— Ember Windstar, você confia em mim?
— Hã?
Ao ouvir a pergunta repentina, Ember franziu a testa.
— Vamos, você pertence a mim agora, Ember.
— Você confia em mim de todo coração, certo?
A expressão de Ember ficou momentaneamente corada antes de voltar ao normal e perguntar.
— O que está planejando?
— Bem, contarei após responder minha pergunta.
Nux sorriu.
— Você é irritante.
Ember reclamou.
— Então? Você confia em mim?
— Não importa se confio em você ou não. Sou sua agora, você tem a responsabilidade de cuidar de mim. Você pode fazer o que quiser e eu seguirei.
Ember respondeu.
— Hmmm, não falei que você era do tipo tímida.
Nux comentou.
O rosto de Ember tremeu e retrucou com raiva.
— Você vai me contar o que está pensando ou não?!
— Tudo bem, tudo bem, não precisa ser tão agressiva. Vou contar.
— Vamos fugir.
— Hã? — Ember franziu a testa.
— …
Nux, todavia, não explicou mais e continuou olhando para Ember com um sorriso.
— Não acabei de contar o problema? Não posso fugir, não tenho para onde ir.
— Você não precisa se preocupar com isso, tenho um plano perfeito de onde você pode viver sem problemas.
— Você só tem que concordar e me seguir.
Nux respondeu.
— …
Ember ficou quieta e começou a pensar.
— … E quanto aos meus soldados…?
No final, ela expressou suas preocupações.
— Eles vão enfrentar um exército muito mais forte. Se eu não estiver aqui, vários perderão a vida.
— Não quero que isso aconteça.
— As coisas seriam mais problemáticas se ficar aqui, Ember.
— Atualmente, não tem como você e seu exército vencer. Se as duas nações colidirem, sua derrota é inevitável. Existem sete cultivadores do Estágio Rei no acampamento inimigo e nem estou falando do Imperador agora.
— Se seu exército quiser vencer esta guerra, a única maneira é buscar ajuda do Soberano. Porém, com seu relacionamento com o Soberano, aquele homem jamais ajudaria, o que acarretaria seu sofrimento e de seus soldados.
— Agora, a única coisa que pode fazer é fugir, pois assim, você ficará segura e o Soberano seria forçado a ajudar o exército porque o General recém-indicado é seu subordinado.
— …
Ember ficou quieta.
— Então o problema real sou eu…?
Ela perguntou.
— Não, o problema não é você, Ember.
— O problema é o Soberano. No entanto, desde que o Soberano tem o poder, não podemos enfrentá-lo agora.
— Portanto, teremos que recuar.
Nux respondeu.
Ember assentiu e falou.
— Entendo, sairei com você. Porém, não sairemos hoje.
Desta vez, a determinação nos olhos de Ember estava inabalável.
Ela não era de desistir e Nux sabia disso.
Contudo, ele ficou curioso.
— Por que diz isso?
— Escreverei uma carta de renúncia ao Soberano e só partirei quando o próximo General chegar. Não deixarei meus soldados sem líder, mesmo que por um dia.
— Não sei quando aqueles bastardos atacarão novamente.
Nux olhou nos olhos ardentes de Ember e sorriu.
— Tudo bem, faremos como disse, mas na conversa com os Vice-Generais, conte apenas o que eu disser, okay?
— Feito.
Ember assentiu e começou a escrever a carta.
— Preciso da sua ajuda.
— Conte comigo.
Thyra assentiu e foi até os Vice-Generais que estavam discutindo algo com expressões solenes.
— Não gostei da expressão no rosto de Finkelstein quando foi embora.
Thyra falou.
Os três Vice-Generais olharam para ela e Laurence concordou.
— Também não gostei.
Thyra continuou.
— A General também não saiu, estou preocupada.
Laurence olhou na direção da tenda de Ember e estreitou os olhos.
— Não se preocupe, ela sairá logo.
— Sei disso.
Thyra deu um aceno e logo, Ember saiu da tenda com uma expressão solene.
Thyra e os três Vice-Generais correram na direção dela.
— General, o que aconteceu, o que a carta do Soberano dizia? — Laurence perguntou.
Ember olhou para os quatro na sua frente ao responder.
— Ele se recusou a nos ajudar de qualquer maneira possível.
Laurence franziu a testa.
— Por que você tem essa expressão então? Já não esperávamos isso?
— Tem algo que você não está nos contando, não é?
Thyra estreitou os olhos e perguntou.
Laurence e os outros Vice-Generais franziram a testa.
Vendo que ela não podia esconder mais, Ember suspirou.
— O Soberano me mandou desistir da minha posição como General e retornar.
— O QUÊ!?
Os três Vice-Generais gritaram em choque.
— Por que ele faria isso!?
— Ele ficou louco?!
— Onde mais ele encontraria um General melhor que você?!
— Espera… é aquele bastardo do Finkelstein?
— NÃO! Jamais serviria aquele bastardo como líder!
— Concordo! Preferia morrer!
Os Vice-Generais mostraram sua rejeição, mas Laurence… ficou estranhamente quieto.
— General…
— O que é? — Ember indagou quando se virou na direção de Laurence.
— … Está relacionado “àquele” incidente?
— … Sim. — Ember assentiu e os três ficaram quietos.
— Aquele bastardo! Ele quer forçar você a se casar com ele!
— Isto é inaceitável!
— Sim! Não aceito isto! Também sairei do exército! Não quero servir mais a Dinastia!
— Sim! Seguirei a General!
— Concordo.
— Não, não permitirei.
Ember, todavia, balançou a cabeça.
— Por quê?
— Lembre-se, sua família ainda está vivendo na Dinastia. Não façam algo idiota, isto pode prejudicar suas famílias no futuro.
— Eu sou diferente, minha família já me abandonou.
— …
Os Vice-Generais ficaram quietos.
— … O que você fará agora?
Após um longo silêncio, Laurence perguntou.
— Não posso voltar à capital, você sabe o que aconteceria se eu fizesse isso — Ember respondeu.
— Então, para onde planeja ir?
— Ela vai comigo.