— Os monstros são fortes demais para lutarem, não se envolvam em combate direto! Precisamos resistir até Sua Majestade lidar com o resto dos monstros!
— Usem os cadáveres como muralha! Não deixem superarem vocês em números, tirem seu espaço de ataque!
O General gritou, dando ordens para os cultivadores corporais que estavam enfrentando os monstros de nível Meio-santo que cruzaram a muralha externa.
Dez mil Meio-santos. Este era o número de monstros que estes mil soldados, dos quais só cem estavam no nível Meio-santo, conseguiam enfrentar. O pior? Mesmo entre os mil Meio-santos, metade estava no topo da muralha interna, lançando feitiços nos monstros. Isto significava que, eficientemente, só cinquenta Meio-santos estavam enfrentando dez mil Meio-santos.
Não havia como vencer esta batalha. Honestamente, se não fosse pelo General assumindo as linhas de frente, estes soldados já teriam sido esmagados e até ele mal conseguia se manter de pé.
O único motivo de conseguir aguentar foi porque o portão pelo qual os monstros passaram não era largo o bastante para deixar todos passarem ao mesmo tempo. Dos dez mil monstros, só algumas centenas conseguiram passar e, desta centena, só alguns podiam lutar eficientemente devido à falta de espaço.
No entanto, por mais impressionante que fosse, o General sabia que, se isto continuasse por mais tempo, ele e seus soldados não sobreviveriam e seriam esmagados pelo número de oponentes.
O General só esperava que o Rei derrotasse os outros monstros antes que isso acontecesse e viesse ao resgate, senão…
Crack!
Enquanto o General pensava em tudo isso, tentando encontrar uma maneira de prolongar sua sobrevivência, ouviu um som de repente.
Hã…?
Uma sensação sombria tomou conta de seu corpo. O General olhou em volta, observando o enxame de monstros na sua frente e tentando encontrar a fonte do som.
E, quando descobriu a fonte, seu corpo tremeu de choque e terror.
— RECUAR! RECUAR!
Ele gritou.
— Recuem para a muralha interna! Abandonem suas posições!
A muralha externa rachou.
Os monstros que não conseguiram entrar no castelo por causa da falta de espaço decidiram alvejar a muralha que os impedia. Embora alguns tenham conseguido escalar, a maioria deles simplesmente decidiu derrubar a parede e finalmente conseguiram.
BOOOM!
— Recuar!
— Cultivadores de mana, criem muralhas para impedir os monstros! Protejam seus aliados! Precisamos aguentar até Sua Majestade chegar!!
O General não sabia se era a última onda ou não, mas o que sabia era que Sua Majestade havia dado a ordem de salvar o máximo de soldados possível.
Com a muralha externa derrubada, não havia nada para conter os dez mil monstros. Agora, em vez de uma luta entre cinquenta soldados e algumas centenas de monstros, era uma batalha entre cinquenta soldados e dez mil monstros.
Era uma batalha que os soldados jamais poderiam vencer. Os inimigos eram fortes demais.
Era a vigésima nona onda; estes soldados não deviam durar tanto tempo.
Porra, sem falar nos soldados, até o Rei não devia durar tanto. Tudo devia ter acabado mais cedo que isso.
Porém, não acabou só por causa do homem nas linhas de frente, lidando com a onda sozinha. Estes soldados, que deviam sacrificar suas vidas nas ondas anteriores após lutar valentemente, simplesmente ficaram ali assistindo seu Rei aniquilarem os monstros invadindo sua terra natal.
Agora, todavia, a sorte esgotou. Em vez de ter um fim valente, estes soldados agora morreriam sem conseguir causar algum dano substancial no inimigo.
Eles perderam. Mesmo que o General tivesse avisado, chegou tarde demais e nenhum dos soldados conseguiu recuar para a muralha interna.
Alguns dos soldados que mostraram as costas para os monstros foram pisoteados até a morte; o resto teria o mesmo fim. Era uma derrota, ou foi o que todos os soldados e até o General pensavam.
— Fui lento demais…
Uma voz calma foi ouvida.
Perfura! Perfura! Perfura!
De repente, os soldados correndo viram espinhos pretos-arroxeados aparecerem do chão, perfurando os corpos das bestas e crescendo até dez metros.
— Alguns deles morreram…
Nux comentou enquanto via os corpos de seus soldados, mas balançou a cabeça e deu de ombros.
— Bem, isso ia acontecer uma hora.
Estes soldados não eram pessoas reais. O mesmo valia para estes monstros; nada disto era real.
Estes soldados estavam destinados a morrer e estes monstros deviam ser infinitos.
Além disso, este castelo… estava fadado a ser destruído.
Mesmo ele estando aqui, não mudaria isso. A única coisa que podia fazer era atrasar o inevitável e, quanto mais conseguisse atrasar, melhores seriam as recompensas.
— Bem, foda-se.
Quando Nux xingou alto, a Névoa Negra saiu de seu corpo, preenchendo a área toda. Os monstros tentaram resistir; alguns tentaram atacar Nux, enquanto outros tentaram quebrar a muralha de ametista negra que ele invocou, mas a Névoa Devoradora devorou suas vidas e eles estavam impotentes.
Os monstros logo sumiram no esquecimento.
Nux então caminhou no ar, cruzando a muralha que criou e, quando seu olhar parou nos soldados, encarando-os com expressões chocadas, sorriu.
— Essa foi por pouco, né?
—… — Os soldados não conseguiam dizer nada; eles estavam envergonhados demais para falar algo.
— Vocês não conseguiriam aguentar…
Nux comentou.
— Acho que preciso garantir que o castelo não seja destruído antes de eu morrer. Isso seria bem decepcionante.