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Re:Zero Kara Hajimeru Isekai Seikatsu – Arco 6 – Capítulo 60

Um Único Raio de Sol

――O『Corredor de Memórias』e『Louis Arneb』.

“――――”

Estando de frente para a jovem garota de cabelos loiros que tinha respondido ao seu questionamento, Subaru se manteve em silêncio.

Dentro do inesperado espaço branco, acontecia o casual encontro com a garota inesperada. A expressão de sabe-tudo da garota criava um ambiente como se ela estivesse disposta a conversar com ele sobre uma multidão de assuntos――,

Subaru: “……Primeiramente, Culto da Bruxa,『Gula』, Arcebispos do pecado, o que diabos essas coisas significam?”

Louis: “Awa~ ~tsu.”

Frente à observação de Subaru, enquanto ele cruzava seus braços e inclinava sua cabeça, Louis colocou as mãos na própria boca e sorriu de um lado a outro.

Se aquele momento tivesse que ser excluído, a garota solitária que permanecia parada frente ao espetáculo ilusório de puro branco era algo capaz de ser uma obra-prima de arte, mas o alarme dos instintos de Subaru estavam apitando de modo turbulento desde o começo.

Os instintos de sobrevivência de Subaru provavelmente seriam inúteis, tendo em vista sua criação no tranquilo Japão moderno. A razão pela qual seus instintos estavam em alerta, era devido à aura heterogênea que emanava dessa jovem garota.

Esse era o resultado de ter sido visitado por circunstâncias imprevisíveis, então era meio que algo que não poderia ter sido evitado, mas―― pertencente a esta existência, envolto pelos ares de sabe-tudo, o conhecimento do qual Subaru era subvencionado era aparentemente insuficiente.

Esse também era o caso do qual ela havia comentado bem agora. Culto da Bruxa, Arcebispos do Pecado, Corredor de Memórias, sei lá. Por acaso, isso era um conhecimento ordinário naquele mundo, mas infelizmente Subaru não possuía resquício algum desse conhecimento de coisas ordinárias ao seu dispor.

Consequentemente, ele também achou difícil lançar uma questão que trouxesse algum progresso――,

Louis: “――O Culto da Bruxa que você vê é, basicamente, um grupo de pessoas odiadas por esse mundo.”

Subaru: “Oh?”

Louis: “Mesmo o Onii-san deve ter ao menos ouvido o nome『Bruxa da Inveja』, né? O Culto da Bruxa tem uma conexão profunda com essa Bruxa-sama…… Be~m, você pode considerá-los algo como seus seguidores.”

Subaru: “……Então, o que você disse agora, se refere também aos Arcebispos do Pecado, huh.”

Pecado e Arcebispo, carregam uma oposição bastante forte quando se tenta associar as duas palavras, mas era uma nomenclatura que se adequava perfeitamente ao senso de Subaru.

Por apenas escutar o termo uma única vez:

Subaru: “Dá pra entender que é o nome de um vilão.”

Louis: “Oh não, bem, não, ah não, como é não, estamos dizendo que não, mesmo que seja não, sa~be.”

Balançando sua cabeça horizontalmente em negação, Louis abraçou seu pequeno corpo no campo de visão de Subaru. Sem sinal do sorriso estar se esvaindo daqueles lábios, sua recusa era meramente feita por aparências.

Era uma jovem garota que tinha seus verdadeiros sentimentos além da percepção. ――Não, talvez deva ser dito que eles eram vagos, sem nenhum lugar para se sustentarem.

Louis: “Não provoque uma jovem garota com essas palavras, Onii-san. Até a gente se machuca, sabia? Porque nós somos donas de um coração mais frágil e fácil de machucar do que todos os outros.”

Subaru: “Nem um pouco convincente. Além disso, a maneira com que usa o pronome de primeira pessoa, é porque você se prendeu ao seu personagem? Ou porque gera um apelo legal como ‘um exército de um homem só’? ‘Nós’ ou ‘a gente’ não está consistente, sabe?”

Louis: “A~h…… Você não precisa se preocupar com isso. É só que existem muitos eus, então fico confusa sobre qual deve ser o sujeito, é só isso. Nesse ponto, já estamos ficando de saco cheio disso, sabe?”

Enquanto assim dizia, Louis levemente orientou seu olhar para baixo, continuando suas palavras dizendo “mas”.

Louis: “Não tem o que fazer, né? Esses são os presentes do onii-chan e do Nii-sama. Devo aceitá-los sinceramente ou serei desqualificada para ser uma irmã mais nova. Somos irmãos, então devemos ajudar uns aos outros e cooperar, sabe?”

Subaru: “……Bem, você é uma adorável irmã mais nova, considerando os seus irmãos mais velhos. Sou filho único então estou com inveja.”

Louis: “Está mesmo é? Onii-san talvez tenha ganhado um irmãozinho ou irmãzinha por agora, não?”

Subaru: “Você pode parar de falar coisas assustadoras?! Não quero imaginar isso.”

Independentemente disso, seus pais eram um casal bem íntimo, então algo assim na verdade não era brincadeira.

Se o pai e a mãe dele tivessem tido uma outra criança após o desaparecimento de Subaru―― Não, isso era inconcebível.

“――――”

Caso o Subaru desaparecesse, eles iriam continuar procurando até encontrá-lo. Era assim que os pais de Subaru eram.

O que sua mãe deve ter pensado se seu filho, que não disse nem mesmo uma despedida antes de sair? O que seu pai deve ter sentido, quando ficou sabendo disso?

Ele desejava que sua invocação para esse outro mundo fosse uma reencarnação, e era nisso que ele depositava fé.

Pensando na possibilidade de ter feito seus pais experimentarem a agonia de procurar seu filho perdido, Subaru queria acreditar que ele veio para um mundo diferente ao invés de morrer. Isso seria muito mais confortável. Nisso havia muito mais salvação.

Por isso que――,

Louis: “――Nós entendemos, Onii-san.”

Subaru: “――~hk! Não fique de brincadeira!”

Ele sentiu indignação por Louis, que estava encarando Subaru por baixo, carregando os cabelos que cobriam o chão em seus dois braços.

Não era como se o problema fosse ela falar de uma insegurança de Subaru. Era meramente que, após ter sua expressão amarga observada, a ele foi dito como se ela entendesse seus sentimentos.

Achando que aquilo era terrivelmente irritante, Subaru gritou com Louis, e virou de costas para ela.

Subaru: “Como se você soubesse alguma coisa sobre mim! Falando as coisas como se as ente……”

Louis: “――Você está sendo exclusivamente apologético em relação a seu pai e mãe, não está? Sem dizer uma única palavra de adeus, você se arrepende do quão desobediente você era como filho. Não, você sempre esteve arrependido. Tanto antes quanto agora, não é?”

“――――”

Sim, com a pretensão de se mostrar ciente, continuando as falas de quem se mostra simpatizante, Louis abraçou gentilmente as costas de Subaru.

Uma silhueta pequena e delicada. Subaru prendeu a respiração e endureceu o corpo.

Não por ter sido aninhado perto da pequena garota, mas por causa do conteúdo das palavras dela.

Aqueles comentários eram de alguém que se simpatizava. Eles adivinharam claramente os verdadeiros sentimentos de Subaru.

Louis: “Como nós entendemos, você se pergunta? Não é óbvio que nós entendemos? Porque não tem uma única pessoa que sabe tanto do Onii-san quanto nós, afinal de contas.”

Subaru: “――Não me toque!”

Louis: “Ah.”

Louis conteve uma expressão de amargor em seus lábios para Subaru, que balançou os braços, levantou a respiração e tomou distância.

Que diabos. As mulheres de caráter desconhecido neste mundo não exitam em ter contato físico com homens desconhecidos. Muito familiar.

Era assustador possivelmente abandonar o coração fragilizado pelo calor daquele corpo.

Subaru: “Qual é o problema com você? O que você quer dizer?!”

Louis: “Nós só queremos que o Onii-san se sinta aliviado, com o que estamos dizendo. Tá tudo bem, tá tudo bem. Existe um ponto final apro~priado sobre seus sentimentos pelo seu pai e pela sua mãe. Mesmo que seja unilateral, é com a intenção de encará-los. Estamos dizendo que seu coração se relaxou. Fingimento, sabe?”

“――――”

Enquanto o desdenhava, Louis pressionava suas unhas da mão direita contra seu braço esquerdo. Com a marca do arranhão, com o vigor que faria alguém sentir a dor só de testemunhar aquilo, ela começou a ferir seu fino e branco braço.

Para Subaru, que franziu suas sobrancelhas para aquele feito, Louis revelou sua língua longa e assustadoramente escarlate.

Louis: “O fingimento é completamente saudável. Ele faz parecer que não existe nenhum problema com o coração do outro. Você é habilidoso nisso, né Onii-san? É triste que você seja habilidoso nisso, né?”

Subaru distorceu seus lábios, perante a fala que tão terrivelmente atingia o interior de seu peito.

De agora em diante ele deveria obedecer o alarme de seu instinto, cuja maneira de tocar poderia sofrer alterações caso ele continue a acompanhá-la.

Subaru: “Eu não entendo o que você quer dizer. Eu não entendo, mas isso vai se tornar uma ferida, então pare. Bem, então vamos continuar com o nosso jogo de conversa. Não são permitidos distratores, lembre-se de jogar apenas bolas curvas.”

Louis: “Mutuamente?”

Subaru: “Mutuamente. Sim, por exemplo…… Vamos continuar a conversa sobre os Arcebispos do Pecado, de antes.”

Sem se manter no jogo da maneira que Louis queria, Subaru voltou ao tópico original.

Se ele soubesse que um Arcebispo do pecado era literalmente um Arcebispo do Pecado, então ele teria tido algum conhecimento da associatividade entre as palavras pecado e『Gula』.

Subaru: “Se você é a『Gula』, então devem existir mais seis outras pessoas similares a você, não?”

Louis: “Se o Onii-san e o Nii-sama também forem incluídos, então teríamos exatamente seis, eu acho? Ah, mas esse valor foi reduzido em duas pessoas recentemente então devem ser quatro agora. Se apenas aqueles outros dois pudessem morrer o mais rápido possível, sabe.”

Subaru: “……Se é isso o que você diz, seu senso de companheirismo parece ser bem baixo.”

Louis: “É óbvio, sabe. Nós podemos nos nomear como Arcebispos do Pecado, mas somos só um grupo de pessoas odiadas por esse mundo. Só a forma de nos chamar é diferente, mas somos iguais à『Bruxa』no fim das contas.”

Assim dizendo, Louis caiu e se ajoelhou naquele local. Enquanto ela assim fazia, parecia que ela tinha sido engolida por aquele cabelo de fios dourados, numa ambientação extremamente peculiar.

Subaru coçou a cabeça, enquanto colocava suas pernas numa posição da qual seus pés não esmagariam aquele cabelo de fios dourados. Assim, inclinou sua cabeça dizendo “Bruxa?”.

Subaru: “Com ʽigual à Bruxaʼ, você quer dizer a Bruxa em que aparentemente acreditam ser extremamente assustadora?”

Louis: “Como qualquer pessoa esperaria, a『Bruxa da Inveja』é até mesmo pior do que nós, então não queremos ser agrupados na mesma categoria, sabe? O resto é a mesma coisa. Tanto『Bruxa』quanto Arcebispo do Pecado são a mesma coisa, apenas somos chamados de jeitos diferentes. Os inúteis compatíveis com os Fatores da Bruxa são chamados de nomes diferentes devido a eras e posições diferentes, é só isso.”

“――――”

Louis: “Be~m, o Onii-san aqui presente se esqueceu sobre as『Bruxas』e os Arcebispos, e esqueceu de nós também, então tá tudo bem, sabe. Nós entendemos, a gente entende, nós entendemos sabe, como nós entendemos, mas nós entendemos, porque entendemos, por que nós conseguimos……”

Subaru: “Cala a boca.”

Louis: “Ah.”

Resmungando, interceptando as palavras que o atacavam como uma onda, Subaru colocou sua mão no queixo.

De um jeito ou de outro, parecia que ele estava conseguindo escutar coisas que eram bem importantes. Embora fosse um discurso que Subaru não conseguia identificar o que era dito, parecia que ele podia permanecer nele sem entrar numa situação embaraçosa de retornar para Emilia e os outros sem trazer nenhum fruto de todo esse trabalho.

No entanto, o que Subaru ponderava aqui não era sobre a existência ou não dessa conquista. O que Subaru ponderava era, o desconforto que ele sentia ao ouvir as respostas de Louis e o fato de que elas não poderiam mais ser evitadas―― não, era uma sensação que deveria ser classificada como uma da qual ele já era acostumado.

Com isso como seu propósito, se havia alguma coisa perturbando sua mente――,

Subaru: “Poderia ser que, vocês são uma linhagem de deuses?”

Louis: “Linhagem de deuses você diz…… Ah, é isso? Algo como reencarnação em mundos diferentes? Eu não entendi muito bem, mas nós e isso não estamos relacionados. No entanto, certamente esse é um lugar que pode dar uma sensação meio estranha.”

Rindo e zombando, com seus cabelos dourados debaixo de sua cintura, Louis vira seu corpo naquele lugar e se refere ao mundo branco que não possuía nada.

Louis: “Esse é um lugar exatamente como parece ser. Um lugar onde tu~do desaparece, portanto, um lugar com nada. Nós estamos aqui sozinhos, por isso que podemos parecer a divindade guardiã desse lugar, né?”

Subaru: “O berço da Od Laguna, né? Incluindo o nome Corredor de Memórias também, nada disso entrou na minha cabeça.”

Louis: “Hm, hm, hm, hm~, acho que…… Basicamente, esse é o lugar onde as almas são filtradas.”

Subaru: “Filtrando, almas?”

Com a fraseologia difícil de se acostumar, Subaru tinha pontos de interrogação flutuando em sua mente.

Filtrar, em outras palavras, tinha a mesma implicação de dizer peneirar, mas era raro escutar aquilo ser utilizado ao se tratar de almas.

No entanto, Louis, com uma expressão feliz, puxou seus joelhos contra si e falou “Sim, sim”.

Louis: “Você usa outra vez um pano de limpeza que já tinha sido usado antes, depois de lavá-lo e secá-lo, né? O mesmo vale para as almas. Ao limpar a sujeira presa nela, pode usá-la mais uma vez quando ela estiver limpa de novo.”

Subaru: “Essa sujeira presa nela…… você quer dizer memórias, experiências e outras coisas?”

Louis: “Se é isso que você consegue entender, então vamos deixar assim, tudo bem? Onii-san, entenda como quiser.”

Distorcendo suas bochechas para Louis, que estava com a língua de fora, Subaru virou sua cabeça para os arredores.

Como sempre, no espaço em branco―― no Corredor de Memórias, não existia nada de novo aos olhos. Dentre o infinito mundo branco, qualquer exibição fácil de entender não estava presente.

A nível de argumentação, se esse lugar fosse de fato como Louis tinha falado, então poderiam ter almas levitando sem corpo, ou as memórias filtradas e experiências se fariam visíveis de alguma forma.

Louis: “Não é algo tão fácil de se compreender, sabe.”

Subaru: “Esse deus chamado Od Laguna é bem malicioso, né.”

Louis: “Essa coisa não é tão grandiosa para ser chamada de deus. Isso não é nada como uma ideologia extraordinária nem nada, afinal de contas. É só um mecanismo, sabe. Um mecanismo para impedir o mundo de quebrar, é o que isso é.”

Subaru: “Um mecanismo……”

Louis: “Sejam Fatores da Bruxa, Proteções Divinas,『Santos da Espada』ou『Bruxas』, isso não leva nada em consideração, sabe? Se tem algo de legal sobre a Od Laguna é que ela é desinteressada, igual, imparcial e não favorece nada nem ninguém.”

Estreitando seus olhos com aparente desinteresse, Louis posicionou seu rosto no espaço entre seus joelhos, dos quais estavam pressionados contra si mesma. Olhando de canto para ela, que tinha as bochechas curvadas por seus joelhos brancos, Subaru respirou fundo.

Inspirando, expirando, inspirando mais uma vez, e então, ele olhou para ela.

E a perguntou.

Subaru: “――A pessoa, que roubou minhas memórias de tudo até ontem, foi você?”

Louis: “Sim! Pois não?”

A ofensora respondeu ao questionamento do Subaru, muito prontamente.


“――――”

Com sua dúvida prontamente respondida, Subaru fechou os olhos.

Ele sentiu que não seria poupado pelas palavras. Ela o julgou tanto durante o pouco diálogo que eles tiveram neste tempo. Era isso que ele esperava.

Louis sabia demais. Ela estava profundamente ciente das emoções no coração de Subaru.

Isso também incluía aquilo que o presente Natsuki Subaru não sabia, Louis Arneb encontrava-se altamente versada a respeito de『Natsuki Subaru』. Não era algo que poderia ser falsamente racionalizado em palavras como rara coincidência, posto que Subaru prosseguiu e perguntou com total honestidade, e alcançou uma afirmação.

Misteriosamente, o que transbordava em seu coração não era raiva, e sim compreensão. Em outras palavras…

Subaru: “Então o meu eu de ontem realmente veio aqui também, hã.”

Louis: “Estritamente falando, como ele chegou aqui foi um pouco diferente, sabe. Mas bo~m, o motivo era o mesmo. O resultado foi levemente diferente, só isso. Mas, que incrível. Que fantástico. Após quantas tentativas você conseguiu chegar até aqui?”

“――――”

Louis: “Ei, responda Onii-san. Nós te respondemos, sabe… Depois de ter sido devorado por nós, o quanto do Onii-san você é, Onii-san”

Dos questionamentos de Louis, calafrios correram pelos músculos ao redor da espinha de Subaru. Os olhos dela, os questionamentos, eram claramente os de alguém ciente e com convicção sobre o『Retorno Através da Morte』.

Não, era algo natural. Não era nada além de algo natural.

Se ela tivesse roubado as memórias de『Natsuki Subaru』, e tivesse a habilidade de livremente ler essas memórias, então não era nada estranho ela saber sobre o『Retorno Através da Morte』.

O『Retorno Através da Morte』não era um poder empunhado somente pelo Subaru que tinha perdido as memórias, mas inquestionavelmente deveria ser um poder que『Natsuki Subaru』possuía antes da amnésia.

Certamente,『Natsuki Subaru』havia usado livremente esse poder, perpassando por inúmeras situações difíceis. O resultado disso era a confiança que ganhou de Emilia, Beatrice e seus companheiros. O testemunho da trapaça = desonestidade, por assim dizer.

Subaru não tinha a intenção de encontrar falhas nisso. Fosso trapaça ou desonestidade, se houvesse uma situação em que a vida de outra pessoa estivesse em jogo, não deveria haver hesitação em utilizar esse poder. A escolha que『Natsuki Subaru』fez estava correta. Por isso Subaru deveria fazer o mesmo, agora que『Natsuki Subaru』estava ausente.

E, aceitando o valor da aplicação desse poder, ele abraçou completamente o『Retorno Através da Morte』. No entanto, contrariamente a essa motivação, existia uma estranha inquietação e ansiedade no interior do peito de Subaru. Louis Arneb tentava violá-la com aquele medo difícil de repelir, aquele taboo. E era…

Louis: “…Sobre ninguém saber sobre isso? Se é sobre isso, então já é tarde demais, Onii-san. Nosso encontro com o Onii-san aconteceu ontem, não?”

“――――”

Louis: “A『Regra』que diz que ninguém deve saber já foi quebrada há muito tempo. Mas, os acontecimentos no Corredor de Memórias não vazam para fora com facilidade. É por isso que a assustadora e malevolente『Bruxa』não vai fazer nada.”

Rapidamente, com os membros apoiados no chão, Louis seu rosto aproximou de Subaru, quem estava sentado de pernas cruzadas. Ela mostrava um sorriso encantadoramente inadequado para sua idade, enquanto mostrava a língua escarlate.

Louis: “Ei, Onii-san. Em que número estamos?”

Com um tom de voz que parecia que sua língua estava diretamente cutucando o cérebro dele, Subaru experimentou uma dor entorpecente. E então, com sua língua e garganta tremendo levemente…

Subaru: “… É… a quinta vez.”

Louis: “――~tsu! Incrível, que incrível, tão incrível, é incrível, não é incrível? Estamos te dizendo que é incrível, porque é incrível, porque é incrível que admiremos e ansiemos por isso… Uma prato cheio~tsu! Gula ~tsu!”

Subaru: “Gah ~hk!”

Louis: “Nós queremos irresistivelmente saborear o Onii-san tanto, que nosso estômago ficaria cheio até explodir! Das nossas experiências, nós achamos que o apetite e o desejo sexual são semelhantes. O desejo sexual em outras palavras é amor, não é? Em outras palavras, Onii-san, nós…”

Empurrando Subaru para longe, Louis, que estava numa posição como se fosse andar a cavalo, soltou suspiros calorosos com o rosto avermelhado. Com sangue correndo para suas bochechas e seus olhos fascinados, Louis rastejou sua língua pelo pescoço de Subaru sem qualquer hesitação. No mesmo ritmo, com as palavras que ela tentou continuar, os pensamentos dele finalmente alcançaram o que seriam aquelas palavras――,

『――Te amamos』.

O coração dele explodiu, lembrando das palavras de amor que o fuzilaram inúmeras vezes no loop anterior, em que ele desejou a『Morte』sob circunstâncias que tomaram um rumo desesperador.

Subaru: “… Vamos ver então, sua pequena maldita sexóloga!”

Louis: “…Uhi.”

Abrindo seus olhos, Subaru agarrou a nuca da jovem que o estava pressionando, e no mesmo ritmo violento, coercitivamente a empurrou sobre o níveo chão. Trocando de posições, desta vez era Subaru quem estava numa posição como se montado em um cavalo.

Uma figura leve e esbelta. Seu longo cabelo loiro estava esticado no chão, como uma cama dourada em que ela se esparramava, enquanto Subaru lhe segurava o pescoço mostrando os caninos, aparentemente em posição de mantê-la presa com suas mãos.

Subaru: “Você baixou a guarda baixa? Que pena! Nessa posição, eu tenho uma vantagem esmagadora! Se você não quer ter seu pescoço estrangulado dessa forma, minhas memórias devem ser……”

Louis: “Devolvidas, você diz? Você vai estrangular meu pescoço se elas não forem devolvidas? Nosso pescoço, de uma menininha fraca?”

Com seu pescoço preso, no estado de ele ter o direito sobre vida e morte dela, Louis olhou para Subaru, que respirava de forma agressiva com seu nariz. Ela afrouxou seus lábios com a empolgação de antes ainda presente nos olhos, sem ter diminuído nem sequer um pouco. E, com seus lábios afrouxados, ela perguntou com uma voz imitativa que mais parecia com uma maldição:

Louis: “O Onii-san vai mesmo fazer algo assim comigo?”

Subaru: “…Você acha que eu não consigo?”

Louis: “Não é bem achar, na verdade nós sabemos, certo? Afinal de contas, olha, a situação é que nós sabemos agora mais sobre o Onii-san que o próprio Onii-san, de qualquer forma.”

Enquanto assim dizia, Louis repetidamente cutucou as próprias bochechas com os dedos indicadores de suas duas mãos, e inclinou sua cabeça como que provocando. Prendendo a respiração com aquela atitude dela, Subaru olhou para sua mão direita segurando o pescoço de Louis.

Quisesse Subaru mostrar sua seriedade um pouco, tudo o que ele precisava fazer era depositar mais força em seu braço. Quisesse ele mostrar sua seriedade, Louis certamente iria reconsiderar suas ideias também.

Sendo questionado se iria matá-la ou não, decerto essa era uma pergunta difícil e árdua. Mesmo por uma causa justa, como ser assistente de um suicídio, Subaru foi incapaz de deixar de lado sua consciência por um companheiro e usar um pedaço de entulho. Então mesmo que ele soubesse que ela era uma inimiga, poderosamente estrangular o pescoço de uma garotinha diante de seus olhos era…

Não, ao menos estrangular ele era capaz. Era uma necessidade.

Em sua mente, ele se recordou de Emilia, Beatrice, Ram, Meili, Julius, Echidna, Shaula, Patrasche, todos, e…

E…

Louis: “….A força se esvaiu dos seus braços, não foi? Onii-san.”

“――――”

Louis: “Nós de verdade não tínhamos intenção de resistir, sabe? Afinal de contas, aqui nós somos só o que você está vendo, uma frágil e pequena garotinha. Ao contrário do onii-chan e do Nii-sama, nós devemos tomar a forma de pessoas devoradas ou não podemos expressar nenhum poder, sabe?”

Com o dedo que cutucava a própria bochecha, Louis cutucou a mão direita de Subaru que pressionava o pescoço dela. Com aquela frágil força, a palma da mão de Subaru soltou o pescoço dela muito rapidamente.

Subaru: “Merda…… ~hk!”

Louis: “Não se sinta mais pra baixo, Onii-san. Foi uma boa performance, uma boa performance. Afinal de contas, pra ser honesta…… Foi tamanha que nem pensamos que Onii-san voltaria aqui.”

Subaru: “Você acha que isso serve de boa consolação?”

Continuando a ficar derrubada, Louis, que estava esparramada pelo chão, fez uma expressão sugerindo que o pior já tinha passado. Destruindo aquela expressão, ele procurou palavras para expressar suas exigências, mas foi incapaz de encontrar algo preciso. Por isso que, olhando para Subaru, quem soltou uma expressão de um pobre perdedor, Louis levantou a voz dizendo “Ahaha”, semelhante a alguém observando peixes nadando dentro de um aquário.

Louis: “Mas be~m, acabou tudo bem, não é? Se algo como as memórias de『Natsuki Subaru』forem recuperadas, isso significa que o atual Onii-san acabará morrendo de qualquer forma. Fique sem fazer algo idiota como cometer suicídio, sabe.”

Subaru: “……Ah?”

Louis: “Huh, qual é a dessa reação esquisita? Não pode ser, você não percebeu? Se as memórias voltarem, o seu eu de agora será sobreposto e a própria existência desse agora será encerrada…… Isso é o mesmo que morrer, não?”

…Subaru estava petrificado pela atitude de Louis, como se ela tivesse sido perguntada sobre a solução para um enigma óbvio.

Ele morreria. Ele deveria desaparecer, sumir. Assim ele foi claramente informado. Então lhe foi dito, que ao retornar as memórias de『Natsuki Subaru』, a consciência e as memórias do Subaru presente aqui e agora seriam todas sobrescritas e iriam desaparecer, sumir.

Devendo aquilo não ser nomeado como『Morte』, o que mais seria…

Louis: “…Bem agora,『Natsuki Subaru』está morto, não está? Ele não está em lugar nenhum. Mas se『Natsuki Subaru』retornar, dessa vez será o Onii-san que irá morrer, não é? Você não será capaz de ir a lugar nenhum, no fim das contas.”

“――――”

Louis: “Hm, sa~be, 『Natsuki Subaru』tem tanto valor assim para você ir tão longe para ele ser recuperado? Onii-san deve também ser capaz de fazer as mesmas coisas que ele, não? Onii-san deve ter também conseguido amar as pessoas em volta de si da mesma maneira, não é verdade? As pessoas ao redor também vão eventualmente amar o Onii-san da mes~ma maneira… O que tem de errado nisso?”

Subaru: “O que……”

Sobre o quão errado era aquilo, se perguntado, com certeza não havia nada de errado com o que ela havia dito. Certamente não havia nada de errado tanto com『Natsuki Subaru』quanto com Natsuki Subaru. Subaru era um humano que possuía inúmeras falhas. Tão preenchido com falhas que ele sentia repulsa de si mesmo. Se perguntassem quem ele mais odiava no mundo, ele responderia que era a si próprio sem sequer um instante de hesitação. Era assim o quão sem esperança e insuficiente Natsuki Subaru era. Não obstante, não houve erros no Subaru referente a essa questão em específico.

… Aquilo que estava presente era meramente a verdade desesperançosa, um único raio de sol.

Subaru: “Pela Emilia-chan e pelos outros, eu……”

Quero trazer『Natsuki Subaru』de volta.

Por esse motivo ele pretendia preparar a determinação dentro de si para que, caso encontrasse a chance de retornar suas memórias, ele a agarraria sem nenhuma hesitação.

No entanto, ele tinha desviado completamente seus olhos do desaparecimento de sua própria existência. Falando em pura conveniência, as duas memórias poderiam se fundir, ou alguma parte de『Natsuki Subaru』seria deixada dentro do atual Subaru? Ele havia pensado que algo assim não poderia acontecer, tinha pensado que tudo não poderia ser resolvido de uma maneira agradável. De alguma forma, ele esperava que ocorresse algum milagre desse tipo. As expectativas tão vacilantes de Subaru estavam sendo…

Louis: “Como seria? Nunca vi uma pessoa que teve suas memórias devolvidas antes, então eu não tenho a mínima ideia.”

Louis revelou seus dentes, como que ridicularizando o conflito de Subaru, com uma expressão de um gato que atormentava um rato.

A ofensora que sequestrou aquelas memórias, mesmo que irresponsavelmente, teve o prazer de dizer que ela não sabia nada sobre o que ia acontecer a partir dali. Isso não era mentira alguma, mas de fato a verdade.

Louis Arneb nunca iria fazer algo como retornar o que ela tinha roubado dos outros. Era por isso que ela verdadeiramente não tinha ideia do que iria acontecer a Natsuki Subaru como consequência de ele ter suas memórias devolvidas.

Louis: “Onii-san, você conseguiu sua vida tendo nascido e tudo mais, não vai valer a pena  se você não celebrar isso.”

Aquela usurpadora irresponsável continuou a olhar intencionalmente para o rosto de Subaru a uma polegada de distância.

Louis: “Como resultado de termos devorado as memórias de『Natsuki Subaru』, o Onii-san está aqui. Em outras palavras, nós somos como a mãe de parto do Onii-san, não é verdade? Escolher a opção de morrer em frente a essa mãe não é chamado de falta de piedade filial? Onii-san?”

Subaru: “Algo tão absurdo…… ~hk.”

Louis: “…Memórias são o que moldam as pessoas, Onii-san.”

“――――”

Tornando-se mais profunda e mais fria, Louis sumiu com sua expressão facial e o disse apenas, em um tom sério. Sem pensar, Subaru inalou a acuidade daquelas palavras e se aquietou.

Paralelamente, ele também sentiu que não tinha sido a primeira vez que havia escutado essas palavras. Se não estivesse enganado, essa ressonância, essas palavras, imediatamente antes de enfrentar sua segunda『Morte』também tinham sido…

Louis: “O atual Onii-san tem relações que o atual Onii-san criou. Por que você não tenta viver outra vez do começo, olhando para frente? Nós acreditamos que essa também é uma opção, sabe?”

“――――”

Louis: “Além disso, não sei como deveríamos nos sentir falando isso mas……『Natsuki Subaru』não parecia muito na realidade com a imagem de um homem ideal, sabe?”

Fechando um de seus olhos, Louis golpeou as emoções do coração de Subaru com uma expressão como se achasse que o que ela estava falando fosse algo difícil.

Ainda mais, ela cruzou seus braços em sua frente enquanto permanecia na postura em que Subaru estava montado em cima dela, e olhou para as pupilas escuras dele com os olhos de uma donzela sonhadora…

Louis: “Pobre Emilia! Uma garota miserável que é ignorada por todo mundo, só por ter nascido à semelhança da antiga Bruxa! Ah, quão gentil eu devo ser por permanecer ao lado dela!”

Subaru: “O qu……”

Louis: “Fraca e frágil Beatrice! Sem ninguém para ampará-la, a solitária menina que gastou tanto tempo em isolamento! Eu mesmo devo segurar sua mão pelo caminho perigoso e sombrio!”

Diante do Subaru cambaleante, o que Louis continuava sonoramente a articular era os nomes das duas garotas que clamavam pela segurança de Subaru e mostravam para ele um caminho, e imagens mentais terrivelmente elípticas delas.

Até mesmo Subaru entendeu que imagens mentais eram essas, e o que Louis desejava expressar. Embora ele tivesse entendido, aquilo era…

Louis: “Dedicada, que busca empenhar amor gratuito, Rem! Tola e linda, como é pura. Certamente ela é uma pessoa incompleta que ganha o verdadeiro sentimento de viver ao se tornar frenética por causa de outra pessoa que não ela. Precisamente por isso ela deve ser guiada pela presença da minha pessoa!”

Subaru: “O que você…… O que você está tentando fazer?!”

Louis: “Falando o que『Natsuki Subaru』costumava pensar, é o que estamos te dizendo. Querer um senso de superioridade. Não pensar que era por causa de outra pessoa o tempo todo, sabe. Reunindo apenas pessoas convenientes, se embriagando no sentimento prazeroso de oferecer ajuda. Nem mesmo jogando qualquer comida a um cachorro que não se apegue emocionalmente a ele. Mantendo esses tipos longe.”

“――――”

Louis: “Você realmente tem a intenção de se entregar para esse『Natsuki Subaru』?”

Essa era a questão, sobreposta duas vezes. Essa era a exigência de confissão para Natsuki Subaru, por Louis, pela『Gula』.

Falar seus sentimentos verdadeiros, era isso o que Louis exigia de Subaru. Quisesse ele morrer ou não. Se ele, pelo bem do argumento, fosse morrer, seria por causa de alguém assim.

…Não, a morte de Subaru não seria pelo bem de『Natsuki Subaru』.

…Não, desde o começo, Subaru não tinha a intenção de morrer. Mesmo que ele tivesse pensado em devolver『Natsuki Subaru』para a Emilia e os outros, isso significaria sua própria morte.

…Não, poderia ele, no entanto, confiar de verdade em『Natsuki Subaru』. No mínimo,『Natsuki Subaru』havia matado Meili, e até mesmo entalhado letras incompreensíveis pelas paredes.

Louis: “――Bo~m, o que você quer fazer, Onii-san?”

Subaru: “――~hk.”

Enquanto o dizia, Louis segurou as mãos de Subaru com seus braços esbeltos, e puxou-os para seu próprio pescoço. Mais uma vez, embora agora pela sua própria incitação, o pescoço fino de Louis estava vulnerável aos braços de Subaru. Caso colocasse força em seus dois braços, aquele pescoço iria decerto se fraturar com facilidade.

Se não, a conclusão ainda havia de ser estabelecida. No entanto, não fazer isso significava escolher matar『Natsuki Subaru』, ou o mesmo só quer para ele mesmo… Pelo menos, era isso o que Louis estava dizendo.

Pelo bem do argumento, e só pelo bem do argumento, se ele quebrasse aquele fino pescoço e『Natsuki Subaru』retornasse, fazendo com que o atual desaparecesse, ele não seria capaz de testemunhar sequer os frutos de suas ações. Se esse for o caso, então qual era o significado de Subaru reunir sua pouca coragem e agir?

Louis: “Bo~m.”

“――――”

Louis: “O quê? O que você vai fazer? O que é que você irá fazer? O que é que você vai fazer? O que vai fazer, hein? O que você quer fazer? Como você quer agir? Seja o que for que você quiser fazer, está tudo bem, certo? Aconteça o que acontecer nós iremos perdoá-lo…”

Como que o atormentando, como que o ridicularizando, como que o amaldiçoando, as palavras de Louis atingiam os tímpanos de Subaru. Assim fez Louis Arneb, assim fez a『Gula』, assim fez a Arcebispa do Pecado, assim fez a pequena e jovem garota, assim fez a existência abominável, assim fez sua mãe de nascimento.

A escolha do que fazer com『Natsuki Subaru』 estava diante de Natsuki Subaru.

Louis: “Bo~m.”

Bom.

Louis: “…O que você quer fazer? Onii-san.”

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