— Então, podemos seguir para o cofre da cidade?
Oberon perguntou.
O silêncio tomou conta da mansão da cidade. Diante de um cultivador do Estágio Divino, ninguém ousou falar.
Thud!
Sheba foi o primeiro.
Com sua liderança, os outros bestiais falcões do Estágio Santo começaram a se ajoelhar também e, ao ver seus líderes caindo no chão, os soldados da mansão e o resto das pessoas também se ajoelharam.
Eles não tinham outra escolha.
Os bestiais falcões perderam.
Com a morte de Prima e o surgimento de Oberon, o conteúdo do contrato não importava. A Cidade do Falcão Skythorn não tinha escolha além de aceitar.
Com os falcões não resistindo, Rune avançou e acorrentou os cultivadores do Estágio Santo, selando seus cultivos. Em seguida, as formações defensivas foram removidas. Não que pudessem matar Oberon, elas ainda eram fortes o bastante para feri-lo.
Não havia necessidade de assumir riscos.
De qualquer forma, o cofre da cidade foi esvaziado.
Oberon já tinha pegado tudo que Prima tinha no anel de armazenamento e agora tudo do cofre também se foi. Eles nem deixaram a riqueza pessoal dos cultivadores do Estágio Santo e dos outros bestiais falcões próximos. Todos os anéis de armazenamento foram levados.
A Cidade do Falcão Skythorn foi basicamente esvaziada.
E este não foi o fim, segundo o contrato, a Cidade do Falcão Skythorn foi forçada a pagar uma quantidade considerável de recursos à Cidade do Gato Feline a cada cem anos pelos próximos dez mil anos. Isto, combinado com mais condições listadas por Oberon, concretizava o que Sheba disse. A Cidade do Falcão Skythorn estava acabada.
Mesmo que fizessem o melhor para dar a volta por cima, para recuperar o que perderam hoje, precisariam de mais de cem mil anos e isso considerando que tudo ocorresse bem.
— Não virei aqui a cada cem anos. Certifique-se de preparar todos os recursos e enviar pessoalmente à Cidade do Gato Feline, assim não envolverei a Ordem Ancestral.
Dizendo aquilo, Oberon desapareceu. Os dois cultivadores do Estágio Santo seguiram logo atrás. Rune e Felix olharam para os bestiais falcões ajoelhados por um tempo antes de também irem embora.
Foi uma grande vitória para a Cidade do Gato Feline.
É claro, foi um pouco anticlimático no final, mas era assim que existências do Estágio Divino eram. Com a morte de Prima, a batalha já estava acabada, o resto era apenas formalidade.
De qualquer forma, Oberon e os outros retornaram e a cidade foi aberta de novo. Felix desistiu dos direitos de se tornar o sucessor e Rune foi escolhida como próxima sucessora e próxima Dama da Cidade.
Os cidadãos, que já adoravam Rune por sua gentileza e dedicação, celebraram sua vitória com muita alegria.
Conforme a notícia se espalhava como fogo, as ruas da cidade entravam em júbilo. Dos novos aos idosos, todos se juntaram às festividades. Bandeiras coloridas balançavam ao vento, exibindo o nome e símbolo de Rune, enquanto o ar espalhava sons de alegria por seu novo líder.
Rune também se dirigiu aos cidadãos, dizendo que, com a confiança depositada pelo povo e com sua competência, todos sabiam que a cidade entraria numa prosperidade nunca antes vista.
— Entrarei em cultivo fechado. Você pode não ser uma Dama da Cidade agora, mas como sucessora, liderará a cidade na minha ausência. Tenho altas expectativas em você, Rune.
Oberon falou enquanto olhava para sua filha.
— Não decepcionarei você, pai.
Rune respondeu.
Oberon assentiu e desapareceu.
Rune então entrou no quarto e notou Felix sentado. Um sorrisinho apareceu em seu rosto.
— Saudações, futura Dama da Cidade. — Felix se curvou dramaticamente.
Rune, porém, apenas o empurrou com uma risadinha. Os dois irmãos riram juntos e depois, com um olhar estranho, Felix comentou.
— Finalmente acabou…
— É… — Rune assentiu. Sua expressão parecia similar à de Felix.
Felix passou por muita coisa e Rune também. Não, qualquer um podia dizer que Rune passou por momentos piores.
Seu marido, irmão, pai e depois mãe, Rune ficou numa posição em que não sabia em quem confiar. Ela teve que escolher entre as pessoas mais próximas.
— Nada teria acontecido se não fosse por ele — Felix falou de repente.
— Você está certo.
Um sorriso suave apareceu no rosto de Rune quando lembrou de Nux e daquele seu sorriso confiante.
Era estranho como ela não conseguia confiar nas pessoas com as quais passou séculos de vida, mas confiava totalmente num homem que conheceu meses atrás e que na época era um inimigo.
— Você pode me chamar quando sentir minha falta, viu?
Rune ouviu uma voz de repente.
Ela se virou e viu Nux caminhando na sua direção com um sorriso brincalhão.
— Há quanto tempo? — ele comentou.
— Acho que nunca me acostumarei com você saindo do nada.
Felix expressou quando olhou para Nux.
— Considerarei um elogio, Lorde Felix. — Nux riu.
— Qual é o sentido de considerar um elogio de alguém como eu? Você é alguém que consegue escapar até dos sentidos do meu pai. Eu não sou nada. — Felix riu.
— Você deveria ter mais confiança em si, Lorde Felix. Você não pode pensar em permanecer na sombra da sua irmã para sempre, certo?
— Isso não é ruim. Posso me divertir sem parar e deixar minha irmã cuidar de mim. — Felix sorriu.
— Isso não pode acontecer. — Nux, todavia, balançou a cabeça.
— O que quer dizer? — Felix franziu a testa em confusão.
Nux então olhou para Rune: — Bem, tenho planos diferentes em mente e eles colidiriam com sua fantasia de ser cuidado por sua irmã.
— Do que está falando? — Felix perguntou enquanto estreitava os olhos.
Nux, porém, apenas riu.
— Nada. Ignore o que falei.
No entanto, mesmo que estivesse falando com Felix, seus olhos não se afastaram de Rune.
— Nux.
De repente, Rune chamou.
— Preciso conversar com você.