, lembre-se sem sorrir. Sem chorar. Sem se irritar. Apenas ser adorável é permitido.”

Segurando a ponto do queixo de Emilia com a ponta dos dedos, Regulus exigiu baixinho. O que aconteceria se ela recuasse? Bem, os eventos anteriores já haviam respondido essa pergunta. Mas o que não fazia sentido era como ele podia cometer tais atrocidades sem sentido quando afirmava amar todos aqueles rostos.

Emilia: “Você disse que ama os rostos de todas e que nunca ficaria desiludido com seus atos e ações… se isso é verdade, então por que você atacou ela daquele jeito?”

Regulus: “Hã?”

Vendo Emilia apontando para a número 184, Regulus inclinou a cabeça. Sem abaixar o braço indicando a mulher, Emilia se libertou dos dedos de Regulus,

Emilia: “Se eu não a tivesse puxado, ela certamente teria morrido. Essa também é uma pessoa cujo rosto você ama, e, portanto, a tomou como sua esposa, certo? Se tudo for verdade, como você pode fazer isso?”

Regulus: “Aah, isso também é simples. É porque, por mais temperante que eu seja, ela ainda conseguiu me aborrecer. Eu não peço muito, peço? Mas, algumas pessoas são imprudentes. Achei que nenhuma de minhas esposas fosse assim, mas o que mais posso fazer quando essas ações são jogadas bem na minha cara? Já que não há maneiras de se evitar, não tive escolha a não ser tomar providências e cumprir com minhas obrigações.”

Emilia: “E então, com isso você ficou desiludido? Você apenas está contradizendo o que disse agora pouco…”,

Regulus: “Não estou desiludido. Eu ainda gosto do rosto dela, ainda a amo. Mesmo que ela esteja morta, meu amor duradouro por ela não acabará. Você não ouve frequentemente? ‘Mesmo que alguém que você ame morra, essa pessoa viverá dentro de seu coração para sempre, porque o seu amor por essa pessoa permanece e não desaparece’? É exatamente assim que as coisas funcionam comigo.”

A lógica distorcida de Regulus era absurdamente impecável.

Impecável, sem a menor confusão, sua lógica estava completa em sua mente. Sem nenhum espaço para refutação, era perfeita, sem falhas.

Na frente da muda Emilia, Regulus franziu as sobrancelhas. Porque ele percebeu uma cor desconfiança nos olhos de Emilia.

Regulus: “Na verdade, estive me perguntando… Você, talvez tenha algum problema contra mim? Se sim, isso é realmente decepcionante. Já fiz concessão após concessão em consideração a você, mas você parece não conseguir apreciar minhas considerações? Uma pessoa não será compreendida apenas através da conversa. Se você tivesse a menor consideração pelos sentimentos das outras pessoas…se pudesse apenas se colocar no lugar dos outros, você não seria assim. Se a pessoa não consegue nem mesmo fazer esse esforço modesto, então não consigo ver como essa pessoa tem algum valor. É desrespeito. Mais especificamente, é desrespeitoso comigo, isso é imperdoável.”

Emilia: “Eu acho que o casamento deve ser algo extremamente bonito e feliz.”

Regulus: “Hã?”

Emilia: “É uma cerimônia que une duas pessoas que se amam e que desejam estar sempre uma com a outra. É muitíssimo grande o sentimento de gostar de alguém, e então, encontrar um único alguém entre tantas pessoas neste mundo e ter essa pessoa com você… é uma coisa incrível.”

Emilia em seu vestido de noiva, levou a mão ao peito enquanto, ouvindo, o rosto de Regulus se contorceu em descrença. As expressões das esposas presentes ali, incluindo número 184 no altar, começaram a escurecer.

Devem estar preocupadas com ela, pensou Emilia.

–— Era a prova de que elas eram pessoas compassivas de bom coração, afinal.

Emilia: “Por que você chama suas esposas por números?”

Regulus: “Para que se apegar e se prender em nomes? Assim como aprofundar-se nas coisas superficiais é uma compreensão completa do amor. Eu não preciso desses enfeites supérfluos para ter certeza de que meu amor é real. E, sendo assim, não há necessidade de eu me rebaixar para tais trivialidades vãs. Para que o amor seja igual, é necessário abandonar esses aspectos não essenciais  e desnecessários, não acha?”

Emilia: “… Entendo. Mas, eu não desgosto nem um pouco quando o Subaru me chama de Emilia-tan.”

Regulus: “Subaru…?”

Ao ouvir um nome que ele não poderia deixar passar, Regulus deixou uma cor de desagrado crescer no seu rosto. Mas, Emilia ignorou a expressão de Regulus e continuou a falar,

Emilia: “Quando Subaru me chama de Emilia-tan, sua voz fica carregada de sentimento. E ocasionalmente, quando ele deixa de fora o ‘–tan’, posso dizer imediatamente que para ele é algo especial. Não acho que seja algo inútil. Os nomes… devem transmitir esse tipo de sentimento.”

Regulus: “Ei, uh, agora você parece estar falando sozinha de repente, mas, me diga, quem é Subaru? É o nome de uma pessoa, não é? Na verdade, parando pra pensar, é o nome de um homem, não é? Uma garota que está prestes a se casar menciona o nome de outro homem diferente na frente do homem com quem está prestes a casar, isso vai contra todo o bom senso, não importa como você olhe pra essa situação, não é mesmo? Mesmo que seja apenas o nome de um estranho qualquer aleatório, ainda dói. Você sabe que isso dói, certo?”

Emilia: “Ele não é um estranho aleatório, Subaru é o meu cavaleiro escolhido, alguém que chama pelo meu nome e diz que me ama.”

Regulus: “–HHA?”

Ao ouvir a resposta de Emilia, uma onde enorme de aura aterrorizante jorrou do corpo de Regulus. Percebendo isso, número 184 e as outras esposas tentaram fugir, mas–

Regulus: “Ninguém se mexe! Se alguém tentar se mover eu matarei todas e cortarei suas cabeças!”

Emilia: “—“

Regulus: “Muito bem, eu deixarei você se explicar. Escolha as palavras com cuidado, não quero que esse casamento torne-se um funeral, certo?”.

Levantando os ombros enquanto estremecia, Regulus suprimiu suas emoções enquanto falava.

Mantidas pela a ameaça de Regulus, ninguém ali ousou se mexer, mas sem medo Emilia enfrentou a aura ameaçadora dele.

Emilia: “Um casamento deve ser formado, por duas pessoas que se amam. Mas, eu não acho que toda essa situação atende a esses critérios.”

Regulus: “—“

Emilia: “Além disso, eu ainda não sei amar um homem como uma mulher. Mesmo que Subaru diga que me ama, eu ainda não consigo retribuir seus sentimentos, ou nem mesmo consigo dar uma resposta direta e adequada. Isso é muito injusto de minha parte, e eu sei como isso o machuca, mas…”

Regulus permaneceu em silêncio, no entanto, Emilia não pensava nele. Qualquer um que visse os olhos dela poderia dizer isso.

Emilia: “Mesmo que eu não saiba como amar alguém, tenho certeza que um dia saberei. Um dia amarei alguém como uma mulher deve amar. E já decidi quem vou amar quando esse dia chegar, então, é por isso…”

Reparando fundo e olhando para Regulus, Emilia completou,

Emilia: “… que eu nunca poderei ser sua. Sinto muito, mas não posso me casar com você.”

Regulus: “–hk! Aargh… Tudo bem, eu não quero uma vadia egoísta como você como minha esposa!”

O rosto de Regulus ficou vermelho de raiva com a declaração de Emilia.

Na frente dos dedos esticados de Regulus, todo o corpo de Emilia se agitou com mana para enfrentar o ataque. Para conter seu mecanismo desconhecido destrutivo, sua primeira ação foi,

––!?

Quando os ataques estavam programados para serem lançados, um barulho violento ecoou por toda a catedral.

Acompanhando de um som de um tremendo impulso, quando algo disparou em direção ao corpo de Regulus como uma bala, quebrando contra seu smoking branco estava uma porta de madeira da catedral—– Uma das duas portas que haviam acabadas de serem reinstaladas. Ela percorreu voando todo o caminho da entrada para acertar Regulus. E,

???: “Droga, chutamos a porta ao mesmo tempo, mas o resultado causado não foi o mesmo de maneira alguma! O que há com essa força desproporcional vindo de sua perna!?”

???: “Desculpe, eu não me ajustei corretamente. Mas pelo menos consegui acertar o alvo que eu queria acertar, então acho que deu certo, não é?”

???: “O trunfo da entrada está longe de ser o mesmo, ok? Meu chute só conseguiu abrir a porta, mas o seu acertou em cheio o inimigo…”

Duas silhuetas resmungando apareceram diante da entrada da capela.

Um era um garoto de cabelos pretos, e o outro tinha os cabelos vermelhos como o fogo.

Os olhos de Emilia se arregalaram de espanto, e diante dela, Regulus retirou os estilhaços de madeira, como se estivesse colhendo insetos do chão. Parado ali, ileso, ele estava encarando os dois intrusos com desprezo nos olhos.

Regulus: “Vocês certamente tem muita coragem e atrevimento para interromper uma cerimônia sagrada de casamento como essa. Não me lembro de ter convidado nenhum outro homem, se importam de dizer quem são vocês e quais presentes de casamento trouxeram?”

Atendendo os berros de Regulus, ambos os dois, parados diante da porta se entreolharam e acenaram um para o outro com um sorriso, antes de se apresentarem.

???: “Sou o cavaleiro espiritual, Natsuki Subaru”.

???: “Descendente dos Santo da Espada, Reinhard Van Astrea”.

Anunciando seu nome, Reinhard deu um passo à frente. Ao lado dele, Subaru piscou para Emilia, antes de apontar para Regulus.

Subaru: “Eu me oponho a este casamento. E levarei a noiva comigo”.

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