— Pessoal, se acalmem. Ninguém se mova e ouça o que eu digo, senão, não nos culpe por sermos cruéis.
O homem liderando a unidade de soldados mandou.
— Senhor, eles não estão nos ouvindo!
— Hmph! Por que estão em pânico por uma cabecinha? Se estão com tanto medo, preciso usar este medo a meu favor.
— Guardas, cortem as cabeças daqueles que não obedecerem. Vocês têm minha permissão.
Assim que esta ordem foi liberada, três cabeças caíram no chão.
— …
Desta vez, ninguém gritou.
A área toda ficou quieta.
— Vou repetir.
— Ninguém se mova. Se alguém desobedecer às minhas ordens, terá um destino similar.
— …
Todos ficaram quietos.
Com um olhar satisfeito, o chefe dos guardas continuou.
— A Consorte Real Allura foi sequestrada por alguns ratos. Não só isso, aqueles bastardos mataram nosso pessoal. Se alguém tiver alguma ideia do que aconteceu, venha aqui.
— Se a informação for útil, você será recompensado.
Todos se entreolharam, muito interessados nas “recompensas” das quais o chefe dos guardas estava falando, mas ninguém se adiantou.
Ninguém sabia o que aconteceu, nem mesmo as pessoas reunidas no começo.
Vendo isto, o chefe dos guardas suspirou.
Então, se virou para Trent e Tim e se curvou.
— Senhores, cercamos a área.
Os dois assentiram.
— Tudo bem, acho que devemos começar a investigação.
— Lorde…
De repente, um dos protetores chamou.
— O quê?
Trent indagou.
— Você deveria olhar dentro da carruagem.
— …
Trent olhou para o protetor e assentiu.
Com um olhar sério, espiou dentro da carruagem e estreitou os olhos.
— Sangue…
— Sangue?
Tim franziu a testa.
Após Trent assentir, Tim olhou dentro e sua expressão ficou séria.
— Você.
Trent apontou para o chefe dos guardas.
— Chame o motorista.
Trent mandou.
Alguns segundos depois, o motorista chegou.
— O que aconteceu aqui?
— N-Não sei de nada, Lorde.
O motorista gaguejou.
Seu rosto perdeu toda a cor e seu corpo estava tremendo.
Estava claro que ele estava com medo de algo.
— Por que você parou a carruagem do nada?
Trent questionou.
— Lady Allura mandou.
— Hã?
Trent, Tim e o chefe dos guardas franziram a testa.
— Lady Allura mandou?
— S-Sim, Lorde.
— Por que ela faria isso?
Tim não conseguiu entender.
— N-Não sei, mas sua voz parecia um pouco amedrontada…
O motorista então contou tudo que aconteceu e quanto mais ouviam, mais não conseguiam entender o que aconteceu.
— Você… está tentando nos enganar…?
De repente, o chefe dos guardas olhou para o motorista e estreitou os olhos.
— Não! Lorde! Acredite em mim, não estou mentindo!
— Foi isso que aconteceu!
— Por favor, acredite em mim!
O motorista praticamente suplicou.
— Na verdade… o que ele diz faz sentido… Até as pessoas de passagem atestaram que ouviram aquelas palavras.
De repente, Trent falou.
— E se também forem parte do plano?
O chefe dos guardas indagou.
Trent, todavia, balançou a cabeça.
— Não é isso. Não confio nas pessoas, só confio na evidência real.
— E a evidência diz que este homem não está mentindo.
— Hmm? — O chefe dos guardas franziu a testa.
— Pense comigo.
— “Quem é você? Como entrou?”
— Estas palavras claramente dizem que alguém entrou de alguma forma na carruagem da Consorte Allura.
— “Não, não me mate. Alguém, socorro. Socorro.”
— Estas palavras dizem que a pessoa tentou ferir a Allura e, claramente, dominou-a, que está no Estágio Especialista.
— Existem sinais de uma luta na carruagem e acredito que o sangue deva ser da Consorte Allura.
— Então, você está dizendo que alguém entrou aleatoriamente na carruagem que estávamos de olho, atacou a Lady Allura, a levou consigo e não vimos nada?
— Sim…
— Por mais absurdo que pareça, é a única possibilidade que consigo pensar.
— Não os julgue por meios normais.
— Olhe para a cabeça do Stark…
— Com o corte limpo, tenho certeza de que foi um cultivador do Estágio Rei…
O tom de Trent ficou mais pesado quando falou da morte de Stark. Ele foi nitidamente afetado pela morte de seu parceiro.
— Você acha que foi a mesma pessoa?
Tim perguntou.
— Não, acho que foram pessoas diferentes. Um entrou na carruagem da Lady Allura, enquanto a outra matou Stark.
— E os dois eram cultivadores do Estágio Rei?
— Sim, não consigo pensar em ninguém mais fraco capaz de fazer algo assim.
— Mas… por que matariam o Stark? Se quisessem matá-lo, por que não nos mataram também?
Tim indagou com uma carranca.
Era assustador como ele estava falando da própria morte dessa forma.
Porém, era exatamente assim que os membros da Unidade das Sombras funcionavam. Eles nunca se importaram com a própria morte. Para eles, falhar em completar uma missão e decepcionar o Rei era pior que a morte.
— Para enviar uma mensagem.
Trent respondeu.
— Aqueles bastardos sabiam que a Lady Allura deixou a mansão. É claro, não é difícil de saber, mas estes bastardos também sabiam que estávamos a seguindo.
— Portanto, além de ferirem a Lady Allura na nossa frente, eles mataram o mais forte entre nós.
— Não vejo nenhum outro motivo para isso ser para enviar uma mensagem.
— Uma demonstração clara de força.
— Um desafio claro.
— Não só para nós, mas para toda a Unidade das Sombras.
— Seja lá quem forem, eles não são pessoas comuns e têm um objetivo em mente.
— Um objetivo assustador.
Trent respondeu com um olhar sombrio.
A expressão de Tim ficou séria.
— Então, eles nos deixaram vivos para podermos nos tornar…
— Mensageiros, sim.
— …
Os dois ficaram quietos.
— O que vamos fazer?
Tim perguntou.
Após pensar sobre as coisas por mais de cinco minutos, Trent apenas balançou a cabeça.
— Não temos outra opção, temos que relatar ao Rei.
— … Tudo bem.
Embora quisesse relatar isto após pegar o criminoso, Tim sabia que não podia fazer isso agora.
Eles não tinham como capturar o culpado.
Portanto, teriam que voltar de mãos vazias.
— Você aí.
Trent chamou.
— Sim, senhor.
O chefe dos guardas se adiantou.
— Procure por todos os presentes. Embora eu duvide muito, existe a chance do culpado ou alguém relacionado a ele estar aqui.
— Capture qualquer um que achar suspeito e pode usar da violência se for necessário.
— Sim, senhor!
O chefe dos guardas saudou.
— Relataremos isso ao Rei.
Dizendo isso, Tim e Trent se entreolharam e desapareceram.