— Estou pronta para assinar o contrato, pai. Já considerei tudo que há para considerar.
Melia falou com um olhar determinado.
Orpheus olhou nos olhos de sua filha e assentiu.
— Tudo bem. Supervisionarei a assinatura do contrato.
Melia olhou para Nux e assentiu. Nux então olhou para Orpheus.
— Um passo à frente, humano.
Nux assentiu e se adiantou. Orpheus colocou o contrato na mesa, Nux e Melia leram o contrato de novo e então Nux assinou.
Melia fez o mesmo e, após terminarem de assinar o contrato, Orpheus avançou.
— Sob minha autoridade como Duque do Reino de Sangue, este contrato estará em pleno poder. De agora em diante, qualquer parte que for contra este contrato será tratada como o inimigo jurado da Casa Ducal Bloodheart.
Dizendo aquilo, um carimbo apareceu na mão de Orpheus e ele o usou no contrato, tornando-o legal.
Orpheus olhou para os dois e declarou.
— Eu sozinho observarei o duelo que será realizado em uma semana.
Melia e Nux assentiram.
— Estamos de saída, pai.
Melia falou e se virou.
Nux olhou para Orpheus uma última vez. Ele não reagiu ao olhar, portanto, Nux decidiu deixar quieto e também se virou com suas esposas seguindo logo atrás.
— Heh.
No momento em que o grupo saiu, um sorriso apareceu no rosto de Orpheus.
— Ele vai ser o oitavo Herói?
Ele pensou alto.
Este garoto era interessante, afinal, cultivava mana e corpo. Isso automaticamente o tornava uma existência especial.
Entretanto, isto não significava que este humano tinha o necessário para derrotar Melia.
Ele era apenas um Imperador, afinal de contas.
O Estágio Sábio poderia ser considerado, mas Grandes Sábios eram diferentes. Até derrotar um Grande Sábio normal deveria ser difícil para ele, sem falar que Melia era a filha de um Duque vampiro, com talento incomparável e que foi treinada pelo melhor desde que nasceu.
— Para o primeiro membro do seu clã, aquele humano não é uma escolha ruim.
Um sorrisinho apareceu no rosto de Orpheus enquanto pensava sobre o duelo.
Uma luta entre sua filha e o possível oitavo Herói.
Ele podia não demonstrar, mas estava definitivamente interessado em testemunhar.
— Isso foi estressante.
Por outro lado, assim que Nux saiu do cômodo de Orpheus, suspirou.
— Não foi tão ruim.
Melia sorriu.
— Para você, afinal, é seu pai. Para mim, foi uma história completamente diferente. Para ele, sou alguém que vai tirar sua filha. Posso te dar mil motivos pelos quais não gostaria de mim — respondeu Nux.
— Tirar sua filha, hein. Veremos isso em uma semana.
Melia sorriu.
— É claro, as pessoas normalmente não acreditam nas minhas palavras até acontecer. Não me importo, isto me coloca numa posição vantajosa. — Nux assentiu.
— Você parece mais aberto que antes. — Melia notou.
— Você não pode voltar atrás agora que o contrato foi assinado — respondeu Nux.
— Você estava preocupado com isso?
— Preocupado que uma cultivadora no Estágio Grande Sábio imensamente talentosa pudesse não se juntar ao meu clã? É claro que estava. Preciso ser cuidadoso.
— Você é arrogante. Precisamos consertar isso quando se juntar ao meu clã. Arrogância traz problemas. — Melia notou com sua inexpressividade de sempre.
— Heh, arrogan-
— Oh? Olha só isso? Melia, o que minha irmãzinha está fazendo aqui? E quem é este humano? Espera, ele é o humano que você desafiou para um duelo para fazê-lo se juntar ao seu clã? Não consigo acreditar que está indo tão longe, Melia.
Enquanto Melia, Nux e suas esposas caminhavam pelo corredor, esbarraram num homem. As características do homem eram similares às de Orpheus, porém, diferente dele, que tinha uma inexpressividade como Melia, este parecia alguém que expressava livremente suas emoções.
Nux observou este homem e sua expressão ficou solene.
Auge do Estágio Meio-santo…
Este homem era forte, absurdamente forte.
E não só isso, o fato de ter ouvido falar do duelo tão rápido só poderia significar uma coisa.
— Irmão mais velho.
Melia falou num tom sem emoção.
Sim, Lazarus Bloodheart.
O irmão de Melia e o herdeiro da Casa Ducal de Bloodheart.
Nux e suas esposas ouviram sobre ele de Allura. Um cultivador no auge do Estágio Meio-santo que podia derrotar Santos. Sim, assim como Nux, ele tinha poder para enfrentar pessoas acima do seu nível e, diferente de Nux, não era um cultivador de mana e corpo.
Isso significava que só conseguia derrotar oponentes mais fortes que ele baseado em suas habilidades e isso não era comum em Yrniel.
Em Yrniel, a menos que cultivasse o corpo e a mana, havia poucos que conseguiam superar o limiar do estágio e derrotar alguém mais forte.
Até Thyra, que podia matar Especialistas quando estava no Estágio Grande Mestre, era considerada uma grande figura e esses estágios nem sequer eram considerados como estágios reais.
A lacuna de poder que um ser experiencia quando salta do Meio-santo para Santo era enorme.
O fato de Lazarus ter alcançado algo assim o tornava alguém especial. Esse também era o motivo pelo qual Orpheus se orgulhava tanto de seu filho.
Ele alcançou algo que até Orpheus não conseguiu.
No entanto, o fato de Lazarus estar aqui… não foi do agrado de Nux.
Pelo que viu, Melia e Lazarus não tinham um bom relacionamento. Estava claro que Melia planejava criar um clã para não ter que ouvir as ordens dele. Não era necessário ser um gênio para adivinhar que tipo de relacionamento os dois tinham.
— Hmm?
De repente, Evane agarrou a mão de Nux. Nux olhou para sua esposa e notou que ela estava olhando para Lazarus com uma expressão estranha.
— Ahh…
Nux percebeu.
Um irmão enfrentando sua irmã pelo trono. Quem, além de Evane, conseguia entender bem isto? Ela passou pela mesma coisa.
Este incidente deve ter lembrado de memórias que Evane queria enterrar em seu coração.
— Não se preocupe, não vai acontecer nada.
Nux confortou Evane.
Porém, em vez de se acalmar, Evane apertou com mais força. Nux franziu a testa, Evane apontou para a frente com uma expressão tensa. Nux se virou e notou que Lazarus havia levantado a mão.
Ele está tentando fazer algo? Nux franziu a testa.
Seis pessoas estavam escondidas na escuridão de olho neles. Como Lazarus poderia-
De repente, a expressão de Nux e suas esposas mudou.
A mão de Lazarus apareceu na cabeça de Melia e… ele começou a bagunçar o cabelo dela.
— Tsk, tsk, por que você é tão fria com seu irmão até na frente de nossos convidados?
Lazarus riu.
— Não sou uma criança. Você sabe que é assim que sou.
— Sim, sim, eu sei. Você herdou do pai. Contudo, você pode pelo menos mostrar um sorrisinho para seu irmão? Estou até disposto a desistir da minha posição de herdeiro em troca. Não estou pedindo muito, um sorriso por sem- não, por um dia servirá.
Melia apenas olhou para Lazarus e não falou nada.
— Um por semana também serve…
— …
— U-Um por mês?
— …
— N-Não posso ir além disso… como você pode ser tão cruel…
— Irmão, você sabe que se adequa melhor à posição, nem tente escapar disso. O pai não gostará.
Melia falou.
— Você vai sair se eu não fizer isso, não é?
— Quero criar um clã.
— Mas por quê?
— Porque quero poder.
— Você pode ter aqui.
— Quero ganhar tudo sozinha.
— Você estaria fazendo isso aqui.
— Não é a mesma coisa e você sabe disso — Melia respondeu com sua inexpressividade usual.
— Tsk, você era mais fofa quando era uma criança. Ainda lembro de como veio correndo me ver quando quebrou seu canino. — Lazarus bufou.
A inexpressividade de Melia ficou um pouco corada quando Lazarus mencionou isso.
— Já falei para esquecer sobre isto.
— É claro que não. É impossível eu esquecer da minha adorável Mel. Você é alguém que a possuiu.
— Isso é besteira.
— Vou procurar isto, sua demônia. Portanto, trarei minha Mel de volta. Apenas espere.
— Haah…
Melia suspirou.
Lazarus olhou para Melia e também suspirou.
— Que tal um abraço?
Ele pediu.
No final, Melia decidiu e colocou a cabeça no peito de Lazarus.
Um grande sorriso apareceu no rosto de Lazarus enquanto abraçava sua irmãzinha. Ele colocou o queixo na cabeça dela e esfregou seu cabelo de novo.
Um sorrisinho também apareceu no rosto de Melia.
Os dois se abraçaram e logo Melia afastou Lazarus. Ele fez beicinho, mas apenas suspirou e olhou para Nux enquanto estreitava os olhos.
— Então? Ele é o humano que você desafiou? Por que não o introduz para mim?