Nux então coçou a nuca e pediu com um sorriso tolo.
— Você pode… nos levar com você…? Estamos presos aqui…
— Hã?
Vyriana estreitou os olhos em confusão.
— Você está me dizendo que veio aqui sem a ajuda do artefato e que agora não consegue sair?
—… Não não…
— Então, é um sim.
— Não não…
—…
Vyriana continuou a encarar Nux. Ele afastou o olhar, tentando evitar contato visual.
— O que vocês iam fazer se eu não viesse aqui? — perguntou Vyriana.
— Mas você está aqui agora, não é? Talvez seja o destino.
— Estou dizendo que nossos destinos estão ligados, Lady Vyriana.
Nux, é claro, tentou se aproveitar do momento, mas a mulher na sua frente não era simples.
Ignorando completamente suas palavras, Vyriana jogou os treze artefatos na direção de Nux e suas esposas. Depois, olhou para ele.
— Não espere que ajude você desta vez. Ajudei você antes porque eu revelei seus segredos, mas desta vez, já digo de antemão. Seja lá o que acontecer a partir de agora, não tem conexão comigo. Você é quem precisa cuidar de tudo — ela falou.
—…
Nux franziu a testa em confusão.
Ele não conseguia entender o que Vyriana estava falando.
Vyriana, é claro, não se importava com o que ele estava falando.
— Não minta. — Após dizer aquilo, Vyriana sumiu.
—…
—…
Nux e suas esposas ficaram calados.
— Sua mestra tem problema da cabeça, Astaria — comentou Edda quando olhou para sua irmã.
— Então, é isso o que pensa de mim após receber uma técnica.
—!!!
Os olhos de Edda se arregalaram de horror quando se virou, só para sua expressão mudar.
— Pfftt.
Allura riu alto.
— Você! — Edda olhou para Allura.
— Quase morri do coração — ela reclamou.
— Falando pelas costas, que corajosa~ Allura riu.
—… Só falei a verdade — respondeu Edda: — Você não diz a verdade na cara de alguém. Você precisa ter consideração.
— Consideração nada. Ainda lembro de como envergonhou publicamente aquela empregada só porque estava de olho na sua posição de empregada- chefe.
— Aquela vadia mereceu.
— Oh? Então é sobre aquele homem que chamou de feio na sua frente após conhecer Nux?
—…
Edda ficou quieta.
Allura sabia de muitos segredos para usar contra ela.
— Apenas admita, Edda. Você tem medo daquela mulher.
— Você fala como se não tivesse — Edda bufou.
— Mas não falo coisas pelas costas dela.
— Desculpe por dizer abertamente o que queria. — Edda revirou os olhos.
— Bem, você não está errada… — Astaria falou de repente.
— Hã?
Desta vez, não só Allura e Edda, todos se viraram para Astaria, cheias de surpresa por ela estar falando pelas costas de sua mestra.
— A Mestra age meio diferente dos outros. Bem, para simplificar, ela é mais direta sobre as coisas. Sua força a deixa indiferente. Ela não se importa com o que os outros pensam dela, mas tenho a sensação de que é diferente com a gente.
— Vi a Mestra interagir com outras pessoas da Ordem enquanto me treinava e, disso, posso dizer que ela definitivamente nos trata de maneira diferente.
— Ela pode ser arrogante na maioria do tempo, mas acredito ser uma disposição natural. Ela permaneceu no topo por tanto tempo que já está acostumada a ser a mais forte no local. Ela está no nível em que não se importa com a maioria das coisas.
— Honestamente, eu até diria que ela é anormalmente tranquila com a gente.
— Pelo menos, recebemos a opção da escolha. Os outros que conversam com ela simplesmente são ordenados a fazer coisas. Ou talvez seja só o Nux, que é sem-vergonha o bastante para perguntar as opiniões dela. A maioria das pessoas que vem nem ousa falar na frente dela.
Astaria explicou.
— Isso é… ela sendo tranquila com a gente? — Edda não conseguia acreditar no que ouviu.
— Pense sobre isto, quando a Mestra nos feriu? Quando ela fez algo que poderia potencialmente nos ferir? Na maioria do tempo, é ela quem nos protege. De verdade, temos sorte de estarmos vendo o lado que ela está mostrando.
— Verdade. Essa é a Astaria que conheço, se adiantando para defender sua mestra e nos impedindo de falar mal dela. — Allura assentiu continuamente.
—… — Astaria não disse nada. Ela sabia que Allura estava tentando provocá-la. Ela conhecia bem esta mulher para saber que falar com ela era uma perda de tempo. Ela era chamada de concubina entediada por um motivo.
Aquela mulher ansiava por entretenimento.
E a maior fonte de seu entretenimento era provocar e irritar suas irmãs.
— De qualquer forma, de quem a Lady Vyriana estava falando antes de partir? Alguém que o Nux queria encontrar? Quem poderia ser? Honestamente, pelo que ela falou, a coisa toda parecia problemática — Felberta comentou de repente.
— Eu estava pensando sobre isto também. Ela falou que não ajudaria desta vez. Parece que algo problemático vai acontecer. — Amaya assentiu.
— Não faz sentido pensar nisto. Vamos sair.
Nux disse de repente.
— Olhe para você bancando o confiante. — Aisha riu.
— Ouvi que confiança atrai mulheres. — NUx sorriu.
— Tudo em você atrai mulheres, querido~ — Aisha respondeu com um sorriso sedutor.
— Tudo bem, tudo bem, não devemos manter nossos convidados esperando. Vamos sair daqui.
Nux expressou e as meninas assentiram, com todos sumindo do local após ativarem os artefatos.
Em Yrniel, diante da base da Exceedo Genesis, duas mulheres estavam diante uma da outra, se entreolhando. Claramente, nenhuma delas esperava ver a outra aqui.
— É surpreendente vê-la aqui — Ambrosia comentou.
— É realmente uma surpresa — respondeu Lyriana quando olhou para sua amiga.
— O que está fazendo aqui? — Ambrosia perguntou com curiosidade.
— Poderia fazer a mesma pergunta — retrucou Lyriana num tom sem emoção.
— O líder deste clã é meu genro. Tenho vários motivos para estar aqui. Posso até vir sem motivo algum.
— E você, Lyriana? O que está fazendo aqui?
—…
Lyriana ficou quieta.
Ambrosia olhou para sua amiga, aguardando pacientemente a resposta.
— Queria conhecer o Nux Leander.
— Não sabia que eram tão próximos.
— Não somos.
— É incomum você se aproximar de alguém. Estou surpresa.
— Tem algo que me deixou curiosa — respondeu Lyriana. Ela não gostava de como estava sendo interrogada, mas sabia que tipo de mulher era Ambrosia.
Honestamente, Lyriana tinha quase certeza de que Ambrosia sabia o motivo de sua vinda e só estava perguntando por diversão. Este era o motivo de Lyriana não gostar de interagir com Ambrosia, mesmo sendo boas amigas.
— Você ficar curiosa sobre Nux quando viu alguém como o Diabo ontem é bem estranho. Na verdade, você não deveria estar com sua filha agora? Ela foi constrangida pela derrota ontem. Tenho certeza de que sua mente está cheia de coisas agora e acho que sua mãe deveria estar lá com ela neste momento.
— Especialmente quando ela não tem uma figura paterna.
Ambrosia respondeu, desta vez, demonstrando preocupação genuína pela Heroína Elfa.
— Engraçado você falar sobre ela. Ela estava esperando a visita da sua tia. Na verdade, Elijah não deve estar numa condição melhor, não é? Qualquer um pensaria que você passaria tempo com seu sobrinho. — Lyriana jogou a mesma carta.
Quanto à situação de sua filha, Ariana era uma garota forte. Lyriana sabia que sua garotinha tinha o necessário para superar sozinha.
Sem falar que o “Diabo” era insanamente forte. Em certo nível, ainda era normal sentir remorso, raiva, frustração e derrota; depois de ultrapassar esse nível, restava apenas desesperança.
A força do “Diabo” mostrava estar naquele nível.
Um Grande Sábio derrotou um Meio-santo, o Herói Mais Forte, de maneira humilhante. O que sua filha possivelmente poderia fazer contra um monstro como esse?
— Elijah tem pessoas para cuidar dele. Não desejo ficar incomodando-o — respondeu Ambrosia, com um leve sorriso que permaneceu em seu rosto e que irritou Lyriana.
No final, seu rosto tremeu e ela desistiu.
— Vim aqui encontrar o Nux. Gostaria que não perguntasse mais nada.
— Mas o Nux é meu genr- — Isso não importa. Pare com seus jogos, Ambrosia.
— Sabemos o motivo de estarmos aqui. Então, em vez de jogarmos estes joguinhos idiotas, vamos encontrar aquele garoto e confirmar nossa suspeita.
Ambrosia estava prestes a responder, mas, antes que pudesse, ouviu uma voz brincalhona.
— Oh? Minha sogra e minha futura sogra estão aqui~ — Que surpresa agradável. O que traz as duas?