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Silêncio completo envolveu o cômodo.
Os únicos restantes eram Rune, Alistair, sua irmã e os dois Meio-santos. Nux matou ou levou o resto consigo.
— Não consigo acreditar que isto aconteceu…
Alistair murmurou com um olhar perdido. A pressão que estava o empurrando para baixo finalmente desapareceu. Ele não conseguia se mover de forma alguma.
Porém, a série de eventos que testemunhou diante de seus olhos…
As pessoas que viram hoje os dois grandes nomes parados bem na sua frente…
Só as memórias daqueles eventos eram o bastante para ele ficar congelado de medo.
Inconscientemente, Alistair se lembrou dos dias que não desejava se lembrar e seu corpo todo tremeu de medo.
Ele era considerado uma das crianças mais talentosas quando nasceu. Seus outros membros de clã o tratavam bem e ele não os decepcionou.
Ele se tornou o primeiro cultivador do Estágio Santo de seu clã, rompendo os limites e elevando o clã a novas alturas, mas estas novas alturas eram mais assustadoras do que imaginava. Seu clã não estava preparado para o que estavam prestes a passar.
Ele era um cultivador do Estágio Santo, sim, mas já havia exaurido todo seu potencial. Comparado aos Santos atuais com orientações, habilidades, feitiços e outros recursos, ele não era nada. Porém, ele e seu clã não sabiam disso.
A arrogância veio com poder e, dessa arrogância, seus membros provocaram alguém que não deveriam.
O clã de Alistair foi destruído, mas ele e sua irmã foram salvos por Rune, que o protegeu do inimigo ao mexer alguns pauzinhos e usar sua influência.
Em troca, Alistair jurou lealdade a Rune.
Sua irmã estava completamente alheia à existência de Rune. Só achava que seu irmão havia a salvado, algo que Rune não esclareceu também.
Após aquele incidente, a irmã de Alistair se tornou o único membro de sua família. Esse foi o motivo de ela ter sido mimada e tratada com tudo que queria.
Ele formou um Salão de Assassinatos que era devoto a Rune. Ela não se importou no começo, só os salvou porque estava de passagem, não esperava nada em troca. Mas Alistair continuou a completar missões, subir de classificação e recrutar mais assassinos. Logo, a Sombra do Silêncio era um grande nome que até Rune não podia ignorar.
No final, ela decidiu se tornar a líder da Sombra do Silêncio, que algumas vezes aparecia na frente dos maiores membros do salão e os ajudava a concluir missões que não conseguiam completar.
Para Rune, isto deixou de ser um passatempo e se tornou algo que ela levou um pouco mais a sério. Ela começou a se chamar de Lâmina Fantasma da Sombra do Silêncio.
As coisas continuaram bem e a Sombra do Silêncio continuou a crescer, até… hoje…
Assim como ele fez naqueles anos atrás, Alistair ofendeu alguém que não devia e, desta vez, o inimigo era tão forte que até Rune, que o salvou da última vez, ficou impotente.
— Lady Lâmina Fantasma, eu pequei. Eu deveria ter sido mais cuidadoso antes de escolher meus oponentes.
Alistair caminhou na direção de Rune e se curvou.
Com este incidente, a Sombra do Silêncio perdeu mais de cinquenta por cento de seu poder. Como a verdadeira líder da Sombra do Silêncio, Rune tinha todo direito de executá-lo.
Alistair estava preparado, ele não desejava continuar vivendo após fazer o que fez.
Ele olhou para sua irmã.
O Clã Gume a protegerá.
Com esse pensamento, desistiu e se preparou para morrer.
— Lady Lâmina Fantasma, estou preparado para aceitar minha sentença — Alistair falou.
Sua irmã queria dizer algo, mas quando seu olhar parou em Rune, decidiu ficar quieta.
Rune observou a irmã de Alistar por um tempo e depois olhou para ele, que estava ajoelhado.
— Não foi culpa sua. Você não poderia ter imaginado que eles teriam um cultivador do Estágio Divino os apoiando. Você só queria apaziguar sua irmã e escolheu um alvo mais fraco para isso. O problema foi que o alvo que pensou ser fraco acabou sendo mais assustador do que imaginava.
Rune suspirou.
A irmã de Alistair, que estava atrás dele, abaixou a cabeça. Ela não tinha nada a dizer. Agora, queria nada mais que retornar ao Clã Gume.
Rune sentiu isso.
Como alguém pode ser tão egoísta?
Ela se perguntou ao olhar para a irmã de Alistair. Em seguida, outro rosto apareceu em sua mente e um sorriso fraco se formou em seu rosto.
Ela olhou para Alistair de novo. Ele ainda estava ajoelhado com a cabeça baixada. Quanto às pessoas que perdeu, honestamente, Rune não se sentia tão ruim.
Aquelas pessoas foram recrutadas por Alistair para começo de história. Se fossem levados por causa de seu erro, ela não tinha direito de dizer algo. A pessoa de quem Rune realmente sentia pena era do homem que estava ajoelhado no chão.
Rune percebeu isto mais cedo. Alistair foi cegado pelo amor por sua irmã, o que fez esta vadia autocentrada que só encontrava maneiras de usar a força de seu irmão para progredir na vida. O filhote dela não era muito diferente. Ele usava Alistair para se livrar dos inimigos e sentir aquela falsa sensação de superioridade.
Alistair estava sendo usado e Rune sentiu pena dele.
Mas quem teria pensado que ela própria estaria numa posição pior?
Rune sorriu ironicamente.
Em seguida, olhou para as pessoas no cômodo e ordenou.
— Vocês podem sair.
As pessoas ao redor franziram a testa.
— Pensaremos em nossas ações futuras depois. Agora, preciso de algum tempo sozinha.
Rune explicou.
As pessoas se entreolharam. A irmã de Alistair foi a primeira a sair. Ela nem tentou levar seu irmão consigo. Ao vê-la, os dois Meio-santos também saíram. O último a sair foi Alistair.
E quando o quarto ficou vazio, Rune tirou um papel.
Esta era a missão mais recente que a Sombra do Silêncio recebeu.
Alvo de Assassinato: Rune Feline.