— O sangue fluindo em suas veias… não é normal… Existe a chance de ser ainda mais puro que o nosso.
Rislith revelou com um olhar solene.
Ouvindo suas palavras, Maline e Aisha arregalaram os olhos em descrença.
Até Allura parecia surpresa pelas palavras de Rislith.
Ela sabia que seu corpo passou por mudanças insanas. A quantidade massiva de mana que conseguia sentir no corpo, a força que a fazia sentir que podia fazer o que quisesse. Ela sabia que estava diferente até quando comparada a si própria na provação, mas só achou que era por causa do cultivo.
Contudo… e pensar que Rislith diria que seu sangue era mais puro que o delas, que tinham sangue real fluindo em suas veias…
Como… honestamente, Allura sentiu que Rislith estava enganada.
— Não existe “chance” aqui.
Eisheth falou de repente.
As quatro súcubos olharam para ela e, quando teve a atenção, continuou.
— Seu sangue é mais puro que o nosso.
— M-M-Mas como isso é possível?
Aisha não conseguia entender.
— A Torre da Provação é misteriosa, Aisha. Seu poder está além da nossa compreensão.
— Allura foi recompensada pela torre e não foi uma recompensa pequena. O fato de ela não sentir o formigamento que incomoda continuamente a gente mesmo após ficar quarenta e sete anos sem transar significa que superou com sucesso a “falha” da nossa raça.
— Seu sangue transcendeu.
Eisheth explicou.
— A falha da nossa raça…?
Maline franziu a testa.
— De fato, as três raças mais fortes em Yrniel, os vampiros, dragões e nós, demônios. Estas três raças são muito fortes.
— As outras raças, como os elfos, bestiais, anões e humanos, não poderiam competir contra as três raças mais fortes, portanto, como uma contramedida e para dar às outras raças uma chance, Yrniel amaldiçoou estas três raças com uma “falha”.
— Os vampiros são enfraquecidos sob o sol. O orgulho dos dragões é tão alto que fazê-los trabalhar e seguir o plano de um indivíduo é difícil demais. Até o Lorde Dragão não pode ordenar os outros dragões. E nós, demônios, também temos uma falha.
— Diferentes demônios têm diferentes falhas. Alguns ficam embriagados pelo poder a ponto de ficarem insanos, alguns deixam a raiva tomar conta do pensamento racional, outros ficam consumidos pelo seu próprio poder.
— Quanto a nós, demônios sexuais, é a luxúria insaciável. Todos os vampiros, dragões ou demônios têm uma “falha”, mas, segundo lendas, existem seres que superaram estas falhas, os Transcendentes.
— Pouco é conhecido sobre eles. Na realidade, nada é conhecido sobre eles; até o fato de existirem é desconhecido. Eu costumava pensar ser um mito, mas… vendo esta garota aqui e o fato de sentir uma supressão estranha quando fico diante dela me faz ter certeza. Ela não é uma súcubo normal. Ela é uma Transcendente, aquela que superou a “falha” da sua raça.
Eisheth explicou e todas ficaram quietas.
Digerir o que ela falou era difícil demais.
Elas precisavam de tempo. Transcendente, falhas das raças, elas não sabiam de nada sobre isso, mas… o fato de Eisheth dizer que se sentia suprimida diante de Allura… Esta… Esta declaração as deixou surpresas.
Até a própria Allura ficou perplexa.
Ela olhou para Rislith e, ao ver sua expressão cautelosa, Allura entendeu.
Eisheth não foi a única. Rislith também conseguia sentir.
Maline e Aisha, por outro lado, não pareciam sentir nada. Allura tentou pensar no motivo disto estar acontecendo, mas antes que pudesse pensar demais.
— De qualquer forma, o fato de a sua linhagem ser mais pura que a nossa não deve ser revelado. Você é uma mulher esperta, então não acho que precise de explicação para eu estar dizendo isso.
Eisheth olhou para Allura e anunciou.
Allura assentiu com seriedade.
— Não consegui seduzir homens na provação, portanto, a torre só me transformou numa súcubo normal com linhagem fraca. Quanto ao meu cultivo, estava suprimindo antes de entrar na torre e, como minha raça mudou, obtive um avanço e tive sorte.
— Bom. — Eisheth assentiu com satisfação.
— De qualquer maneira, mesmo que tenha superado sua falha, como súcubo, fazer sexo está na sua natureza. Tenho certeza de que quer alguma ação após quarenta e sete anos.
— Preparei a Câmara do Prazer para você. Se divirta, Allura~
Eisheth falou com um sorriso brincalhão.
Allura, entretanto, estreitou os olhos.
— Sou grata pela oferta, Lady Eisheth, mas já sabe que eu rejeitaria.
— Hmm? Tem certeza? Levei algum tempo para preparar a câmara para você.
— Sou grata por ter feito tanto. Você pode dar esta oferta para as outras súcubos. Tenho certeza de que apreciariam sua generosidade e até serão mais leais a partir de agora.
Allura respondeu, mas desta vez, seu tom soou frio.
Ela não queria mostrar, mas o fato de Eisheth ainda empurrá-la quando claramente rejeitou… a deixou descontente…
De repente, um sorriso brincalhão apareceu no rosto de Eisheth quando perguntou.
— Tem certeza? Não ficará com raiva se eu fizer isso?
Allura franziu a testa. Ela olhou ao redor e notou que Aisha, Maline e Rislith sorriram para ela.
— P-Por que eu ficaria com raiva…?
Ao ouvir a pergunta, o sorriso de Aisha aumentou ainda mais.
— Do que está falando, mãe? É impossível ele deixar qualquer súcubo aleatória tocar nele, sabia disso? Eu já teria tido minha chance se isso fosse possível.
— Ele?
Allura franziu o cenho.
Então, notou o sorriso de Aisha de novo.
— Você tem certeza absoluta de que não quer entrar na câmara que preparamos? Então, por que não me deixa virar você? — Aisha perguntou.
— A-A câmara… quem está lá? — Allura indagou.
— Quem você mais deseja ver agora?
Eisheth questionou com um sorriso misterioso.
De repente, Allura correu do campo de provação.