Ao chegar, Subaru e os outros são recebidos por muros altos e imponentes.
Subaru: “É… este lugar parece exatamente como eu esperava, parece uma prisão.”
Subaru murmurou enquanto enfiava sua cabeça para fora da janela da carruagem, enquanto Otto assumia as rédeas da carruagem. Beatrice ouviu o murmúrio de Subaru, sua cabeça também estava do lado de fora da carruagem, abaixo da cabeça de Subaru.
Beatrice: Joshua disse que era um ponto turístico, mas Betty dúvida. Este lugar parece muito mais deprimente do que relaxante.
Subaru: “Concordo. Tipo, eu acho que a ponte e os portões são até legais.”
Subaru acenou a cabeça em concordância com Beatrice e olhou para baixo.
A carruagem em que eles estavam, estava atravessando a enorme ponte de pedra Tigracy, que leva até os portões de Pristella. Subaru estica seus braços e olha para o horizonte, onde a luz do sol podia ser vista brilhando na água. Para ele, parecia ser um oceano, mas considerando que oceanos não existiam naquele mundo, tinha de ser um lago ou um rio.
Beatrice: “Pristella é uma cidade construída sobre um lago. O terreno dentro desses muros é tão plano que forma uma bacia no centro. Se você imaginar a cidade como sendo uma velha armadilha, então é natural que o centro dela inundaria facilmente.”
Subaru: “Você ta falando da história de que essa cidade foi supostamente construída como armadilha para um majuu terrível. Emilia-tan também falou isso, é mesmo verdade?”
Beatrice: “É a primeira vez que eu vejo este lugar, também não sei qual foi de fato o propósito de sua construção. Mas agora que posso vê-lo com meus próprios olhos, suspeito que seja verdade.”
Os olhos azuis de Beatrice olharam diretamente para os portões da cidade, que estavam além da ponte que eles cruzavam.
As paredes a impediam de ver o que havia dentro, ela apenas poderia imaginar como seria a cidade por dentro. Não era claro o quão precisamente os livros da Biblioteca Proibida descreviam o mundo, mesmo assim, o conhecimento amplo de Beatrice já foi muito útil em diversas ocasiões.
Beatrice: “Por que você está acariciando a cabeça de Betty? eu suponho.”
Subaru: “Por que ela tá ao meu alcance, e eu quero passar quanto tempo for possível acariciando-a.”
Beatrice: “Um absurdo total, paternalismo absurdo, indesejado e sem sentido, de fato!”
No entanto, Beatrice não afastou a mão de Subaru, que continuou a acaricia-la enquanto olhava para o lago que estava além da grande ponte. As águas do lago eram tão cristalinas que ele podia ver claramente o fundo. Não havia um único traço de lixo ou poluição.
Se todo o lago é assim, então se trata de um incrível exemplo de ética das pessoas que lá viviam.
Subaru: “Na verdade, também não percebi nenhum lixo ou resíduos industriais jogados nas estradas. Provavelmente por que as pessoas não tem muitas coisas, mas ainda, é muito bom.”
Otto: “Pristella é muito rigorosa quando se trata de lixo, eles realmente se importam em preservar sua paisagem. Assim que passarmos pelos portões passaremos por um controle de fronteira, não haja de maneira estranha e não recuse a papelada que eles vão dar.”
Avisa Otto, tendo ouvido Subaru murmurando. Subaru inclina sua cabeça.
Subaru: “Papelada?”
Emilia: “Quando você está indo para a Capital, basta que sua carruagem tenha um brasão para que você fique isento disso, mas no caso de Pristella todos devem obrigatoriamente preencher uma papelada caso queiram entrar.”
Subaru acenou com a cabeça, impressionado, ele buscou encarar aquela situação como se estivesse passando pela imigração e tivesse que mostrar seu passaporte. Porém, mais uma vez, as palavras “papelada obrigatória” o incomodavam
Subaru: “Por acaso esses papeis funcionarão como um Geass*? Tipo como se afetasse diretamente o od da pessoa que assina, fazendo com que caso ela desrespeitasse os termos seu portal parasse de funcionar, ou coisa do tipo…”
Emilia: “Eek, isso seria muito assustador… não acho que deve ser algo tão autoritário. A papelada é apenas uma declaração de que você não fara nada de errado. O que significa que sua consciência sempre estará o observando de perto.”
Subaru: “Teríamos paz mundial se todo mundo fosse como você, Emilia-tan.”
Subaru sorriu desconfortável do idealismo de Emilia, ciente de sua própria personalidade desprezível.
Otto: “Existem leis nacionais que devem ser cumpridas, embora o prefeito e o senhor que administram o local, tem uma ampla autoridade na cidade. Existem muitas coisas em Pristella que são diferentes da legislação nacional. Certamente, a papelada vai mencionar quais são essas coisas, então por favor, leia.”
Garfiel: “Que chatice… que tal cê ler e depois nos contar quando acabar?”
Otto: “Você nunca vai amadurecer se continuar agindo dessa forma. É necessário que você seja ao menos capaz de lidar com a papelada. Você não pode apenas ler os livros que você gosta e armazenar esse seu conhecimento estranho.”
Garfiel: “Não é conhecimento estranho, é apenas o amor do homem pelo dramático. Certo capitão?”
Subaru: “É isso aí.”
Garfiel se equilibrou precariamente no teto da carruagem enquanto enfiava sua cabeça para cima e para baixo. Subaru acenou com a cabeça firmemente em resposta, Otto suspirou, Emilia observava com felicidade aquela situação. Beatrice balançou a cabeça em sinal de desaprovação.
Beatrice: “Vocês dois agem como duas crianças, é impossível lidar com vocês, de fato.”
Otto: “Eles são um pesadelo para se lidar.”
Ninguém teria imaginado que as palavras de Beatrice ressoariam exatamente como as de Otto.
Infelizmente para ele, ela era a única que podia simpatizar com a sua dor e cansaço.
――Patrasche rugiu e todos voltaram sua atenção para frente. Os portões de Pristella estavam bem na frente deles.
O controle de fronteira ocorreu com uma extrema facilidade.
Emilia e Otto estavam certos. A papelada descrevia os termos necessários para que eles pudessem entrar na cidade, bem como as regras que eles deveriam cumprir uma vez que tivessem lá dentro.
Dito isso, todo termo era praticamente impossível de ser violado acidentalmente, então, não havia muita necessidade de se preocupar com eles.
Tudo que você precisava fazer para entrar na cidade era ler a papelada, assinar seu nome, e obter a aprovação do funcionário. Os funcionários entraram em choque quando Emilia se apresentou, mas considerando que Anastasia também havia passado por lá, eles provavelmente adivinharam que alguma coisa estava acontecendo.
Subaru: “Imagino que seja uma grande noticia duas candidatas da seleção real em um só lugar.”
Emilia: “Não houve muita discussão, acho que Anastasia já havia os avisado de antemão. Ou talvez foi Joshua-kun ou Mimi-chan.”
Subaru: “Desconsiderando sua falta de jeito, Joshua ate que seria uma opção válida. Sobre Mimi eu duvido bastante.”
Não parecia que Mimi teria aquele tipo de sensibilidade.
Não era por que ela era egoísta ou coisa do tipo. Como descrever…?
Subaru: “Por que ela é fofa.”
Emilia: “Sim, por que ela é muito fofa.”
Foi algo tão misteriosamente persuasivo que fez Emilia acenar com a cabeça. Subaru cruzou seus braços, concluindo que nenhuma outra palavra se encaixaria. Além disso, por algum motivo, Beatrice pisou em seu pé.
Subaru passava o tempo apaziguando uma Beatrice descontente, até que Otto e Garfiel finalmente passaram pela inspeção e se juntaram a eles após passar pelos portões.
Subaru: “Ei pessoal. Por que demoraram tanto?”
Otto: “Foi por causa de Garfiel. Tenho estado constantemente, constantemente dizendo a ele para praticar sua escrita, e ainda assim…”
Subaru: “Garfiel, você sabe escrever?”
Garfiel: “Sim eu sei. É só que… Cê consideraria minha escrita vagabunda, ou coisa parecida.”
Sua escrita era tão horrível que os oficiais não conseguiam ler.
Possivelmente eles se ofereceram para escrever no lugar dele, mas o orgulho de Garfiel não permitiria isso.
Subaru: “Não vou implicar com você, mas é melhor que você melhore essa sua escrita se não quiser que algo parecido aconteça novamente. Eu sei que você escreve cartas para Ryuzu-san, certamente essas devem ser legíveis.”
Garfiel: “Ah, essa é boa capitão. Eu e a vovó estamos juntos há muito tempo. Ela consegue ler qualquer coisa que eu escreva, mesmo que seja eu escrevendo com a mão esquerda.”
Subaru: “Você realmente não está pensando em melhorar.”
Disse Subaru, suspirando de exaustão, para um Garfiel orgulhoso.
Ryuzu, a avó de Garfiel, não estava vivendo na mansão do Roswaal. Ela e as vinte quatro copias foram encarregadas de cumprir tarefas em vários locais diferentes do território do Roswaal.
Emilia e Garfiel ainda tinham o direito de comandar as copias, suas ordens ainda as afetavam mesmo considerando a distancia entre ele. A ideia era utilizar as Ryuzus como intermédios para comunicação.
Foi Subaru que propôs a ideia e foi Ryuzu quem assumiu a responsabilidade para cumprir o trabalho. Garfiel se opôs de início, mas agora, ele parecia ter aceitado.
Ryuzu e seus clones viviam na vila de Arlam. O plano era ensinar a cada uma das Ryuzus tudo o que elas precisavam saber, e então, manda-las para diferentes vilas e cidades uma vez que elas estivessem prontas.
Subaru: “É tipo como se fosse um grande plano de espionagem, embora isso pareça algo errado…”
Mas ainda sim, Subaru simplesmente odiaria deixá-las ali, sem nenhum papel ou proposito. Talvez a culpa de Subaru por ter as descartado em um loop anterior foi o que motivou a ideia.
Emilia: “Subaru? Eles acabaram de verificar a bagagem da carruagem, podemos ir?”
Emilia chamou Subaru de seus pensamentos, fazendo ele erguer os olhos apressadamente. Ele deu um sorriso tenso, enquanto tomava as rédeas de Patrasche. Como se sentisse o desconforto de Subaru, o dragão negro inteligentemente acariciou sua nuca com o focinho. Subaru ficou surpreso que mesmo aquela sensação áspera ainda conseguia ser relaxante.
Subaru: “Obrigado, obrigado por tudo.”
Em resposta a compaixão silenciosa de Patrasche, Subaru acariciou suas escamas, enquanto o dragão apenas respondia mostrando o focinho. Subaru finalmente puxou as rédeas para adentrar Pristella.
Eles saem do portão e encontram um rio que corre entre os portões externos e atravessa por toda a cidade. Eles cruzaram a ponte de pedra sobre o rio, os portões se abriram e Pristella se revelou a eles.
Subaru: “Uaaau…”
Subaru suspirou admirado com aquilo que ele via a sua frente.
Ele não foi o único que reagiu desta forma, Emilia e Beatrice que estavam sentadas ao lado dele, também ficaram maravilhadas.
Ele deveria se desculpar por ter utilizado a palavra “prisão” para se referir a esta cidade das águas.
Quando Subaru ouviu falar de Pristella pela primeira vez, ele imaginou algo como se fosse Veneza do velho mundo. Ele estava correto.
Era uma cidade circular, completamente circulada por paredes circulares.
Seu formato era essencialmente o de uma arena esportiva, do tamanho de uma cidade claro. As bordas da cidade eram a parte mais elevada, esta elevação diminuía a medida em que você se aproxima do centro da cidade.
Densas fileiras de edifícios de pedra alinhavam-se sobre os níveis da cidade, aquela era a arquitetura mais ocidental que Subaru já tinha visto até agora.
Longos canais atravessavam a cidade, alguns deles realmente enormes. Estes canais dividiam a cidade em quatro partes iguais. Subaru viu várias gôndolas remando na água, fazendo com que um arrepio percorresse até a sua espinha.
A Cidade Azul, Cidade da Água, A Cidade das Comportas. Cada um deles descrevia Pristella perfeitamente. Aquela vista não trouxe nada além de maravilhas.
Subaru: “Incrivel…”
Foi o que ele disse, e ninguém seria capaz de negar aquelas palavras.
Os guardas nos portões sorriram em satisfação com a surpresa do grupo. Certamente todos que passarem por aqueles portões desfrutariam da mesma sensação. Ver aquelas reações enchiam os guardas de satisfação, certamente aquela reação era algo recompensador para eles.
Garfiel: “Esse lugar é realmente impressionante. Pelo visto, Otto-nii não estava apenas falando baboseira.”
Garfiel foi o primeiro a se recuperar da surpresa. Mesmo assim, sua empolgação ainda não havia acabado, pois suas bochechas continuavam ligeiramente vermelhas.
Sua paixão masculina pelo dramático deve ter sido instigada por aquele lugar fascinante.
Otto: “Eu sempre quis visitar esse lugar apenas pela sua relação com o Deus dos Mercadores, Hoshin, mas esse lugar é incrível. Era um lugar digno de ser visitado sem ser apenas por seu relacionamento com Hoshin.”
Otto gesticulava com as mãos, parecendo incrivelmente emocionado.
A menção de Hoshin lembrou Subaru do seu nome: Hoshin da Planície.
Subaru: “Hoshin é aquele cara. Aquele mercador de muito tempo atrás que fez muito dinheiro a partir de um deserto queimado.”
Otto: “É uma descrição simples e um pouco incorreta, mas no geral você está certo. quatrocentos anos atrás Hoshin viajou pelas terras de Kararagi, que na época eram selvagens e desconhecidas. Ele transformou aquelas terras em uma infraestrutura econômica, desenvolvendo a economia do local e ficando rico no processo, tudo isso apenas com sua própria engenhosidade.”
Apenas porque se tratava de um comerciante, os olhos de Otto brilhavam de paixão enquanto ele contava a história de Hoshin. Se ele realmente havia sido responsável pela fundação de um dos quatro grandes países, Kararagi, então Subaru poderia compreender o porquê sua lenda se mantém viva até os dias de hoje.
Subaru: “Anastasia também chama a si mesma de Hoshin.”
Otto: “É algo muito ousado da parte dela. É uma maneira muito clara da parte dela de expressar seus entusiasmos e seus objetivos. Pessoalmente, eu acho que ela já alcançou bastante coisa, ao ponto de justificar o nome.”
Subaru: “Se ela está realmente tentando justificar o nome, acho que assumir o trono de Lugnica certamente funcionária. Seria um grande passo em direção ao seu objetivo.”
Subaru estava realmente impressionado com a paisagem, até que ele finalmente conseguiu se desvencilhar daquele lindo cenário.
Ele acariciou a cabeça de Beatrice e puxou Emilia pela manga para conduzi-la através daquela cidade fascinante.
Subaru: “Então, Anastasia está nos esperando no Pavilhão Pluma d’Água. Não sei onde fica, mas considerando que se trata de Anastasia, com certeza não deve ser um lugar barato.”
Emilia: “Eu acho que ela falou sobre a nossa visita para os oficiais dos portões. Creio que vai ser um lugar legal. Talvez Otto-kun tenha procurado saber mais sobre isso…”
Otto: “Já tenho uma ideia da rota que devemos seguir, então, vou orientá-los. Não poderemos avançar muito uma vez que os barcos tem maior prioridade que as carruagens nesta cidade. O que eu levo em consideração, pois suspeito que Natsuki-san ainda tem problemas com passeios lentos de carruagem.”
Subaru: “Ah e? Se fosse só Patrasche, eu nem precisaria dizer nada, bastaria eu encara-la para que ela movesse a carruagem como eu quisesse, certo?”
Subaru olhou corajosamente para Patrasche e piscou. O dragão desviou o olhar, de alguma forma, parecia que ela apenas estava suspirando para ele. Aquela reação inesperada desanimou Subaru, Emilia lhe deu uma tapinha nas costas, como se tivesse o consolando, enquanto Beatrice segurava sua mão e o conduzia para dentro da carruagem.
Garfiel: “Vamos embora!”
Anunciou Garfiel do teto da carruagem. Otto sorriu ironicamente enquanto chicoteava as rédeas da carruagem, fazendo ela andar.
O ritmo deles era lento, tão lento que mesmo as quedas de velocidade que ocorriam nas subidas não eram perceptíveis.
Subaru: “Mas vendo pela janela, tem bem poucas carruagens.”
Emilia: “De fato não há muitas. As estradas que são largas o suficiente para as carruagens passarem não são retas, elas são cheias de curvas, isso por que os canais tem mais prioridade que as estradas.”
Subaru: “Ah, você está certa.”
Emilia estava certa. Todos os caminhos e estradas que eram destinadas as carruagens todos eram repletos de curvas sinuosas. Aquilo era inconveniente para Subaru, ele só parou de sentir dessa forma quando passou a observar os canais e as gôndolas passando sobre eles.
Subaru: “As carruagens tem a bênção da Evasão do Vento, os barcos possuem algo do tipo? Algo como uma bênção de não virar ou uma bênção da brisa do mar.”
Emilia: “Eu não sei, mas eu não acho que os barcos propriamente dito possam ter bênçãos. Mas talvez os barqueiros tenham uma bênção do lago, ou uma bênção da navegação.”
Beatrice: “Embora esse conhecimento não seja bem difundido, dragões de água também possuem bênçãos, de fato. Um deles os protege dos efeitos da água, parecido com o que os dragões de terra têm, eu suponho.”
Subaru: “Dragões de água… não me importaria de ver um.”
Beatrice: “Tenho certeza de que deve ter nessa cidade, de fato.”
Embora ela havia respondido à pergunta de Subaru, a resposta de Beatrice não tinha entusiasmo, pois ela não gostava de animais. Sua estranheza com eles não se limitava apenas a Patrasche, mas também se estendia aos dragões de água.
Nota: liger se refere aos cachorros utilizados como montaria por Ricardo e os Presas de Ferro
Beatrice: “Eu não vou morrer só de tocar em um animal, eu suponho. Betty é mais fofa que todos eles, de fato.”
Subaru: “Duvido que competir com um animal para ver quem é mais fofo daria em algum lugar… Na verdade, acho que você poderia ate perder alguns pontos se competissem de forma igual…”
Aos olhos de Subaru, até Patrasche era fofa. Obviamente um tipo de fofura diferente de Emilia, Rem e Beatrice, é claro.
Beatrice olhou com desconfiança, enquanto Emilia ficou animada ao escutar a palavra “liger”
Emilia: “Eu também quero! Você acha que eles me deixariam toca-los se eu pedisse?”
Subaru: “Você poderia ter perguntado enquanto Mimi estava na mansão. Você é estranhamente atenciosa com esse tipo de coisa.”
Emilia: “São os seus cachorros de montaria, não posso fazer o que eu quiser com eles. Mas estou sentindo falta da sensação de pelo desde que Puck não está mais conosco.”
Parecia que até Emilia, que amava Puck como se ele fizesse parte de sua família, havia se apaixonado por sua pele. Quando Subaru finalmente resolveu perguntar sobre isso, Emilia começou a cantarolar alegremente, embora ela fosse terrivelmente desafinada.
Ouvindo sua cantoria de má qualidade, Subaru levou suas mãos as bochechas e se apoiou nos cotovelos, enquanto observava a paisagem urbana.
Descansando sobre o parapeito da janela. Beatrice estava olhando pela vidraça da janela enquanto estava ajoelhada em seu assento. Subaru pensava se deveria ou não dizer a ela que o que ele havia dito foi rude, quando…
Beatrice: “Subaru! Essa é sua chance.”
Subaru: “Hm? Wh-woah!”
Subaru se virou apenas para ver um enorme jato de água no canal produzido por um peixe—não, não era um peixe. A criatura tinha um corpo longo em formato de serpente, com seus braços e pernas curtos. Era um dragão de água, sua pele azul e escorregadia se assemelhava a uma cobra, porém sua cabeça era claramente a de um dragão.
Sua boca tinha presas afiadas, e bigodes de bagre no focinho. Os dragões de terra se pareciam com lagartos bípedes, enquanto os dragões de água tinham um aspecto muito mais oriental. Subaru quase queria os chamar de Shenlong.
Subaru: “Mas ele parece meio arrogante, ou hostil.”
Beatrice: “É a forma como os humanos enxergam, eu suponho. Dragões de água são muito mais difíceis de se domar se comparado aos dragões de terra, de fato. Para que o dragão o reconheça como seu mestre, deve cria-lo desde o nascimento ate a fase adulta, eu suponho.”
Subaru: “Então eles precisam de bastante tempo… Eu e Patrasche nos unimos no momento em que nossos olhos se encontraram.”
Beatrice: “De fato, me intriga o quão ela é apegada a você.”
Isso também intrigava Subaru.
Embora ela originalmente fosse da facção de Crusch, ela se tornou extremamente apegada a Subaru desde o momento que ele a escolheu como seu dragão terrestre na batalha contra a Baleia Branca.
Em muitas ocasiões, Subaru teria falhado se não fosse por Patrasche.
Subaru: “Hmpf. O rosto de Patrasche é muito mais elegante que o daquela coisa.”
Emilia: “Subaru, por que você de repente está falando como Anne?”
Enquanto o dragão de água dançava pelo canal, Subaru sentiu uma estranha revolta por ele. Mesmo o dragão não notando o olhar de Subaru, ele se virou para Subaru. O dragão enfiou sua cabeça para fora da água e rugiu. Era quase como se o dragão estivesse gritando “Ei! Pare de olhar para mim, intruso” para Subaru.
Subaru: “Eu acho que esse idiota me insultou. O que significa que é hora de…”
Dragão: “—Ϡ!”
Como vingança, Subaru decidiu imitar os rugidos do majuu gigantesco que ele viu quando a mansão estava pegando fogo. Entretanto, naquele momento um outro rugido agudo rasgou a água, era o rugido de Patrasche.
Patrasche havia percebido a agressividade do dragão de água para com seu mestre, e se vingou no lugar dele. Subaru não entendeu o que Patrasche queria fazer com aquele rugido, mesmo assim, foi o suficiente para assustar o dragão de água, fazendo-o voltar para a água. O barqueiro entrou em pânico com o aumento repentino da velocidade, enquanto Subaru assistia, atordoado.
Subaru: “O-o-o que acabou de acontecer?”
Otto: “Natsuki-kun, por favor evite que Patrasche-chan faça algo muito estranho de novo. Eu preferiria que não chamássemos atenção logo após entrar na cidade.”
Otto o repreendeu do assento de motorista. Subaru zombou dele, e assobiou para que Patrasche pudesse ouvir. Não é que eles podiam se comunicar por assobios, Subaru apenas esperava que isso pudesse de alguma forma comunicar sua gratidão para Patrasche.
Subaru: “Dragões de água são bem legais, mas nada supera Patrasche, ela é ainda mais legal.”
Beatrice: “O nosso dragão é muito melhor que aquela dragão de água indigno, de fato.”
Beatrice concordou relutantemente com Subaru, talvez pela forma tão alegre com que ele falou.
Enquanto eles atravessavam o canal pela ponte, Subaru pensou na vista panorâmica que viu da cidade quando entrou pelos portões.
Subaru: “Parece que esses canais dividem a cidade em quatro partes, ou coisa do tipo.”
Emilia: “De fato. Os enormes canais de água no centro dividem Pristella em quatro distritos. Seguindo no sentido horário a partir dos portões principais temos: distrito um, distrito dois, distrito três e distrito quatro.”
Subaru: “Hmm… A forma como eles nomeia os distritos é bem sem criatividade. Eles poderiam ter optado por algo mais criativo, como Azul do Leste, não concorda?”
Garfiel: “Isso mesmo capitão.”
Beatrice: “Ninguém liga para seus gostos, eu suponho.”
Disse Beatrice friamente para eles. Emilia sorriu, enquanto observava, ela ergueu um dedo, falando como se estivesse lendo de um livro.
Emilia: “Todos os quatro distritos tem diferentes lojas e profissões, as áreas residenciais são principalmente nos distritos dois e três, que são os mais afastados dos portões principais. Muitos viajantes devem visitar o Pavilhão Pluma d’Água, então, provavelmente ele deve estar no distrito um.”
Subaru: “O que significa que devemos chegar em breve… ou agora.”
A lenta carruagem parou subitamente durante a conversa. Aparentemente, eles haviam chegado ao hotel. Otto saiu do assento de motorista para dentro da carruagem.
Otto: “Chegamos. Falarei com os funcionários para que os dragões sejam transportados para o estabulo, então fique à vontade para… não, na verdade, apenas espere na entrada.”
Subaru: “Por que você mudou de ideia? É tão ruim assim nos entrarmos primeiro?”
Otto: “Sim, não quero que você encontre Anastasia-san apenas para quando eu voltar descobri que você se meteu em confusão.”
Subaru ficou incomodado com a falta de confiança de Otto, mas ninguém poderia refuta-lo, considerando seu histórico. Eles pegaram a bagagem de mão e saíram da carruagem, enquanto um funcionário acompanhava Otto através do local.
Subaru os observa ir, se espreguiça, e finalmente observa o Pavilhão Pluma d’Água.
Subaru: “Agora, que tipo de alojamento nos tere…”
O queixo de Subaru caiu. Emilia colocou um dedo na bochecha, inclinando a cabeça.
Emilia: “Esse prédio é muito interessante. Nunca vi nada parecido.”
Garfiel e Beatrice compartilhavam os mesmos pensamentos de Emilia. Subaru no entanto, tinha uma impressão diferente daquele lugar. É claro que ele teria. Afinal…
Subaru: “Esse hotel… é um ryokan?”
Feito de madeira lisa, com portas de vidro deslizantes, um caminho de cascalho da entrada até os portões, telhados ladrilhados, não havia dúvidas.
Bem ali, em meio a uma cidade com um aspecto tão ocidental, estava uma construção com uma arquitetura completamente diferente, que não parecia pertencer a aquele local. Este foi o dia em que Natsuki Subaru encontrou o Pavilhão Pluma d’Água, uma construção que por algum motivo tinha um aspecto bem japonês.
???: “Veja só como você está surpreso. Creio que foi uma boa escolha da minha parte escolher esse hotel a dedo.”
Naquele momento, uma voz calma e alegre interrompeu sua surpresa.
Ainda surpreso, Subaru lentamente virou seu olhar para a pessoa que havia falado.
Ela vestia um vestido branco, e um cachecol feito de pele de raposa branca. O inverno já havia terminado, aquele vestido tinha um tecido especialmente fino, como se tivesse sido feito especialmente para aquela estação. O cachecol, no entanto, parecia ser algo mais importante, uma vez que continuava exatamente da mesma forma, sem qualquer mudança.
Ela tinha um corpo pequeno, longos cabelos violetas, e um sorriso agradável em seu rosto encantador, além de um brilho indecifrável em seus olhos turquesa.
Não havia dúvidas quanto a isso. Aquela era a pessoa que os havia convidado. Eles agora estavam sendo recepcionados cara a cara por Anastasia Hoshin.
Anastasia: “Faz um tempo desde a última vez que eu os vi. Muito obrigado por terem vindo. Me parece que vocês estão esgotados por causa da viagem. O que acha de entrarmos para relaxar e bater um papo?”
Antes mesmo de Otto retornar, ela facilmente assume a liderança da conversa.
――Todos os presentes puderam ver.