Tradutor/Revisor: miggigibe
Ring! Ring! Ring!
Jason piscou, surpreso, e desviou os olhos da aba do Sistema para olhar as malas que havia deixado ao lado. Elas continham tudo o que não havia queimado na casa mais cedo: roupas, sapatos e alguns utensílios. Mas Jason reconheceu imediatamente o toque que tocava.
O telefone da Gina.
Jason se levantou e caminhou até a mala para pegar o celular que tocava. Olhou para o identificador de chamadas e sentiu de imediato um vazio no peito ao ver o nome “mãe”, com um coração piscando na tela. Jason conhecia os pais de Gina havia muito tempo, já que as duas famílias moravam próximas desde que ele e Gina eram crianças. A família dele e a dela foram amigas por tanto tempo quanto Jason conseguia se lembrar, e só perderam contato depois que os pais de Gina se mudaram para uma fazenda afastada da cidade. Mas Jason ainda lembrava da mãe de Gina como uma mulher gentil que cuidava dele e de seus irmãos sempre que seus pais estavam ocupados na loja. Também lembrava do pai rígido de Gina, que sempre lhes dava algum dinheiro para irem à loja de doces e não o incomodarem.
Jason não sabia se conseguiria falar com eles naquele momento.
Ele voltou a se sentar contra a parede e observou o telefone tocar por alguns segundos antes de finalmente atender.
[Alô, Gina. Gina, meu bebê, você está aí?]
— Alô.
Jason falou com calma, e a pessoa do outro lado da linha exclamou imediatamente.
[Ah, é você, Jason! Como está? Onde está Gina?]
Jason coçou a parte de trás da cabeça e soltou um suspiro silencioso antes de responder.
— Ela está descansando. Foi um dia longo para ela.
[Ah, sim! Eu ouvi sobre o acidente na sua casa e vi as notícias! Estão dizendo que foi uma explosão de cano de gás! Por favor, me diga que está tudo bem. Algum de vocês se machucou?]
Jason começou a assentir, mas parou ao perceber que ela não podia vê-lo. Murmurou antes de dizer que os dois estavam bem.
— Estamos bem, senhora. Gina só ficou muito cansada, então está dormindo.
A mãe de Gina soltou um suspiro de alívio ao ouvir aquilo e finalmente disse:
[Está bem. Diga à Gina que liguei para dar um oi e peça para ela me ligar assim que acordar, tudo bem?]
[Querida, é a Gina? Gina, tem um dragão no seu apartamento?]
[Ah, fique quieto, seu velho rabugento. Vai acabar acordando ela. Jason, cuide-se, filho. Eu sempre fiquei tão feliz por você estar por perto para cuidar da nossa Gina. Ela é um pouco impulsiva e imatura, mas você sempre cuidou dela por nós, então nunca precisamos nos preocupar. Por favor, garanta que ela não se meta em problemas, filho. Muito obrigada.]
Jason cobriu o rosto com a mão, tentando impedir que a culpa o consumisse, e se certificou de manter a voz o mais calma possível ao falar.
— Sim, de nada, senhora. Vou cuidar dela. Eu prometo.
A mãe de Gina sorriu do outro lado da linha e estava prestes a falar outra vez, mas foi interrompida pelo marido.
[Isso é um pedido de casamento, Jason? Eu sempre disse que você era bom demais para essa garota. Se quiser se casar com ela, ela é toda sua, mas tenha certeza de que realmente quer isso! Ela já dava trabalho quando era criança, então deve ser dez vezes pior agora que cresceu!]
[Ah, cale a boca! De que lado você está? Nossa filha será uma ótima esposa! Jason, querido, obrigada de novo por cuidar dela. Falamos depois. Tchauzinho.]
O telefone apitou quando a ligação terminou, e Jason soltou uma respiração cansada. Virou-se para o lado com calma e piscou, surpreso, ao ver Riyala parada ali. Ela usava uma camisola curta que mal chegava aos joelhos, e havia água escorrendo de seus cabelos, sinal de que acabara de sair do banheiro. Ela estava à porta, observando-o com tristeza, e, quando teve certeza de que ele havia terminado a ligação, falou:
— Você está bem?
A voz de Riyala estava cheia de emoção, e Jason soltou um sopro ao se recostar e bater a cabeça na parede. Se ele estava bem? Que pergunta inútil. Não era óbvio?
— Vou ficar ocupado por um tempo. Vou invadir um Portal esta noite e outro amanhã, então, enquanto isso, você precisa ficar aqui.
Os olhos de Riyala se arregalaram, e ela deu alguns passos na direção de Jason. Seus pés descalços deixaram marcas molhadas no chão, e Jason sentiu os olhos se alargarem quando olhou para cima e percebeu a forma como a camisola úmida se moldava ao corpo dela. Ela não estava usando nada por baixo? Jason desviou o olhar e jogou a cabeça de volta contra a parede. Não estava interessado o suficiente para se importar com a modéstia de Riyala.
Riyala se aproximou até ficar diante dele, ajoelhou-se no chão e falou em tom sério.
— Quero ir com você, Jason.
— Por quê?
Porque me importo com você e quero ficar ao seu lado.
O pensamento passou pela mente de Riyala, mas ela não conseguiu dizê-lo. Pausou por um momento antes de falar.
— E-eu posso proteger suas costas. E sou boa com magia de cura.
— Não preciso de ninguém protegendo minhas costas, e não preciso da sua magia de cura.
A voz de Jason era sem emoção, e havia nela uma mordida afiada que fez o coração de Riyala apertar dolorosamente. Era quase como se Jason estivesse dizendo que ela era inútil para ele, mas Riyala sabia que o estava julgando errado. Aquele era o mesmo homem que a ajudara quando ninguém estava disposto a fazer isso, então ela sabia que Jason era uma boa pessoa. Essa versão de Jason havia sido criada pela dor de perder Gina. Naquele momento, ele soava como alguém que não se importava com nada no mundo. Estava tão vazio. Riyala tinha certeza de que Gina não iria querer aquilo para ele. Não iria querer que Jason se perdesse daquele jeito.
Riyala estendeu as mãos e tirou as mãos de Jason do rosto, forçando-o finalmente a olhar para ela. Encarou-o com um olhar gentil e falou baixinho.
— Jason, cometi muitos erros desde que vim para a Terra, e isso já lhe custou muito. Não consigo imaginar o que eu faria se você saísse por aí e se machucasse, e eu não estivesse lá para ajudar. Sei que não sou nada comparada ao seu poder, mas pelo menos posso ajudar se você se ferir. Por favor, deixe-me fazer alguma coisa para ajudar. Deixe-me fazer algo para tentar retribuir.
O pedido de Riyala vinha direto do coração. Havia um desejo estranho dentro dela, dizendo-lhe para ficar com Jason e garantir que ele estivesse bem. Ela precisava vigiá-lo e impedir que fizesse alguma idiotice. Proteger Jason era tudo o que importava para ela naquele momento. Riyala olhou nos olhos vazios dele e mordeu os lábios de leve ao não receber resposta por alguns segundos. Ele realmente não aceitaria sua ajuda? Jason tinha todo o direito de dizer que ela não podia ir, porque ela sabia que ele era forte o bastante para não precisar dela, mas se sentiria péssima se não pudesse sequer estar presente por ele depois de tudo que ele fizera por ela.
Jason finalmente suspirou e puxou as mãos de volta. Levantou-se e passou a mão pelo cabelo enquanto falava.
— Você precisa colocar roupa íntima. Dá para ver tudo.
A cabeça de Riyala se abaixou depressa, e suas bochechas ficaram vermelhas quando percebeu que o tecido da camisola denunciava demais. Ela rapidamente cruzou os braços sobre o peito e baixou a cabeça, tomada pela vergonha.