— A Autoridade da 『Ganância』associada com seu nome de estrela, a verdadeira face de sua 『Invencibilidade』.
Os nomes das estrelas que Subaru conhecia, alinhados com os nomes dos Arcebispos.
A etimologia de Betelgeuse — 『A mão de Orion』 — combina bastante com a 『Mão Invisível』do louco Petelgeuse Romanée-Conti.
Portanto, Subaru acreditava que as alcunhas das estrelas estavam fortemente relacionadas com as autoridades de seus Arcebispos.
E o Arcebispo da 『Ganância』 era chamado de Regulus Corneas. A estrela “Regulus” tinha a origem latina de “Leo”, e significava 『Pequeno Rei』, e também 『Coração do Leão』.
Apesar de uma vez ele ter zombado da ideia, Subaru percebeu que esse conceito não era insignificante. Ele seguiu essa linha de pensamento, logo chegando a uma hipótese.
Para começo de conversa, como um 『Rei』 é definido?
O Reino de Lugnica estava atualmente no meio de uma seleção real, cada candidata estava se esforçando para mostrar sua 『Realeza』. Apesar de que cada visão da 『Realeza』 fosse, mais cedo ou mais tarde, vir à luz, Subaru queria trazer o tópico de 『Rei』 nesse momento, nessa situação que requer um significado mais genérico.
Esse tão proclamado 『Rei』era um representante de um reino, que ficava em seu topo.
Afrouxando a definição, uma nação poderia ser composta de qualquer coisa, mas um único indivíduo não poderia se tornar uma nação.
O 『Rei』, simbolizando o país, existiria por causa dos 『Cidadãos』 dentro dele.
Seguindo essa linha de pensamento, havendo Regulus Corneas, carregando o nome de 『Pequeno Rei』, provavelmente também haveria os 『Cidadãos』 correspondentes que poderiam garantir a ele o título de 『Rei』.
Subaru: “Então, onde estão os 『Cidadãos』 desse 『Pequeno Reino』, aqueles que fariam de Regulus o Rei?”
Ele nem precisava pensar sobre isso.
Sem trazer nenhum cultista, eles atacaram a cidade de Pristella.
Apesar desse ser um grupo de demônios independentes, desagradáveis e maliciosos, Regulus foi o único a trazer um número desnecessário de pessoas.
Qual a necessidade dele de fazer isso?
Apesar de que, conhecendo Regulus, a possibilidade de ele estar apenas ostentando sua ganância não era inexistente, mas se por outro lado ele estivesse agindo por necessidade——
Subaru: “Para Regulus ser um 『Pequeno Rei』, ele precisava trazer seu coletivo de 『Cidadãos』, suas esposas. Apesar de não sabermos se a distância tem ou não alguma relação, parece que devido a essa restrição, mesmo se houvessem cinquenta esposas, Regulus ainda precisaria trazê-las.”
Seria a condição dessa 『Invencibilidade』 baseada no número de esposas? Ou distância das esposas?
Se a identidade de Regulus como um 『Pequeno Rei』 fosse condicional, a extensão do que a 『Ganância』 poderia alcançar seria potencialmente afetada por tais limites.
Resumidamente, as esposas de Regulus, em nenhuma hipótese, eram irrelevantes para a sua 『Invencibilidade』.
Subaru: “Mas isso ainda não é o bastante para me revelar o segredo do truque dele.”
O que Subaru entendia com seu raciocínio era apenas a parte do 『Pequeno Rei』.
Seu outro nome, 『Coração de Leão』, ainda havia de ser explicado, assim como o poder esmagador, tanto ofensivo quanto defensivo, que acompanhavam sua 『Invencibilidade』, assim como o fato do ambiente em sua volta não ter efeitos sobre ele. Tudo ainda era um mistério.
Se ele simplesmente tivesse um corpo fortalecido, não seria impossível para Reinhard superá-lo; entretanto, a 『Invencibilidade』 de Regulus claramente era algo que ia além de uma resistência desse nível.
Subaru: “Não tem como ser uma barreira super forte. Todas as medidas para parar um inimigo 『Invencível』 já foram experimentadas. No topo disso, ele definitivamente não possui batimento cardíaco e temperatura corporal. Logo—”
O nome 『Coração de Leão』 sugeriu uma ideia, e o último pedaço do quebra-cabeças se encaixou.
A Autoridade da 『Ganância』 de Regulus não era 『Invencibilidade』.
A verdadeira face do poder esmagador do assassino era o 『Repouso de um Objeto no Tempo』.
Já abastecido, já apreciado, sem lacunas vazias.
As palavras que Regulus sempre falava sobre autossatisfação distorcida eram sobre como ele era um homem satisfeito com sua existência ideal, mas ao mesmo tempo não tentava mascarar a natureza de sua habilidade.
Subaru: “O tempo de seu corpo está congelado, então pode esquecer de atacá-lo; até mesmo a água não irá molhá-lo. O tempo da areia que ele joga está congelado, então ela não ricocheteia, ela passa direto.”
Entre os superpoderes conhecidos em mangás, havia um semelhante chamado 『Quebra de Espaço』.
O poder, assim como seu nome literalmente sugeria, causava uma quebra do espaço, cortando algo de seu ambiente, indiferente de qualquer coisa que tente afetá-lo; a própria existência de Regulus era, pois, algo nessa perspectiva.
O Regulus Corneas que poderia cortar a si mesmo do fluxo do tempo poderia ser considerado a própria distorção do espaço.
De fato, ele diria, a dimensão era diferente — 『Invencibilidade』 era nada menos que um efeito secundário do 『Repouso de um Objeto no Tempo』.
O que dava para dizer…
Subaru: “— A técnica secreta de congelar o tempo é a sua verdadeira habilidade!”
Regulus: “Você pode falar de forma tão orgulhosa o quanto você quiser, eu não terei nada a comentar! Você é desse tipo? Daqueles que acreditam ansiosamente que sabem de alguma coisa, e, portanto, todos em sua volta devem descobrir também? Até mesmo o orgulho precisa ser mensurado, me mostre um pouco de autoconsciência, seu pivete!”
As costas de Subaru estavam pressionadas contra uma parede de pedra, escondendo sua silhueta enquanto ele gritava, e Regulus correu até ele com desprezo.
Quebrando paredes, cortando caminho através do canal, literalmente cruzando diretamente em uma marcha de devastação — como resultado disso, Regulus alcançou Subaru.
Agora, Subaru lidava com tudo isso sozinho. Dito isso, a verdade é que isso não era o correspondente empolgante que a palavra “combate” sugeria.
Regulus: “Você acha que eu diria ‘te ver correndo para lá e para cá me irrita até a morte… Não correr te faz um verdadeiro homem’, ou algo do tipo? Eu e você não podemos sequer ser comparados. Apesar de você claramente ter ficado de boca aberta quando eu mandei o Santo da Espada pros ares, você não pode compreender algo tão simples assim? Não importa como você olhe para isso, isso não é somente me desprezar!?”
Subaru: “Quando é alguém que você odeia, independente do que eles façam, seja certo ou errado, é sempre irritante. Se eu corresse, eu apenas iria correr para um futuro tão duro que eu acabaria morrendo. Além disso… se essa escolha é a resposta certa, então é isso.”
Regulus: “Escolha certa é o meu rabo. Seja seleção de contingente ou estratégia, tudo, tudo, tudo isso! Tudo isso só pode chegar em um resultado distorcido, certo? Se você queria continuar a luta, não teria sido muito melhor que aquela vagabunda infiel ficasse? Existe algo que um adúltero igual você consegue fazer além de tocar na esposa de outra pessoa?”
Subaru: “Isso que você tá aí tagarelando sobre mim é bastante rude.”
Apesar de serem palavras amargas que Regulus lançava sobre ele, Subaru não estava nem um pouco ansioso.
Nem ansioso, nem irritado; até mesmo seu nojo foi diluído, já que ele contava apenas com sua lábia para controlar a situação.
Agora, Subaru atraiu Regulus a uma certa distância para longe da igreja, separado de Emilia, enfrentando o assassino sozinho.
Enfrentando — dizer isso era um pouco impreciso. Já que Subaru estava apenas tentando se esconder, ele mantinha seu comportamento provocador, esforçando-se simplesmente para ganhar tempo.
Se Regulus percebesse isso e fizesse um ataque destrutivo que rasgasse o espaço de cima para baixo, os planos de Subaru seriam destroçados em um instante. Entretanto, Subaru tinha certeza que Regulus jamais faria isso.
Nesse curto período de tempo, com a natureza hostil de suas interações, ele viu através da personagem de Regulus muito precisamente.
Resumidamente, Regulus era um lixo.
Essa simples afirmação não poderia, em hipótese alguma, explicar todos os problemas de Regulus.
Mais precisamente, Regulus era alguém que se colocava no topo de todos, e certamente jamais seria capaz de ignorar a existência dos outros.
Para ser franco, chamá-lo de “a encarnação do desejo de aprovação e do desejo de exibir-se” não seria um exagero.
Afirmando que ele não possui desejos e demandas com palavras sofisticadas, tratando sua existência como uma que já alcançou a perfeição: Regulus parecia ser incapaz de continuar vivendo sem proclamar seu próprio valor aos outros.
Reprimindo os sentimentos dos outros, impondo-lhes seus próprios valores, usando intimidação e violência para forçadamente o nomear como autoridade suprema.
Essa atitude não era somente como ele tratava suas esposas, mas como ele tratava o mundo inteiro.
Logo, de certo modo, Regulus era verdadeiramente atencioso e sério com qualquer coisa que ele enfrentava.
Sua batalha com Reinhard servia como uma prova perfeita.
Se Regulus tivesse a vontade, ele poderia ter invalidado completamente os ataques de Reinhard com sua 『Invencibilidade』, e ter matado os problemáticos Subaru e Emilia.
Apesar disso, ele estava deliberadamente disposto a aceitar os ataques de Reinhard diretamente, e logo, era incapaz de colocar esse plano agudo em ação.
Apesar de que isso não é para dizer que Regulus valorizava qualquer despotismo de espírito.
Ao invés disso, provava mais a fundo a natureza que ele supostamente deixaria de lado.
— Esse homem, Regulus, não descansaria até usar todo o seu poder para fazer tudo sucumbir.
Portanto, não esmagar o intrometido Reinhard ou apenas ignorar o provocante Subaru eram decisões que ele simplesmente não conseguiria tomar em uma batalha.
Assegurado pela premissa que ele não poderia ser machucado ou derrotado, ele precisava forçar seus oponentes a se renderem completamente, e deixar os espíritos deles derrotados e quebrados — um homem que só conhecia essa forma de batalhar.
Uma natureza tão repulsiva era algo verdadeiramente intragável.
O porquê dessa noção era que certamente todos, sem nenhuma exceção, iriam a certo ponto possuir os mesmos sentimentos. Até mesmo Subaru estava ciente de tal feiura em seu caráter.
Precisamente por forçar as pessoas a olharem para sua própria feiura, era o porquê da existência de Regulus ser tão odiosa.
Entretanto, esse exato motivo era o que permitia uma pequena esperança em uma pequena chance de vitória.
Subaru: “Seu método secreto de congelar o tempo, certo, ignore isso, mas e quanto à primeira parte? Minha especulação estava completamente errada? Se você puder, mesmo que seja só uma ideia aproximada, eu espero que você possa desenhar para mim.”
Regulus: “Por que eu teria que responder sua pergunta? É sem sentido e eu não sou obrigado. Uma questão de revelar meus segredos não é nem mais sobre direitos. Até que ponto você planeja me desprezar? Seu filho da puta, você é incapaz de entender as coisas sem ter seus ossos esfarelados!?”
Caindo na provocação de Subaru, Regulus pisoteou fortemente o chão.
As pontas de seu pé perfuraram a rua de pedras tão facilmente, como se ela fosse feita de pudim. A direção da munição que ela liberou poderia ser rastreada somente pelo som, destruindo aleatoriamente a área próxima ao esconderijo de Subaru.
Bem antes que os projéteis o encontrassem, Subaru, que havia lido os movimentos de Regulus, fugiu da parede. Durante sua fuga, ele também derrubou os pilares de pedra nas extremidades da rua.
E logo a corda amarrada ao pilar de pedra foi solta, e uma série de pequenos sons ecoaram.
Sobre a cabeça de Regulus, que olhou para cima para ver o que aconteceu, inúmeros cacos de gelo caíram. Com a ajuda de Emilia, a rua virou um campo minado de armadilhas armadas cuidadosamente.
Claro, o lugar onde Regulus foi atingido diretamente ficou ileso, mas—
Regulus: “Esse tipo de coisa! É nada além da exaustão desesperada de uma habilidade limitada!”
Regulus, sem tentar desviar do gelo que caía, abriu seus braços com o objetivo de aceitá-lo com seu corpo inteiro.
Claro, sem esperança de atravessar sua 『Invencibilidade』, os cacos de gelo despedaçaram em fragmentos, espalhando-se até serem dispersados em forma de partículas de mana. Incluindo as partes que falharam em tocar seu corpo, como para se exibir, Regulus pisoteou em todos os pedaços espalhados de gelo, destruindo-os completamente.
Regulus: “O que era para ser isso? Se essa sua teoria desconexa de agora estivesse correta, você não conseguiria imaginar no quão insignificante seria esse ataque? Olhando assim, aquela garota é muito mais capaz de atacar do que você. Enrolando aqui e ali, qual que é a sua intenção!?”
Subaru: “Qual a minha intenção em enrolar aqui e ali, se eu responder sua pergunta, você correspondentemente deveria responder a minha. Essas serem nossas condições de troca é o ideal, não acha?”
Regulus: “E uma troca entre mim e você, o que é isso se não pura arrogância selvagem!?”
Subaru recuou rapidamente em um ângulo largo, distanciando-se de Regulus.
Recusando-se a deixá-lo escapar, Regulus perseguiu Subaru persistentemente, gentilmente dobrando seus joelhos e saltando em um movimento só. Movendo-se para frente com uma propulsão explosiva, em um instante, a distância entre os dois diminuiu.
Dessa forma, as pontas dos dedos da morte alcançaram Subaru — quase, já que Regulus perdeu seu equilíbrio.
Regulus: “Wha!?”
Subaru: “Isso foi realmente muito além da minha expectativa, mas a fraqueza da sua pessoa que só sabe sobre força é basicamente patética.”
Até mesmo as armadilhas clássicas eram simples: a magia de Emilia cavava o chão, e então o buraco era coberto com terra, apoiado em uma camada de gelo.
Entretanto, para um veterano de centenas de batalhas que deveria ser capaz de enxergar uma armadilha tão simples, Regulus de fato caiu nela. Apesar de ser irônico, isso também servia como evidência que Regulus era incapaz fazer outra coisa senão garantir a vitória recorrendo à força bruta.
Verticalmente e apropriadamente utilizando sua habilidade trapaceira para esmagar diretamente o seu oponente com força bruta.
Capaz de nada além disso, evidentemente um homem que não consideraria outra tática de batalha.
Subaru: “Eu consigo pensar em várias formas de me livrar de você, diferente do seu poder. Se eu continuar fazendo isso, vai acabar ficando difícil dizer quem que realmente é o antagonista aqui.”
Pegando um atalho para chegar à igreja primeiro, lutando até o último segundo para tornar essa área um campo minado cheio de armadilhas.
Apesar de Emilia ter se recusado a deixar Subaru até o último segundo com sua natureza inocente, ela jamais poderia utilizar esses truques tão sujos. A pessoa certa no lugar certo, esse era o que se devia fazer.
Subaru: “——”
No tempo em que Regulus levaria para escalar para fora daquele buraco, Subaru disfarçadamente olhou para sua perna direita. Mesmo após o Parkour extenuante de sua fuga, ela ainda estava em excelentes condições. Ele quase se esqueceu do fato que ela foi quase completamente arrancada e coberta por esse misterioso material negro.
Talvez essa seja a influência do 『Sangue do Dragão』, que quase parecia estar falando com Subaru.
Esse arrogante 『Rei』 falso que é seu inimigo, mostre a ele o prestígio do Reino do Dragão.
Subaru: “Nesse caso, eu irei te pedir mais ajuda. Apesar de que eu vou acabar te devendo muito.”
Regulus: “Essa sua choradeira me irrita pra cacete!”
O chão eclodiu com fragmentos de pedras e pedaços do solo, dispersando com força.
Sustentados pelo poder de Regulus, eles causaram danos impetuosos às ruas. Apesar dessa devastação, Subaru não estava no alcance da destruição.
Tendo voado para fora do solo, Regulus, com seus olhos arregalados de ódio, olhou ameaçadoramente para Subaru, que se distanciou novamente. Muito deliberadamente, Subaru ergueu seu dedo do meio para Regulus.
Subaru: “Parece que alguém uma vez disse “exaustão desesperada de uma habilidade limitada”, pode me dizer aí quem que falou isso mesmo? Dizem bastante que tratar os outros como um espelho pode levar a uma compreensão de vitória e derrota, mas você não deveria dar uma olhada melhor no espelho primeiro?
Regulus: “Zombando, zombando de mim, a esse ponto, seu…!”
Após ter suas falhas educadamente apontadas, Regulus demonstrou um olhar feroz.
Era mais do que provável que os sentimentos homicidas em direção a Subaru já haviam ultrapassado facilmente do limite do tolerável, e as chamas de ódio consumiram seu corpo assassino imutável.
Regulus aparentemente não percebeu ainda que tudo isso estava no escopo das expectativas de Subaru.
Uma vez que Regulus não havia percebido em momento algum que, sem afiar sua intenção assassina, seus frouxos e desordenados ataques brutos eram inefetivos.
Subaru: “Mesmo esse sendo o caso, eu não posso me dar ao luxo de não levar isso a sério.”
Limpando o suor de seu pescoço, Subaru, com um sorriso irreverente, preparou-se contra a morte.
O que ele não poderia permitir que Regulus notasse era que sua intenção era apenas ganhar tempo. E, mesmo que ele fizesse essa leitura, ele absolutamente não deveria descobrir qual a intenção por trás disso.
Essa era a condição de vitória para essa batalha, a tarefa que Subaru, que enviou Emilia para outro lugar, deveria cumprir.
Isso era o que ele e Emilia juraram um ao outro — que eles iriam cumprir suas respectivas tarefas não importasse o quê.
E então…
Subaru: “Conto com você, Emilia. — Garanta que irá por pra fora os verdadeiros sentimentos das esposas.”
Quando Emilia chegou à catedral, as esposas ainda estavam aonde foram deixadas.
Emilia: “Excelente, todo mundo ainda está—”
Olhando para as esposas que estavam presentes no casamento, Emilia desabafou seus sentimentos.
Entretanto, ela ficou muda ao ver que as posições das esposas que acompanhavam o casamento literalmente não mudaram.
Se a memória de Emilia estivesse correta, elas não se mexeram nem um pouco desde que ela escapou da catedral.
Emilia: “Só porque Regulus… as deu uma ordem para ficarem paradas…?”
Ele não tinha nenhum poder de obrigar, era o que Emilia entendeu sobre o que lhe foi dito por Subaru em relação à verdade sobre a Autoridade da 『Ganância』.
Apesar de que ele enfatizou repetidamente que “isso é apenas uma hipótese”, Emilia teve fé total na resposta dele.
Para derrotar esse assassino, o que Subaru e Emilia precisavam resolver não importava o quê ainda precisava ser feito.
Emilia: “Todas ficaram… então, a primeira questão não é um problema.”
A possibilidade mais aterrorizante era que as esposas pudessem ter se separado para esconder-se ou estivessem fugindo da igreja em pânico.
Antes do ponto sem volta, eles precisavam de um último recurso. O plano que Subaru propôs tão seriamente, Emilia queria evitar se fosse possível.
E então—
Emilia: “Todas, eu imploro para falar com vocês.”
Não havia tempo.
Apesar de não haver garantias de que elas sequer a ouviriam, Emilia precisava superar esse obstáculo.
Número 184: “— Marido-sama, como ele está?”
Na catedral meio-destruída, de frente para Emilia pelo meio, aquela que lhe respondeu foi uma mulher de cabelo loiro — a Número 184.
Diferente das outras esposas silenciosas posicionadas em fileiras elegantes, somente ela ficava à frente, próxima ao altar destroçado.
Tendo ajudado Emilia a trocar-se, dado lhe conselhos, com olhos tão frios como os de quando ela falou sobre o desespero que viria em seu futuro, a Número 184 questionou à Emilia que havia retornado com uma voz sem entonação.
Emilia: “Regulus está do lado de fora… Desculpe, nós ainda estamos no meio da batalha. Eu não consegui abatê-lo.”
Número 184: “Isso é tão… não é?”
Os cantos da boca de Número 184 se levantaram quase imperceptivelmente.
Um sorriso tão pequeno, como se ela nem soubesse que ele estava ali. Além disso, Emilia entendeu que esse sorriso não demonstrava nem alegria nem tristeza, mas algo lembrando um desprezo.
Porque, um sorriso assim que existia para fazer mal aos outros, Emilia já encontrou várias vezes no passado.
Logo—
Emilia: “Um sorriso tão frio. Eu não acho que essa expressão combine com você.”
Número 184: “Minhas desculpas… Já que Marido-sama proíbe sorrisos, eu permiti que você visse uma expressão indigna.”
Emilia: “Por favor, não peça desculpas. O que eu quis dizer não foi isso.”
Para as palavras autodepreciativas de Número 184, Emilia balançou sua cabeça.
Dentro de seu peito, o calor começou a se concentrar em algum lugar que não era seu coração. É como Subaru havia dito, essas palavras continuavam a subir na superfície de sua mente.
Intenso ao ponto de desconforto estava um sentimento forte, inflamando insuportavelmente dentro dela.
Fechando seus olhos, suprimindo a emoção turbulenta; Emilia olhou de um lado para o outro na catedral antes de falar.
Emilia: “Nós estamos planejando derrotar Regulus. Para isso, nós precisaremos da ajuda de todo mundo.”
Esposas: “——”
Emilia: “Eu não sei que tipo de tratamento vocês sofreram sob as mãos do Regulus até agora, mas até mesmo eu, que fiquei brevemente em contato com ele, posso ver que o Regulus está errado.”
Tendo sido levada por ele enquanto inconsciente, ele pediu a sua mão em casamento assim que ela acordou. Então, ela imediatamente foi subjugada à cerimônia de casamento, e ouviu sobre a visão de Regulus sobre casamento e a forma como ele tratava suas esposas.
Isso passava longe dos casamentos felizes que Emilia conhecia.
Emilia: “Eu não quero perder para o Regulus. Eu entendo que em uma batalha, sucesso ou falha é irrelevante para o certo e errado. Mas nesse momento, nesse lugar, eu não quero perder para o Regulus. Se eu perder… certamente, aquilo que é importante será pisoteado.”
Número 184: “Aquilo que é importante… huh.”
Emilia: “——”
Número 184: “Se você não queria ficar sem vida, você deveria ter obedecido ao Marido-sama desde o começo, ou você deveria ter tentado correr sem considerar nenhuma outra coisa. Ambas as escolhas eram possíveis. Claramente, isso teria sido o melhor para você.”
Com um olhar obscuro, a Número 184 respondeu à Emilia.
Número 184: “O que aconteceu com o Santo da Espada e aquele seu cavaleiro que a acompanhava mais cedo? Eles se depararam com o contra-ataque do Marido-sama e foram derrotados em batalha. E logo, você sozinha fugiu até aqui.”
Emilia: “Não. Tanto Subaru como Reinhard, ambos ainda estão envolvidos na batalha com Regulus. Eles confiam e aguardam pelo meu retorno.”
Número 184: “O que você pode conseguir retornando? E, também, dizendo que você precisa da nossa ajuda e tal… Eu não entendo o que você quer dizer.”
Emilia: “Você realmente não entende o que eu quero dizer?”
Número 184: “——”
Diante da pergunta de Emilia, a Número 184 ergueu suas sobrancelhas, sem palavras.
Essa reação natural não parecia ser nem um pouco forçada. Apesar de ela ter afrouxado uma vez quando ela desistiu, desde o começo, a Número 184 não tinha intenção de enganar Emilia, o que pesou suas palavras.
Em outras palavras, ela realmente não tinha ideia.
— Que o 『Coração』 de Regulus foi atribuído às suas esposas, ela inclusa.
Emilia: “E todas as outras? Todas, vocês realmente estão bem com isso? Não tem ninguém aqui que ainda pensa em querer fazer algo, querer que alguém faça alguma coisa?”
Número 184: “Por favor, pare. Eu irei escutá-la. Se você tiver perguntas, por favor, pergunte a mim. Minha resposta é a resposta do coletivo.”
Encarando Emilia, que tentava fazer uma leitura das mulheres em sua volta, a Número 184 interveio com palavras firmes.
Egoísta, ou talvez brava — Emilia se lembrou de como, pelo bem dela, ela até mesmo questionou Regulus, pondo sua própria vida em risco.
Embora isso também tenha sido uma forma de altruísmo—
Emilia: “O que importa é que eu tenho uma sensação de que você está jogando sua vida fora.”
Número 184: “——”
Emilia: “A verdade é que você era de fato a mais importante, você apenas não percebeu, estou certa?”
Voltando ao começo disso tudo, a Número 184 era quem falava com Emilia.
Não somente porque Regulus a ordenou que ficasse por conta de Emilia. No lugar de Emilia, ela deu suas opiniões para Regulus, colocou-se como representante das outras esposas e agora tinha a intenção de aceitar as palavras atiradas a todas elas.
Esse tipo de postura a colocou como mulher de confiança de Regulus — a suspeita de que ela estivesse oportunisticamente manipulando Emilia e as esposas cresceu.
Emilia: “Mas eu não acho que esse seja o caso. Você não é o 『Coração』 de Regulus. Eu gostaria de acreditar nisso.”
Emilia foi salva várias vezes pela Número 184.
Não sendo acolhida de uma forma que visível a olho nu, ou guiando-a pela mão.
Ao invés disso, diante da malícia incompreensível, garantindo que ela estivesse preparada para prosseguir.
Alguém com tanta consideração em relação aos outros—
Emilia: “Ser a verdadeira esposa de alguém assim, eu não consigo imaginar.”
Número 184: “… Talvez seja porque eu queria que você acreditasse nisso que eu falei para você, sabe?”
Emilia: “Oh, bem. Eu não sou muito inteligente, então se você estivesse tentando me enganar, eu seria enganada instantaneamente. Mas…”
Emilia não sabia se ela tinha ou não um olhar de consideração aos outros.
Atualmente, os companheiros de Emilia não estavam ao lado dela porque ela os escolheu e esperou que eles eventualmente se tornassem seus companheiros.
E sim porque todos os companheiros de Emilia a escolheram.
Mas ela jamais pensou em algo como “eu não sou incrível?” por ter sido escolhida.
Ao invés disso, ela sempre se sentiu inquieta, com medo de ter que estar à altura das expectativas.
Entretanto, ela desejava responder às expectativas atribuídas a ela, e desejava que ela mesma fosse capaz de responder às expectativas. Ela sempre orou por isso.
Emilia: “Eu quero acreditar em você. Isso é uma escolha que eu fiz.”
Número 184: “——”
Emilia: “Por que você está se pondo à frente da multidão em silêncio? Por quê, apesar da rendição em seus olhos, você ainda me ajuda? Por que você está—”
Número 184: “Só perguntas.”
Interrompendo a pergunta de Emilia, a Número 184 balançou sua cabeça.
Então, pela primeira vez desde que Emilia chegou aqui, ela levantou seu rosto.
Sentimentos congelados numa expressão firme.
Olhos tão secos, e lábios fechados.
Esse sentimento de tristeza elevou a beleza do já belo rosto a outro nível.
Entretanto, o que ela estava pensando era:
Número 184: “Por favor, saia o mais cedo que você puder. Se o Marido-sama nos ver, todas nós iremos morrer.”
Emilia: “Me escute—”
Número 184: “Eu não tenho motivo para responder suas perguntas. Você não é nem mesmo a noiva de Marido-sama mais. Você não é como nós.”
Emilia: “— Eu sou uma meio-elfa.”
Número 184: “Eh?”
Diante da confissão de Emilia, a mulher ficou muda.
Percebendo que ela fez algo inesperado, Emilia deu um sorriso leve. Por outro lado, a mulher finalmente entendeu o significado da confissão de Emilia.
Ela entendeu que, à frente dela, estava uma meio-demônio de cabelos prateados.
Número 184: “Cabelo prateado… meio-elfa…”
Emilia: “Na verdade, até esse momento, você e eu éramos diferentes. Situações diferentes, origens diferentes, diferentes até mesmo em nossas características mais básicas. Mas eu não acho que ‘Tudo sobre nós é diferente, então por causa disso nós não temos nenhuma conexão.’”
Número 184: “——”
Emilia: “As coisas que você e eu vemos certamente são as mesmas. Quando você está triste, você quer chorar; quando você se depara com algo que não consegue resolver, você fica com raiva e, quando você encontra algo feliz, você ri com alegria. É o mesmo, não é?”
Número 184: “O que exatamente você está querendo dizer?”
Emilia, que estava falando com pressa, puxou o olhar de Número 184.
Com a pergunta, Emilia se encontrou confusa. O que exatamente ela queria dizer, se ela queria dizer, ela mesma não percebia.
Isso serviu para mostrar que ela estava ficando muito emocional, mas isso a fez esquecer do tópico e sair da linha de pensamento. Ela devia aprender com Subaru, e expressar sua vontade mais diretamente—
Emilia: “Isso é, eu…”
Havia coisas que ela queria saber. Havia coisas que ela queria questionar sobre.
Coisas sobre o 『Coração』 de Regulus. Coisas sobre levantar-se e tomar o papel de liderança das esposas. Com sua expressão totalmente derrotada, tendo protegido a quase derrotada Emilia.
Tudo isso junto, ela esperava ouvir da boca dela.
E mais uma coisa que ela precisava saber antes.
Isso era—
Emilia: “Seu nome, você poderia me dizer?”
Número 184: “——”
Emilia: “Meu nome é Emilia, apenas Emilia. Embora com circunstâncias diferentes das suas e certamente compartilhando algumas semelhanças com você, uma meio-elfa.”
Número 184: “Humph…”
Emilia: “Se nós pudermos ver as mesmas coisas, sentir as mesmas coisas, compartilhar as mesmas esperanças… Conversar certamente terá algum significado.”
Em algum momento no passado, ela se introduziu dessa forma.
Quando o seu coração estava atormentado por apreensão, quando ela estava convencida de que ela não tinha ninguém com quem contar, quando ela sentiu que enchentes infinitas estavam engolindo-a…
Lá atrás, ela recebeu estas mesmas palavras.
— Depois de todo esse tempo, eu acho que
Naquele momento, ela estava realmente feliz.
O garoto que ela nunca havia conhecido antes, reconhecendo a sua existência, fê-la realmente feliz.
Quando a rejeição estava prestes a vir, repentinamente tendo essas palavras jogadas em direção a ela, ela já havia se perdido.
Número 184: “——”
Mais uma vez, ela tinha que pegar a força de Subaru emprestada.
Aqui e ali, ela estava pegando emprestada, e então desesperadamente juntando as coisas.
Mas era o bastante.
Número 184: “Não… brinque… Por quê… até agora…”
Diante de Emilia, a Número 184 — a mulher segurou sua cabeça, chacoalhando-a enquanto ela gritava com toda sua força.
Aquela expressão estava repleta de agonia; aquela voz com ressentimento e aqueles olhos com os sentimentos de alguém que estava olhando para aquilo que detestava.
Isso era, desde o começo, a primeira emoção genuína que Emilia conseguiu extrair dela—
Número 184: “Por que após tudo isso, você repentinamente está dizendo coisas como nós sermos humanas novamente!?”
Como se para liberar o fluxo de emoções há muito tempo reprimidas, ela berrou.
Número 184: “Não que não ser humana importe, ser uma boneca já é o suficiente. Aquele homem está satisfeito se nós somente agirmos como bonecas obedientes. Se nós cumprirmos nosso papel de boneca, nossas vidas estarão sãs e salvas. Nós só ficamos vivas até hoje porque nós podíamos acreditar nisso… Esse é o caso, então…!”
Materializando a força dos seus sentimentos, ela entrou em confronto com Emilia.
Uma forasteira que não sabia de nada, o que ela poderia saber sobre pessoas como ela, desesperadamente lutando para até mesmo manter-se viva.
Número 184: “O que você sequer sabe sobre a gente?”
Emilia: “Eu sei que você é incrivelmente gentil.”
Número 184: “O que você sequer sabe sobre a gente?”
Emilia: “Eu também sei o quão duro você trabalhou para resistir.”
Número 184: “O que você sequer sabe sobre a gente?”
Emilia: “Eu sei que todas vocês estão clamando para serem salvas.”
Ouvindo as palavras de Emilia, a mulher levantou seu rosto, como se estivesse repentinamente se retomando.
Com olhos redondos e bem abertos, e com lábios movendo-se fracamente, como se estivessem sofrendo para mexer.
Até mesmo uma única palavra, ela não conseguia proferir.
Pois, até esse momento, se algumas delas fossem ditas, o seus corações certamente seriam entregues.
O desespero conhecido como ajuda e a busca da esperança conhecida como resgate eram como um.
Ter tais esperanças, nesse momento, não era permitido. Para manter as suas mentes de se entregarem, esses pensamentos estavam reprimidos em seus corações.
E o resultado disso, com até mesmo o mais simples dos pedidos de ajuda selado dentro de seus corações, eram elas.
Emilia: “Eu quero ser salva: é o que todas vocês estão dizendo. Então, eu vou salvar vocês. Eu vou livrá-las das mãos do Regulus. E para isso—”
Número 184: “——”
Emilia: “Por favor, me emprestem suas forças. Por favor, me ajudem a ajudar vocês, e… ajudar aqueles que até mesmo agora ainda estão empenhados no combate para nos ajudar.”
Ela abaixou sua cabeça.
Com sinceridade, tendo declarado suas esperanças, Emilia abaixou sua cabeça.
Ela olhou diretamente para o chão.
A batida de seu coração saltava dolorosamente, e a atmosfera tenuemente detectável em volta dela tinha a sensação de ser como um furacão.
Ela sentiu seu corpo à beira do colapso, e rangeu seus dentes para preparar seu coração.
Não era apenas ela que sentia medo.
Pois, certamente por muito mais tempo que ela sequer pôde imaginar, elas viveram um pesadelo o qual elas não podiam acordar.
E então—
Número 184: “… Por favor, espere só um momento.”
Emilia: “——”
Para Emilia, que estava mantendo sua cabeça em direção ao chão, a mulher falou, mordendo seu lábio.
Logo, com uma respiração profunda, ela lançou seu olhar para um lugar além de Emilia. Ali estavam reunidas várias esposas em silêncio, que observavam o diálogo em progressão.
Número 184: “Eu tenho uma pergunta que eu gostaria de fazer. Uma que até este momento, eu ainda não perguntei a ninguém.”
A mulher pausou por um momento, e as esposas, sem emitir nenhum som, estavam com expressões frígidas.
Emilia também não conseguia formar uma única frase, e apenas esperava pelo resultado.
No mar de olhares de tirar o fôlego, a mulher que sempre se pôs à frente como a líder das esposas falou.
Número 184: “Existe alguém aqui que gosta daquele homem?”
A questão que a mulher que inclinava sua cabeça gentilmente apresentou se espalhou pela catedral.
O conteúdo surpreendeu Emilia, e as esposas que estavam em silêncio apenas lançaram seus olhares umas às outras. A confusão acompanhava a leve emoção que surgia em suas mentes.
Como uma onda, ela se espalhou.
Esposa: “… Odeio ele.”
Aquela que falou isso não era nem Emilia nem a mulher que agia como a representante das esposas. Era uma das esposas das fileiras, uma mulher com cabelo curto.
Essas palavras, que foram fracamente espremidas para fora, chocaram não apenas Emilia.
“Eu também odeio ele”; “Eu odeio ele também”; “Eu sempre odiei ele”; “Eu odeio ele, eu realmente odeio ele”; “Que cara doente”; “Dodói da cabeça”; “Ele já chegou a gostar de alguém antes?”; “Só a ele mesmo”; “Eu não sei quantas vezes eu o rejeitei na minha cabeça”; “Eu quero chorar”; “Mas eu não consigo”; “Odeio ele” “Ele devia apenas morrer”; “Odeio ele mais do que qualquer coisa”; “Odeio, odeio, odeio, odeio ele demais”; “O olhar dele é detestável”; “O jeito que ela enfatiza as palavras é detestável”; “O jeito que ele anda é detestável”; “O caráter dele é detestável”; “Inamável por natureza”; “Eu odeio ele mais do que ontem”; “Eu vou odiá-lo ainda mais amanhã”; “Nojento”; “Pervertido”; “Cérebro de uma criança”; “Até uma criança iria ser melhor”; “Até um dragão iria ser melhor”; “Ninguém iria combinar com ele”; “Fisiologicamente inaceitável”; “Odeio, odeio, odeio”; “Ele me faz querer vomitar”; “Eu não sei quantas vezes eu pensei em bater nele até ele morrer”; “O pior”; “Pior que o pior”; “Ficar perto dele me dá náusea”; “O toque dele me faz sentir que eu estou apodrecendo”; “Meu coração morreu”; “O inimigo da minha família”; “Como eu poderia gostar dele se ele me sequestrou à força?”; “Como uma malícia tão impenitente pode existir?”; “Dói tanto que eu quero morrer”; “Ele é tão prolixo e pomposo, toda vez que ele fala, eu quero morrer um pouco mais”; “Eu espero que os intestinos dele apodreçam”; “Mê dê meu namorado de volta”; “Eu quero ir pra casa, eu quero ir pra casa…”; “Foda-se salvar a gente, só mata ele mesmo”; “Lixo”; “Realmente detestável, eu vou odiá-lo pra sempre!”; “Uma mulher que iria gostar dele um dia não existe, né?”; “Nem um homem”; “Nunca vai existir um humano que goste dele”.
Como se uma represa fosse rompida, as esposas despejaram as palavras que ficaram reprimidas em seus corações até o momento.
As palavras que transbordavam eram puro ressentimento e nojo que infestava há muito tempo em seus corações, recheadas de anos de ódio e sofrimento — certamente não eram sentimentos que traziam alegria.
Mesmo assim, as expressões delas ao cuspirem essas palavras se tornaram alegres e límpidas.
Número 184: “Opiniões tão unânimes, que jamais haviam sido ditas antes.”
Emilia: “Você também, há algo que você gostaria de dizer?”
Número 184: “Ah, tem sim.”
Após ouvir as confissões das esposas, a mulher se virou em direção à Emilia.
Acariciando seu longo cabelo loiro, logo com um rosto cheio de sorrisos — abandonando a ordem que a proibia de sorrir, pela primeira vez ele revelou seu belo sorriso.
Número 184: “Eu odeio aquele homem. — Por favor, nós precisamos de sua ajuda.”
Dessa forma, com um sorriso leve, a declaração de divórcio foi assinada.